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Home -- Portuguese -- 04. Sira -- 5 A zombaria dos judeus e as primeiras campanhas militares de Muhammad

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04. A VIDA DE MUHAMMAD SEGUNDO IBN HISHAM

5 - A ZOMBARIA dos judeus e as primeiras campanhas militares de Muhammad (623 d.C.)

A resistência e a zombaria dos judeus -- A Guerra Santa entre em nova fase


5.01 -- Titulo


5.01 -- A resistência e a zombaria dos judeus (depois de 623 d.C.)

Segundo Ibn Ishaq (falecido em 767 d.C.) Editado por Abd al-Malik Ibn Hischam (falecido em 834 d.C.)

Tradução original editada a partir do árabe por Alfred Guillaume

Uma seleção de anotações por Abd al-Masih e Salam Falaki

5.02 -- A resistência e a zombaria dos judeus (depois de 623 d.C.)

5.02.1 -- Um testemunho de Safiyya

Safiyya, filha de Huyay ibn Akhtab, disse o seguinte: "Meu pai Huyay e meu tio Abu Yasir me favoreciam acima de todas as outras crianças. Sempre que estavam ocupados com outras crianças, tão logo eu chegava, eles voltavam sua atenção para mim. Quando Muhammad chegou a Medina e estabeleceu-se em Kuba, meu pai e meu tio foram ter com ele antes do romper do dia e voltaram para casa novamente apenas ao pôr-do-sol. Eles foram lentamente e vagarosamente e pareciam estar muito abatidos. Como sempre, eu corri a eles, mas eles não prestaram atenção em mim. Eles estavam muito conturbados. Então eu ouvi quando meu pai perguntou a meu tio: "É ele?" Ele respondeu: "Sim, por Allah!" Ele perguntou novamente: "Você o reconhece e confirma o que ele diz?" Ele respondeu: "Sim." Então meu tio perguntou: "E o que você pretende fazer com ele?" Meu pai respondeu: "Por Allah, vou tratá-lo como inimigo enquanto eu viver."

5.02.2 -- Dos hipócritas entre os Auxiliadores que ficaram do lado dos judeus

Nabtal ibn al-Harith era um homem forte, de pele escura, de cabelo liso, olhos vermelhos e bochechas enrubescidas. Ele frequentemente ia ter com Muhammad, conversava com ele e levava as palavras de Muhammad aos hipócritas. Ele também disse: “Muhammad é todo ouvidos. Ele acredita em tudo o que contam a ele.”* A respeito dele, Allah revelou o seguinte: “Entre eles há aqueles que injuriam o Profeta e dizem: Ele é todo ouvidos. Dize-lhes: É todo ouvidos sim, mas para o vosso bem; crê em Deus, acredita nos fiéis e é uma misericórdia para aqueles que, de vós, creem! Mas aqueles que injuriarem o Mensageiro de Deus sofrerão um doloroso castigo.” (Sura al-Tawba 9:61). Balajlan disse que lhe foi contado como Gabriel uma vez foi a Muhammad e disse: “Senta-se com você um homem de pele escura e de cabelos lisos, de bochecha enrubescida e olhos vermelhos que parecem duas vasilhas de cobre. Seu coração é mais duro do que o de um burro. Ele leva suas palavras aos hipócritas. Seja cauteloso com ele!” Esta, dizem eles, fora uma descrição de ibn al-Harith.

* Essas palavras da biografia de Ibn Hisham dão forte indicação de que, no começo, Muhammad ouviu avidamente os judeus e que aceitou, creu e incorporou ao seu próprio mundo de ideias muito do que eles disseram.
Muhammad precisava se basear nas afirmações, notícias, histórias e ensinos dos judeus porque ele não sabia ler a Torá em hebraico e não recebeu qualquer revelação verdadeira. Assim, pode-se concluir que sua fome por conhecimento da verdade e da lei foi usurpada por judeus charlatões e que ele foi enganado por eles.

5.02.3 -- Como os hipócritas foram expulsos da mesquita

Em uma ocasião, diversos hipócritas, sussurrando entre si, entraram na mesquita e se mantiveram muitos próximos um do outro. Quando Muhammad viu isso, os retirou da mesquita à força.* Abu Ayyub Khalid ibn Zaid pegou Amr ibn Qays, um irmão de Banu Ghanim, e o arrastou para fora da mesquita pelo pé. Amr ibn Qays gritou sem parar: “Você vai me expulsar do lugar ermo dos Banu Tha’laba?” Com isso, Abu Ayyub se virou para Raafi ibn Wadia, um dos Banu Najjar, o pegou pela orla de sua capa, o esbofeteou no rosto e o jogou para fora, ao que ele gritou: “Ei, seu hipócrita sujo; vá embora, seu hipócrita – saia do santuário do mensageiro de Allah!” Umara ibn Hazm foi a Zaid ibn Amr, o puxou por sua longa barba e o expulsou à força da mesquita. Então ele o empurrou com as duas mãos, tão forte que ele caiu, ao que gritou: “Você me machucou, Umara!” Mas ele o respondeu: “Que Allah o expulse, seu hipócrita! A punição que Allah prepara para você é maior do que essa. Nunca mais se aproxime da mesquita do mensageiro de Allah!”

* Nada afetou mais profundamente a Muhammad do que a zombaria de seus inimigos. Ele não podia suportar os hipócritas, que fingiam ser muçulmanos, mas que, na realidade, rejeitavam o islã. Ele não os advertiu, mas os expulsou à força do santuário.
Jesus desmascarou os hipócritas entre os judeus os reprimiu com palavras duas; ele, porém, não usou de força para expulsá-los de sua presença. Ele os amou até o fim e os contou a verdade abertamente, em sua presença.

Abu Muhammad, um dos Banu Najjar que lutou na batalha de Badr, e Abu Muhammad Mas’ud ibn Aus, também um dos Banu Najjar, foram ter com Qays ibn Amr ibn Sahl, o único jovem entre os hipócritas, e o golpeou atrás do pescoço até que este saiu da mesquita. Um homem do clã de Abu Sa'id al-Khudri, cujo nome era Abd Allah ibn Harith, foi ter com Harith ibn Amr, o agarrou pelos cabelos e o arrastou pelo chão até fora da mesquita. O hipócrita gritou: “Você é muito rude, filho de Harith!” A isso respondeu: “Você merece isso, inimigo de Allah!”

Um homem dos Banu Amr ibn Auf foi a seu irmão, Zuwai ibn al-Harith, o expulsou da mesquita e gritou: “Que vergonha,” e adicionou: “Satanás com seus planos o possui!” Esses homens estiveram na mesquita naquela dia e, sob a ordem de Muhammad, foram expulsos.

5.02.4 -- O que foi revelado na Sura “al-Baqara”

Foi contra esses rabinos e hipócritas do ausitas e dos khazrajitas que o início da sura “al-Baraqa” foi revelado: “Eis o livro que é indubitavelmente a orientação dos temente a Deus” (Sura al-Baqara 2:2). “Quanto aos incrédulos”, (ou seja, aqueles que não creem no que foi revelado, mesmo que digam que acreditam em revelações anteriores) “tento se lhes dá que os admoestes ou não os admoestes; não crerão” (Sura al-Baqara 2:6). Eles negam o que é mencionado a seu respeito em seus livros, conforme fazem aliança que, em seu favor, foi firmada com eles. Eles não acreditam no que foi revelado a você e nem no que foi revelado a eles pelos outros. Como se há de esperar que prestem atenção a seus avisos e admoestações, se eles negam ter qualquer conhecimento de você? “Allah selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados...” (de modo a impedi-los de encontrar orientação e a crer na verdade, que veio a você de seu Senhor, e que eles declaram serem mentiras, mesmo embora creiam em todas as revelações anteriores) “...e sofrerão um severo castigo” (Sura al-Baqara 2:7) por causa de sua descrença em ti. Essas palavras foram dirigidas ao rabinos, que rejeitaram a verdade, mesmo tendo a enxergado.

Entre os humanos há os que dizem: Cremos em Deus e no Dia do Juízo Final. Contudo, não são fiéis” (Sura al-Baqara 2:8). Com isso quis dizer dos hipócritas entre os ausitas e khazrajitas, bem como daqueles a eles aliados. “Pretendem enganar Deus e os fiéis, quando só enganam a si mesmos, sem se aperceberem disso. Em seus corações há morbidez...” (Sura al-Baqara 2:9,10), que é a dúvida. “13 Se lhes é dito: Crede, como crêem os demais humanos, dizem: Temos de crer como crêem os néscios? Em verdade, eles sãos os néscios, porém não o sabem. 14. Em quando se deparam com os fiéis, asseveram: Cremos. Porém, quando a sós com os seus sedutores, dizem: Nós estamos convosco; apenas zombamos deles.” (Sura al-Baqara 2:13,14) e, assim, brincam com os muçulmanos. “15. Mas Deus escarnecerá deles e os abandonará, vacilantes, em suas transgressões. 16.São os que trocaram a orientação pelo extravio; mas tal troca não lhes trouxe proveito, nem foram iluminados. 17.Parecem-se com aqueles que fez arder um fogo; mas, quando este iluminou tudo que o rodeava, Deus extinguiu-lhes a luz, deixando-os sem ver, nas trevas. 18.São surdos, mudos, cegos e não se retraem (do erro)” (Sura al-Baqara 2:15-18). Por acusa da insubordinação deles e de suas ameaças, não haverá salvação para suas condutas. Eles são “19 como (aquele que, surpreendidos por) nuvens do céu, carregadas de chuva, causando trevas, trovões e relâmpagos, tapam os seus ouvidos com os dedos, devido aos estrondos, por temor à morte; mas Deus está inteirado dos incrédulos,” a fim de puni-los, porque onde quer que estejam, os descrentes estão sob Seu poder soberano. “Pouco falta para que o relâmpago lhes ofusque a vista. Todas as vezes que brilha, andam à mercê do seu fulgor e, quando some, nas trevas se detêm e, se Deus quisesse, privá-los-ia da audição e da visão... Ó humanos, adorai o vosso Senhor, Que vos criou, bem como aos vossos antepassados, quiçá assim tornar-vos-íeis virtuosos. 22. Ele fez-vos da terra um leito, e do céu um teto, e envia do céu a água, com a qual faz brotar os frutos para o vosso sustento. Não atribuais rivais a Deus, conscientemente... 24 ... temei, então, o fogo* infernal cujo combustível serão os idólatras e os ídolos; fogo que está preparado para os incrédulos.” (Sura al-Baqara 2:19, 22-24).

* O inferno tem um papel decisivo no islã. O temor a Allah e a seu julgamento são maiores do que qualquer amor por ele. A (possível) salvação dos muçulmanos devotes é entendida como uma salvação do fogo do inferno (Sura Mariam 19:70,71).

E dizem, 'O fogo não nos tocará por certo número de dias.' - Dize: 'Vocês já fizeram aliança com Allah?* Allah não falhará em sua aliança; ou dizeis coisas contra Allah das quais não sabem nada?’” (Sura al-Baqara 2:80).

* Muhammad ouvira algo sobre a aliança que Deus fez com os judeus; no entanto, ele não sabia, no entanto, exatamente o que Deus havia prometido ou ordenado a eles .

Quando Muhammad foi a Medina, os judeus afirmavam: “O mundo existirá por 7 mil anos. Deus pune mil anos com um dia no inferno. Similarmente, haverá sete dias no além, então a punição acabará.” Sobre isso, Allah revelou o seguinte: “81 Qual! Aqueles que lucram por meio de um mal e estão envolvidos por suas faltas serão os condenados ao inferno, no qual permanecerão eternamente. 82. Os fiéis, que praticam o bem, serão os diletos do Paraíso, onde morarão eternamente” (Sura al-Baqara 2:81,82). Quem crê naquilo que vocês rejeitam e que pratica boas obras, as quais vocês ignoram, estará para sempre no Paraíso. Assim, ele os anunciou que as recompensavas para os bons, bem como paras os maus, são sem fim.

Além disso, Allah disse: “vocês não devem permitir que os expulsem de sua terra porque vocês ratificaram o contrato e vocês mesmos foram testemunhas. Agora, empreendam guerra entre si. Uma parte expulsa a outra da terra e não deixa de praticar crime e animosidade.”

