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Home -- Portuguese -- 04. Sira -- 4 Surge uma nova base de poder de Muhammad em Medina

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04. A VIDA DE MUHAMMAD SEGUNDO IBN HISHAM

4 - Surge uma nova base de poder de Muhammad em MEDINA (619 a 622 d.C.)

Muhammad parte de Meca -- A migração de Muhammad a Medina -- Estabelecida a cidade-estado de muçulmanos, judeus e animistas



4.01 -- Surge uma nova base de poder de Muhammad em MEDINA (619 a 622 d.C.)

Segundo Ibn Ishaq (falecido em 767 d.C.) Editado por Abd al-Malik Ibn Hischam (falecido em 834 d.C.)

Tradução original editada a partir do árabe por Alfred Guillaume

Uma seleção de anotações por Abd al-Masih e Salam Falaki

4.02 -- Muhammad parte de Meca (após 619 d.C.)

4.02.1 -- Como Muhammad buscou ajuda dos Thaqif

Após a morte de Abu Talib, os insultos que Muhammad teve de aturar da parte dos coraixitas foram se acumulando. Portanto, ele foi a Ta’if* e pediu ao thaquifitas que o apoiassem e o protegessem dos homens de seu clã. Ele também esperava que eles aceitassem o que ele recebera de Allah.

* Ta’if é uma cidade ao longo da grande fenda e fica tão alto quanto os ninhos de águias, acima de Meca (cerca de 1900 metros acima do nível do mar).

Quando Muhammad chegou a Ta’if, ele foi ter com os mais nobres dos thaquifitas. Eram três irmãos: Abd Jalail, Mas’ud e Habib, filhos de Amr ibn ‘Umayr. Um deles tinha uma esposa dos coraixitas, do clã dos Banu Jumah. Ele se sentou entre eles, os desafiou a crerem em Allah, a ajudar o islã e a protegê-lo de seu povo. Então o que havia rasgado a cobertura da Caaba disse a ele: “Allah te enviou?!” O outro disse: “Allah não poderia ter enviado outro mensageiro além de você?” O terceiro disse: “Por Allah, eu não falarei mais com você, porque se você for o que você diz que é, então me é perigoso demais te contradizer. Porém, se você mente, então eu é que não quero falar com você.” Então Muhammad se levantou, desapontado pelos thaquifitas. Conforme me foi relatado, ele teria dito a eles: “Se vocês me tratam com desrespeito, então ao menos mantenham isso em segredo.” Ele não queria que seu povo ficasse sabendo disso, de modo que o atacariam ainda mais.

Porém os thaquifitas não se importaram com o pedido de Muhammad, vindo a instigar os tolos e seus escravos contra ele. Esses o ofenderam e gritaram contra ele. Logo se reuniu uma multidão à volta dele. Muhammad foi forçado a fugir para um jardim que pertencia a ‘Utba e Shayba ibn Rabi’a. Ambos estavam por ali naquela ocasião. Assim os atormentadores se retiraram e Muhammad pôde se sentar sob a sombra de uma parreira. Os filhos de Rabi’a cuidaram dele e o observaram.

4.02.2 -- Addas, o cristão, reconhece Muhammad como profeta

Quando ‘Utba e Shayba, filho de Rabi’a, viram o que aconteceu a Muhammad, se encheram de compaixão. Eles chamaram um servo cristão chamado Addas e deram-lhe a seguinte tarefa: “Corte um ramo da parreira de uvas, coloque em um prato e leve ao homem ali e diga a ele que coma.” Addas fez o que lhe fora ordenado. Quando Muhammad estendeu sua mão, disse: “Em nome de Allah”, e somente depois comeu. Addas olhou para ele e disse: “Por Allah, eu nunca ouvi essas palavras dos moradores dessa cidade.” Muhammad perguntou: “De onde você? A que fé você pertence?” Ele respondeu: “Eu sou um cristão de Nínive.” Muhammad perguntou: “Da cidade do devoto Yunus ibn Matta?”* Addas respondeu: “Como você sabe sobre Yunus ibn Matta?” Muhammad respondeu: “Ele era meu irmão, porquanto foi profeta, e eu também sou profeta.” Addas se abaixou a beijou Muhammad na testa, em suas mãos e seus pés. Os filhos de Rabi’a, porém, disseram um ao outro: “Ele está seduzindo esse moço.” Quando ele voltou, eles exclamaram: “Ai de você! Por que você beijou a cabeça, as mãos e os pés desse homem?” Ele respondeu: “Meu senhor, não há melhor serviço na terra e nada melhor do que o que eu acabei de fazer. Ele me disse algo que somente um profeta pode saber.” Então eles responderam: “Ai de você, Addas! Não se deixe apostatar de sua religião por causa dele. Ela é uma religião melhor do que a dele!”

* Yunus ibn Matta é o nome árabe do profeta Jonas.

4.02.3 -- A respeito dos Jinn que creram

Após o profeta ter se decepcionado com os thaquifitas, ele partiu de Ta’if para retornar a Meca. Em sua viagem de volta, ele passou por Nakhla e realizou sua oração ali, no meio da noite. Assim, se ajuntou um número de espíritos (jinn) próximos a ele, para ouvi-lo. (Esse evento é registrado duas vezes no Alcorão: Sura al-Ahqaf 46:29 al-Jinn 72:1). Aconteceu de estarem sete jinn de Nasibin o ouvindo. Após Muhammad completar sua oração, eles voltaram para seus lugares e pregaram aos outros, porquanto se tornaram crentes e aceitaram o que ouviram sobre o islã.

Allah revelou a Muhammad esse evento no seguinte verso: “E quando te apresentamos uma companhia de jinn”* ... Dize: “Me foi revelado que uma companhia de jinn me ouviu...”**

* Que tipo de deus é esse que levaria demônios para serem auxiliadores de seu profeta? Não o Deus verdadeiro!
** Sura al-Jinn 72:1-15: os jinn se descrevem no Alcorão como muçulmanos. Eles não tiveram o direito de entrar no céu e tiveram de permanecer do lado de fora. Porém, eles garantiram a Muhammad que o ajudariam a divulgar o islã e que levariam as pessoas de sua área de influência a aceitarem o islã. Segundo o Alcorão, muçulmanos não são apenas pessoas, mas também espíritos, que ajudam a causa do islã. A abertura da cidade de Iatreb (posteriormente chamada de Medina, veja seção 10.5, adiante) pode ser vista como consequência do encontro de Muhammad com os jinn.

4.02.4 -- Muhammad prega o islã às tribos beduínas

Muhammad retornou a Meca. Os homens de seu clã resistiram a ele ainda mais do que antes, exceto por algumas pessoas mais fracas, que vieram a crer nele. Durante os dias festivos, Muhammad se apresentou aos beduínos e os convocou a crerem em Allah. Ele anunciou a eles que era um profeta enviado por Allah e exigiu que o aceitassem como legítimo e o protegessem para que pudesse explicar porque Allah o enviara.

Husain ibn Abd Allah me contou que ouviu como seu pai teria dito o seguinte a Rabi’a ibn Ibad: “Eu era um menino e estava com meu pai em Mina* quando Muhammad ficou de pé diante do local de acampamento das tribos árabes e disse a eles: ‘Ó filhos de tal e tal! Allah me envia a vocês e os ordena que o adorem, que não associem alguém a ele e que se afastem de tudo mais que vocês adoram ou que colocam em igualdade a ele. Vocês devem acreditar em mim, me aceitar como verdadeiro profeta e me proteger para que eu possa declarar a revelação de Allah a vocês.’ Atrás de Muhammad estava um homem limpo e de boa aparência, com duas mechas de cabelo, vestido com roupas de Aden. Tão logo Muhammad parou de falar, ele disse: ‘Ó, filhos, esse homem os convida a abandonar Lat e Uzza e seus aliados entre os jinn dos Banu Malik ibn Ukaish, além de querer que vocês se deixem desviar pelo que ele inventou. Não o sigam e nem deem ouvidos a ele!’

* Vale a leste de Meca.

Eu perguntei a meu pai: “Quem é o homem após Muhammad e que contradiz o que ele diz?’ Ele respondeu: ‘É seu tio Abu Lahab.’”

4.02.5 -- O início do islã em Iatreb* (cerca de 620 d.C.)

Quando Allah quis garantir a vitória ao islã, glorificar seu profeta e cumprir sua promessa, como de costume Muhammad foi às tribos beduínas durante o tempo da peregrinação e se apresentou a eles como profeta. Em ‘Aqaba** ele encontrou um número de khazrajitas, por meio dos quais Allah pretendia fazer o bem. Asim ibn Umar ibn Qatada me contou sobre os xeques de seu povo: “Muhammad perguntou ao khazrajitas que encontrou: ‘Quem é você?’ Eles responderam: ‘Somos khazrajitas.’ Então Muhammad disse mais: ‘Vocês são amigos dos judeus?’ Eles disseram: ‘Sim.’ Então ele os convidou a se sentaram com ele, os apresentou os ensinos do islã e recitou diante deles algumas suras do Alcorão. É obra de Allah que os judeus, os homens das escrituras, que têm conhecimento da lei e que habitavam entre os khazraj, os politeístas, sendo por eles oprimidos, frequentemente durante disputas faziam referência a um tempo próximo no qual um novo profeta apareceria. Eles os ameaçavam: ‘Nós o seguiremos e com sua ajuda destruiremos os politeístas, como ‘Aad e Iram.’ Como agora Muhammad convidara aquele povo a crer em Allah, disseram uns aos outros: ‘Talvez esse seja o novo profeta, por meio de quem os judeus têm nos ameaçado? Portanto, vamos segui-lo antes deles!’ E aconteceu que deram ouvidos a Muhammad, creram nele e se converteram ao islã. Eles também disseram a Muhammad: “Viemos de um povo entre o qual reina muita maldade e animosidade. Talvez Allah nos unirá por meio de você. Vamos convocar os homens de nosso clã à nossa fé que agora confessamos, e quando Allah nos unir à sua volta, não haverá homem mais forte do que você.’ Após isso, eles retornaram como crentes à sua terra de origem. Conforme me foi contato, houve seis khazrajitas. Quando esses homens retornaram a Medina, falaram com os de seu clã sobre Muhammad e os convocaram a abraçar o islã. Logo, toda casa falava sobre o mensageiro de Allah.”

* Iatreb foi posteriormente chamada de Medina, que significa “a cidade”, garantiu refúgio a Muhammad. Foi o primeiro lugar onde o islã foi plenamente implementado, já que ali Muhammad pôde estabelecer uma cidade estado.
** Al-‘Aqaba é o nome do vale fora de Meca onde os muçulmanos de hoje em dia, no contexto da peregrinação a Meca, realizam o ritual de “apedrejamento” de Satanás.

4.02.6 -- Sobre o primeiro encontro em al-‘Aqaba (622 d.C.)

No ano seguinte, vieram cerca de doze ansares* ao festival da peregrinação (em Meca). Eles encontraram Muhammad no alto de uma colina. Esse é tido como o primeiro encontro em al-‘Aqaba. Lá fizeram aliança com Muhammad segundo a maneira que as mulheres fazem,** já que a guerra santa ainda não havia sido prescrita.

* Ansar (literalmente: “os Auxiliadores”) são crentes muçulmanos de Medina que ajudam a trazer a causa de Allah à vitória. Eles veem das tribos politeístas de Aus e Khazraj, que viviam em Medina.
** Fazer aliança à maneira das mulheres significa que ele se comprometeram a não atribuir parceiro a Allah, mesmo não estando obrigados a participar da luta por Allah.

Usada ibn al-Samit compartilhou o seguinte: “Eu fui contado entre aqueles presentes no primeiro encontro em al-‘Aqaba. Houve doze de nós e juramos aliança a Muhammad à maneira das mulheres, antes que a guerra nos fosse prescrita. Nós juramos não atribuir parceiro a Allah, não roubar, não fornicar, não matar nossos filhos, não inventar mentiras e a obedecer a Muhammad em tudo o que é certo. ‘Façam isso,’ ele disse, ‘e vocês entrarão no paraíso. Se vocês transgredirem, então cabe a Allah puni-los ou perdoá-los.’”*

* Jesus recebeu de Deus a autoridade para perdoar os pecados dos homens na terra (Mateus 9:6). Jesus posteriormente deus essa autoridade de perdoar pecados a Deus discípulos, que eram guiados pelo Espírito Santo (João 20:21-23).
Muhammad não tinha autoridade para perdoar pecados. Ele não tinha certeza nem que seus próprios pecados seriam perdoados. Então, nenhum muçulmano tem certeza de perdão de pecados.
Somente Jesus e por meio da palavra de Seus discípulos é que há pleno perdão de pecados. Quem confia Nele será salvo.

Ubada ibn al-Samit relatou que Muhammad teria dito após fazerem aliança: “Se você cometer uma transgressão e for punido nesse mundo, então seu pecado estará expiado. Porém, se seu pecado permanecer oculto até o dia da ressurreição, então cabe a Allah decidir se você será punido ou perdoado.”*

* O islã é amplamente edificado sobre a justificação por obras.

Quando as pessoas estavam novamente prontas para partir, Muhammad permitiu que Mus’ab ibn ‘Umayr fosse com eles para ensiná-los o Alcorão e o islã e para instruí-los na fé. Em Medina, Mus’ab era chamado de “O Mestre Recitador”*. Ele viveu com Asad ibn Zurara. Mus’ad era quem conduzia as orações diante deles, já que os Aus e os Khazraj rejeitaram que algum deles conduzisse as orações diante dos outros.

* Ele foi comissionado por Muhammad para ensinar o muçulmanos recém-convertidos a ler, memorizar e recitar o Alcorão.
** As tribos dos Aus e dos Khazraj eram duas tribos beduínas assentadas que se tratavam com hostilidade, sendo que ambos eram governados por uma classe superior de judeus em Iatreb, vindo a ser manipulados um contra o outro.