Os judeus de Medina estavam divididos entre dois acampamentos hostis: os Banu Qaynuqa’ e seus seguidores, que eram aliados dos khazrajitas, e os Banu Nadir e Quraiza, além de seus seguidores, que eram aliados dos ausitas. Se houvesse uma discussão entre os ausitas e os khazrajitas, os Banu Qaynuqa’ ficavam do lado dos khazrajitas, enquanto os Nadir e os Quraiza ficavam do lado dos ausitas. Dessa forma, por vez ou outra eles derramavam sangue judeu, mesmo possuindo a Torá, com a qual poderiam saber o que era permitido e o que era proibido. Os ausitas e os khazrajitas eram idólatras, que não conheciam o Inferno e nem o Paraíso, nem a ressurreição dos mortos, assim não sabendo coisa alguma de qualquer revelação, nem aquilo que era permitido e o que era proibido. Quando a guerra acabou, eles trocaram prisioneiros, conforme a Torá. Os Qaynuqa’ trocaram aqueles que haviam caído nas mãos dos ausitas, e os Nadir e Quraiza aqueles que estão em posse dos khazrajitas. Ainda assim, eles não se atentaram para o sangue derramado reciprocamente, dando auxílio aos idólatras. Por essa razão, Allah falou com eles e o repreendeu: “... vocês acreditam em uma parte das Escrituras e negam as outras? ...” (Sura al-Baqara 2:85). Então eles trocaram prisioneiros, mesmo enquanto derramavam sangue a infringiam a lei da Torá. Além disso, eles expulsaram uns aos outros de sua terra e, por motivos mundanos, pediram ajudas aos idólatras.*

* Os judeus de Hijaz estavam divididos entre si e tinham ensinos contraditórios. Foi difícil para Muhammad reconhecer a verdade e crer em suas doutrinas e ética. Por outro lado, pode se assumir que Muhammad tomou vantagem da relação difícil entre eles e que manipulou um grupo contra o outro – até o amargo fim..

Então Allah continuou: “Concedemos o Livro a Moisés, e depois dele enviamos muitos mensageiros, e concedemos a Jesus, filho de Maria, as evidências ...” (Sura al-Baqara 2:87), que foram realizadas por seu intermédio: a ressurreição dos mortos e a criação de um passarinho a partir de argila, no qual soprou vida com a permissão de Allah; adicionalmente, ele curou os doentes e teve conhecimento de muitos segredos e soube o que escondiam em seus lares. Além disso, ele estava em posição de refutar a corrupção da Torá e do Evangelho que Allah revelou a ele. Apesar disso tudo, os judeus não acreditaram (veja Sura Al ‘Imran 3:49-52).*

* O Alcorão confirma muitos do grandes milagres de Jesus que estão escritos no Novo Testamento, bem como nas narrativas apócrifas que estão fora no Novo Testamento. Então, Jesus aparece aos muçulmanos como criador autorizado, médico singular, alguém que dá vida aos mortos, provedor de alimento para seus discípulos e legislador. Seus sinais superam os de todos os outros profetas. O próprio Muhammad foi incapaz de realizar qualquer milagre, e é por isso que ele dizia que seus versos do Alcorão (ayat) eram milagres.

Cada vez que vos era apresentado um mensageiro, contrário aos vossos interesses, vós vos ensoberbecíeis! Desmentíeis uns e assassináveis outros. 88. Disseram: Nossos corações são insensíveis! Qual! Deus os amaldiçoou por sua incredulidade. Quão pouco acreditam!” (Sura al-Baqara 2:87,88)

* A instrução em Deuteronômio 29:3 e as palavras de Deus em Isaías 6:9,10 foram confirmadas por Jesus (Mateus 15:8). Elas também são refletidas no Alcorão. Essas declarações confirmam e fidelidade e perseverança dos judeus para manter seus dogmas. Mas elas também testificam sua resistência diante de outros ensinamentos. Eles inequivocadamente rejeitaram Jesus, o Filho de Deus. Mesmo indo de encontro a outras passagens do Alcorão, o verso 87 sugere uma indicação de que Muhammad também pontuou a possibilidade da morte de Jesus Cristo.

A dupla ira refere-se ao que eles ignoraram na Torá, ao que eles já tinham, e também reflete sua descrença para com Muhammad, o qual foi enviado por Allah mais recentemente a nós. Ele também os expõe ao fato de que uma montanha teve de ser erguida diante deles e que eles adoraram a um bezerro como deus. Allah disse mais: “Dize-lhes: "Se a última morada, ao lado de Deus, é exclusivamente vossa em detrimento dos demais, desejai então a morte...” (Sura al-Baqara 2:94); dize: “Que Allah mate a um de nós, àquele que está mentindo!”* (cf. Suras al-Tawba 9:30 e al-Munafiqun 63:4). Mas eles não aceitaram essa proposta de Muhammad. Por isso, foi dito: “Porém, jamais a desejariam, por causa do que cometeram as suas mãos...” (Sura al-Baqara 2:95). Eles sabem que têm conhecimento a seu respeito em seus livros, e ainda assim o negam. É dito que, na ocasião em que desejaram a morte, no dia em que Muhammad falou com eles, cada um dos judeus teria morrido. Ele mencionou como eles desejam vidas longas e cheiras de luxúria: “Tu os acharás mais ávidos de viver do que ninguém, muito mais do que os idólatras, pois cada um deles desejaria viver mil anos; porém, ainda que vivessem tanto, isso não os livraria do castigo...” (Sura al-Baqara 2:96). O idólatra não aguarda pela ressurreição. Assim, ele vive uma longa vida, tal como os judeus, que sabem da imensa vergonha que os aguarda na próxima vida.

* Nessa ocasião, Muhammad desafiou um de seus oponentes a um duelo de oração ou de invocação de juízo divino. Ele não abençoou seus inimigos, na verdade, tentou aniquilá-los em nome de Allah. Essa prática tem relação com uma forma oculta de magia negra que é, ainda hoje, praticada por líderes muçulmanos.

Um dia, um grupo de rabinos judeus foi ter com Muhammad. Seu porta-voz disse: “Queremos fazer quatro perguntas a você. Se você as responder, então acreditaremos em você e te seguiremos.” Muhammad concordou com a proposta. Ele exigiu que eles prometessem por Allah, a fim de cumprirem sua palavra. Eles fizeram conforme solicitado. “Então, pergunte o que vocês querem perguntar”, disse Muhammad. Então eles perguntaram: “Nos explique como uma criança pode se parecer com sua mãe, embora a semente venha do pai.” Muhammad respondeu: “Eu juro a vocês, por Allah, e pelos dias de sua habitação entre o povo de Israel. Vocês não sabem que o sêmen do homem é branco e espesso e que a semente da mulher é amarela e líquida? A criança se parece com aquele que se sobressai ao outro.” Os judeus exclamaram: “Por Allah, então é isso! Agora, nos conte, como é seu sono?” Muhammad respondeu: “Eu juro a vocês, por Allah e pelos dias de sua permanência entre o povo de Israel. Vocês sabiam que o sono que me ocorre é aquele em que os olhos dormem, mas que o coração continua acordado?” Eles disseram: “Sim, por Deus.” “Então,” ele respondeu, “é bem assim o meu sono. Meus olhos dormem, mas meu coração está acordado.” Então eles perguntaram o que foi que Israel voluntariamente recusou a si. A isso, ele respondeu: “Sua comida preferida e sua bebida mais desejada eram o leite e a carne de camelos. Uma vez ele ficou doente e Allah o curou. Por isso, ele decidiu privar-se, em sinal de gratidão a Allah, de leite e carne de camelos, que eram sua comida e bebida preferidas.” Os judeus disseram: “Então é isso, por Deus. Agora nos dê notícias sobre o Espírito.” Ele respondeu: “É Gabriel quem me visita.”* “Por Deus, então é isso,” os rabinos disseram. “Mas temos um inimigo que é rei. Ele virá com violência e derramar de sangue. Se não fosse por isso, nós te seguiríamos.”**

* O Espírito de Deus ou o Espírito Santo é entendido no islã como sendo um anjo criado, e não próprio Espírito de Deus. O islã não conhece o Espírito Santo no sentido bíblico. Por isso, um muçulmano não pode reconhecer a Cristo, o Filho de Deus. No islã, não há dons e frutos do Espírito Santo, mas apenas frutos da carne (I Coríntios 12:3; Gálatas 5:19-23).
** Essa história curiosa, que mistura pensamentos do sufismo (o coração permanece desperto) com a imaginação dos beduínos (como comer carne de camelo) provavelmente remota a Ka’b ibn al-Ahbar e pode ter origem judaica.

Um ex-escravo da família de Zaid ibn Thabit contou o que recebeu de ‘Ikrima ou Sa'id ibn Jubayr, que ouviu de Ibn ‘Abbas que Muhammad dirigiu o seguinte escrito aos judeus de Khaybar: “Em nome de Allah, o misericordioso, o compassivo. De Muhammad, o mensageiro de Allah, o amigo e irmão de Moisés, que afirmou a revelação de Moisés como verdadeira. Allah vos fala: ‘Ó, homens da Torá, vocês encontram nas Escrituras: “Muhammad é o Mensageiro de Deus, e aqueles que estão com ele são severos para com os incrédulos, porém compassivos entre si. Vê-los-ás genuflexos, prostrados, anelando a graça de Deus e a Sua complacência. Seus rostos estarão marcados com os traços da prostração. Tal é o seu exemplo na tora e no Evangelho, como a semente que brota, se desenvolve e se robustece, e se firma em seus talos, compraz aos semeadores, para irritar os incrédulos.” (Sura al-Fath 48:29). Eu juro a vocês, por Allah e por aquilo que ele tem revelado; eu juro a vocês por aqueles que alimentou suas antigas tribos com maná e codornizes, por aquele que secou o mar para seus pais a fim de poupá-los do faraó e de seus intentos: Digam-me se vocês não encontram em sua revelação que vocês devam crer em Muhammad. Se vocês não encontrarem, então vocês não serão reprovados. A verdade claramente se levantará diante de todo erro. Eu os conclamo a crer em Allah e m seu Profeta.”*

* Muhammad frequentemente se esforçou, de várias maneiras, para ganhar os judeus para o islã – quase sempre em vão.

Entre aqueles cujo Alcorão particularmente chama a atenção estão os rabinos e os descrentes entre os judeus, aqueles que questionaram e praguejaram contra Muhammad.

Então, Abd Allah ibn ‘Abbas e Jabir ibn Abd Allah me disseram: “Abu Yasir ibn Akhtab foi ter com Muhammad enquanto este lia o começo da Sura al-Baqara: “1 Alef, Lam, Mim. 2 Eis o livro que é indubitavelmente a orientação dos temente a Deus” (Sura al-Baqara 2:1,2). Então ele foi procurar seu irmão, Huyay ibn Akhtab, que estava sentado entre os judeus, e disse a ele: “Eu ouvi como Muhammad recitou: ‘Alef, Lam, mim. Eis o livro...’ Eles perguntaram: “Você realmente ouviu isso?” Ele disse, “sim.” Então Huyay foi a Muhammad com aqueles judeus e perguntou-lhe se fora Gabriel quem lhe revelou “Alef, Lam, Mim.” Ele respondeu, “sim”. Então eles disseram: “Deus enviou profetas antes de você, mas nos é desconhecido, exceto por você, o quanto Seu reino durará e qual será o destino de Seu povo.” Então ele se virou para aqueles que estavam com ele e continuou: “Alef é 1, Lam é 30 e Mim 40, portanto, 71 anos ao todo. Vocês querem aceitar uma fé cujo reino e povo durará apenas 71 anos?” Ele então perguntou a Muhammad se ele havia recebido alguma revelação similar. Ele respondeu, “Sim. ‘Alef, Lam, Mim, Sad.’” Huyay disse: “Por Deus, essa é maior e mais difícil: Alef é 1, Lam 30, Mim 40 e Sad 60 – seriam 131 anos.” Então ele perguntou a Muhammad para outras possíveis revelações. Ele lhe respondeu: “Alef, Lam, Ra.” Huyay disse: “Este é ainda maior e mais difícil. Alef 1, Lam 30, Ra 200, portanto, 231.” Então ele perguntou a Muhammad por outras e Muhammad respondeu: “Alef, Lam, Mim, Ra.” Huyay disse: “Esta é mais pesada e mais difícil: Alef 1, Lam 30, Mim 40, Ra 200, então são 271.” Sabiamente, ele continuou a Muhammad: “A questão a seu respeito nos é duvidosa, se um longo ou curto tempo te foi prometido.” Então eles o deixaram. Abu Yasir disse a seu irmão Huyay e a outros rabinos: “Talvez eles devam ser todos contados juntos: 71, 131, 231 e 271, para um total de 704 anos.” Eles responderam: “O assunto nos é duvidoso” – Acredita-se que as seguintes palavras se aplicam para o significado dessas letras: “nele há versículos fundamentais, que são a base do Livro, havendo outros alegóricos.” (Sura Aal ‘Imran 3:7).”**

* “Alef, Lam, Mim” são os nomes das letras A, L e M no alfabeto árabe. Alguns judeus usavam os valores numéricos dessas letras do alfabeto para especulativamente chegarem ao significado das letras iniciais dessa e de outras suras similares.
** Esse cálculo chamado de Abjad e de origem judaica e é baseado em valores números de letras individuais. Embora esse cálculo careça de base no Alcorão e nas tradições islâmicas, ele ainda é adotado pelos muçulmanos. Ainda hoje, círculos fundamentalistas do islã, como os seguidores de Ahmad Dedat, tentam provar a base divina do Alcorão com os números “nove” e “quarenta e nove”, números, estes, que eles pensam aparecer constantemente nos cálculos do Alcorão.