4.02.7 -- A conversão dos dois príncipes tribais em Iatreb

As’ad ibn Zurara acompanhou Mus’ab ibn ‘Umayr ao acampamento dos Banu Abd al-Aschhal e os Banu Zafar. Com isso, entraram no jardim dos Banu Zafar e se sentaram a um poço chamado Maraq. Além desses, muitos descrentes se ajuntaram à volta. Quando Sa'd ibn Mu'adh e Usayd ibn Hudhair, que eram senhores de seu povo e também politeístas, ouviram sobre os dois, Sa'd disse a Usayd: “Maldição! Lá vão os dois homens que vieram a nós para se aproveitar de nossa franqueza. Expulsem eles e não os permitam retornar às nossas imediações. Se As’ad não fosse meu parente, como vocês bem sabem, eu os pouparia desse trabalho. Mas ele é filho de minha tia e eu não posso me opor a ele.” Usayd tomou uma espada e foi aos dois.

Quando As’ad o viu, ele sussurrou a Mus’ab: “Esse homem é o líder de seu clã. Ele está vindo a você. Permaneça fiel a Allah!” Mus’ab respondeu: “Se ele se sentar eu falarei com ele.” Usayd permaneceu de pé diante deles, jurou e exclamou: “O que o traz aqui para seduzir nosso humilde povo? Se você dá valor à sua vida, se afaste de nós!” Mus’ab respondeu: “Sente-se e me ouça. Se você gostar de minha mensagem, a aceite, se não, então nada pior entrará em seus ouvidos.” Usayd disse: “Sua sugestão é boa,’ então fincou sua espada no chão e se sentou. Mus’ab falou com ele sobre o islã e recitou a ele o Alcorão. Quando Mus’ab terminou, Usayd disse: “Que palavras bonitas e amáveis são essas! Como se faz para participar dessa religião?” Eles disseram: “Você precisa se lavar* e purificar a si e às suas roupas. Então você precisa fazer a confissão religiosa do islã e orar.”

* O ritual de se lavar antes de cada oração mostra novamente a profunda necessidade de limpeza no islã. Mas a água limpa apenas o exterior. O que é interno, o coração e a consciência, permanecem impuros no islã.

Usayd fez o que lhe mandaram fazer. Então ele disse: “Além de mim há um homem; se ele te seguir, então nenhum homem de nosso povo ficará para trás. Eu o enviarei a você imediatamente. É Sa'd ibn Mu'adh.” Ele tomou sua espada e foi a Sa'd. Ele estava sentado entre o concílio de seu povo. Tão logo Sa'd o viu vindo, exclamou: “Eu juro, por Allah, que Usayd agora está com um rosto diferente daquele de quando partiu.” Quando ele finalmente chegou, Sa'd disse: “O que você fez?” Ele respondeu: “Eu falei com os dois homens e, por Allah, eu não encontrei qualquer problema neles. Eu os proibi de continuar por aqui e eles obedeceram à minha ordem. Mas eu ouvi que os Banu Haritha saíram para matar As’ad ibn Zurara. Eles sabem que ele é seu primo e querem quebrar o acordo de proteção com você.”

Com isso Sa'd se enfureceu, se levantou imediatamente, tomou a espada das mãos de Usayd e exclamou: “Por Allah, você não trouxe boas notícias!” Quando ele foi aos dois homens e os encontrou calmos e seguros, ele observou que Usayd somente quis encontrar ocasião para ouvir aos dois homens. Ele começou a amaldiçoa-lo e disse-lhe: “Por Allah, se nós não fossemos parentes, você não teria ousado isso contra nós. Você está trazendo à sua própria casa aquilo que consideramos abominável?”

Mus’ab, que tinha sido informado por As’ad como seria importante ganhar ele líder para o islã, disse a Sa'd: “Sente-se e me ouça! Se o que eu disse te agradar, então aceite, se não, então sinta-se livre para discordar.”

Sa'd disse: “Você está certo.” Ele fincou sua espada no chão e se sentou. Mus’ab o fez se familiarizar com o islã e leu o Alcorão para ele. Ambos explicaram como podiam reconhecer o islã em seu rosto, antes mesmo de falar, já que sua face estava amigável e radiante.* Então ele perguntou o que podia fazer para entrar na religião. Eles o fizeram fazer o mesmo que Usayd. Então ele tomou sua espada e foi saiu com Usayd para irem ao concílio de seu povo. Tão logo viram Sa'd vindo, juraram por Allah que ele estava vindo um rosto diferente daquele de quando saiu. Quando estava diante da assembleia de seu povo, ele disse: “Filho de Abd al-Ashhals, que posição tenho ocupado entre vocês?” Eles responderam: “Você é nosso senhor. Você é o mais gentil, o mais compreensível e o mais abençoado entre nós.” – “Então está bem”, ele disse, “Eu juro solenemente não dizer uma única palavra a seus homens ou às suas mulheres até que vocês creiam em Allah e em seu mensageiro!” Então aconteceu que no acampamento dos Banu al-Ashhal não houve um único homem ou mulher que não se tornou devoto ao islã.

* Entusiasmo e zelo têm um efeito contagiante também no islã.

Então Mus’ab retornou com As’ad à sua habitação e permaneceu com ele. Ele pregou o islã até que não houve uma única casa em Ansar em que não houvesse um único homem ou mulher crente. A única exceção foram os Banu Umaiyya ibn Zaid, Khatma, Wa’il e Wakif, que eram da casa de Aus ibn Haritha. Foi sob eles que o poeta Abu Qays ibn al-Aslat viveu, cujo nome era Saifi e que foi reconhecido como líder deles e a quem eles todos obedeciam. Ele os impediu de seguir o islã. Porém, após a migração de Muhammad de Meca e após os encontros (batalhas) de Badr (624 d.C.), Uhud (625 d.C.) e Khandaq (627 d.C.) eles também se converteram ao islã.

4.02.8 -- A respeito do segundo encontro em al-‘Aqaba (622 d.C.)

Então Mus’ab ibn ‘Umayr retornou, acompanhado por outros homens de Iatreb, em parte muçulmanos e em parte descrentes, para Meca, para a festa da peregrinação. Quando Allah, em sua graça, decidiu apoiar o profeta, exaltar o islã e seus seguidores, e humilhar os politeístas e seus seguidores, esses homens decidiram ter um segundo encontro com Muhammad no meio do dia de Taschrik (o segundo dia da festa). Abd Allah ibn Ka’b, um dos mais estudiosos dos ansar, explicou que seu pai Ka’b, o qual estava presente nesse encontro em al-Aqaba e que jurou aliança a Muhammad, teria dito: “Nós saímos com outros peregrinos descrentes entre nosso povo, oramos e nos instruímos em assuntos de fé. Conosco estava al-Bara ibn Marur, nosso senhor e chefe. Quando saímos de Iatreb, a fim de começar a viajar, al-Bara disse: “Eu tenho um plano, mas não sei se vocês concordarão.” Quando perguntamos o que era, ele continuou: “Em minha opinião, nós deveríamos nos virar em direção a essa construção – se referindo à Caaba – quando oramos. Nós dissemos, “Por Allah, nós ouvimos que Muhammad se vira para a Síria quando ora.* Nós não agiremos contra ele.” Ele respondeu: “Eu, porém, me virarei em direção à Caaba quando orar.” Porém, nós mantivemos nosso entendimento até chegarmos a Meca e continuamos orando em direção à Síria, enquanto ele, apesar de nossa orientação, continuou orando em direção à Caaba. Quando chegamos a Meca, ele me disse: “Vamos a Muhammad para perguntarmos a ele, porque por causa de sua rejeição, eu fiquei em dúvida.” Nós fomos perguntar a Muhammad, sendo que ele nunca havia visto a nós antes, de modo que não iriamos reconhecê-lo. Um mecano que encontramos nos perguntou se conhecemos ‘Abbas, e quando respondemos que sim (Abbas frequentemente ia a Meca por causa do comércio), ele respondeu: “Quando você chegar ao lugar da adoração, você encontrará Muhammad sentado ao lado de seu tio ‘Abbas.”

* A direção da oração – voltada à Síria – dá indícios de que Muhammad, no começo de sua missão, se prostrava em oração voltado para Jerusalém. Ele instruiu todos os muçulmanos a orarem na mesma direção que os judeus e esperava, com isso, ganhar os judeus de sua cidade para si e para o islã por meio desse costume.

Nós entramos no santuário, nos assentamos ao lado de Muhammad e o saudamos. Ele perguntou a ‘Abbas se ele conhecia os dois homens. Ele respondeu: “Sim, um é Bara ibn Marur, o senhor de seu povo, e o outro é Ka’b ibn Malik.” – “Por Allah,” Ka’b disse posteriormente, “Eu nunca vou me esquecer como Muhammad perguntou: ‘Ele é o poeta?’ E ‘Abbas respondeu: ‘sim.’”

Então al-Bara prosseguiu em apresentar sua dúvida a Muhammad a respeito da direção da oração, de modo que perguntou-lhe a respeito. Muhammad respondeu: “Você costumava orar na direção certa – ah, se você tivesse continuado com ela!”

Então al-Bara aceitou a direção de Muhammad e orou conosco voltado para a Síria. Sua família diz, porém, que ele continuou a orar voltado para a Caaba até sua morte. Porém nós sabemos que não foi assim.

Ka’b relembrou: “Nós seguimos para o festival da peregrinação e concordamos com Muhammad de nos encontrarmos no segundo dia do festival. Na manhã antes do segundo dia, nós saímos ao nosso povo. Conosco também estava Abd Allah ibn Amr, que era um dos líderes deles. Nós o revelamos nossa ideia, embora tenhamos mantido nosso encontro em segredo dos descrentes: ‘Vocês são um de nossos membros mais nobres e respeitáveis, ó Abu Jabir! Nós não queremos que você continue tal como está e se torne combustível para as chamas do inferno.’ Nós o desafiamos a se converter ao islã e o informamos a respeito de nosso encontro com Muhammad. Ele aceitou o islã, esteve conosco em al-‘Aqaba e se tornou um de nossos líderes.” Então dormimos até um terço da noite já ter se passado. Nós deixamos a caravana e nos ocultamos na ravina próximo a al-‘Aqaba. Éramos 73 homens e duas mulheres, chamadas Nusayba, a mãe de Umaras, filha de Ka’b, e Asma, a mãe de Mani. Após aguardarmos um tempo na ravina, Muhammad veio com seu tio al-‘Abbas, que naquele tempo ainda era pagão, mas que ainda assim queria estar presente para fazer uma aliança válida para seu sobrinho. Quando tudo estava pronto, ‘Abbas começou a falar: Ele disse: “Vocês khazrajitas sabem que Muhammad pertence a nós. Nós o protegemos daqueles entre nosso povo que têm a mesma opinião que tenho sobre ele. Ele vive com vigor entre seu povo e é protegido em sua terra natal. Não obstante, ele quer ir com vocês* e se unir a vocês. Se vocês acreditam que podem cumprir o que o prometeram e que irão protegê-lo de seus inimigos, então tomem o peso que voluntariamente decidiram suportar. Se, porém, você acreditam que o enganarão e que o entregarão, então o deixem por aqui, porquanto ele é robusto e é protegido em sua terra.”

* Após Khadija e Abu Talib morrerem, e Muhammad não ter mais proteção confiável em lugar algum, ele começou sistematicamente a planejar sua migração. Ele não fugiu sem segurança, mas planejou e preparou por meio de acordos com muçulmanos competentes em Iatreb a migração dos muçulmanos de Meca. Os contratos foram feitos sob bases legais e obrigações de parentesco.

Nós respondemos: “Nós entendemos suas palavras. Muhammad é livre para dizer como devemos nos comportar em nossa obrigação para com ele e Allah.” Muhammad nos disse palavras, nos chamou a Allah e recitou suras do Alcorão e despertou em nós o amor pelo islã.” Então disse: “Jurem diante de mim que me protegerão de tudo aquilo de que vocês protegem suas esposas e seus filhos!” Al-Bara ibn Marur agarrou-lhe as mãos e disse: “Mais que certamente, em nome daquele que te enviou como profeta e em verdade, nós o protegeremos tal como protegemos a nós mesmos. Receba nossa aliança, ó mensageiro de Allah! Por Allah, nós somos filhos da guerra e homens de armas, as quais herdamos de nossos pais.”

Enquanto al-Bara falou, Abu al-Haitham ibn al-Tihan o interrompeu e disse: “Mensageiro de Allah, há ligações entre nós e o outros – se referindo aos judeus – que com isso nós romperemos. Se fizermos isso e Allah nos trazer vitória, então você nos deixará e retornará à sua terra natal?” Muhammad respondeu: “Seu sangue é meu sangue. O que vocês abandonam, eu também abandono. Vocês pertencem a mim e eu a vocês. Eu lutarei contra quem vocês lutarem e farei paz com quem vocês fazerem.”

Posteriormente, Ka’b explicou: “Muhammad os desafiou a nomear doze líderes*, que tratariam de seus assuntos. Eles escolheram nove khazrajitas e três ausitas.”

* O número 12 corresponde às doze tribos de Israel e aos doze discípulos de Cristo. Muhammad não fez aliança com os muçulmanos de Meca. Suas alianças eram contratos de proteção feitos entre meros humanos, sem Deus como parceiro proeminente. Elas não tinham caráter redentor e nenhum valor eterno.
Quando Jesus fez Sua aliança com os onze apóstolos, - já que o décimo segundo havia saído para trai-Lo – Ele começou, com os símbolos do pão e do vinho, a habitar em Seus discípulos. Ele os purificou e os santificou e os tornou sacerdotes reis, que iriam servir à Sua igreja (Mateus 22:26-29; I Pedro 2:9,10; Apocalipse 1:5,6). A Nova Aliança que Jesus instituiu não tinha reino político como objetivo, pelo qual se lutaria com impostos e armas. A intensão de Jesus era um reino espiritual, estabelecido sobre verdade e amor, alegria e paz, abnegação e sacrifício. A aliança de Muhammad com os doze líderes de Medina lançou as bases para suas atividades políticas posteriores e o violento avanço do islã.

Abd Allah ibn Abi Bakr me contou: “Muhammad teria dito aos líderes: ‘Vocês são os mais confiáveis de seu povo, tal como os discípulos de Cristo eram, e eu sou o mais confiável de meu povo.’”*

* Muhammad descreveu os muçulmanos como seu povo, após os moradores de Meca o recusarem.

Uma vez que o povo se uniu para fazer aliança com Muhammad, al-Abbas ibn Ubada al-Ansari disse: “Vocês também sabem, ó khazrajitas, com quem ou com base em que vocês fazem aliança com esse homem?” Eles responderam: “Sim!” – “Vocês se obrigam”, ele continuou, “a fazer guerra contra todas as tribos. Porém, se vocês pensam por alguma razão que quando seus suprimentos estiverem se acabando e seus nobres forem mortos vocês o entregarão, saibam que vocês lançarão sobre si desgraças nesta vida e na futura. Mas se vocês pensam que perseverarão naquilo para o qual ele os chamou, então mesmo quando suas posses e as vidas de seus nobres estiverem se perdendo, recebam-no entre si; isso os trará felicidade nesta vida e na futura.” Disseram: “Nós o aceitamos, ainda que percamos nossos pertences e nossos melhores homens sejam mortos!” Então eles perguntaram a Muhammad a respeito da recompensa que receberiam por sua fidelidade. Ele respondeu: “Paraíso.” Eles exclamaram: “Estenda sua mão!” Ele estendeu sua mão e eles fizeram aliança com ele.

* Com essas ordenanças, Guerra Santa e a prontidão para o martírio foram programados de antemão. Muhammad os prometeu – em caso de morte – que eles seriam transportados para o paraíso, com todos seus prazeres materiais. Apenas aqueles que caem em Guerra Santa são considerados justificados no islã, enquanto todos os outros muçulmanos permanecem em um estado intermediário, aguardando pelo Dia do Julgamento.

Ao segurar as mãos de Muhammad, al-Bara ibn Marur fez aliança com Muhammad diante de todos os outros. Após essa aliança, o diabo gritou com voz penetrante do alto de al-‘Aqaba: “Ó, habitantes de Jabajib, (o acampamento, próximo a Mina) – vocês também querem aceitar esse reprovável e os apóstatas que com ele estão? Eles já se uniram para lutar contra vocês.” Então Muhammad respondeu: “Ele é satanás no cume, ele é o filho de Azyab. Você está ouvindo, inimigo de Allah? Mas por Allah, eu te combaterei!* Então Muhammad os chamou a retornar às suas caravanas. Com isso, al-‘Abbas ibn Ubada disse: “Por Allah, aquele que te enviou com a verdade: se você quiser, nós atacaremos o povo de Mina com nossas espadas ainda amanhã.” Muhammad respondeu: “Isso não nos foi ordenado. Voltem às suas caravanas!”. Eles retornaram e dormiram em seu acampamento até a manhã.

* Até hoje os muçulmanos lidam com satanás em suas peregrinações a Meca. Eles devem jogar 70 pedras contra os três pilares em Mina, no rito da peregrinação do “apedrejamento de satanás”. O maior pilar é chamado ‘Jamrat al-Aqab’ (A Chama de Aqaba).''

4.02.9 -- Como os coraixitas foram ao Ansar

Na manhã seguinte, conforme Ka’b posteriormente explicou, os homens mais estimados dos coraixitas vieram a nós e disseram: “Nós ouvimos que os khazrajitas vieram ter com o homem de nossa cidade, querendo levá-lo de nós e que juraram fazer guerra contra nós. Por Allah, não há outra tribo árabe com quem vocês menos desejariam fazer guerra.” Com isso, muitos descrentes de nossa tribo se levantaram e juraram por Allah que não era isso, e que não sabiam de coisa alguma. – Verdadeiramente falaram a verdade, porque eles realmente não sabiam de coisa alguma. Nós, porém, olhamos um para o outro e depois o povo todo se levantou. Entre eles estava al-Harith ibn Hisham, que vestia um novo par de sandálias. Eu falei como que parecendo que estava concordando com o povo, dizendo: “Ó, Abu JAbir, você realmente é um de nossos senhores, por que você não veste sandálias como as dos outros coraixitas?” Al-Harith ouviu essas palavras, imediatamente removeu suas sandálias, as jogou contra mim e disse: “Por Allah, calce elas então.” Então Abu Jabir disse: “É o bastante! Por Allah, você constrangeu o homem; agora, devolva a ele suas sandálias.” Eu respondi: “Por Allah, eu não devolverei a ele. Por Allah, isso é um presságio, e se for verdade, um dia eu tomarei as posses dele para mim.”

4.02.10 -- Como Sa'd foi capturado e depois libertado

Os peregrinos saíram de Mina e o povo investigou o incidente, concluindo que estava correto. Portanto, eles partiram a fim e perseguir a caravana de Iatreb. Eles alcançaram os dois líderes – Sa'd ibn Ubada e Mundhir ibn Amr – em Adsakhir*. Mas Mundhir não pôde ser tomado, enquanto Sa'd foi tomado cativo. Com o arreio de um camelo eles amarraram-lhe as mãos por trás, o conduziram a Meca, o golpearam e puxaram-lhe por seus fortes cabelos. Enquanto eu estava sob suas mãos, Sa'd explicou, “um número de coraixitas se aproximou. Entre eles estava um homem branco, magro, delicado e charmoso. Eu pensei que se pudesse ser esperado algo de bom desse povo, seria desse homem.

* Um subúrbio de Meca.

Mas quando ele se aproximou de mim, ele levantou sua mão e me acertou com um golpe forte. Eu pensei, por Allah, agora nada mais de bom há para se esperar deles. Eu estou sob custódia deles e eles me maltratarão. Um dos homens, porém, teve pena de mim e perguntou: “Nenhuma obrigação de proteção ou aliança existe entre você e um coraixita?” Eu respondi: “Certamente, uma vez eu protegi e defendi alguns deles em minha terra contra aqueles que queriam fazer-lhes violência, sendo eles homens que fizeram negócios para Jubair ibn Mut’im ibn Adi; fiz ao semelhante pelo povo de Harith ibn Harb ibn Umaiyya.” Então ele disse: “Então diga o nome desses dois e me diga o que aconteceu entre você e eles.” E assim o fiz e o homem foi diretamente à procura dos dois homens, que estavam assentados no lugar sagrado, próximos à Caaba. Ele disse: “Um homem dos khazraj está sendo espancado no vale. Ele clamou por vocês e disse que uma relação de proteção existe entre vocês e ele.” Eles perguntaram: “Qual é o nome do homem?” Ele respondeu: “Sa'd ibn Ubada.” Eles disseram: “Ele fala a verdade. Por Allah, ele protegeu nossos comerciantes da violência em sua terra.” Então eles foram e libertaram Sa'd e ele seguiu com sua jornada. O homem que golpeou Sa'd foi Suhail ibn Amr, um dos Banu Amir ibn Lu’ayy.”

4.02.11 -- A história de um ídolo

Quando chegaram a Iatreb, eles abertamente confessaram o islã. Ainda houve alguns xeques de suas tribos que insistiram em sua idolatria. Entre eles estava ‘Amr ibn al-Jamuh ibn Zaid ibn Haram, cujo filho Sa'd fez aliança com Muhammad em al-Aqaba. ‘Amr era um dos principais e mais bem estimados homens dos Banu Salama. Ele tinha em sua casa um ídolo feito de madeira chamado Manat*, o qual ele, tal como outras pessoas estavam acostumadas a fazer, honrava como deus e que constantemente limpava e polia. Como diversos jovens dos Banu Salama, incluindo seu filho Mu'adh e Mu'adh ibn Jabal, se converteram ao islã, eles foram e tomaram o ídolo de Amr durante a noite a jogaram-no de cabeça em um fosso de lixo dos Banu Salama. Quando ‘Amr se levantou pela manhã, ele gritou: “Ai de vocês! Quem esteve com nosso deus nesta noite?” Então ele se levantou e começou a procurar por ele. Quando o encontrou, ele o lavou, o limpou e o esfregou com óleos aromáticos. Então ele disse: “Por Allah, se eu soubesse que fez isso, eu acabaria com ele.” Na noite seguinte, os crentes fizeram novamente a mesma coisa com o ídolo e ‘Amr o limpou novamente. Quando, porém, o incidente continuou a se repetir, ‘Amr tomou uma espada e a pendurou à volta do pescoço do ídolo. Após tê-lo limpado novamente, ele disse: “Por Allah, eu não sei quem fica te tratando tão mal. Se você vale alguma coisa, então se defenda! Aqui está uma espada!” Enquanto ‘Amr estava dormindo na noite seguinte, os crentes vieram novamente, tiraram a espada do pescoço e em seu lugar amarram um cão morto e jogaram no fosso dos Banu Salama, no qual jogavam lixo. Quando Amr o encontrou na manhã seguinte em tal condição, ele deixou os crentes de seu povo falarem consigo sobre o islã. Pela graça de Allah, ele se tornou um bom muçulmano.

* Al-Manat era o nome de um ídolo feminino do santuário de Aus e dos Khazraj. Fica em uma cidade costeira chamada Qudaif, próxima a Muschallal. Al-Manat era o nome de um dos três ídolos mais importantes dos árabes pré-islâmicos, com al-Lat e al-‘Uzza, que juntas eram adoradas na Caaba.

Após sua conversão, ele compôs o seguinte verso:
->“Por Allah, se você fosse um bom deus, você não estaria em um fosso com um cão morto preso ao seu pescoço. / Pobres dos que que serviram como se você fosse um deus! / Agora te desmascaramos e não mais seremos enganados. / Louvado seja o Senhor exaltado, o agraciador, provedor, o juiz da fé. ~/ Ele me redimiu antes que eu descesse à escuridão do túmulo.”

4.02.12 -- O juramento da colina

Quando Muhammad foi autorizado por Allah a fazer guerra contra os descrentes, ele limitou o juramento de lealdade a si mesmo, com a obrigação de lutar por ele. Este não era o caso no primeiro juramento, porque naquele tempo Allah não permitiu fazer guerra. No último juramento, eles tiveram de jurar lutar contra os Pretos e os Vermelhos* e a lutar por ele e pelo Senhor. Como recompensa por sua lealdade, a eles foi prometido o paraíso. Ubada ibn al-Samit, um dos doze líderes, disse: “Temos jurado a Muhammad o voto de guerra.”

* “Os Pretos e os Vermelhos” foi uma figura de linguagem denotando todos os tipos de pessoas, querendo se referir provavelmente a beduínos e às tribos assentadas.

Ubada foi um dos doze que estava presente no primeiro juramento na colina. Ele foi feito à maneira das mulheres. Eles juraram obediência a Muhammad em momentos de necessidade ou de abundância, em alegria ou em sofrimento; não cobiçar com outras o que a ele pertence; falar a verdade em todos os lugares em nome de Allah e não temer repreensão.

4.02.13 -- Muhammad recebe ordem para fazer guerra

Antes da segunda aliança em al-‘Aqaba, Muhammad não havia recebido permissão de Allah para fazer guerra e derramar sangue. Ele deveria apenas clamar a Allah, suportar os insultos com paciência e perdoar os ignorantes. Os coraixitas maltrataram seus seguidores a fim de fazê-los abandonar sua fé, bem como para bani-los de sua terra. Eles se apostatavam ou eram instigados a fugir para a Abissínia, Iatreb ou outras terras. Como agora os coraixitas se voltaram contra Allah, rejeitaram a graça que Allah tinha para eles, declararam o profeta um mentiroso, bem como atormentaram e expulsaram aqueles que adoravam a Allah e que criam em Muhammad, Allah permitiu que Muhammad fizesse guerra* e que se defendesse daqueles que estava tratando com violência seus seguidores. “Ele permitiu (o combate) aos que foram atacados; em verdade, Deus é Poderoso para socorrê-los.” (Sura al-Hajj 22:39). Isso quer dizer, eu permiti que façam guerra porque fizeram-lhes mal* e eles mesmos nada fizeram além de adorar a Allah, orar, dar esmolas, recomendar o que é bom e se abster do mal. Posteriormente foi revelado: “Combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus...”*** (Sura al-Baqara 2:193), que significa até que os muçulmanos não sejam mais forçados a renunciar à sua fé “... prevalecer totalmente a religião de Deus” (Sura al-Anfal 8:39).

* Com a migração de Muhammad para Medina, um novo capítulo se iniciou para o desenvolvimento do islã. O estado religioso foi criado. Foi edificado sob a lei da Guerra Santa, com as seguintes fases:
Fase 1: oração pública e repetição frequente da confissão de fé.
Fase 2: paciência para suportar a zombaria e ofensas.
Fase 3: defesa verbal da fé e uma guerra enfática de palavras, bem como com o fortalecimento numérico dos muçulmanos.
Fase 4: migração e fuga dos crentes perseguidos permitida até certo tempo, até que o islã ganhasse poder e se tornasse uma maioria.
Fase 5: superioridade numérica cria a expectativa de se estar pronto para a batalha, para sacrifício e para se armar.
Fase 6: Guerra Santa significa se defender quando atacado.
Fase 7: emboscar caravanas e grupos mais fracos pode suceder a fase de pura defesa.
Fase 8: parte da Guerra Santa é tomar reféns, com sua soltura dependendo do pagamento de grandes fianças.
Fase 9: ataques estrategicamente planejados para subjugar a vizinhança mais próxima.
Fase 10: uma declaração de guerra universal contra todos os crentes. Dessa forma, a terra foi dividida em duas partes: a Casa do Islã e uma Casa de Guerra. “E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus.” (Sura al-Baqara 2:193).
** Khomeini disse: “É melhor cometer injustiça do que sofrer injustiça. Jesus, porém, escolheu sofrer injustiça do que praticá-la (Lucas 23:34).
*** Guerra Santa continuará enquanto existirem descrentes neste mundo. Lutar com armas é parte da missão islâmica. O islã literalmente implica na submissão a Allah e ao Seu mensageiro, seja por escolha ou por força!