Um estudioso confiável disse: “Esses versos apareceram quando os residentes de Najran foram a Muhammad a fim de questioná-lo sobre Cristo.” Muhammad ibn Abi Umama contou que ouviu esses versos aparecerem contra os judeus, sem apresentar qualquer razão. Allah sabe qual é a verdade.

Segundo Ikrima, o ex-escravo de Ibn ‘Abbas ouviu de ‘Ibn Abbas antes de ser comissionado por Muhammad: os judeus suplicaram a (seu) Deus por um mensageiro contra os ausitas e os khazrajitas. Ainda assim, quando Allah enviou um mensageiro dos árabes, eles não creram nele e negaram o que haviam dito a seu respeito. Mu'adh ibn Jabal e Bishr ibn al-Bara ibn Marur, um irmão dos Banu Salama, disse a eles: “Temam Allah, vocês judeus, e se tornem muçulmanos! Porque quando ainda éramos politeístas, vocês invocaram Muhammad contra nós e o descreveram tal como ele é.” Salam ibn Mishkam, um irmão dos Banu Nadir, então disse: “Ele não nos trouxe coisa alguma que já não sabíamos; não é por ele que clamamos.”* Com isso, Allah revelou: “Quando, da parte de Deus, lhes chegou um Livro (Alcorão), corroborante do seu... negaram-no. Que a maldição de Deus caia sobre os ímpios!” (Sura al-Baqara 2:89).

* Os judeus ainda estão aguardando pelo Messias, embora Ele já tenha aparecido a eles em Jesus. Muhammad ouviu sobre isso e se apresentou como aquele que fora prometido (Mateus 24:5).

Malik ibn Dhayf disse: “Quando Muhammad foi enviado e falou com os judeus sobre a aliança que Allah, por si mesmo, tinha feito com eles*, eles disseram: "Por Allah, não existe aliança ou promessa relativas a Muhammad entre Deus e nós.” Em seguida, Allah revelou: "Será possível que, cada vez que contraem um compromisso, haja entre eles um grupo que o quebre? Em verdade, a maioria não crê." (Sura al-Baqara 2:100)." Abu Saluba al-Fityuni uma vez disse a Muhammad: “Você não nos trouxe coisa alguma que já não soubéssemos, e Allah não te deu nenhum sinal claro para que nós o sigamos.”

* Muhammad questionou sobre detalhes da aliança de Yahweh com o povo de Israel. Ele reconheceu que não foram pessoas que fizeram uma aliança com Deus, mas que foi o próprio Eterno que a fez com homens mortais. Muhammad supôs que sua vinda já havia sido prometida durante o estabelecimento dessa aliança.

5.02.5 -- Como judeus e cristão disputaram diante de Muhammad

Quando os cristãos que habitavam em Najran foram ter com Muhammad, os rabinos foram com eles e disputaram com Muhammad. Raafi’ ibn Huraimala disse: “Vocês não têm legitimidade,” assim expressando sua descrença em Cristo e no Evangelho. Por causa disso, um dos cristãos disse aos judeus: “Vocês não têm legitimidade,” com isso negando a Torá e Moisés como profeta. Após isso, Allah revelou: “Os judeus dizem: Os cristãos não têm em que se apoiar! E os cristãos dizem: O judeus não têm em que se apoiar!, apesar de ambos lerem o Livro. Assim também os néscios dizem coisas semelhantes. Porém, Deus julgará entre eles, quanto às suas divergências, no Dia da Ressurreição.” (Sura al-Baqara 2:113). Assim, cada um deles, ao ler suas Escrituras, aceita algo que o outro rejeita. Os judeus não creem em Cristo, mesmo quando encontram na Torá o que Allah revelou a eles por meio de Moisés a respeito de Cristo. Os cristãos leem no Evangelho o que Cristo disse sobre a fé de Moisés e a fé na Torá, como revelação de Deus. Ainda assim, um rejeita o que o outro tem. Raafi’ disse a Muhammad: “Se você é um mensageiro de Allah, como você diz, então deixe que Allah fale diretamente conosco para que possamos ouvir Suas palavras!” Então Allah revelou: “Os néscios dizem: "Por que Deus não fala conosco, ou nos apresenta um sinal?" Assim falaram, com as mesmas palavras, os seus antepassados, porque os seus corações se assemelham aos deles. Temos elucidado os versículos para a gente persuadida.” (Sura al-Baqara 2:118).

* Os cristãos eram críticos dos judeus porque eles rejeitavam a Jesus, o Messias e Salvador, e porque continuavam a viver sob a maldição da lei.

O cego Abd Allah ibn Suriya al-Fityuni disse a Muhammad: “Apenas nós temos a correta orientação, nos siga que você também será corretamente guiado.” Os cristãos disseram a mesma coisa para ele*, sobre o que Allah posteriormente revelou: “Disseram: Sede judeus ou cristãos, que estareis bem iluminados. Responde-lhes: Qual! Seguimos o credo de Abraão, o monoteísta, que jamais se contou entre os idólatras.” (Sura al-Baqara 2:135).

* Os judeus rejeitaram os cristãos porque os viam como impuros, porque não vivem sob as ordenanças da lei e porque eles dizem que os judeus perderam o propósito de sua história – Jesus (Yahweh em carne).
A animosidade entre judeus e cristãos tornou ainda mais difícil para Muhammad encontrar a verdade, já que diferenças irreconciliáveis existiam entre essas duas religiões. Ele tentou construir uma ponte entre ambas as doutrinas se apresentando como o mensageiro de Deus para o mundo todo.
Por outro lado, tanto judeus quanto cristãos tentaram converter a Muhammad e levá-lo a criticar tanto a Lei de Moisés quanto a Graça de Jesus Cristo. Ele respondeu a essas tentativas de missão incorporando ao Alcorão importantes conceitos bíblicos, mesmo que fosse necessário reformulá-los para adequarem-se ao islã.

5.02.6 -- O que os judeus disseram quando a direção da oração foi mudada (janeiro de 624 d.C.)

Quando a direção da oração (quibla) foi mudada da Síria para Meca, sendo isso no mês de Rajab (o sétimo mês), dezessete meses após a chegada de Muhammad a Medina, Rifa’a ibn Qays, Fardam ibn Amr, Ka’b ibn al-Ashraf, Raafi’ ibn Abi Rafi, Hajjaj ibn Amr, (um aliado de Ka’b), Rabi’a ibn Rabi’a ibn Abi al-Huqaiq e seu irmão Kinana foram ter com Muhammad e disseram-lhe: “O que foi que o fez mudar a antiga direção de oração, já que você diz que é da fé de Abraão?* Retorne à antiga direção que nós o seguiremos e creremos em você.” Com isso eles apenas tentavam dissuadi-lo de sua fé. Então Allah revelou: “Os néscios dentre os humanos perguntarão: Que foi que os desviou de sua tradicional quibla? Dize-lhes: Só a Deus pertencem o levante e o poente. Ele encaminhará à senda reta a quem Lhe apraz. 143 E, deste modo, (ó muçulmanos), contribuímo-vos em uma nação de centro, para que sejais, testemunhas da humanidade, assim como o Mensageiro e será para vós. Nós não estabelecemos a quibla que tu (ó Muhammad) seguis, senão para distinguir aqueles que seguem o Mensageiro, daqueles que desertam...” (Sura al-Baqara 2:142,143).

* Inicialmente, Muhammad fez com que todos os muçulmanos orassem em direção a Jerusalém. Ao fazer isso, ele quis ganhar os judeus para o islã. Como os judeus se endureceram para com o islã e continuadamente zombavam de Muhammad abertamente, ele rompeu com todas as tradições do povo do Antigo Testamento e desenvolveu sua própria religião, cultura e práticas islâmicas. A mudança da direção da oração de Jerusalém para Meca constitui o último rompimento entre Muhammad e os judeus.

5.02.7 -- O discurso de Muhammad no Bazaar dos judeus dos Banu Qaynuqa’, em Medina

Quando Allah feriu os coraixitas na Batalha de Badr, Muhammad reuniu os judeus no bazar dos Banu Qaynuqa’, tão logo retornou de Medina. Ele disse: “Ó, judeus! Convertam-se ao islã antes que Allah os aflija como fez aos coraixitas.”* Porém, eles responderam: “Não se deixe enganar por suas próprias vaidades! Você bem que matou alguns coraixitas que não tinham experiência e conhecimento em batalha. Por Deus, se você lutar contra nós somos homens como que você nunca viu.” Então Allah revelou: “Dize aos incrédulos: Sereis vencidos e congregados para o inferno. Que funesto leito! 13 Tivestes um exemplo nos dois grupos que se enfrentaram: um combatia pela causa de Deus e outro, incrédulo, via com os seus próprios olhos o (grupo) fiel, duas vezes mais numeroso do que na realidade o era; Deus reforça, com Seu socorro, quem Lhe apraz. Nisso há uma lição para os que têm olhos para ver.” (Sura Al ‘Imran 3:12,13).

* Após a vitória dos muçulmanos sobre os coraixitas na Batalha de Badr, que tinham quase o triplo de homens a mais, Muhammad começou a ameaçar os judeus abertamente, dizendo que eles sofreriam consequências se não se tornassem muçulmanos. Ele sitiou suas tribos em Medina, uma após a outra, as derrotou e os forçou a emigrar. Eles tiveram de deixar suas posses e suas armas para trás.

5.02.8 -- Como Muhammad foi a uma escola judaica

Uma vez, Muhammad entrou em uma escola judaica e conclamou os judeus que ali estavam a crerem em Allah. Nu’man ibn Amr e Harith ibn Zaid perguntaram-no qual era sua religião. Ele respondeu: “A religião de Abraão.”* Então eles responderam: “Abraão era judeu.” Muhammad quis que a Torá decidisse entre eles. Mas eles se recusaram. Então Alla revelou: “Não reparaste nos que foram agraciados com uma parte do Livro, e mesmo quando foram convocados para o Livro de Deus, para servir-lhes de juiz, alguns deles o negaram desdenhosamente? 24 E ainda disseram: O fogo infernal não nos atingirá, senão por alguns dias. Suas próprias invenções os enganaram, em sua religião.” (Sura Al ‘Imran 3:23,24).

* Com a afirmação de que o islã era a religião de Abraão, Muhammad mais uma vez tentou ganhar os judeus para o islã.

Quando os cristãos de Najran e os rabinos se reuniram com Muhammad para discutir, os rabinos disseram: “Abraão não foi nada além de um judeu!” Os cristãos, porém, mantinham que Abraão se tornara cristão. Então, Allah revelou: “Ó adeptos do Livro, por que discutis acerca de Abraão, se a Tora e o Evangelho não foram revelados senão depois dele? Não raciocinais? 66 Vá lá que discutais sobre o que conheceis. Por que discutis, então, sobre coisas das quais não tendes conhecimento algum? Deus sabe e vós ignorais. 67 Abraão jamais foi judeu ou cristão; foi, outrossim, monoteísta, muçulmano, e nunca se contou entre os idólatras.” (Sura Al ‘Imran 3:65-67).

* Muhammad tentou retratar Abraão como um muçulmano devoto. Após fúteis tentativas para ganhar os judeus para o islã, ele cessou o diálogo com eles e ordenou uma consequente separação entre eles com uma revelação de Allah.

Alguns dos crentes antes eram amigos dos judeus, já que nos antigos tempos da ignorância eles foram tanto vizinhos quanto aliados. Posteriormente, Allah proibiu essas conexões, revelando: “Ó fiéis, não tomeis por confidentes a outros que não sejam vossos, porque eles tratarão de vos arruinar e de vos corromper, posto que só ambicionam a vossa perdição. O ódio já se tem manifestado por suas bocas; porém, o que ocultam em seus corações é ainda pior. Já vos elucidamos os sinais, e sois sensatos. 119 E eis que vós os amais; porém, eles não vos amam, apesar de crerdes em todo o Livro...” (Sura Al ‘Imran 3:118,119).