Como Muhammad recebera a permissão para fazer guerra e a tribo dos auxiliadores (de Medina) jurou diante dele que aceitava o islã e que apoiaria seus fiéis seguidores, ele ordenou a seus companheiros mecanos, tanto aos que já haviam migrado para Medina quanto para os que ainda estavam com ele em Meca, que fossem a Iatreb e que lá se unissem a seus irmãos dos Ansares (os Auxiliadores). Ele disse: “Allah deu a seus irmãos* uma habitação segura.” Então eles começaram a partir como tropas. O próprio Muhammad, porém, permaneceu em Meca e aguardou até que Allah também o permitisse migrar a Iatreb.

* O islã se vê como uma irmandade, o que é visto especialmente quando um muçulmano é oprimido ou atacado por um não-muçulmano. Todos os muçulmanos se apressam para ajudá-lo.

4.02.14 -- A emigração dos últimos companheiros (622 d.C.)

Umar ibn al-Khattab e Aiyash ibn Abi Rabi’a, o makhzumita, estavam entre os últimos a migrar. Abd Allah ibn Umar relatou que seu pai lhe disse:

“Quando decidimos migrar, nós – Aiyash ibn Abi Rabi’a, Hisham ibn al-‘As e eu – decidimos encontrar Tanadhib em um dos lagos dos Banu Ghifar, acima de Sarif. Caso um de nós não pudesse aparecer, concordamos entre nós em começar a viagem sem o outro. Aiyash e eu nos encontramos em Tanadhib, enquanto Hisham ficou e foi levado a se apostatar do islã. Quando chegamos a Iatreb, desmontamos próximos aos Banu Amr ibn ‘Auf em Kuba. Abu Jahl ibn Hisham e al-Harith ibn Hisham, os primos maternos e irmãos de Aisha, foram a Iatreb, enquanto Muhammad ainda estava em Meca, e disse a Aiyash que sua mãe teria feito um voto de não pentear seus cabelos e de não buscar proteção do sol até que ela o visse novamente. Então ele sentiu pena dela. Eu disse a ele: “Ó, Aiyash, por Allah, as pessoas apenas querem te fazer se apostatar de sua fé. Tenha cuidado! Se sua mãe está contaminada por vermes, ela com certeza se penteará, e se o calor de Meca a incomodar, ela buscará uma sombra.” Aiyash disse: “Eu apenas quero prevenir que minha mãe quebre seu voto e que peguem o dinheiro que eu ainda tenho em Meca.” Eu respondi: “Você sabe que eu sou um dos coraixitas mais ricos. Eu te darei metade de minha riqueza se você não voltar lá!” Ainda assim, Aiyash estava determinado a retornar a Meca, então eu disse: “Se você não se permitirá mudar de ideia, então pelo menos tome meu camelo para montá-lo, já que ele é um animal nobre e obediente. Se o povo começar a suspeitar algo de você, então salve-se montando ele!” Então Aiyash começou sua jornada montando o camelo de Umar. Ao longo do caminho, Abu Jahl disse: “Por Allah, meu primo, parece que meu camelo está com dificuldade para andar, de modo que eu preferiria montar em seu camelo, de carona.” Aiyash o deu permissão e fez seu camelo se ajoelhar. Os outros fizeram o mesmo, de modo que Abu Jahl pôde montar o camelo de Umar. Quando eles desmontaram, porém, eles atacaram Aiyash, o amarraram, o levaram a Meca e o forçaram a renunciar o islã. Em plena luz do dia eles o levaram amarrado a Meca e disseram: “Ó, moradores de Meca, cuidem de seus tolos tal como temos cuidado dos nossos tolos por aqui!”

Umar teria dito posteriormente: “Allah não aceita coisa alguma dos que se afastaram do islã, não há perdão e nem arrependimento, o mesmo para os que reconheceram a Allah e, por causa dos infortúnios que ocorreram, retornaram à descrença.” Os apóstatas também diziam isso a si mesmos.

* O rigor sem misericórdia do islã para com muçulmanos que se apostatam estava se tornando ainda mais aparente. Eles não têm possibilidade de arrependimento a não ser que se tornem muçulmanos novamente. Se eles persistem em sua apostasia do islã, eles devem ser atormentados e mortos nessa vida, e na vida futura serão queimados com fogo. Apostasia do islã não pode ser perdoada por Allah ou pelos muçulmanos (Suras al-Baqara 2:217; al-Ma’ida 5:54 e Muhammad 47:25). O islã não reconhece liberdade religiosa e se opõe aos direitos humanos universais.

Quando Umar chegou a Medina, com sua família e seus companheiros de tribo, ele desmontou junto a Rifa’a ibn Abd al-Mundhsir em Kuba.

Com ele estavam: seu irmão Zaid, e além dele Amr e Abd Allah, filhos de Suraqa e Khunais, o samita, o esposo de sua filha Hafsa, com quem Muhammad posteriormente se casou, Sa'id ibn Zaid ibn Amr, Waqid ibn Abd Allah, o tamimita, um companheiro protegido, Khawla e Malik, filhos de Abi Khawla, e também companheiros protegidos, e os quatro filhos de Bukair: Ijas, ‘Aqil, Amir e Khalid, seus companheiros protegidos, dos Banu Sa'd ibn Laith. Aiyash, também, desmontou com Umar próximo a Rifa quando chegaram a Iatreb. Mais imigrantes os sucederam: Talha ibn ‘Ubaid Allah ibn Uthman e Suhaib ibn Sinan, que desmontou em Suhn, com Khubaib ibn ‘Isaf, um dos irmãos dos Banu al-Harith ibn Khazraj.

Quando Suhaib quis emigrar, os descrentes de Meca disseram-lhe: “Você veio a nós como um pobre mendigo, ficou rico conosco e obteve muitas coisas. Agora você quer nos abandonar com sua riqueza? Por Allah, isso não pode ser assim!”.

Então Suhaib disse: “Vocês me deixarão partir se eu deixar minha fortuna com vocês?” Eles disseram: “Sim.” Então ele os deu tudo o que possuía. Quando Muhammad ouviu isso, ele disse: “Suhaib fez um bom negócio! Suhaib saiu ganhando!”

Muhammad permaneceu em Meca após seus companheiros terem emigrado, até que Allah o deu permissão para emigrar. Além dos que tiveram de ficar para trás à força ou que se apostataram, permaneceram apenas Ali e Abu Bakr com Muhammad em Meca. Este último frequentemente pedia permissão para emigrar. Muhammad, porém, disse a ele: “Não se apresse; talvez Allah te concederá um companheiro.” E ele esperava que o próprio Muhammad fosse seu companheiro.

4.02.15 -- Os líderes dos coraixitas decidem matar Muhammad

Logo os coraixitas reconheceram que Muhammad havia ganhado seguidores para si de fora de sua tribo e em território estrangeiro. Seus amigos que emigraram encontraram proteção e refúgio. Agora eles temiam que Muhammad fosse ter com eles e que fizesse guerra contra os coraixitas. Portanto, eles se reuniram em assembleia, na casa de Qusai ibn Kilab, o lugar onde toda a decisão foi tomada, onde tomaram conselho e discutiram o que seria feito, porquanto agora temiam a Muhammad.*

* Muhammad não era um homem de paz. Ele não curou pessoa e não reconciliou seus seguidores com Deus. Ele ameaçou seus inimigos com aniquilação (cortar gargantas e retalhar), os amaldiçoou em nome de Allah e os feriu com a ajuda de seu anjo de vingança, que se chamava de Gabriel (Jibril), mas que não era Gabriel.

No dia determinado, os coraixitas se reuniram para decidir sobre Muhammad. Esse dia foi chamado de dia de Zahma (problemas). Então Iblis (o diabo) veio em forma de um velho com vestes desgastadas e ficou de pé, à porta do lugar do encontro. Quando os coraixitas perguntaram quem ele era, ele respondeu: “Um velho de Najd, que ficou sabendo o que os leva a se reunir aqui e que veio para examinar suas palavras, talvez sendo capaz de oferecer algum conselho bem intencionado.” Eles disseram “bom” e o deixaram entrar.

Ali os mais nobres dos coraixitas estavam reunidos. Um disse ao outro: “Você está vendo no que o problema desse homem deu. Por Allah, não temos certeza que ele nos atacará com seus seguidores de tribos estrangeiras. Portanto, cheguemos a um acordo a respeito dele!” Após algumas consultas, um disse: “O amarrem com correntes e o tranquem. Então esperem que aconteça com ele o mesmo que ocorreu com outros poetas (pré-islâmicos) antes dele, como Nabigha, Zuhair e outros, que pereceram de maneira similar.” Com isso, o velho de Najd disse: “Esse não é um bom conselho. Por Allah, se vocês o prenderem, ele sairá pela porta e chegará a seus companheiros. Eles podem facilmente atacá-los e libertá-lo de suas mãos, e o número elevado deles os sobrepujará. Portanto, tenham uma ideia melhor!”

Após várias discussões, um disse: “Nós queremos expulsá-lo* de nosso meio e bani-lo de nossa terra. Se ele estiver longe de nós, então ele pode ir aonde quiser; nós, porém, teremos paz dele e poderemos tratar de outros assuntos e restaurar a harmonia.*” Porém, o velho de Najd discordou: “Esse conselho também é inútil. Vocês não viram e nem ouviram seu belo discurso e suas doces palavras e como ele ganha os corações dos homens por meio delas? Por Allah, se vocês fizerem isso, eu não poderei apoiá-los. Ele pode ir a uma tribo beduína, se assentar por lá e ganhá-los por meio de seu discurso até que eles o sigam. Então ele virá contra vocês e os sobrepujará, tomará sua liderança e fará com vocês o que bem quiser. Portanto, tenham uma solução melhor!”

* Jesus foi excluído do Sumo Concílio da Antiga Aliança. Os judeus suspeitavam que ele desviava o povo e que fosse um blasfemo, sendo esses crimes que mereciam morte imediata. Apesar disso, Jesus nunca criou medo de uma rebelião armada. Ele era o Príncipe da Paz e o verdadeiro mediador de paz.

Então Abu Jahl disse: “Por Allah, eu tenho uma ideia que nenhum de vocês teve.” Quando perguntaram a ele o que seria, ele disse: “Minha opinião é que deveríamos escolher um homem de cada tribo que seja jovem, forte e bem estimado entre os homens e de boa família e dar a ele uma espada afiada. Como um único homem, eles cairão sobre ele e o matarão.* Assim teremos descanso dele. Se vocês fizerem isso, seu sangue será dividido entre todas as tribos. Os filhos de Abd al-Dars não serão capazes de lutar contra o povo inteiro. Eles ficarão satisfeitos com o dinheiro de expiação que pagaremos a eles.” O velho de Najd disse: “O conselho desse homem é o único bom.” A assembleia concordou com isso e cada um seguiu por caminhos separados.

* Semelhantemente, os judeus se determinaram a matar Jesus tão logo surgiu a oportunidade. Ele foi observado e espiado. Eles tomaram pedras para apedrejá-lo. Ele, porém, passou pelo meio deles, porque Sua hora ainda não havia chegado (João 8:59; 10:39).

4.02.16 -- Muhammad deixa sua residência (622 d.C.)

Então Gabriel veio a Muhammad e disse: “Não passe essa noite em sua cama, na em que você geralmente dorme.” Quando um terço da noite se havia passado, os coraixitas se reuniram diante de sua porta e aguardaram até que ele tivesse caído em sono, a fim de atacá-lo.

Quando Muhammad teve ciência disso, ele disse a Ali: “Durma em minha cama e se envolva em minha capa verde de Hadramaut*” – dessa forma Muhammad estava acostumado a dormir – “eles não te farão mal”**

* Uma região no sul árabe.
** Muhammad criou uma situação para que Ali, seu sobrinho e filho adotivo, enganasse seus inimigos. Ele pôs seu filho – de noite, sem iluminação – em perigo de morto para poder salvar a si mesmo.
Pelo contrário, Jesus se entregou a seus inimigos de noite e disse: “Se é a mim que vocês buscam, deixem esses outros irem!” (João 18:8). Ele Se preparou para sofrer e morrer, para que Seus seguidores não fossem postos em perigo.

Yazid ibn Ziyad me relatou da parte de Muhammad ibn Ka’b, do clã dos Quraiza: “Quando os coraixitas estavam diante da porta de Muhammad, Abu Jahl, que estava entre eles, disse: ‘Muhammad pensa que se vocês o seguirem vocês se tornarão senhores dos árabes e dos outros – do “resto do mundo*”, e que após a morte vocês ressuscitarão e ganharão jardins como aqueles do Rio Jordão. Porém, se vocês não o seguirem, ele acabará com vocês. Após morrerem, vocês serão despertados e queimados no inferno.’ Com isso Muhammad veio, tomou um punhado de terra, jogou sobre a cabeça deles e disse a Abu Jahl: ‘Sim, eu disse isso, e você é um dos últimos.’ Allah tirou-lhe a capacidade de ver, de modo que ele não reconheceu Muhammad (Sura Ya-sin 36:9).”

* Abu Jahl certamente se referia às outras tribos da Arábia.

“Finalmente, veio um que não pertencia a eles e perguntou-lhes a quem estavam esperando. Eles responderam: ‘Por Muhammad.’ Esse disse: ‘Que Allah os envergonhe! Muhammad já veio aqui fora, jogou terra sobre suas cabeças e foi embora. Vocês não o viram diante de vocês?’ Então cada um tocou sua cabeça e encontraram terra sobre si. Eles entraram na casa e encontraram Ali envolto na capa de Muhammad. Eles disseram: ‘Por Allah, aqui Muhammad dorme enrolado em sua capa,’ e eles mantiveram essa opinião até de manhã. Quando Ali finalmente se levantou da cama, eles disseram: ‘O homem que falou conosco nos disse a verdade!’”

Foi nesse tempo que Allah permitiu que Muhammad emigrasse.* Abu Bakr, que era um homem rico, comprou para si dois camelos, os quais ele alimentava em sua própria casa, a fim de mantê-los prontos para uma emergência.

* Allah permitiu que Muhammad fugisse para estabelecer seu estado político em Medina. No islã não há mediador entre deus e o homem, não há sacrifício expiatório, nem reconciliação ou derramar do Espírito Santo como resultado desse sacrifício. O objetivo da religião de Muhammad continua sendo o Estado Islâmico, não a renovação espiritual da humanidade. Portanto, Muhammad não morreu por seus seguidores. Jesus, porém, Se ofereceu no Gólgota para que pudéssemos receber a vida eterna!

PARTE III – O governante em Medina

4.03 -- A migração de Muhammad a Medina* (622 d.C.)

Aisha, a Mãe dos Crentes, disse: “Muhammad nunca visitou a habitação de (meu pai) Abu Bakr de manhã ou de noite. Porém, naquele dia, Allah deu-lhe permissão para emigrar, então ele veio ao meio dia. Quando Abu Bakr o viu, ele disse: ‘Algo deve ter acontecido para Muhammad vir me visitar a essa hora.’ Quando ele entrou, Abu Bakr se levantou da cadeira em que estava sentado, e Muhammad também se sentou. Naquele momento não havia outra pessoa com Abu Bakr além de mim e minha irmã Asma. Muhammad disse: ‘Faça que essas pessoas saiam da sala!’ Abu Bakr respondeu: ‘Você é tão próximo a mim quanto meu pai e minha mãe, mas essas duas são minhas filhas!’ Então Muhammad disse: ‘Allah me permitiu migrar!’ Abu Bakr perguntou: ‘Viajaremos juntos?’ Quando Muhammad respondeu afirmativamente, ele gritou de alegria.’ Aisha disse: ‘Eu nunca havia visto alguém chorar de alegria!” Então Abu Bakr disse: ‘Ó, profeta de Allah! Eu venho mantendo dois camelos prontos para essa ocasião.’” Então eles incumbiram Abd Allah ibn Arkat – um homem dos Banu** Dual ibn Bakr – de ser o líder, e entregaram-lhe os camelos, os quais ele deixou pastando até a hora designada. Nenhuma pessoa soube de coisa alguma a respeito da partida de Muhammad além de Ali, Abu Bakr e sua família. Muhammad informou Ali de sua partida e o ordenou ficar em Meca até que pudesse devolver ao povo tudo o que haviam a ele confiado para guardar.

* A emigração de Muhammad e de sua comunidade de Meca causou uma mudança fundamental para o islã. Muhammad viveu em Meca por 12 anos como profeta perseguido, com uma habilidade excepcional para perseverar. A comunidade primordial provou seu valor como um rebanho oprimido de companheiros reunidos em oração.
Em Medina, Muhammad se tornou um estadista determinado, inescrupuloso, que não se evitava tomar decisões drásticas. De uma comunidade passiva aguardando o julgamento de Allah, ele formou, por meio de uma lavagem cerebral sistemática, um bando de guerreiros fanáticos e ousados.
As suras mecanas possuem uma inspiração profética infectuosa; as suras medinas se parecem mais uma selva judicial impenetrável. Em Meca, Muhammad parecia um vulcão borbulhante, enquanto em Medina a lava de suas revelações se petrificou em forma de regulamentos e leis.
Desde cedo os muçulmanos reconheceram a diferença decisiva entre os tempos de Meca e a nova era em Medina, e fizeram o calendário islâmico começar com a data da migração de Muhammad (622 d.C.). Essa afirmação mostra que nem o nascimento do profeta e nem o começo de suas ditas revelações do Alcorão, nem o surgimento de sua nova comunidade religiosa pode ser considerado “islã completo”. Somente após o islã se torna um estado religioso (cidade-estado) é que ele foi considerado plenamente constituído. O islã não se vê como uma religião no sentido do iluminismo europeu, que pressupõe uma separação entre religião e política. Tudo o que os muçulmanos viveram em Meca serviu apenas como preparação para a busca de poder e surgimento do “islã pleno”.
**Banu, Bana e Bani designam os filhos ou descendentes de um pai tribal.

4.03.1 -- A estadia de Muhammad e Abu Bakr na caverna

Muhammad e Abu Bakr deixaram juntos a casa de Abu Bakr por uma porta dos fundos. Eles seguiram um caminho até uma caverna na montanha Thaur, que fica abaixo da cidade. Abu Bakr havia comissionado seu filho Abd Allah a ouvir o que o povo estava falando sobre eles durante o dia e a trazer as notícias a eles ao cair da noite. O ex-escravo de Abu Bakr, Amir ibn Fuhaira, deveria apascentar as ovelhas no campo durante o dia e as conduzir à caverna quando chegasse a noite, enquanto sua filha Asma’ deveria trazer a eles as provisões de alimentos necessárias. Por três dias Muhammad e Abu Bakr permaneceram na caverna. Os coraixitas, tão logo perceberam que eles haviam partido, ofereceram cem camelos a qualquer um que o trouxesse de volta. Abd Allah passou o dia com os coraixitas para ouvir o que estavam dizendo sobre Muhammad e seu pai. Então isso ele os contou durante a noite. Amir ibn Fuhaira se misturou entre os outros pastores de ovelhas de Meca e, durante o começo da noite, conduziu as ovelhas de Abu Bakr até a caverna, onde elas podiam ser ordenhadas e mortas para servir de alimento. Quando, de manhã, Abd Allah deixou a caverna, Amir o seguiu com as ovelhas, a fim de escondê-lo. Quando três dias se haviam passado e o povo não mais se ocupava com eles, eles chamaram o homem que contrataram para ficar com os camelos, o qual os trouxe consigo. Ele também trouxe um terceiro camelo para si.

Asma trouxe as provisões de alimento, mas se esqueceu de trazer uma corda para que pudesse amarrar o saco ao camelo. Então ele removeu seu próprio cinto e o usou como corda. Abu Bakr deixou o melhor camelo com Muhammad e disse: “Monte! Eu te daria até mesmo meus próprios pais.” Muhammad respondeu: “Eu não montarei camelo algum que não me pertença.” Abu Bakr respondeu: “Ele pertence a você; você é para mim como meus próprios pais.” Muhammad disse: “Não, quanto você pagou por ele?” Quando Abu Bakr disse o preço, ele disse: “Eu comprarei por esse valor”, e Abu Bakr o vendeu a ele.* Então eles montaram e Abu Bakr deixou Amir se sentar atrás de si. Ele deveria servi-los ao longo do caminho. Após isso, partiram.

* Jesus não era dono de animal de montaria. Ele ordenou a Seus discípulos que emprestassem dois burros e que dissessem aos donos que o Senhor precisava deles. Jesus confiou na ajuda de Deus, Seu Pai, e na bondade de Seus amigos, antes de entrar na cidade sob gritos de “Honasa”, em Jerusalém, como rei. Ele não fugiu da cidade que estava cheia de animosidade contra Ele, mas montou um burrinho e seguiu com ele direto para a morte na cruz. Jesus era manso e humilde de coração. Possuía coragem para permanecer desarmado e morrer em sacrifício expiatório por todos.

Para Muhammad, porém, sua própria paixão por poder e seu sentido de autopreservação o levaram a embarcar em uma emigração pela qual se preparou por muito tempo. Ele nem ao menos pensou em morrer por seus amigos ou inimigos; ele queria viver, governar e conquistar.

Asma’ disse: “Após Muhammad e Abu Bakr partirem, veio Abu Jahl com alguns outros coraixitas à nossa casa e permaneceram na porta da frente. Eu saí até eles. Eles me perguntaram onde meu pai estava.” Eu respondi: “Por Allah, eu não sei ondem eu pai está.” Abu Jahl, que era bruto, se aproximou e me golpeou a bochecha com tanta força que meu brinco caiu.”

4.03.2 -- Como Abu Quhafa foi a Asma’

Yahya ibn Abbad ibn Abd Allah ibn Zubair me relatou que seu pai Abbad o contou que sua avó, Asma’, teria dito: “Quando Muhammad partiu com Abu Bakr, ele levou todo seu dinheiro consigo, cinco ou seis mil dirham. Meu avô, Abu Quhafa, que era cego, veio e disse: ‘Eu acredito que ele o privou de sua pessoa e de seus bens.’ Eu respondi: ‘De forma alguma, meu avô, ele deixou muitas posses para trás.’ Então eu tomei pedras e as pus em um vaso em casa, onde ele estava acostumado a pôr seu dinheiro, o cobri com um tecido, tomei sua mão e disse: ‘Coloque sua mão sobre esse dinheiro!’ Ele assim o fez e disse: ‘Então não há com que se preocupar quando ele te deixou com tanto dinheiro. Ele fez bem em te deixar isso, é o bastante para você.’ Mas, por Allah, ele não deixou coisa alguma para nós. Eu apenas disse isso para acalmar um idoso.”*

* O uso de estratagemas (mentiras com um propósito) é uma forma legal e aceita de “fins justificam os meios” no islã. Veja Sura al-‘Imran 3:54.

4.03.3 -- As estações da emigração de Muhammad

Primeiro, Abd Allah ibn Arkat os conduziu das partes baixas da cidade de Meca ao longo do aterro abaixo de ‘Usfan (cerca de 60km a noroeste de eca), depois à depressão de Amaj (cerca de 30km mais adiante). Quando ele passou por Qudaid (12km mais adiante, no Mar Vermelho), ele cruzou com eles a rua para Kharrar, então chegou a Thaniyet al-Mara e, finalmente, a Laqif. Então os conduziu ao longo das cisternas de Laqif, passando por Majaj, ou, como Ibn Hisham acredita, às cisternas de Maja. Então eles passaram pelo pomar de tamareiras de Majaj e de Dhu al-Ghadwayn. A partir dali ele os conduziu pelo vale de Dhu Kishd, em direção a Judayid, Ajrad, Dhu Salam, através do vale de Aada, em direção às cisternas de Tahin e depois a ‘Ababid.

Então os levou al-Faja e desceu com eles a al-‘Arj (cerca de 250km ao norte de Meca). Como esse era o lugar onde um dos camelos ficou manco ou doente, Aus ibn Hujr, um homem da tribo de Aslam, deu a Muhammad um de seus próprios camelos, chamado ibn al-Rida, e o levou a Iatreb. Ele também lhe deu um de seus servos, cujo nome era Mas’ud ibn Hunaida. De al-‘Arj o líder os levou a Thaniyat al-Air, que fica na mão direta de Rukuba, descendo para o Vale de Rim, e dali para Quba (um posto de Medina, cerca de 350km ao norte de Meca), onde os Banu Amr ibn Auf habitavam. Após doze noite do mês de Rabi’a al-Awwal (o 3º mês do calendário islâmico), em uma segunda e durante o calor do dia, quando o sol quase alcançava seu zênite, eles entraram em Iatreb* (cerca de 6km a leste de Quba’).

* Desde o tempo da chegada de Muhammad a Iatreb, a cidade tem sido conhecida como “Medina”, que significa “a cidade”, a que garantiu refúgio a Muhammad e aos seus seguidores. Segundo outra visão, o nome “al-Medina” inicialmente significaria “Lugar de Julgamento” ou “Assento dos Juízes”.

4.03.4 -- A chegada de Muhammad a Quba’, um posto de Medina (setembro de 622 d.C.)

Alguns dos companheiros do clã de Muhammad disseram: “Quando ouvimos que Muhammad deixara Meca, nós aguardamos por sua chegada e, após a oração da manhã, fomos ao campo de pedras para aguardarmos por ele. Nós aguardamos até que não se via mais sombras. Então retornamos, porquanto aqueles eram dias quentes. Fizemos o mesmo no dia de sua chegada. Nós já havíamos retornado para casa quando ele chegou. Um judeu* foi o primeiro a vê-lo, e quando ele viu como havíamos esperado por ele, ele gritou bem alto: “Ó, filhos de Qaylah, sua boa sorte chegou!”

* Aconteceu que foi um judeu de Iatreb (Medina) o primeiro a reconhecer Muhammad. Os judeus compunham a classe alta da cidade. Eles possuíam a Torá como autoridade legal, se tornaram mestres artesãos e eram prósperos.

Nós saímos e encontramos Muhammad sob a sombra de uma tamareira. Abu Bakr estava com ele, sendo que os dois tinham idade equivalente. Como a maioria de nós jamais havia visto Muhammad até então, eles não sabiam qual dos dois ele era. Quando a sombra descobriu Muhammad e Abu Bakr fez-lhe sombra com a parte externa de sua roupa, nós o reconhecemos."

Como é dito, Muhammad permaneceu com Kulthum ibn Hidm, que era dos Banu 'Ubaid. Segundo outros relatos, ele permaneceu com Sa'd ibn Khaythama. Aqueles que dizem que ele permaneceu com Kulthum afirmam, no entanto, que ele ia à casa de Sa'd apenas para encontros públicos, porque o homem não tinha esposa e os companheiros solteiros de Muhammad moravam com ele. Portanto, sua casa era chamada de "a Casa dos Solteiros". Somente Allah sabe qual é a verdade.

4.03.5 -- Como Muhammad escolheu sua casa em Medina

Ali* ainda permaneceu por três dias e três noites em Meca, a fim de retornar ao povo tudo o que haviam confiado a Muhammad. Então ele seguiu a Muhammad e desmontou com ele em Kulthum.

* Ali, o primo e filho adotivo de Muhammad, serviu como administrador de seus bens, já que o clã de seu pai, Abu Talib, o protegia e ele não tinha ainda 20 anos de idade.

Muhammad permaneceu em Quba’ de segunda a quinta-feira, e ali lançou a pedra fundamental de uma mesquita. Na sexta-feira Allah o levou a seguir seu caminho. Os Banu Auf pensaram que ele ficaria mais tempo com eles.