5.02.9 -- O incidente entre Abu Bakr e Finhas

Abu Bakr uma vez entrou em uma escola judaica. Lá ele encontrou muitas pessoas e um dos rabinos mais proeminentes, cujo nome era Finhas, todos reunidos. Também havia outro rabino presente, chamado Ashya.

Abu Bakr disse a Finhas: “Ai de você! Tema a Allah e se torne muçulmano! Por Allah, você sabe que Muhammad é um mensageiro de Allah que revela a vocês a verdade sobre Allah. “... o qual encontram mencionado em sua Tora e no Evangelho...” (Sura al-A’raf 7:157)”.

A isso, Finhas respondeu: “Por Deus, nós não precisamos de seu Allah. Ele é que precisa de nós! Nós não nos voltamos a ele à medida que ele se volta para nós. Nós podemos mais sem ele do que ele conosco. Se não fosse assim, ele não tomaria nosso dinheiro emprestado e os proibiria de receber juros de nós, enquanto nós recebemos juros de vocês.”

Abu Bakr ficou furioso e atingiu Finhas com um golpe violento no rosto. Então disse: “Por aquele em quem minha alma descansa, se não fosse pela aliança que há entre nós, eu cortaria sua cabeça, seu inimigo de Allah.” Finhas foi ter com Muhammad e reclamou com ele do que seu amigo havia feito. Muhammad perguntou a Abu Bakr o que o levara a fazer aquilo. Abu Bakr disse: “Esse inimigo de Allah falou uma palavra desprezível. Ele disse que Allah precisa dos judeus, mas que eles podem tudo sem Allah. Por isso eu fiquei furioso e o golpeei no rosto.” Finhas negou ter dito essas palavras, o que levou Allah a revelar o seguinte como confirmação das palavras de Abu Bakr e refutação de Finhas: “Deus, sem dúvida, ouviu as palavras daqueles que disseram: Deus é pobre e nós somos ricos. Registramos o que disseram, assim como a iníquo matança dos profetas, e lhes diremos: Sofrei o tormento da fogueira.” (Sura Al ‘Imran 3:181).

* A zombaria que os judeus fizeram de Allah feriu os muçulmanos no coração. Os judeus eram ricos. Os muçulmanos emprestavam dinheiro deles para financiar suas campanhas militares e pagavam juros, mesmo embora no islã seja proibido receber juros. Os judeus zombavam dessa hipocrisia, desprezavam os muçulmanos e os humilhavam. No entendimento islâmicos, essa fala dos judeus equivalia a blasfêmia. Isso fez com que fossem designados como “inimigos de Allah”.

5.02.10 -- Como os judeus negaram a revelação

Sukayn e Adi ibn Zaid disseram a Muhammad: “Desconhecemos que Allah tenha revelado algo a alguém mais depois de Moisés.” Isso foi após o seguinte verso do Alcorão aparecer: “Inspiramos-te, assim como inspiramos Noé e os profetas que o sucederam; assim, também, inspiramos Abraão, Ismael, Isaac, Jacó e as tribos, Jesus, Jó, Jonas, Aarão, Salomão, e concedemos os Salmos a Davi. 164 E enviamos alguns mensageiros, que te mencionamos, e outros, que não te mencionamos; e Deus falou a Moisés diretamente. 165 Foram mensageiros alvissareiros e admoestadores, para que os humanos não tivessem argumento algum ante Deus, depois do envio deles, pois Deus é Poderoso, Prudentíssimo.” (Sura al-Nisa’ 4:163-165). Muhammad disse a outros judeus que apareceram diante dele: “Por Allah, vocês não sabem que Allah me enviou para vocês?” Eles responderam: “Não, nós não sabemos disso e não podemos ter parte nisso.”

5.02.11 -- Como eles se uniram para matar Muhammad

Uma vez, Muhammad foi aos Banu al-Nadir e os pediu ajuda a respeito de um dinheiro para os amiritas, entre os quais diversos já haviam sido mortos por Amr ibn Umaiyya al-Damri. Quando eles estavam reunidos a sós, disseram: “Você nunca mais encontrará Muhammad tão perto quanto ele está agora. Quem subirá no telhado dessa casa e jogará uma pedra sobre ele para que tenhamos paz dele?” Amr ibn Jhash ibn Ka’b disse: “Eu subirei!” Mas Muhammad ficou sabendo de seus planos e se distanciou deles. Então Allah revelou: “Ó fiéis, recordai-vos das mercês de Deus para convosco, pois quando um povo intentou agredir-vos, Ele o conteve. Temei a Deus, porquanto a Deus se encomendam os fiéis.” (Sura al-Ma’ida 5:11).

Uma vez Nu’man ibn Adha, Bahri ibn Amr e Sha’s ibn Adi foram a Muhammad e conversaram com ele. Ele os conclamou a se achegarem a Allah e os avisou de sua ira. Então eles disseram: “Por que você nos ameaça, Muhammad? Somos os amigos e filhos de Deus, como os cristãos dizem.” Então Allah revelou: “Os judeus e os cristãos dizem: Somos os filhos de Deus e os Seus prediletos*. Dize-lhes: Por que, então, Ele vos castiga por vossos pecados? Qual! Sois tão-somente seres humanos como os outros! Ele perdoa a quem Lhe apraz e castiga quem quer. Só a Deus pertence o reino dos céus e da terra e tudo quanto há entre ambos, e para Ele será o retorno.” (Sura al-Ma’ida 5:18).

* Muhammad e seus seguidores sabiam que os cristãos (e algumas vezes os judeus) diziam: “Nós somos filhos de Deus.” Seu sofrimento e sua morte, porém, impediram Muhammad de crer na posição privilegiada desses. Ele via a punição de Allah em cada sofrimento. Ele não pôde entender o sofrimento como meio de disciplina divina e como sinal da graça de Deus.

5.02.12 -- Muhammad e a punição por adultério

Quando Muhammad chegou a Medina, os rabinos estavam reunidos em uma escola porque um dos homens cometeu adultério com uma mulher judia casada. Eles disseram: “Enviem o homem e a mulher para Muhammad e deixem ele fazer o julgamento.* Se ele julgar como vocês, ele imporá tajbiya sobre os adúlteros, então sigam-no, porque ele é um príncipe. (Tajbiya significa apanhar com um chicote feito de fibras que foi embebido em piche preto; os malfeitores tinham suas faces enegrecidas. Em seguida, ambos foram montados em dois burros, com suas faces voltadas para o rabo do animal). Se, porém, Muhammad os condenassem ao apedrejamento, então ele é um profeta. Fiquem atentos para que ele não roube suas posses.”

* A lei islâmica não busca, antes de tudo, sensibilizar a consciência, mas se preocupa em punir os que fazem mau. É uma lei penal que exige poderes executivos estatais. O islã é uma religião de lei; ele precisa criar um estado religioso, sem o qual a lei não pode ser aplicada.

Então eles foram a Muhammad e o solicitaram para julgar o homem e a mulher. Muhammad foi aos rabinos na escola e disse: “Tragam-me o mais versado entre vocês!” Eles puseram Abd Allah ibn Suriya diante dele. Muhammad permaneceu sozinho com Abd Allah ibn Suriya, que era jovem – um dos mais jovens entre eles – e investigou o assunto dizendo-lhe: “Te ponho sob juramento a Allah e o faço lembrar da presença de Allah entre os filhos de Israel. Vocês não sabem que na Torá Deus pune o adultério com o apedrejamento?” Ele respondeu: “Sim, por Deus, e eles sabem que você é um mensageiro, um profeta, então eles te invejam.” Muhammad deu ordem para apedrejarem os adúlteros diante da porta da mesquita, ao longo dos Banu Ghanm ibn Malik.* Após isso, Abd Allah negou o que havia dito e não creu que Muhammad era profeta.

* De maneira semelhante, Jesus também ordenou que uma adúltera fosse apedrejada, mas com uma adição: “Quem entre vocês que não tem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra.” Com isso, todos os acusadores, inclusive os devotes e os discípulos, começaram a ir embora. Jesus, que não tinha pecado, teria, então, que apedrejá-la. Mas ele não o fez. Ao fazer isso, ele quebrou a lei? Não! Ele tomou a culpa por seu pecado e morreu em lugar dela.

Foi então que Allah revelou: “Ó mensageiro, que não te atribulem aqueles que se degladiam na prática da incredulidade, aqueles que dizem com suas bocas: Cremos!, conquanto seus corações ainda não tenham abraçado a fé. Entre os judeus, há os que escutarão a mentira e escutarão mesmos outros, que não tenham vindo a ti. Deturpam as palavras, de acordo com a conveniência, e dizem (a seus seguidores): Se vos julgarem, segundo isto (as palavras deturpadas), aceitai-o; se não vos julgarem quanto a isso, precavei-vos!” (Sura al-Maida 5:41). Muhammad viu os dois judeus sendo apedrejados no portão à frente da mesquita. Quando o homem foi atingido pelas pedras, ele se abaixou para proteger sua amada, de modo que ambos foram mortos juntos. Foi Allah quem deixou seu mensageiro revelar a punição por adultério.

* O truque ousado dos judeus visava testar Muhammad como profeta com base em seu julgamento de adultério, fez com que eles fossem acusados de tentar falsificar as palavras da Torá. Desde então, os muçulmanos sustentam que a bíblia foi originalmente uma revelação de Allah, mas que em sua forma presente as letras foram manipuladas e alteradas pelos judeus. Então, o Alcorão se torna o padrão, declarando que o que é verdadeiro é falso, com base em mentiras.

5.02.13 -- Como os judeus negaram que Cristo era profeta

Abu Yasir ibn Akhtab, Nafi’ ibn Abi Nafi’, Azir ibn Abi Azir, Khalid, Zaid, Izar ibn Abi IZar e Ashya foram ter com Muhammad e o perguntaram sobre os mensageiros em que ele cria. Muhammad disse: “Cremos em Deus, no que nos tem sido revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos; no que foi concedido a Moisés e a Jesus e no que foi dado aos profetas por seu Senhor; não fazemos distinção* alguma entre eles, e nos submetemos a Ele.” (Sura al-Baqara 2:136). Quando ele também mencionou Cristo, eles negaram que fosse profeta e disseram: “Nós não cremos em Cristo e em ninguém que acredita nele”** Com isso, Allah revelou: “Dize-lhes: Ó adeptos do Livro, pretendeis vingar-vos de nós, somente porque cremos em Deus, em tudo quanto nos é revelado e em tudo quanto foi revelado antes? A maioria de vós é depravada.” (Sura al-Maida 5:59)

* Muhammad se via como o último na sucessão de profetas do Antigo Testamento e pôs Jesus em um nível igual ao seu.
** Como Muhammad cria na vinda de Cristo, ele foi rejeitado pelos judeus e descrido como profeta. A crença de Muhammad em Jesus o pôs em oposição aos judeus.

Uma vez vieram Raafi’ ibn Haritha, Sallam ibn Mishkam, Malik ibn Dhayf e Raafi’ ibn Huraimala a Muhammad e disseram-no: “Você não diz, Muhammad, que você segue a religião e os ensinos de Abraão e que crê na Torá e que confessa que ela contém a verdade divina?” Muhammad respondeu: “Com certeza, mas vocês fizeram tantas mudanças nela e ocultaram seu conteúdo, como a aliança que Deus fez com vocês. Vocês ficam ocultando o que há na Torá, bem como aquilo que deveriam anunciar às pessoas. Eu me desassocio de suas inovações.”* Os judeus disseram: “Nós nos mantemos firmes ao que temos. Nós somos guiados por Deus e estamos com a verdade eterna. Nós não cremos em você e nem te seguimos!” Então Allah revelou: “Dize: Ó adeptos do Livro, em nada vos fundamentareis, enquanto não observardes os ensinamentos da Tora, do Evangelho e do que foi revelado por vosso Senhor! Porém, o que te foi revelado por teu Senhor, exacerbará a transgressão e a incredulidade de muitos deles. Que não te penalizem os incrédulos.” (Sura al-Mai’ida 5:68).

* Muhammad acusou os judeus de alterar ou de apagar vários textos da Torá. Ele estava convencido de que havia sido profetizado a seu respeito no Antigo Testamento. Como não reconheceram isso, ele argumentou que os textos da bíblia eram falsificações. Ele não estava interessado na verdade, mas somente em se autopromover.
** Este verso do Alcorão poderia ser um poderoso chamado ao arrependimento para todos os judeus e cristãos, se a cláusula seguinte não estivesse presente, que é a de que também se deve crer no que Muhammad revelou.