Na hora da oração de sexta-feira, Muhammad estava com os Banu Salim ibn Auf, e orou por ali, onde a mesquita, hoje, fica, no meio do Vale de Ranuna. Essa foi a primeira oração de sexta-feira que foi realizada em Medina. Itban ibn Malik e ‘Abbas ibn Ubada, com outros homens dos Banu Salim, pediram que ele permanecesse com eles, a fim de protegê-lo, já que eles eram numericamente fortes e bem armados. Ele, porém, respondeu: “Deixem o camelo seguir seu caminhos. Ele recebeu ordem de Allah para descansar onde eu estiver.” Então eles deixaram-no continuar. Quando chegou à habitação dos Banu Bayada, Ziyada ibn Labib e Farwa ibn Amr e outros saíram e, de igual forma, pediram a Muhammad que ficasse com eles. Ele, porém, deu-lhes a mesma resposta. O mesmo se repetiu diante da habitação dos Banu Sa'ida, Banu al-Harith, Banu ‘Adi, que eram seus tios maternos distantes, já que Salama, filha de ‘Amr, uma de suas mulheres, era mãe de Abd al-Muttalib (o avô de Muhammad).

O camelo foi ainda mais longe*, até que chegou ao lugar onde os Banu Malik ibn al-Najjar habitavam. Ali ele se ajoelhou diante da porta da atual mesquita, que naquele tempo era um lugar seco, que pertencia a dois órfãos, a saber, Sahl e Suhail, filhos de ‘Amr, dos Banu Malik ibn al-Najjar. Quando o camelo se ajoelhou e Muhammad não desmontou, ele se levantou novamente e deu mais alguns passos adiante. Na verdade, Muhammad soltara as rédeas e não estava mais no controle. Então o camelo deu uma volta e se ajoelhou novamente no mesmo lugar, onde se abaixara antes. Ali ele ficou, se chacoalhou e deitou seu pescoço ao chão. Muhammad desmontou. Abu Ayyub Khalid ibn Zaid retirou a bagagem e a carregou à sua casa. Então Muhammad foi e permaneceu com ele. Então ele perguntou a quem o lugar pertencia. Mu'adh ibn Afra respondeu: “Aos dois órfãos, Sahl e Suhail, que vivem comigo.” “Eu o usarei para construir uma mesquita e os compensarei por isso.”

* Jesus não precisava de um animal para guiá-lo. Ele enviou Pedro e João e disse-lhes de antemão onde encontrariam um lugar secreto em que Ele poderia comemorar Sua Comunhão final com eles (Lucas 22:8-13).

4.03.6 -- A construção da primeira mesquita

Allah ordenou a Muhammad que construísse uma mesquita.* Ele permaneceu com Abu Ayyub até que sua casa e a mesquita foram construídas. Ele próprio trabalhou nas obras, a fim de encorajar os crentes. Tanto emigrantes (de Meca) quando os Auxiliadores (de Medina) trabalharam zelosamente. Um muçulmano compôs o seguinte verso:

Se tivéssemos de ficar parados, enquanto o profeta trabalhava, isso seria um erro de nossa parte.

Durante a construção, os muçulmanos repetiam o seguinte verso:

Apenas o que vem no mundo vindouro é verdadeira vida. Allah! Tenha misericórdia dos auxiliadores e dos emigrantes.

Muhammad repetiu as mesmas palavras, porém, mencionando primeiro os emigrantes.**

*A palavra árabe “Jaami’” literalmente significa “aquilo que ajunta, que une, que envolve.” Em português é traduzido como “mesquita” (que vem de “Masjid”, literalmente “o lugar de prostrações.
Jesus não construiu igrejas ou sinagogas para Seus seguidores, embora ele fosse carpinteiro por profissão. Na verdade, Ele deu a Seus Discípulos Seu Espírito, a fim de que seus corpos se tornassem templo de Deus. A construção de casas de pedra, para servir de lugar de encontro para os crentes, não era o objetivo de Jesus Cristo. Mais do que isso, Ele queria que o Próprio Deus habitasse nos crente. Hoje, a igreja de Jesus Cristo é o Templo santificado de Deus.
** Na ocasião Muhammad deu preferência aos emigrantes de Meca. Isso levou ao aumento de uma significativa tensão entre os muçulmanos de Meca e os de Medina. Essas tensões se tornaram públicas posteriormente, com a escolha de seu sucessor, o primeiro Califa.

Ammar chegou com uma carga de tijolos e disse a Muhammad: “Ó, mensageiro de Allah! Eles estão me matando. Eles põem sobre mim mais do que eu posso suportar.” Umm Salama, a esposa de Muhammad, declarou: “Eu vi como Muhammad passou sua mão através de seus cabelos crespos e disse: ‘Ai, filho de Sumaiyya! Esses homens não te matarão, é mais provável que um bando de apóstatas te matem.’”

Muhammad permaneceu na casa de Abu Ayyub até que a mesquita e as casas foram construídas. Então ele saiu. Abu Ayyub disse: “Quando Muhammad veio viver comigo, ele morou no andar inferior, e eu e a mãe de Ayyub no andar de cima. Eu disse a ele: ‘Ó, profeta de Allah, você me é mais importante do que meu pai e minha mãe. Eu estou incomodado e considero um pecado que você viva em baixo e eu acima de você. Então mude para cima e nos deixe ficar em baixo!’ Ele respondeu: ‘Ó, Abu Ayyub! Para nós e para aqueles que nos visitam é mais confortável que vivamos em baixo.’ Então Muhammad continuou a viver em baixo e nós em cima.”

“Uma vez, um vaso no qual eu mantinha água se quebrou. Nós pegamos um cobertor – o único que tínhamos – a fim de secar o chão, para que a água não pingasse sobre Muhammad e o incomodasse.” Ele mesmo explicou: “Nós preparemos o jantar para ele e o servimos. Quando ele nos mandou de volta o que sobrou, nós, minha esposa e eu, agarramos o lugar que sua mão tocou, esperando receber uma bênção. Em uma noite nós enviamos-lhe uma refeição preparada com cebola e alho. Ele devolveu os restos e em lugar algum percebemos sinal de sua mão. Eu fui ter com ele maravilhado e disse: ‘Eu não encontrei um único traço de sua mão no que voltou,’ e depois o contei que sempre comíamos o que estava no lugar que suas mãos tocavam, a fim de sermos abençoados. Ele respondeu: ‘Eu senti o cheiro do alho; eu sou um homem que vem de um povo que cheira para perceber o que há na comida. Vocês, porém, podem comer!’ Então nós comemos, mas nunca mais preparamos algo com tais plantas novamente.”

4.03.7 -- Como os emigrantes seguiram Muhammad a Medina

Os emigrantes seguiram Muhammad a Medina e nenhum deles ficou em Meca, exceto por aqueles que se apostataram ou que foram forçados a ficar. Não obstante, os emigrantes não fugiram com suas famílias inteiras ou com todos os seus bens para irem a Meca com Allah e seu mensageiro. Houve exceções entre os que possuíam casas entre o clã de Jumah, os Banu Jahsh ibn Riab. Eles eram companheiros protegidos dos Banu Umaiyya e dos Banu al-Bukair, que, por sua vez, eram aliados dos Banu ‘Adi ibn Ka’b. Suas casas foram trancadas quando eles emigraram e ninguém ficou para trás, vivendo ali.

Quando os Banu Jahsh migraram, Abu Sufyan vendeu sua casa a Amr ibn ‘Alqama. Quando os filhos de Jahsh ouviram isso, Abd Allah ibn Jahsh contou ao profeta, que respondeu: “Você não está satisfeito que Allah te dará por isso uma casa ainda melhor no paraíso?” Ele respondeu: “Certamente que sim!” “Então,” Muhammad disse, “você a receberá.” Quando Muhammad conquistou Meca, Abu Ahmad falou com ele a respeito de sua casa. Muhammad hesitou em responder e o povo disse a Abu Ahmad: “Muhammad não gosta quando o assunto se trata de perdas financeiras sofridas por Allah. Portanto, não fale mais com ele a respeito disso!”.

Muhammad permaneceu do mês de Rabi’a al-Awwal (3º mês) até Safar (o 2º mês) do ano seguinte em Medina. Durante esse tempo, as construções de sua mesquita e de seu lugar de habitação foram finalizadas.

4.03.8 -- O primeiro sermão de Muhammad

Conforme me foi relatado da parte de Abu Salama ibn Abd al-Rahman, Muhammad, em seu primeiro sermão público (que Allah nos ajude a não publicar algo que a boca de seu profeta jamais disse!) – após ter glorificado e louvado a Allah –, disse o seguinte: “Ó, povo! Que suas boas obras os precedam!* Por Allah, se um de vós for afligido de medo por causa do dia do julgamento, então seu rebanho estará sem pastor. Então Allah dirá a ele sem intérprete ou intermediário: ‘Você não encontrou meu Mensageiro e ele não te trouxe a mensagem? Eu te dei bens e te mostrei boas obras. O que você produziu antes de entregar sua alma?’ Então ele olhará para a esquerda e para a direita e nada encontrará, e olhará para frente e nada verá além do inferno. Quem puder escapar do inferno, ainda que seja com um pedaço de tâmara, que escape. Mas quem nada tem, que então consigo algo por meio de uma boa palavra. Cada boa obra será recompensada de 7 a 10 vezes mais. Que a paz e a bênção e a misericórdia de Allah sejam sobre vós.”

* Islã é uma religião edificada sobre boas obras. Qualquer justificação por meio de fé é de importância secundária, já que fé e sua proclamação são consideradas “boas obras”. Justificação pela fé com base em sacrifício vicário é algo alheio ao islã. Cada pessoa precisa trabalhar para conquistar sua salvação. O medo do julgamento de Allah e do inferno é a força motriz por trás do comportamento do muçulmano, não o amor ou a vontade de servir. Porém, Paulo revelou que ninguém pode ser justificado por guardar a lei ou por meio de boas obras. Aqui está o erro fundamental de Muhammad e do islã.

4.03.9 -- O segundo sermão de Muhammad

Em outra ocasião, Muhammad pregou o seguinte sermão: “Louvado seja o Senhor! Eu o louvo e a ele suplico por ajuda. Allah é nosso refúgio em meio à nossa malícia e às nossas obras pecaminosas. ‘Aquele que Deus encaminhar estará bem encaminhado; por outra, àquele que desviar, jamais poderás achar-lhe protetor que o guie.’ (Sura al-Kahf 18:17)”.

“Eu confesso: não há deus além de Allah. Ele não tem parceiros. As melhores palavras no mundo são as palavras de Allah. Bem-aventurado é aquele cujo coração recebeu a palavra de Allah, aquele a quem Allah removeu da descrença, e aquele que prefere o Alcorão aos discursos dos homens. Essas são as melhores e mais poderosas palavras do mundo.* Ame aquilo que Allah ama! Ame Allah de todo seu coração. Nunca se canse das palavras de Allah e nunca cesse de repeti-las!** Não endureçam seus corações para a palavra de Allah, porquanto são as melhores e mais nobres palavras que Allah já criou. Ele chamou o Alcorão, a melhor escolha e as melhores palavras de todas que foram dadas à humanidade. Adorem a Allah e não associem a ele parceiros! Temam-no com verdadeira reverência! Sejam sinceros diante de Allah com todas as palavras de sua boca! Amem uns aos outros no espírito de Allah, porque Allah se enfurece quando alguém quebra a aliança que fez com ele. Paz e que a misericórdia de Allah seja sobre vocês!”

* A forma abreviada dessa introdução (destaque itálico) serve ainda hoje como introdução obrigatória para a mensagem de sexta-feira em cada uma das mesquitas.
O islã ensina uma dupla predestinação: Allah determina um para a salvação e outro para a condenação (Suras Ibrahim 14:4; al-Nahl 16:93, etc). Liberdade individual é algo limitado no islã. Não obstante, um muçulmano ainda é responsável por suas obras boas e más no dia do julgamento. Portanto, precisa temer Allah e adorá-lo, na esperança de que Allah o salvará do fogo do inferno por causa de suas boas obras (Sura Maryam 19:72).
** A palavra árabe “corão” literalmente significa: “a recitação, o texto a ser recitado” e no islã é exclusivamente usada para se referir às suras de Muhammad.
O Alcorão é considerado a palavra final e inerrante de Allah, que foi ditada a Muhammad pelo Anjo Gabriel durante os ataques epiléticos de Muhammad. Essa palavra não deve apenas estar na mente, mas acima de tudo, deve inundar os corações. Todo muçulmano deve memorizar o Alcorão. Isso é tido como uma obra que justifica. A submissão a Allah é evidente, entre outras coisas, na memorização do alcorão, o que seria recompensado no Dia do Julgamento.

4.04 -- Estabelecida a cidade-estado de muçulmanos, judeus e animistas (após 622 d.C.)

4.04.1 -- Muhammad decreta uma lei fundamental

Muhammad preparou um documento. Ele seria um contrato para os emigrantes e para os auxiliadores, bem como para os judeus, que já estavam autorizados a manterem sua fé e sua riqueza sob certas condições. Ele dizia: “Em nome de Allah, o compassivo, o misericordioso. Este é o contrato que o profeta Muhammad conclui entre os crentes coraixitas e medinos, para os que os seguem, que se unem a ele que lutam ao lado deles. Juntos eles constituem uma comunidade*, uma que se põe à parte de todas as outras pessoas.

* No começo de seu governo em Medina, Muhammad tentou unir todos os que viviam nessa cidade – muçulmanos, judeus e animistas – por meio de um contrato. Ele os considerou todos seus subordinados, que pertenciam a um grupo único, que deveriam – cada um deles – defender uns aos outros.

Os emigrantes de Meca, os coraixitas, em caso de emergência e correspondendo a seus domicílios, deveriam pagar o preço de redenção por seus parentes que fossem feitos prisioneiros, a fim de redimi-los, tal como era certo e costumeiro entre os crentes. Os Banu Auf também deveriam, segundo seu domicílio e costume, pagar o preço de redenção e redimir cada seção de prisioneiros, segundo a justiça e costume. O mesmo se aplicava aos Banu Harith, Banu Sa'ida, Banu Jusham, Banu al-Najjar, Banu Amr ibn Auf, Banu al-Nabit e Banu al-Aus.* Os crentes não deveriam ter em seu meio pessoa alguma sobrecarregada por grande dívida que não fossem apoiar, mesmo se uma redenção ou fiança fosse por ele paga.