Nahman ibn Zaid, Qardam ibn Ka’b e Bahri ibn Amr foram ter com Muhammad e disseram-no: “Você não sabe que além e Allah também há outros deuses?”* Ele respondeu: “Não, há um só Deus. Por isso fui enviado e é para essa fé que os convido.” Então Allah revelou: “Pergunta: Qual é o testemunho mais fidedigno? Assevera-lhes, então: Deus é a Testemunha entre vós e mim. Este Alcorão foi-me revelado, para com ele admoestar a vós e àqueles que ele alcançar. Ousareis admitir que existem outras divindades conjuntamente com Deus? Dize: Eu não as reconheço. Dize ainda: Ele é um só Deus e eu estou inocente quanto aos parceiros que Lhe atribuís. 20 Quanto àqueles a quem concedemos o Livro, conhecem isso, tal como conheceram seus filhos; só os desventurados não crêem.” (Sura al-An'am 6:19,20).

* Os judeus queriam induzir Muhammad a dizer em segredo que ainda cria em outros deuses. Mas ele testemunhou da unidade de Allah e declarou que todos os judeus e cristãos eram hipócritas, já que rejeitavam-no como profeta, apesar de isso supostamente estar em suas Escrituras.

Sallam ibn Mishkam, Nu’man ibn Auf Abu Anas, Mahmud ibn Dihya, Sha’s ibn Qays e Malik ibn Saif uma vez foram ter com Muhammad e disseram-no: “Como poderíamos te seguir se você abandonou nossa direção de oração e não crê que ‘Uzayr é o filho de Deus?” Foi então que Allah revelou: “Os judeus dizem: Ezra é filho de Deus; os cristãos dizem: O Messias é filho de Deus. Tais são as palavras de suas bocas; repetem, com isso, as de seus antepassados incrédulos. Que Deus os combata! Como se desviam!” (Sura al-Tawba 9:30).

* Não se pode provar que os judeus em Medina se referiam a Ezra (Uzayr) como filho de Deus. Além do mais, Muhammad odiava os judeus, que reverenciavam grandemente a Ezra por livrá-los do cativeiro babilônico e por iniciar a reconstrução de Jerusalém.
Os cristãos também são tidos no Alcorão como repreensíveis. Muhammad os amaldiçoou abertamente no Alcorão: “Que Allah os combata!”, porque eles creem em Crsito, o Filho de Deus (Sura al-Tawba 9:30). É exatamente aqui que toda conversa saudável com os muçulmanos termina.

Mahmud ibn Sayham, Nu’man ibn Adha, Bahri ibn Amr, Uzayr ibn Abi Uzayr e Sallam ibn Mishkam foram ter com Muhammad e disseram-no: “É verdade que sua revelação é uma lei de Allah? Nós percebemos que ela é escrita totalmente diferente Torá.”* Muhammad respondeu: “Por Allah, vocês sabem que ela vem de Allah. Vocês encontram isso anunciado em suas Escrituras, e ainda que homens e jinn (espíritos) se unissem para produzir algo similar, eles não poderiam.” Mas eles responderam, sendo que muitos estavam presentes: “Ó, Muhammad, por acaso não é um homem ou um jinn que te ensina tudo?” Muhammad respondeu: “Vocês sabem, por Allah, que isso vem de Allah e vocês encontram em suas Escrituras que eu sou o mensageiro de Allah.” Mas eles responderam: “Como Allah concede a seus mensageiros o poder para fazer aquilo que Ele deseja, então nos traga do céu um livro que possamos ler e no qual reconheçamos a verdade. Se não, então nós mesmos somos capazes de produzir algo similar.” Então Allah revelou: “Dize-lhes: Mesmo que os humanos e os gênios se tivessem reunido para produzir coisa similar a este Alcorão, jamais teriam feito algo semelhante, ainda que se ajudassem mutuamente.”* (Sura al-Isra’ 17:88).

* Os judeus continuamente e claramente mostravam a Muhammad as grandes diferenças entre a Torá e o Alcorão. Muhammad, porém, não estava preparado para ser corrigido ou para honrar a verdade.
** Os muçulmanos acreditam na inerrância, singularidade, incomparabilidade e exaltação do Alcorão, mesmo embora ele contenha mais de 100 erros históricos, gramaticais e fatuais.

Um número de judeus foi ter com Muhammad e disse-lhe: “Deus criou o mundo, mas quem criou Deus?” Com isso, Muhammad ficou furioso e se empalideceu, e por zelo por Allah, os puxou pelos cabelos. Então Gabriel veio e o acalmou, dizendo-o “acalme-se, Muhammad!”. Gabriel também o levou a responder a pergunta: “1 Dize: Ele é Deus, o Único! 2 Deus! O Absoluto! 3 Jamais gerou ou foi gerado! 4 E ninguém é comparável a Ele!” (Sura al-Ikhlas 112:1-4).*

* A sura 112, al-Ikhlas, contém não apenas uma resposta aos judeus, mas também representa uma massiva rejeição da Santíssima Trindade: Deus não é um Pai que gerou um Filho, Cristo não é um Filho que foi gerado, e o Espírito Santo não é igual a Deus. No islã, não há deus além de Allah.

Quando Muhammad recitou essas palavras a eles, eles disseram: “Nos descreva, Muhammad, a forma de Allah e seus braços!” Com isso, Muhammad ficou ainda mais furioso e novamente os agarrou pelos cabelos. Gabriel novamente apareceu a ele e dirigiu-lhe as mesmas palavras da primeira vez. Ele o trouxe a seguinte resposta de Allah ao questionamento: “E eles não aquilatam Deus como deveriam! No Dia da Ressurreição, a terra, integralmente, caberá na concavidade de Sua Mão, e os céus estarão envolvidos pela Sua mão direita. Glorificado e exaltado seja de tudo quanto Lhe associam!” (Sura al-Zumar 39:67).*

* Muhammad não pôde livrar-se de usar antropomorfismos em sua descrição de Allah, que posteriormente foram espiritualizados pelos mutazilitas.

5.02.14 -- A delegação de cristãos de Najran, em Medina

Em uma ocasião veio uma caravana de sessenta cristãos de Najran a Muhammad. Entre eles estavam quatorze dos mais estimados de seu distrito, e entre eles estavam três dotados de total responsabilidade sobre o povo. Al-‘Aqib era o emir do povo, o homem de percepção e do conselho que eles seguiam. Seu nome verdadeiro era Abd al-Masih. Al-Sayyid era seu conselheiro principal, o organizador das viagens e dos mantimentos. Seu nome verdadeiro era Al-Ayham. O terceiro era Abu Haritha ibn ‘Alqama, o bispo, ímame e diretor de suas escolas. Ele era muito bem estimado, havia estudado muito e era considerado um teólogo versado. Os reis cristãos dos bizantinos o haviam honrado, dando-lhe mercadorias e servos, construindo para ele igrejas e o coberto de testemunhos em seu favor, porque haviam ouvido de seu grande conhecimento e de sua fé zelosa.*

* A brilhante delegação de cristãos do norte do Iêmen, conduzida por um príncipe e seu bispo, levou a cabo a segunda disputa pública entre muçulmanos e cristãos, após a audição dos refugiados muçulmanos após sua chegada na Etiópia.

Quando os cristãos de Najran chegaram a Medina, eles foram ter com Muhammad na mesquita. Ele estava a realizar a oração da tarde. Suas roupas e capa eram feitas de um fino tecido iemenita e seus camelos eram dos Banu al-Harith ibn Ka’b. Um dos companheiros de Muhammad disse, naquele momento: “Nunca vimos uma delegação como essa.” Como a hora da oração estava próxima, eles também entraram na mesquita e oraram. Muhammad disse: “Deixem-nos!” E Eles oraram voltados para o leste.

Muhammad falou com Abu Haritha, al ‘Aqib e al-Ayham. Eles eram cristãos segundo a fé do imperador, embora em alguns pontos divergissem entre si. Eles disseram, tal como todo cristão: “Jesus é Deus, um Filho de Deus e o terceiro de três.” Eles diziam que Ele é Deus porque ressuscitou dos mortos, curou os doentes, revelou o que estava oculto, criou um pássaro a partir da argila e soprou vida nele. – Tudo isso* ele fez sob ordem de Allah, que serve como sinal para a humanidade. – Eles disseram que Jesus era o Filho de Deus e que ele não teve pai conhecido, e que falou ainda em seu berço, o que nenhum outro filho de Adão já havia feito.

* Muhammad limitou a absoluta autoridade de Cristo como criador, curador e ressuscitador de mortos ao dizer que Jesus somente foi capaz de realizar esses milagres porque Allah o permitiu e o fortaleceu. Muhammad não percebeu que, ao dizer isso, estava indiretamente reconhecendo a Santíssima Trindade, na qual Deus, Cristo e o Espírito Santo são nomeados e trabalhar juntos no mesmo verso (Sura al-Baqara 2:87; al Maida 5:110 e Al ‘Imran 3:49).

Além disso, eles disseram que ele era o terceiro entre três, isto é, Deus, Cristo e Maria*, porque na Torá é frequentemente lido: “Nós fizemos, nós ordenamos, nós criamos, nós decretamos,” de modo que se Deus fosse apenas um, Ele teria dito, “Eu fiz, eu criei, eu ordenei e eu decretei.” Apareceram versos do Alcorão contra todas essas provas.

* O Alcorão foi fortemente influenciado por seitas cristãs que ensinavam que a Santíssima Trindade consistia do Pai, Mãe e do Filho (Sura al-Maida 5:116). Todas as igrejas católicas, ortodoxas e evangélicas rejeitam essa doutrina. Nas confissões de fé cristãs não existe esse tipo de Trindade.

Quando os dois sacerdotes falaram com Muhammad, ele os conclamou a se submeterem a Allah (ou seja, a se tornarem muçulmanos). Mas eles responderam: “Nós já nos submetemos a Deus.” Muhammad repetiu seu desafio, mas eles disseram: “Há muito tempo nos submetemos a Deus.” Então Muhammad disse: “Vocês estão mentindo! Se vocês fossem muçulmanos, vocês não diriam que Allah tem um filho e vocês não adorariam a cruz* ou comeriam carne de porco.” Eles responderam: “Então quem foi o pai de Cristo?” Muhammad ficou em silêncio e não deu resposta. Para refutar a essas palavras, então Allah revelou o início da Sura Al ‘Imran, com seus mais de oito versos, onde se lê: “1 Alef, Lam, Mim. 2 Deus! Não há mais divindade além d'Ele, o Vivente, o Subsistente.” (Sura Al ‘Imran 3:1,2).

* A consciente rejeição do Filho de Deus e de Sua crucificação separa os muçulmanos e os cristãos e torna o islã uma religião anticristã. Muhammad descreveu todos os cristãos como mentirosos porque eles creem no Filho de Deus e afirmam veementemente Sua crucificação.

Então Muhammad seguiu dizendo que rejeitava as palavras deles e que reconhecia apenas a Allah como criador e como aquele que decreta, sem associado. Assim, ele refutou a descrença deles, na qual eles puseram outra pessoa ao lado de Deus. Ele quis mostrar que eles estavam errados, por isso disse: “Allah é um, sem quem se compare a ele. Ele vive, é imortal, enquanto vocês dizem que Cristo morreu, sim, até mesmo dizendo que ele foi crucificado. Mas Allah vive para sempre. Ele permanece eternamente em Seu lugar de Criador Soberano, enquanto vocês dizem que Cristo foi de um lugar para o outro.”*

* A encarnação de Cristo e Sua morte expiatória são incompreensíveis para os muçulmanos; como eles negam a Santíssima Trindade, eles não conseguem pensar de modo espiritual.

3 Allah revelou a vocês a verdade nas Escrituras, a respeito do que vocês têm opiniões divergentes. Ele revelou a Torá e o Evangelho, um a Moisés e o outro a Cristo, 4 tal como ele revelou outras Escrituras a outros profetas. Ele revelou a “Furqan”, que faz separação entre a verdade e a mentira em perguntar concernentes a Cristo e a outros, sobre quem há opiniões conflitantes. Aqueles que não acreditam nos sinais de Allah sofrerão tormento severo. Allah é poderoso, é o senhor da vingança. Ele se vinga dos que rejeitam seus sinais após tê-los contemplado e sabe o que dizem de Muhammad. 5 Nada que acontece no céu ou na terra está escondido de Allah. Ele sabe o que planejam, como tentam enganar e o que dizem de Cristo. Eles fazem dele senhor e exaltado como Deus, quando sabem melhor. Com isso, eles ofendem a Allah e o negam.** (Nessa seção, o autor estava usando palavras da Sura Al ‘Imran 3:4,5).

* “Al-Furqan” é outra designação do Alcorão. O título significa “a distinção clara) e aparece sete vezes no Alcorão. A sura 25 é chamada de al-Furqan.
** Muhammad ouviu o velho testemunho cristão de que “Jesus é o Senhor”, e ainda assim o rejeitou. Ele não quis reconhecer que Jesus era mais significante do que ele próprio.

“Allah é Quem vos configura nas entranhas, como Lhe apraz” (Sura al ‘Imran 3:6). Cristo também pertenceu àqueles que, tal como todos os outros filhos de Adão, foram formados no útero. Como ele pode ser Deus quando ocupou tal posição? Então, libertando-se da associação que lhe fizeram com Allah, ele confessou a unidade de Allah e disse: “Não há mais divindades além d'Ele, o Poderoso, o Prudentíssimo” (Sura Al ‘Imran 3:6), que proteje contra os descrentes conforme Sua vontade e que concede a ele (a Cristo) sinais e intercessões por seu povo. “Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que são a base do Livro, havendo outros alegóricos...”* (Sura Al ‘Imran 3:7). Essas referências a Allah fortalecem o povo, os protegem de conflitos e de caírem no engano. Seu significado não deve ser mudou ou manipulado. “... Há versos no Alcorão que podem ser entendidos de formas diferentes. Por meio deles, Allah testa a humanidade quanto ao que está permitido e o que está proibido, de modo que não se apartem da verdade e voltem-se para o erro...” (Sura Al ‘Imran 3:7).

* No início do Alcorão, por causa da falta de sinais vocálicos e de pontos faltando nas letras, ele podia ser lido de formas variadas, o que levou a várias diferentes interpretações. Tal ambiguidade não é possível no Novo Testamento, porque cada letra está claramente definida.

... Aqueles cujos abrigam a dúvida ...” – aqueles que se desviam da orientação, “seguem os alegóricos ...”, com partes alteradas para confirmar suas mudanças e ideias, a fim de usá-las como provas e fazê-las parecer verdade, “a fim de causarem dissensões, interpretando-os capciosamente.” (Sura Al ‘Imran 3:7). Está escrito na Torá: “Temos criado e temos decidido”, mas somente Allah sabe sua interpretação.* Somente Ele sabe o que quis dizer.

* Muhammad não negou a autodesignação de Deus na forma plural no Antigo Testamento (Gênesis 1:26, etc), mas ainda assim interpretou conforme o Alcorão, no sentido de “plural real”. A possibilidade de uma Trindade era impensável para ele.

Os sábios dizem: Cremos nele (o Alcorão); tudo emana do nosso Senhor…” (Sura Al ‘Imran 3:7). Como pode haver uma contradição, se tudo vem de um único Senhor? Eles tentam interpretar as partes obscuras a partir daquilo que está claro, que somente pode ser interpretado de uma única forma. Assim, as Escritures fluem harmoniosamente; uma parte confirma a outra parte. O engano se afasta e a descrença é derrotada. Ainda assim, tal pensamento faz parte apenas dos que têm entendimento, que oram: “Ó Senhor nosso, não desvies os nossos corações, depois de nos teres iluminados, (e quando nos desviamos da verdade*) e agracia-nos com a Tua Misericórdia, porque Tu és o Munificiente por excelência.” (Sura Al ‘Imran 3:8).

* Na disputa pública com a delegação cristã de Najran, Muhammad não pôde responder e nem entender algumas das perguntas; ele ficou ainda mais inseguro, ficando ainda mais rígido em seu monoteísmo.

Além do mais, é dito: “Deus dá testemunho de que não há mais divindade além d'Ele; os anjos e os sábios O confirmam Justiceiro; não há mais divindades além d'Ele, o Poderoso, o Prudentíssimo.” (Sura Al ‘Imran 3:18).

“A verdadeira religião de Allah é o Islã. Aqueles que receberam o Livro não estavam em desacordo até que chegou-lhes o conhecimento de que Allah é um e que não tem quem se assemelhe a ele. Eles endureceram seus corações por causa do mal que habita entre eles. Mas Allah será rápido em julgar os que rejeitam seus sinais. Quando eles disputam contigo e dizem, ‘Está escrito: Nós criamos, agimos, ordenamos’, essas são objeções vãs. Eles sabem muito bem qual é a verdade. Então, se disputarem contigo, dize: ‘Eu entreguei minha vontade a Allah e a quem quer que me siga.’ E dize aos que receberam o Livro e aos comuns do povo: ‘Vocês já se submeteram (se tornaram muçulmanos)?’ Se eles já se submeteram, sua tarefa é apenas entregar a mensagem; e Allah reconhece Seus servos” (Sura Al ‘Imran 3:20).

Então, os homens do Livro, os judeus e cristãos, serão todos repreendidos por suas inovações e ideias: “26 Dize: Ó Deus, Soberano do poder!* Tu concedes a soberania a quem Te apraz e a retiras de quem desejas; exaltas quem queres e humilhas a Teu belprazer. Em Tuas mãos está todo o Bem, porque só Tu és Onipotente. 27 Tu inseres a noite no dia e inseres o dia na noite; extrais o vivo do morto e o morto do vivo, e agracias imensuravelmente a quem Te apraz.” (Sura Al ‘Imran 3:26,27). Apenas tu és capaz de realizar tais obras, pois dizes garantir a Jesus poder sobre todas as coisas, de modo que consideram-no um deus, levantando mortos, curando os doentes e criado um passarinho da argila e revelando as coisas ocultas, a fim de fazê-lo um sinal para o povo e confirmar suas profecias. Eu tenho o poder e autoridade para negá-lo outras coisas. Com seu poder de profeta, ele não pôde designar reis ou transformar a noite em dia ou o dia em noite. Ele não pôde dar vida ao que não tinha vida ou transformar em morte o que tinha vida. Ele não era capaz de prover as necessidades da vida a ninguém, segundo minha vontade, fosse ao virtuoso ou ao homem mau. Não dei poder além disso a Jesus. Eles não têm provas além disso; se ele realmente fosse um deus, ele teria poder sobre tudo isso, pois todos sabem que ele fugiu de reis e se moveu de um lugar para o outro.**

* Essa é uma forma árabe de intercessão ao nome de Allah (Allahumma), que está relacionado ao nome hebraico “Elohim”, e representa a forma plural de Allah (Sura al-Ma’ida 5:114, etc). Muhammad foi tão longe para tentar ganhar os cristãos para o islã que usou a forma plural (Allahumma) de Allah, mesmo mantendo firmemente sua unicidade.
** Muhammad não rejeitou a divindade de Cristo apenas superficialmente; ele também tentou lógica e empiricamente explicar sua não-divindade. O Espírito Santo não habitava em Muhammad, portanto, ele não podia chamar Jesus de Senhor (cf. I Coríntios 12:3).

Com isso, Muhammad pregou aos descrentes: “Dize: Se verdadeiramente amais a Deus, segui-me; Deus vos amará e perdoará as vossas faltas, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. 32 Dize: Obedecei a Deus e ao Mensageiro! Mas, se se recusarem, saibam que Deus não aprecia os incrédulos.”* (Sura Al ‘Imran 3:31,32).

* Muhammad apelou às delegações cristãs pelo amor de Allah e à obediência a Deus baseada em fé. Ele os atraiu com o perdão de pecados como fruto de sua devoção a Allah. Ele também os ameaçou que Allah se afastaria deles se eles não cressem na mensagem de Muhammad.
“Allah não aprecia os incrédulos” No Alcorão está escrito por dezoito vezes que Allah não ama os pecadores. O Evangelho testifica o contrário. Em João 3:16 lemos: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Então Muhammad descreveu-lhes a vida de Cristo, seu nascimento segundo a intensão de Allah e disse: “Sem dúvida que Deus preferiu Adão, Noé, a família de Abraão e a de Imran, aos seus contemporâneos, 34 famílias descendentes umas das outras, porque Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo.”* (Sura Al ‘Imran 3:33,34).

* ‘Imran é o nome árabe de Amram, no Antigo Testamento (Êxodo 6:18-20; Números 3:19-27; Números 26:58,59). Ambos os nomes designam o pai de Moisés, Aarão e Miriam. Muhammad considerava essa família de pro-fetas escolhida. Ele achava que Cristo veio dessa família, o mensageiro de Allah, porque ele equivocadamente confundiu Miriam, a irmão de Aarão, com Maria, a mãe de Jesus. Ambas eram chamadas de “Maryam” em árabe (Suras Maryam 19:27-29; Al ‘Imran 3:33-35).

“35 Recorda-te de quando a mulher de Imran disse: Ó Senhor meu, é certo que consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre; aceita-o, porque és o Oniouvinte, o Sapientíssimo. 36 E quando concebeu, disse: Ó Senhor meu, concebi uma menina. Mas Deus bem sabia o que eu tinha concebido, e um macho não é o mesmo que uma fêmea. Eis que a chamo Maria; ponho-a, bem como à sua descendência, sob a Tua proteção, contra o maldito Satanás. 37 Seu Senhor a aceitou benevolentemente e a educou esmeradamente, confiando-a a Zacarias...“ (Sura Al ‘Imran 3:35-37).

* Esse verso mostra a posição de desvantagem das mulheres no islã.

É mencionado que Maria se tornou órfã. Então a história dela e de Zacarias é contada, de como ele orou e como ele foi ouvido, de como João foi dado a ele. Então vem o discurso acerca de Maria e as palavras do anjo são apresentadas: “Ó Maria, é certo que Deus te elegeu e te purificou, e te preferiu a todas as mulheres da humanidade! 43 Ó Maria, consagra-te ao Senhor! Prostra-te e genuflecte” (Sura Al ‘Imran 3:42,43). Então ele continuou: “E quando os anjos disseram: Ó Maria, por certo que Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os diletos de Deus. 46 Falará aos homens, ainda no berço, bem como na maturidade, e se contará entre os virtuosos.” (Sura Al ‘Imran 3:45,46). Muhammad apresentou-lhes a condição de Jesus, bem como as mudanças pelas quais ele passou enquanto amadurecia, coisas que ele tinha em comum com todas as outras pessoas. Allah somente o diferenciou por seu discurso, de modo que ele podia falar enquanto ainda estava no berço, o que era um sinal de que era profeta e que foi assim para mostrar à humanidade como Allah o concedeu poder.

* Maria é a única mulher cujo nome é mencionado no Alcorão. Ela aparece em onze suras, em um total de 34 vezes. Maria é considerada a escolhida entre todas as mulheres deste e do próximo mundo (Sura Al ‘Imran 3:33-47).
** No Alcorão, Jesus é chamado de “O Verbo de Deus” cinco vezes. Esse título islâmico ecoa o conceito de Logos do Evangelho de João. Então, Jesus, tal como todos os outros profetas, não apenas ouviu as Palavras de Deus, mas foi a Palavra de Deus em pessoa. Sua impecabilidade é, portanto, testificada no Alcorão, há que não há separação entre Sua mensagem e Sua vida. Ele próprio era o Verbo. A autoridade criativa, curadora, perdoadora, consoladora e renovadora da Palavra de Deus trabalhavam Nele. Ele é a personificação da revelação da Palavra de Deus. Todos que querem conhecer a vontade de Deus devem ocupar-se em conhecer a Jesus.

“ 47 Perguntou: Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se mortal algum jamais me tocou? Disse-lhe o anjo: Assim será. Deus cria o que deseja. Ele pode, segundo Sua vontade, criar com ou sem contato físico. Posto que quando decreta algo, diz: Seja! e é.* 48.Ele lhe ensinará o Livro, a sabedoria, a Tora (que eles têm desde Moisés) e o Evangelho, (outra Escritura que Allah concedeu primeiro a ele, a qual eles sabiam que Allah um dia enviaria, após Moisés,) 49 E ele será um Mensageiro para os israelitas’, Ele os dirá: “Apresento-vos um sinal d vosso Senhor” (por meio do qual vocês saberão que eu sou verdadeiro profeta e mensageiro de Allah). Plasmarei de barro a figura de um pássaro, à qual darei vida, e a figura será um pássaro, com beneplácito de Deus, curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os mortos, com a anuência de Deus, e vos revelarei o que consumis o que entesourais em vossas casas. Nisso há um sinal para vós (de que Allah me enviou para vocês), se sois fiéis. 50 (Eu vim) para confirmar-vos a Tora, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos está vedado**. Eu vim com um sinal do vosso Senhor. Temei a Deus, pois, e obedecei-me. 51 Sabei que Deus é meu Senhor e vosso. Adorai-O, pois. Essa é a senda reta.” (Sura Al ‘Imran 3:47-51).