* Esse compromisso não-islâmico foi uma tentativa de Muhammad gradualmente ganhar os residentes de Medina para o islã. Ele os ofereceu igualdade, com as mesmas obrigações e privilégios dos muçulmanos. Esse contrato divergia do entendimento posterior da Umma islâmica, onde apenas muçulmanos poderiam ser cidadãos plenamente autorizados. Quem não aceitou essa primeira lei fundamental em Medina se tornou indefensável.

Nenhum crente deve demonstrar hostilidade aos aliados de outro (crente). Os crentes devem estar atentos aos que praticam violência, que cobiçam dinheiro de resgate*, ou que planejam animosidade e corrupção entre os crentes. Todos devem erguer sua mão contra os que fazem tais coisas, ainda que seja seu próprio filho. Ninguém deve matar um crente por vingança de um descrente. Ninguém deve apoiar um descrente contra um crente.** A proteção de Allah é única e o mesmo vale para todos os muçulmanos. Mesmo o menos muçulmano de todos pode garantir aos descrentes sua proteção! Os crentes devem proteger-se uns aos outros de todas as outras pessoas.***

* O preço de resgate é o dinheiro pago pela liberdade de um descrente ou não-muçulmano capturado em guerra, cujo valor é determinado pelo líder islâmico.
** Essa sentença é tida como justificação para os posteriores massacres de muçulmanos contra os judeus de Medina dos Banu Qaynuqa. Os aliados dos judeus entre os ex-animistas não tinham direito de ajudá-los contra os muçulmanos, mesmo quando matavam judeus em grandes números.
*** O dever incondicional e mútuo de todos os muçulmanos ajudarem uns aos outros contra ataques justo e injustos de não-muçulmanos está, até certo ponto, presente nessa primeira lei fundamental de Medina. Posteriormente se tornou uma verdade autoevidente para todos os muçulmanos. Na realidade, porém, em feudos familiares e em guerras entre povos islâmicos, essa lei foi quebrada incontáveis vezes.

Os judeus que nos seguem recebem ajuda e têm os mesmos direitos. Nenhuma injustiça será feita a eles e nem ajuda a seus inimigos será dada.

A paz dos crentes é indivisível. Nenhuma paz deve ser feita com um crente e não com o outro. Tudo na batalha por Allah deve ser feito com equidade e justiça. Em cada campanha de batalha, um deve aliviar o outro. Ninguém deve se vingar do outro durante uma guerra santa. Os crentes que temem a Allah estão sob a melhor e mais poderosa orientação.

Além disso, nenhum politeísta (de Medina) deve adquirir propriedades ou pessoas dos coraixitas (de Meca) sob sua proteção ou intervir em uma disputa entre um coraixita e outro crente. Se for provado que alguém matou um crente, ele também deverá ser morto por isso, a não ser que o parente mais próximo fique satisfeito com outros meios (dinheiro do sangue). Os muçulmanos devem eleger um único homem contra o assassino.*

* Seguindo o princípio de “olho por olho e dente por dente”, ou a possibilidade de se aceitar dinheiro como pagamento, o caminho para a vingança de sangue foi preparado e legalizado com essa ordenança. O islã não conhece obrigação incondicional de perdoar, tal como Jesus ordenou a Seus discípulos (Mateus 6:14,15).

Nem é autorizado ao crente – que tenha concordado com este documento e que crê em Allah e no Dia do Julgamento – dar ajuda a uma parte culpada ou oferecer a este abrigo. Se ele ainda assim o fizer apesar desta proibição, ele encontrará a maldição de Allah e a ira no Dia da Ressurreição. De forma alguma poderá se limpar dessa culpa.* Em cada assunto questionável em que houver falta de consenso entre vocês, voltem-se a Allah e a Muhammad.**

* O islã adverte seus seguidores sobre diversos tipos de pecado imperdoável: apostasia do islã, fé em uma divindade plural, como Pai, Filho e Espírito Santo, e o assassinato premeditado de outro muçulmano.
** Com essa lei, Muhammad se entronizou como mediador, juiz e governante absoluto de Medina. Porém, Jesus se recusou ser feito rei assumir qualquer função mundana, pois Seu propósito era edificar um reino espiritual (João 6:15; Lucas 12:13-15).

Se judeus lutarem ao lado de crentes, eles devem contribuir igualmente com os custos. Os judeus dos Banu Auf formaram uma comunidade com os crentes. Os judeus mantêm sua fé e os muçulmanos, de igual forma, mantêm sua própria fé.* De maneira semelhante, suas pessoas e seus ex-escravos são aliados e intocáveis. Apenas criminosos ou aqueles que praticam violência não desfrutam de proteção, de forma que se forçam a si mesmos e suas famílias à ruína.

* Essa ordenança determinou (temporariamente) igualdade em assuntos civis para judeus e muçulmanos de Medina, bem como validade às fés islâmica e judaica.

Os arranjo entre os judeus dos Banu Auf também vale para os judeus dos Banu al-Najjar, os Banu al-Harith, os Banu Sa'ida, os Banu Jusham, os Banu al-Aus, os Banu Tha’laba e Jafna, que formaram um ramo de Jafna, bem como para os judeus dos Banu Shutayba, os puros, não os infratores. Os ex-escravos dos Tha’laba são considerados, tal como os próprios Tha’laba, um ramo paralelo das tribos judaicas. Nenhum deles deve deixar Medina sem a permissão de Muhammad.*

* Muhammad governou sob seu povo como governante absoluto. O islã permite apenas uma liberdade limitada.

Ninguém deve ser impedido de se vingar por causa de uma injúria. Quem comete injustiça, causa dano a si e à sua família, a não ser que anteriormente tenha sido cometida violência contra ele. Allah deseja que essas ordenanças sejam seguidas por completo.

Os judeus devem cuidar de sua própria subsistência e, de igualmente forma, também os crentes. Prover ajuda é uma responsabilidade mútua quando se empreender guerra contra alguém citado neste documento. Conselho mútuo e consulta popular devem ser sinceros em todos os casos. Ninguém deve cometer injustiça contra seus aliados, e deve-se ajudar aquele que sofreu violência. Os judeus devem bancar os custos de guerra com os crentes, já que marcham em batalha um ao lado do outro.*

* Em caso de guerra, os judeus devem dar assistência e assumir parte das despesas das Guerras Santas de Muhammad.

A área da cidade de Medina deve ser uma zona inviolável para todos os que consentem a este contrato. Uma pessoa sob proteção é considerada igual à pessoa que lhe protege, desde que não seja um criminoso. Uma mulher não pode ser tomada sob proteção sem a permissão de sua família. Se um evento imprevisto ocorrer entre os mencionados neste documento, ou uma disputa ocorrer e durante a qual for temida a rejeição deste documento, deve-se voltar a Allah ou Muhammad. Allah melhor do que ninguém pode zelar por este contrato. Nenhuma proteção deve ser dada aos coraixitas em Meca ou a seus auxiliadores.* Quem atacar Medina deve ser atacado por todos. Se os descrentes foram convocados a fazer e a viver em paz, eles devem dar ouvidos às convocações.

* Os mercadores me Meca constituíram o maior perigo a Muhammad. Quem fazia um pacto com eles se tornava inimigo de Muhammad.

Se eles convocam para viver em paz, então os crentes devem seguir o pedido, exceto quando estiverem em guerra religiosa. Cada um deve manter sua porção do espólio que conquistaram (Sura al-Anfal 8:1ss). Aos judeus da tribo de Aus e seus protegidos são concedidos os mesmos direitos daqueles que concordaram com esse contrato.

Allah exige que o conteúdo desse contrato* seja preservado meticulosamente para que nenhum criminoso ou malfeitor seja protegido por ele. Quem quer que entre ou saia de Medina estará em segurança, exceto pelos criminosos e malfeitores. Allah e seu mensageiro Muhammad protegem os puros e os tementes a Deus.**

* Esse contrato se tornou exemplar e serviu de fundamento e legitimidade para muitos contratos posteriores que foram feitos entre muçulmanos e outros povos subjugados que poderiam receber sua proteção.
** Esse contrato entre muçulmanos, judeus e animistas em Medina é um exemplo da habilidade de liderança de Muhammad. Por um tempo ele esteve, ao contrário de seus princípios religiosos, preparado para fazer compromissos, embora somente quando ele precisava da ajuda de outras religiões. Primeiro Muhammad quis unir parceiros fundamentalmente diferentes de sua cidade, de modo a estabelecer uma base de poder na qual o islã prosperaria.

4.04.2 -- A confissão de amizade entre os Emigrantes e os Auxiliadores

Muhammad fez uma aliança entre os companheiros emigrantes de Meca e os auxiliadores de Medina. Conforme meu entendimento, ele disse (que Allah nos proteja de atribuir a ele algo que não disse!): “Sejam irmãos (uns dos outros) em nome de Allah!” Então ele agarrou a mão de Ali e disse: “Esse é meu irmão.”* Então Muhammad**, o senhor dos enviados, o ímame dos tementes a Deus, o mensageiro do Senhor dos Mundos, o qual não tem igual, se tornou irmão de Ali. Hamza, o Leão de Allah e tio de Muhammad, se tornou irmão de Zaid ibn Hairtha, o ex-escravo de Muhammad. Foi a ele que Hamza comissionou a realizar seu último testamento caso perecesse na Batalha de Uhud. Ja'far, o filho de Abu Talib, que voa pelo paraíso com duas asas,*** se tornou irmão de Mu'adh ibn Jabal, um dos irmãos dos Banu Salama. Abu Bakr se tornou irmão de Kharija ibn Zaid, Umar ibn al-Khattab com Itban ibn Malik. No fim, Bilal é mencionado. Este era o ex-escravo de Abu Bakr, bem como o muezzin de Muhammad, que se tornou irmão de Abu Ruwaiha Abd Allah ibn Abd al-Rahman, o kathamita, que também foi contado entre os Banu Fura.

* Essas palavras de Muhammad são interpretadas pelos xiitas como significando que Ali foi quem esteve “mais próximo” de Muhammad, portanto, se tornando o muçulmano de maior status.
** Muhammad é considerado no islã como o senhor e selo de todos os mensageiros de Allah. Para os muçulmanos, ele é maior do que Moisés e Jesus. O “Senhor dos Mundos” é, porém, um dos nomes de Allah, e Muhammad é considerado seu mensageiro mais importante. Ele se tornou irmão de Ali, seu sobrinho, filho adotivo e genro. Ao fazer isso, Muhammad mais uma vez se ligou ao seu clã.
*** Muhammad disse que Ja'far, seu primo, ganhou duas asas no lugar onde estavam seus braços, que foram perdidos em batalha.

Esses nomes foram passados a nós por aqueles com quem Muhammad constituiu irmandade. Quando Umar levou à Síria os livros nos quais os nomes de todos os combatentes foram listados, ele perguntou a Bilal, que também fez guerra por ali, onde ele gostaria de ser citado. Ele respondeu: “Próximo a Abu Ruwaitha, de quem nunca quero me separar, porquanto Muhammad nos fez irmãos.” Então ele ficou próximo a Abu Ruwaitha e o restante dos abissínios com a tribo de Khatham, porque Bilal pertencia a eles.*

* A união de muçulmanos em laços de irmandade foi uma tentativa de Muhammad criar um novo lar na comunidade religiosa do islã para os refugiados que perderam sua proteção tribal. Os laços de sangue foram substituídos pelos laços religiosos. Não obstante, essa tentativa teve sucesso apenas parcial. A história do islã mostra uma cadeia infindável de guerras baseadas em políticas familiares e direitos de clãs.

4.04.3 -- A morte de Abu Umama

No mês em que a mesquita estava sendo construída, Abu Umama Sa'd ibn Zurara morreu de uma condição na garganta ou de um problema respiratório. Muhammad disse: “A morte de Abu Umama parece aos olhos dos judeus e dos hipócritas entre os árabes uma desventura para os muçulmanos. Eles dirão que se eu fosse um profeta, então meu companheiro não teria morrido.* Agora eles se convencerão de que eu nada posso afetar por meio de Allah, nem a mim mesmo ou aos meus companheiros.” Após Abu Umama morrer, os Banu Najjar, de quem ele fora líder, se reuniram com Muhammad e o pediram que determinasse um sucessor, que cuidaria de seus assuntos tal como seu predecessor fizera. Então Muhammad disse: “Vocês são meus tios do lado de minha mãe. Eu pertenço a vocês e quero ser seu líder.” Muhammad não quis erguer alguém deles acima dos outros. Os Banu Najjar consideraram isso a recompensa de sua linhagem que Muhammad tenha se tornado o líder deles.

* Jesus foi confrontado por Maria, irmã de Lázaro, com uma pergunta similar. Ele, porém, possuía a autoridade para chamar os mortos de volta da sepultura. Muhammad não tinha esse poder. Na verdade, ele tirou vantagem da situação ao se pôr como líder de um clã sem pai.

4.04.4 -- O início do Chamado à Oração

Uma vez que Muhammad encontrou uma morada segura* em Medina e que seus amigos, os emigrantes (de Meca), podiam estar com ele, e também quando os problemas dos auxiliadores (de Medina) foram tratados, o islã se estabeleceu firmemente. Orações eram realizadas regularmente, os momentos de jejum determinados, o imposto pelos pobres cobrado, penas da lei foram aplicadas e o que era permitido ou proibido* foi prescrito.***

* Jesus disse sobre si mesmo: “Raposas têm suas tocas e as aves do céu seus ninhos, mas o Filho de Homem não tem lugar para reclinar sua cabeça” (Mateus 8:20). E Paulo escreveu sobre Jesus em II Coríntios 8:9: “embora fosse rico, Se fez pobre.”
** “O permitido e o proibido” são os limites extremos da escala de valores da jurisprudência islâmica; entre eles há muitos níveis, como indiferença, indesejo, desprezo, etc.
*** Assim o islã se tornou a lei de Medina, determinando a cultura e o estilo de vida.