* Os muçulmanos acreditam no nascimento de Jesus pela Virgem Maria sem o envolvimento de homem. Segundo o Alcorão, Ele foi criado pela palavra de Allah em Maria.
** Segundo o Alcorão, Cristo confirmou a imutabilidade da Torá possuía o direito, como Legislador, de alterar partes da lei. Assim, segundo o Alcorão, ele tinha o direito de ordenar que a humanidade o obedecesse (Sura Al ‘Imran 3:50; Mateus 5:17-48).
Porém, no Credo Niceno, todos os cristãos confessam que Jesus nasceu de Maria por meio do Espírito Santo: Ele é “Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado e não criado, de uma única essência com o Pai.” Até hoje o Credo Niceno contém a resposta teológica das alegações do islã.

52 E quando Jesus lhes sentiu a incredulidade, disse: Quem serão os meus colaboradores na causa de Deus? Os discípulos disseram: Nós seremos os colaboradores, porque cremos em Deus; e testemunhamos que somos muçulmanos. 53 Ó Senhor nosso, cremos no que tens revelado e seguimos o Mensageiro; inscreve-nos, pois, entre os testemunhadores.” (Sura Al Imran 3:52,53). Então falaram os discípulos e essa era a fé deles. Então foi registrado como Allah tomou a Jesus quando quiseram matar-lhe, “Porém, (os judeus) conspiraram (contra Jesus); e Deus, por Sua parte, planejou, porque é o melhor dos planejadores.” (Sura Al ‘Imran 3:54).

* Muhammad ouviu falar de como as massas se afastaram de Jesus (João 6:66-69) e deu a Seus discípulos vários títulos, cada um segundo a intensidade da fé de seu discípulo (Sura Al ‘Imran 3:52,53).
** A palavra “melhor dos planejadores” significa, literalmente, “enganador astuto”. Esse título aparece apenas duas vezes na bíblia: Gênesis 3:1 “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo” e em Efésios 6:11: “para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” Portanto, é evidente que o Evangelho iguala o Allah do islã com o Diabo.
O engano supremo de Allah supostamente foi que ele salvou Jesus do ataque dos judeus, de modo que Ele não foi crucificado. Segundo a ideia de Muhammad, Allah fez Jesus dormir e o arrebatou para si vivo. A fim de anular a crucificação, Allah se revelou como o melhor planejador de enganações (Sura Al ‘Imran 3:54,55; Gênesis 3:1).

Então ele os instruiu e os reprovou por dizerem que os judeus o crucificaram-no e declarou-lhes como Allah, em sua enganação, o tomou para si e o manteve puro. “Farei prevalecer sobre eles os teus prosélitos, até ao Dia da Ressurreição...” (Sura Al ‘Imran 3:55). 59 O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, que Ele criou do pó, então lhe disse: Seja! e foi. 60 Esta é a verdade emanada do teu Senhor. Não sejas, pois, dos que (dela) duvidam. (Sura Al ‘Imran 3:59,60). Se alguém disser que Jesus foi criado sem intervenção de homem, então eu também criei a Adão a partir do pó, com o mesmo poder, sem homem ou mulher, e ainda assim ele foi homem tal como Jesus, de carne, sangue e cabelos. A criação de Cristo sem intervenção de homem é, portanto, nada mais fantástica do que a criação de Adão”.**

* O Alcorão testemunha que o próprio Allah arrebatou Jesus para Si. Portanto, os muçulmanos acreditam e sabem que Jesus vive, enquanto Muhammad está morto em seu túmulo. A cada menção do nome de Muhammad, os muçulmanos devem dizer: “Que Allah olhe por ele e o conceda paz.” Como, segundo o Alcorão, Jesus vive com Deus, Seus seguidores receberam um padrão de qualidade superior ao dos descrentes. Com essa passagem, a sumo-sacerdócio de Jesus e a efusão do Santo Deus estão confirmadas (Sura Al ‘Imran 3:55).
** O islã diz que três pessoas foram criadas sem mãe ou pai: Adão, Eva e Jesus. Mas ignoram que Adão foi criado do barro e a Eva da costela de Adão. Os muçulmanos mantêm que Jesus foi criado por meio da palavra de Allah. Supostamente ele seria um Espírito criado por Deus em carne. Muhammad não podia admitir que Jesus nasceu por meio do Espírito de Deus.

Porém, àqueles que discutem contigo a respeito dele, depois de te haver chegado o conhecimento, dize-lhes: Vinde! Convoquemos os nossos filhos e os vossos, e as nossas mulheres e as vossas, e nós mesmos; então, deprecaremos para que a maldição de Deus caia sobre os mentirosos.” (Sura Al ‘Imran 3:61).

* Fazem orações mágicas de maldição não apenas contra homens, mas também contra seus filhos e esposas. Jesus, porém, ordenou Seus seguidores a amar seus inimigos e a abençoar os que os amaldiçoam (Mateus 5:44). A bênção de Cristo é mais forte do que a maldição de Allah.

62 Esta é a puríssima verdade*: não há mais divindade além de Deus e Deus é o Poderoso, o Prudentíssimo. 63 Porém, se desdenharem, saibam que Deus bem conhece os corruptores. 64 Dize-lhes: Ó adeptos do Livro, vinde, para chegarmos a um termo comum, entre nós e vós: Comprometamo-nos, formalmente, a não adorar senão a Deus, a não Lhe atribuir parceiros e a não nos tomarmos uns aos outros por senhores, em vez de Deus. Porém, caso se recusem, dize-lhes: Testemunhais que somos muçulmanos.” (Sura Al ‘Imran 3:62-64).

* Muhammad nunca leu a Bíblia. Ele entremeou declarações verdadeiras e falsas a respeito das Escrituras Sagradas com base em suas fantasias. Mas Jesus Cristo, com soberania, diz: “Eu sou a verdade” (João 14:6), e “quem é da verdade, ouve a minha voz” (João 18:37).'” (John 18:37).''

Muhammad os conclamou para aderir ao islã e refutou as provas apresentadas, após Allah revelar-lhe a sabedoria islâmica sobre Jesus e a decisão entre ele e os cristãos de que estes seriam amaldiçoados. Quando eles recusaram essa revelação, ele os chamou mais uma vez ao islã.

Mas eles responderam: “Deixe-nos considerar o assunto, Abu al-Qasim.* Nós voltaremos e te apresentaremos nossa decisão.” Após isso, eles o deixaram.

* Abu al-Qasim é um dos nomes honorários de Muhammad – o pai de Qasim – um de seus filhos que morreram na infância.

Mais tarde, quando estavam juntos com al-‘Aqib, o mais entendido entre eles, eles disseram-lhe: “Agora, servo de Cristo, qual é a sua opinião?” Ele disse: “Por Allah, vocês cristãos sabem que Muhammad é um profeta enviado. Ele trouxe a vocês notícias detalhadas de seu Senhor, e vocês sabem que sempre que as pessoas amaldiçoam um profeta, o líder do povo perece entre eles e nunca mais prospera. Então, se vocês continuarem com isso, essa será sua ruína. Mas se vocês querem permanecer fiéis à sua fé e manter sua crença sobre seu Senhor, então apartem-se desse homem e voltem para casa.”

Então eles retornaram a Muhammad e disseram-lhe: “Consideramos uma boa coisa não amaldiçoá-lo. Nós te deixaremos em sua religião e nós permaneceremos na nossa; mas envie um de seus companheiros, um à sua escolha, conosco, porque podem surgir desentendimentos acerca das posses entre nós e ele poderá fazer julgamento, já que você nos é favorável.”

A isso Muhammad respondeu: “Voltem esta noite. Eu os darei um forte e fiel.” Umar recordou: “Eu nunca quis uma posição de liderança como essa. Eu achei que seria apontado como mestre deles. Durante o calor do dia, eu fui à oração do meio dia e, quando Muhammad, após a oração, olhou à direita e à esquerda, eu me estiquei todo para que ele pudesse me ver. Mas seus olhos continuaram procurando até que ele viu Abu ‘Ubaida ibn al-Jarras. Então ele o chamou e disse-lhe: “Vá com essa gente e os julgue honestamente!” Então Abu Ubaida se tornou o juiz deles.”*

* A última parte do relato de Ibn Hisham, a respeito do diálogo entre Muhammad e os 60 cristãos de Wadi Najran, serviu para anunciar sua posterior subjugação, já que nem o príncipe ou o bispo se submeteram voluntariamente a Muhammad.

5.02.15 -- A respeito dos hipócritas

Segundo o relato de ‘Assim ibn Umar ibn Qatada, quando Muhammad chegou a Medina, Abd Allah ibn Ubay, um dos Banu al-Hubla, era o líder dos habitantes do lugar. Não havia nem dois entre o povo que contestassem sua autoridade. Até o tempo do islã, nem os ausitas nem o khazrajitas podiam se reunir com um homem de um desses clãs.

Além dele houve um ausita, muito estimado entre os de seu clã, que era muito ouvido. Esse homem se chamava Abu ‘Amir Abd Amr, um dos Banu Dhubaya ibn Zaid. Ele era pai de Handhala, que, no dia de Uhub, foi chamado de “o limpo (por anjos)”.

Durante o tempo do paganismo, Abu ‘Amir viveu a vida de um asceta, vestiu roupas simples e era chamado de “o monge”. Por causa de Muhammad, esses dois homens perderam um pouco da estima que seu povo tinha por eles, e isso os incomodou. Os membros do clã já haviam preparados pedras para fazer uma coroa a Abd Allah, a fim de elevá-lo a rei, quando Allah enviou seu mensageiro.

Quando Abd Allah viu como seu povo se voltou ao islã, ele ficou furioso e considerou que Muhammad roubou de si sua posição. Quando, então, ele percebeu que os homens de seu clã não abandonariam o islã, ele também, por pura necessidade, confessou o islã, embora persistisse em sua hipocrisia e ressentimento.

Abu ‘Amir, pelo contrário, permaneceu descrente e se separou dos de seu clã quando eles, de uma só vez, foram ao islã. Ele foi a Meca com outros dez homens e lá renunciaram a Muhammad e ao seu próprio povo.

Enquanto em Medina e antes de deixar Meca, Abu ‘Amir foi a Muhammad e perguntou: “Que religião você traz?” Ele respondeu: “A verdadeira religião, aquela de Abraão.” Abu ‘Amir respondeu: “A minha religião também é essa.” Com isso, Muhammad respondeu: “Você não está nesta religião!” O homem respondeu: “Você adicionou coisas à sua religião que não fazem parte dela.” Muhammad disse: “Eu não fiz isso. Eu a revelei em sua forma pura e branca!” “Então”, adicionou Abu ‘Amir, “que Allah deixe o mentiroso morrer solitário e como fugitivo exilado” Ele se referia a Muhammad, como se ele tivesse falsificado a fé.* Muhammad disse: “Que assim seja! Que Allah puna o mentiroso!” E foi isso o que aconteceu a esse inimigo de Allah. Primeiro ele foi a Meca e depois a Ta’if, quando Muhammad conquistou a cidade. Quando essa cidade também se converteu ao islã, ele foi à Síria. Lá ele morreu solitário, como homem banido para uma terra estranha.

* De tempos em tempos os próprios patrícios de Muhammad questionaram sua mensagem. Alguns deles foram capazes de reconhecer as diferenças doutrinárias. O que Muhammad contava a eles sobre Moisés e Abraão não batia com o que eles havia ouvido dos judeus e dos cristãos.

Abd Allah ibn Ubay* continuou sendo um homem estimado em Medina e lutou contra o islã até que o aceitou por necessidade.

* Abd Allah ibn Ubay ibn Salul foi considerado um dos líderes dos hipócritas a quem uma severa punição era aguardada.

Uma vez, Muhammad montou um burro e foi a Sa’d ibn Ubada, que estava sofrendo uma aflição. No burro, foi colocado um cobertor de Fadak.* O burro tinha uma rédea feita de folhas de palmeira. Ele passou por Abd Allah ibn Ubay enquanto estava sentado à sombra de sua casa em Muzahim. Ele estava cercado por alguns de seu clã. Quando Muhammad o viu, ele não considerou honrável simplesmente passar por ele. Então ele desmontou, o cumprimentou e se assentou por um instante. Ele recitou o Alcorão, o admoestou a crer em Allah e o avisou e pregou as boas novas. Abd Allah levantou sua cabeça e permaneceu em silêncio até que Muhammad terminou. Então ele disse: “Se suas palavras são verdadeiras, então nada há mais belo. Mas você deveria ficar em casa e somente dizer essas palavras a quem o visita e não forçá-las àqueles que não vêm te visitar. Você não deveria trazer essa mensagem àqueles que não querem ouvi-la.”