Quando Muhammad foi a Medina, as pessoas se reuniam à sua volta em vários momentos para oração, sem terem sido chamadas para isso. Então Muhammad teve a ideia de chamar os crentes para orarem com um trompete, tal como os judeus faziam, mas abandonou essa ideia. Depois ele quis usar um “sino”. Na verdade, ele encomendou um “sino” para tocá-lo nas horas de oração.*

* Nos primeiros ajuntamentos islâmicos, haviam dois pedaços de madeira de tamanhos diferentes que eram ritmicamente batidos juntos. Este era o substituto para o trompete, tambor ou sino, que naquele tempo ainda não estava pronto.

Neste meio tempo, Abd Allah ibn Zaid teve uma visão na qual foi ensinado como chamar à oração. Ele foi ao profeta e disse: “Na noite passada veio a mim um fantasma vagante em forma de homem, envolto em uma capa verde e que tinha um sino em sua mão. Eu o perguntei: ‘Servo de Alalh! Você quer me vender este sino?’ Ele perguntou: ‘O que você quer fazer com ele?’ Eu respondi: ‘Nós queremos chamar as pessoas para orarem usando ele.’ Então ele disse: ‘Eu quero te mostrar um jeito melhor!’ Quando eu o perguntei sobre o método, ele respondeu: ‘Clame por quatro vezes: Allah é grande, e depois: Eu confesso que não há deus além de Allah. Venham orar! Venham orar! Venham para o sucesso! Venham para o sucesso! Allah é grande! Allah é grande! Não há deus além dele!’”* Quando Muhammad ouviu essas palavras, ele disse: “Essa é uma visão verdadeira. Como Allah quer, vá e ensine isso a Bilal! Ele deve chamar à oração assim, já que ele tem uma voz melhor do que você.” Quando Bilal chamou à oração, Umar ouviu de sua casa. Ele correu a Muhammad, arrastando sua capa consigo, e disse: “Ó, profeta de Allah, por aquele que te enviou em verdade, eu tive a mesma visão que ele!” Muhammad disse: “Que Allah seja louvado!”

* Vivendo com judeus e cristãos, Muhammad transformou o islã em uma religião independente, com sua própria legislação, liturgia e costumes. O chamado à oração para os muçulmanos contem um resumo dos principais ensinos do islã:
1. “Allahu akbar” significa que Allah é grande, distante e desconhecido, o que equivale a dizer que ninguém é incomparável a ninguém. Ele não pode ser imaginado, nem alcançado ou compreendido. Ele é um deus inteiramente “outro”, grande e desconhecido, que somente pode ser temido e adorado por todos.
2. Muhammad é chamado de o “mensageiro de Allah”. Ele não é apenas um profeta, mas também um representante político, que é responsável por garantir o cumprimento da lei de Allah. Portanto, o objetivo do islã nada mais é do que instituir uma religião-estado.
3. Quem se submete às orações prescritas deve ter sucesso em vida e na eternidade. Essas orações servem para se obter privilégios de Allah e contam como obras meritosas, que garantem bênçãos neste e no outro mundo. A oração no islã é, portanto, um meio para um fim, não um agradecimento a Deus por Suas bênçãos e graça. Aqui a justificação pelas obras no islã pode ser contrastada à justificação pela graça em Cristo.

‘Ubaid ibn ‘Umayr al-Laithi disse: “Muhammad e seus companheiros se determinaram a procurar um sino, a fim de chamar as pessoas para orar. Quando Umar quis comprar duas vigas para o sino, ele teve uma visão na qual foi ordenado a não usar um sino, mas a chamar à oração. Umar foi a Muhammad para informá-lo a respeito dessa revelação. Muhammad, porém, já sabia disso. Ele disse a Umar: ‘Essa revelação já o precedeu!’ Umar mal tinha saído quando Bilal começou a chamar à oração.”

Uma mulher dos Banu Najjar disse: “Minha casa era a mais alta da vizinhança da mesquita. Bilal chamava à oração a partir dali todas as manhãs. Ele vinha bem cedo, subia ao topo do telhado, se sentava e aguardava pela estrela da manhã. Então ele andava pelo telhado e gritava: ‘Allah, eu te louvo e imploro por sua ajuda aos coraixitas para que aceitem sua religião.’ Então ele chamava à oração e, por Allah, não tenho ciência de que ele tenha falhado ao menos uma vez.”

4.04.5 -- Os nomes dos oponentes entre os judeus

Com o tempo e conforme o islã se estabeleceu, os rabinos se tornaram inimigos de Muhammad. Eles se encheram de inveja e de ressentimento que Allah tenha escolhido seu mensageiro dentre os árabes.* A eles se uniram os ausitas e khazrajitas, entre os quais ainda havia aqueles que permaneciam firmes no paganismo e idolatria, tal como seus pais permaneceram e tal como os que não creem na ressurreição. Ainda assim, eles se sentiram compelidos a fazer uma aparente confissão do islã, a fim de salvar suas vidas. Não obstante, eles eram hipócritas e irremediavelmente permaneceram do lado dos judeus, que rejeitavam o islã e que chamavam Muhammad de mentiroso.

* Os judeus zombavam de Muhammad porque ele se dizia um profeta do Deus verdadeiro. Eles não estavam com inveja e nem ressentidos por ele. Na verdade, eles riam dele, e isso ofendia profundamente a Muhammad.

Os rabinos fizeram perguntas a Muhammad, o aborreceram e criaram-lhe problemas difíceis, tudo para misturar a verdade com o engano; a única exceção era para algumas poucas perguntas que os crentes faziam a respeito do que era permitido e do que era proibido.*

* Nessa parte do original árabe há uma longa lista de nomes de indivíduos dos Banu Nadir, Banu Qaynuqa’ e Banu Quraiza. Com isso, inimigos de Muhammad foram mencionados pelo nome.

Esses rabinos eram cheios de malícia e inimigos implacáveis de Muhammad e de seus companheiros. Eles faziam perguntas e criavam polêmicas contra o islã, a fim de destruí-lo. Houve apenas dois rabinos que se tornaram muçulmanos.*

* Os judeus rapidamente reconheceram as discrepâncias entre as revelações de Muhammad e os textos da Torá e dos Profeta, e zombando apontavam isso a ele. O Profeta dos árabes, porém, não podia admitir que havia apenas dado uma nova versão de antigas tradições orais dos judeus em forma de rima árabe, fazendo com que informações imprecisas, mal entendidos e erros intencionais surgissem. A admissão de um erro poderia levar ao questionamento de sua autoridade profética. Muhammad não era, em favor de honra própria, obediente à verdade. O espírito do islã não é de verdade ou de humildade, mas um que usa incontáveis truques e mentiras para salvar sua honra e manter seu poder.
Como os ataques dos rabinos puseram a autoridade de Muhammad em questão, ele os chamou de os maiores e mais perigosos inimigos. A crítica, perspicácia e zombaria sem fim dos judeus criaram um ódio sem fim em Muhammad e em seus seguidores que dura até hoje.
Jesus também foi tentado e zombado por seu povo, mas foi mais sábio que seus oponentes e venceu as artimanhas deles por meio de lógica espiritual e por meio das palavras do Antigo Testamento. Jesus era a verdade em pessoa: ele não deturpou a lei, mas a cumpriu com palavras e obras.

4.04.6 -- A conversão do rabino judeu Abdallah ibn Salam

Conforme me foi relatado por alguém de sua família, Abd Allah ibn Salam, um rabino estudado, descreveu a história de sua conversão da seguinte maneira: “Quando eu ouvi o mensageiro de Allah falando, eu o reconheci por meio de seus atributos, seu nome e pelo tempo em que o esperávamos.* Eu fiquei feliz, mas permaneci quieto até que ele foi a Medina.

* Muçulmanos veem em Muhammad o profeta prometido do Antigo Testamento (Deuteronômio 18:15) que, segundo o entendimento do Novo Testamento, é Cristo. De forma grotesca, os muçulmanos também entendem Muhammad como o cumprimento do Paracleto que Jesus enviou (João 14-16), que é, na verdade, o Espírito Santo, que veio para encher os discípulos enquanto oravam em Pentecostes.

Quando ele (Muhammad) se estabeleceu em Quba nas proximidades dos Banu Amr ibn Auf, veio um homem e nos informou de sua chegada. Naquele momento eu estava pro uma tamareira, sob a qual se sentava minha tia Khalida, filha de Harith. Quando ouvi as notícias, eu gritei: ‘Allah é todo poderoso.’ Minha tia respondeu: ‘Que Deus te envergonhe! Você não teria algo melhor para dizer se Moisés, filho de Imran, tivesse chegado.’ Eu respondi: ‘Por Allah, ele é um irmão de Moisés, é da mesma religião e foi enviado com o mesmo que Allah enviou Moisés.’ Ela perguntou: ‘Ele é o profeta que foi profetizado a nós e que viria por esse tempo?’ Eu disse: ‘Sim.’ Ela respondeu: ‘Bem, então é ele!’ Eu fui a Muhammad, me converti ao islã, voltei à minha casa e ordenei que minha família inteira seguisse o islã, e assim eles fizeram. Não obstante, eu mantive minha conversão em segredo dos judeus. Eu fui novamente a Muhammad e disse: ‘Os judeus são um povo caluniador. Esconda-me em um de seus quartos e pergunte a eles sobre mim, antes que eles saibam que eu me tornei muçulmano, porque logo eles ficarem sabendo eles me caluniarão e me depreciarão.’ Muhammad o escondeu em um de seus quartos e quando os judeus vieram e falaram com ele por um tempo e o fizeram algumas perguntas, ele perguntou: ‘Qual posição al-Husain ibn Salam ocupada entre vocês?’ Eles responderam: ‘Ele é nosso senhor e o filho de nosso senhor e nosso rabino e mestre.’ Quando disseram isso, eu saí, me aproximei deles e disse: ‘Ó, judeus! Temam Allah e recebam o que ele os envia. Por Allah, vocês sabem que Muhammad é um mensageiro de Allah. Vocês sabem que a Torá fala dele, cita seu nome e seus atributos.* De minha parte eu confesso que ele é um mensageiro de Allah. Eu creio nele e o reconheço como fiel.’ Eles exclamaram: ‘Você está mentindo,’ e começaram a me ofender. Então eu disse a Muhammad: ‘Eu não te disse, ó Profeta de Allah, que os judeus são um povo caluniador, em quem habita traição, mentira e prostituição?’

* Os muçulmanos aplicam a promessa de Deuteronônio 18:15 a Muhammad, mas ignoram o fato de que o profeta prometido deve ser um membro da Velha Aliança, algo que Muhammad nunca foi e nem poderia ser.

Então eu abertamente proclamei minha conversão e de minha família. Minha tia Khalida também se tornou uma boa muçulmana.”

4.04.7 -- A conversão do rabino judeu Mukhairiq

De Mukhairiq é dito: “Ele era um rabino estudado que era rico em tamareiras. Ele reconheceu a Muhammad a partir de suas características e daquilo que aprendera em seus estudos. Ele começou a amar o islã. Sua familiaridade com essa religião é o que o ganhou para o islã. Ele viveu até a Batalha de Uhud, na qual caiu em um sábado. Então ele disse aos judeus: “Por Allah, vocês sabem que é seu dever ajudar a Muhammad.” Eles responderam: “Hoje é o dia de descanso.” Ele respondeu: “Que vocês jamais tenham descanso!” Então ele alcançou sua arma e saiu a Uhud para ter com Muhammad e seus companheiros. Ele anteriormente havia decidido que se morresse, todos os seus bens deveria ir para Muhammad, o qual faria conforme Allah o instruísse. Então ele lutou entre os crentes até ser morto. Conforme ouvi, Muhammad teria dito: “Mukhairiq foi o melhor entre os judeus.” Então Muhammad tomou posse dos bens de Mukhairiq. Todas as esmolas que Muhammad distribuiu em Medina eram dos bens de Mukhairiq.

* Por meio da conversão de rabinos e de outros judeus ao islã, Muhammad obteve melhor conhecimento da Lei, do Talmud e das tradições dos devotos judeus. Isso fez com que cerca de 70% do texto do Alcorão e da Hadith sejam de fontes judaicas, embora destorcidas.

4.05 -- TESTE

Prezado leitor,
Se você estudou com atenção esse volume, você facilmente será capaz de responder às seguintes questões. Quem responder corretamente 90% dessas questões, nos 11 volumes desta série, receberá de nosso centro um certificado escrito de reconhecimento em:

Estudos Avançados
da vida de Mohammad à luz do Evangelho

- como encorajamento para o futuro serviço para Cristo.

  1. Como aconteceu que Addas, o cristão, reconheceu Muhammad como profeta?
  2. O que aconteceu na história da delegação de jinns?
  3. Medina se tornou um estado religioso em dez passos. Cite esses passos.
  4. Como o islã começou em Iatreb?
  5. Qual é o conteúdo do contrato que Muhammad fez com os moradores de Iatreb em al-‘Aqaba?
  6. Que ordem Muhammad recebeu após ter chegado a um acordo com os representantes de Iatreb?
  7. Por que os líderes os coraixitas se determinaram a matar Muhammad?
  8. Por que Muhammad abandonou sua residência em Meca? O que ele fez durante isso?
  9. Como Muhammad determinou o lugar onde moraria em Medina?
  10. Contraste a construção da primeira mesquita com a construção da irmandade dos crentes em Cristo.
  11. Como começou o chamado à oração islâmico?
  12. Como os rabinos judeus Abdallah ibn Salam e Mukhairiq se converteram ao islã?

Todo participante deste teste está autorizado, com o propósito de responder as questões, a usar qualquer livro disponível ou a questionar pessoas de confiança, conforme desejado. Aguardamos respostas escritas, incluindo seu endereço completo, seja em papel ou e-mail. Oramos a Jesus, o vivo Senhor, para que Ele possa chamá-lo, enviá-lo, fortalecê-lo e preservá-lo todos os dias de sua vida!

Unidos com você a serviço de Jesus,
Abd al-Masih e Salam Falaki.

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