* Fadak é o nome de uma região na península árabe que era considerada propriedade do profeta. Quando Fátima, a filha de Muhammad, pediu ao califa Abu Bakr para devolver essa propriedade, após a morte de seu pai, ele rejeitou o pedido. Essa é uma das razões pelas quais os xiitas odeiam Abu Bakr.

Mas Abd Allah ibn Rawaha disse, juntamente a outros crentes que estavam com ele: “Não! Nos alegre com suas palavras em nossos encontros, em nossas habitações e em nossas casas porque, por Allah, elas nos são aprazíveis e Allah tem nos honrado e nos dirigido por meio delas.”

Quando Abd Allah viu essa oposição de seu povo, ele disse: “Quando seu amigo é seu oponente, você há de afundar ainda mais, e você será derrubado por aqueles que outrora eram seus subordinados. Pode uma águia subir sem asas? Tão logo suas penas são arrancadas, ela cai ao chão.”

5.02.16 -- Menção dos companheiros de Muhammad que ficaram doentes

Quando Muhammad foi a Medina, lá havia uma febre como não se via em lugar algum. Vários de seus companheiros ficaram doentes. Porém, o próprio Muhammad foi poupado por Allah. Abu Bakr e seus dois ex-escravos, Amir ibn Fuhaira e Bilal, que viviam com ele, tiveram febre. “Eu os visitei”, Aisha* recordou, “antes de nos ser ordenado usar um véu, e os encontrei em uma situação angustiante. Eu me aproximei de Abu Bakr e o perguntei como ele estava.” Ele disse: “Todo homem passa a manhã com o seus, e a morte está mais próxima dele do que os laços de suas sandálias.” Eu disse: “Por Allah, meu pai não sabe o que está dizendo.” Então eu perguntei a Amr como ele estava e ele disse: “Eu encontrei a morte antes mesmo de prová-la. A morte sempre encontra os covardes. Todo homem batalha com todas as suas forças, como um touro se protege com seus chifres.” Então eu disse: “Por Allah, Amir não sabe o que está dizendo.” Bilal estava deitado em um canto de sua habitação quando foi abatido pela febre, então ergueu sua voz e disse:

“Se eu soubesse que passaria outra noite em Fakh,
Cercado por arbustos verdejantes,
Se um dia ainda poderei refrescar-me mais uma vez
Com as águas de Majana,
E se novamente verei Shama e Tafil.”

* Aisha, filha de Abu Bakr, foi a esposa mais jovem de Muhammad. Ele se casou com ela quando ela tinha nove anos. Quando Muhammad morreu em seus braços, ela tinha apenas 18 anos de idade. Ele viveu com ela por quase dez anos, enquanto ela ainda era uma criança amadurecendo. Ela é descrita como a esposa preferida de Muhammad.

Posteriormente, Aisha relatou: “Eu contei ao Mensageiro de Allah o que ouvi deles e disse-lhe: ‘Eles estão delirando e fora de si por causa da febre.’” Muhammad disse: “Allah! Faça Medina tão agradável para nós quanto Meca, ou ainda melhor, e nos abençoe com o que pode ser pesado e mensurado, e remova a febre de Mahyaa.”

Ibn Shihab al-Zuri relatou o seguinte de Abd Allah ibn Amr ibn al-‘As: “Quando Muhammad chegou a Medina, seus companheiros tiveram febre. Ele mesmo foi protegido por Allah. Porém, seus companheiros somente conseguiam orar sentados. Quando Muhammad foi ter com eles enquanto orava, ele disse: ‘Saiba que a oração sentada vale somente metade da oração em pé.’ Com isso, os crentes se esforçaram sobre seus pés, apesar de sua fraqueza e doença, afim de fazerem o melhor.”*

* No Islã, o dever de orar é mais importante do que praticar misericórdia aos doentes.

Logo após isso, Muhammad preparou-se para a guerra segundo a ordem de Allah, para lutar contra os idólatras beduínos, seus inimigos.

5.02.17 -- A determinação do tempo de migração (24 de setembro, 622 d.C.)

Muhammad chegou a Medina em uma segunda-feira, quando o sol ardia no céu, quando começava a cair para o oeste, após doze noites do mês de Rabi’a al-Awwal (o terceiro mês) terem se passado. Naquele tempo, Muhammad tinha 53 anos de idade. Treze anos se haviam passado desde que ele fora enviado como profeta. Ele permaneceu o resto dos dias do mês e do ano corrente, bem como o mês de Muharram (o primeiro mês) em Medina. Em Safar (segundo mês), o décimo segundo mês após sua chegada a Medina, ele partiu em guerra* e pôs Sa'd ibn Ubada sobre Medina.

* Os refugiados de Meca eram pobres, enquanto os muçulmanos nativos de Medina continuavam ricos, apesar das alianças de irmandade que haviam feito. Muhammad teve de encontrar pão e renda para os imigrantes para que não abandonassem o islã. Assim, ele ordenou que os ataques fossem dirigidos a saquear caravanas de Meca, que anteriormente haviam confiscado os bens dos refugiados.
Mas Jesus disse: “E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa” (Mateus 5:40). Ele proibia Pedro de usar sua espada, dizendo, “Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mateus 26:52).
Desde aqueles tempos, o islã tem deixado uma grande trilha de sangue na história de muitas pessoas de nosso planeta.

5.03 -- A Guerra Santa entre em nova fase (Após a Primavera de 623 d.C.)

5.03.1 -- A campanha militar de Waddan* (agosto de 623 d.C.)

Essa foi a primeira campanha militar de Muhammad**. Ele chegou a Waddan, e esta é conhecida como a campanha de Abwa’. Ele procurava os coraixitas e os Banu Dhamra ibn Bakr. Os Banu Dhamra fizeram paz com ele. O representante deles foi Nakhshi ibn Amr, o qual, naquele tempo, era o líder. Após isso, Muhammad retornou a Medina, sem entrar em confronto com um inimigo. Ele permaneceu lá pelo resto de Safar (segundo mês) e no início de Rabi’a al-Awwal (terceiro mês).

* Waddan fica às margens do Mar Vermelho, 190km ao sul de Medina.
** Ou seja, a primeira campanha militar que o próprio Muhammad comandou. Amigos de confiança de Muhammad comandaram as três outras campanhas, tal como explicado na sequência.

5.03.2 -- Outros confrontos com o inimigo(de março a setembro de 623 d.C.)

Esta foi a primeira tropa que Muhammad preparou. Enquanto estava em Medina (em março de 623 d.C.), Muhammad enviou ‘Ubaida ibn al-Harith ibn al-Muttalib e sessenta ou oitenta cavaleiros dos imigrantes (muçulmanos nativos de Meca) para lutarem contra os descrentes. Não houve nem um só dos Auxiliadores (muçulmanos nativos de Medina) entre eles. Ele foi tão longe quanto as águas de Hijaz, abaixo de Thanniyat al-Murra. Ali ele encontrou um número de coraixitas, mas não entraram em batalha. Somente Sa'd ibn Abi Waqqas atirou uma flecha. Foi a primeira flecha lançada em uma guerra santa. Então os dois grupos se separaram, de modo que os muçulmanos deram cobertura um grupo ao outro.

Não muito depois (ainda em março de 623 d.C.), Muhammad enviou Hamza, filho de Abd al-Muttalib, a Sif al-Bahr*, à região de al-‘Is. Ele tinha trinta cavaleiros de emigrantes consigo, mas nenhum dos Auxiliadores. Nessa costa, ele encontrou Abu Jahl com trezentos cavaleiros de Meca. Majdi ibn Amr, o juhaynita, que vivia em paz com ambos os grupos, ficou entre eles. Então ambos os grupos e separaram sem lutar. Alguns mantêm que o grupo de Hamza foi o primeiro a ser formado por Muhammad, e que os envios de Hamza e Abu ‘Ubaidas ocorreram ao mesmo tempo, de modo que um foi confundido com o outro. Também é dito em um poema que Hamza recebeu a primeira ordem de batalha de Muhammad. Se ele realmente disse isso, então pode ser verdade, porque ele somente dizia a verdade. Mas aprendemos de pessoas versadas que Ubayda foi o primeiro homem a comandar uma tropa.

* “Sif al-Bahr” fica na costa do Mar Vermelho, 320km a noroeste de Medina.

No mês de Rabi’a al-Awwal (terceiro mês, Setembro de 623 d.C.), Muhammad novamente empreendeu uma batalha contra os coraixitas. Ele pôs al-Sa'ib, filho de Uthman ibn Maz'um, encarregado de Medina. Ele foi até Buwat*, na região de Radwa. Então retornou a Medina, sem encontrar qualquer dificuldade. Ele ficou ali pelo restante de Rabi’a al-Akhir (quarto mês) e parte de Jumada al-Ula (quinto mês).

* “Buwat” fica aproximadamente 70km a noroeste de Medina, na rota comercial para a Síria.

5.03.3 -- A campanha de ‘Ushayra (dezembro de 623 d.C.)

Então ele saiu novamente contra os coraixitas e, segundo Ibn Hisham, deixou Abu Salama encarregado de Medina. Ele passou pela ravina de Banu Dinar, então por Faifa’ al-Khabar; então acampou sob uma árvore no vale de Ibn Azhar, que era chamado Dhat al-Saq. Era ali que se localizava sua mesquita e ali ele orou. Ali uma refeição foi preparada para ele. Ele comeu e o povo comeu com ele. O lugar onde o caldeirão foi colocado é desconhecido. Então trouxeram-lhe água de um lugar chamado al-Mushtarib. Então Muhammad se levantou e partiu, deixando os lugares da água à sua esquerda e seguindo pela ravina, que hoje se chama “a Ravina de Abd Allah”. Então ele desceu por Sadd, até chegar a Yalyal. No caminho que conecta Yalyal com Dhabuah, ele desmontou e bebeu de um poço em Dhabuah.** Então ele desceu até o campo de Malal, até chegar à rua em Sukhayrat al-Yamam, que o levou a ‘Ushayra, na terra baixa de Yanbu’. Ali ele permaneceu por todo o mês de Jumada al-Ula (quinto mês) e por algumas noites de Jumada al-Akhira (sexto mês). Ele mesmo fez paz com os Banu Mudlij e seus aliados entre os Banu Dhamra. Então retornou a Medina, sem encontrar um único inimigo.

* “al-‘Ushayra” fica a aproximadamente 110km a leste de Meca, e a aproximidamente 350 ao sul de Medina.
** Jesus e seus discípulos passaram por montanhas, vales e desertos. O poço de Sequém, do qual ele bebeu, ainda existe. Jesus curou, salvou, expulsou demônios e pregou perdão, amor e paz, enquanto Muhammad, com seus companheiros mais queridos, saíram para atacar caravanas..

Nesse meio tempo, Muhammad enviou Sa'd ibn Abi Waqqas, junto de oito emigrantes, que chegaram até Kharrar, em Hijaz. Ele, então, retornou sem encontrar um único inimigo.

5.03.4 -- A campanha militar de Safwan* (setembro de 623 d.C.)

Após seu retorno de ‘Ushayra, Muhammad permaneceu apenas algumas noites em Medina, menos de dez. Então ele saiu contra Kurz ibn Jabir al-Fihri, que atacou as herdas em Medina. Segundo Ibn Hisham, ele deixou Hisham Zaid ibn Haritha no comando de Medina e perseguiu Kurz até o vale de Safwan, na região de Badr, sem conseguir alcançá-lo. Essa campanha também é chamada de a “a primeira de Badr”. Então Muhammad retornou a Medina e permaneceu ali o restante de Jumada al-Akhira (sexto mês) e por todo os mês de Rajab (sétimos mês) e de Sha’ban (oitavo mês).

* Safwan fica a 90km a sudoeste de Medina.

5.03.5 -- O envio de Abdallah Jahsh a Nakhla e a revelação a respeito de batalhas durante o mês sagrado (janeiro de 624 d.C.)

Após o retorno de Badr em Rajab (sétimo mês), Muhammad enviou Abd Allah ibn Jahsh ibn Ri’ab al-Asadi com oito imigrantes. Ele o deu uma carta para levar consigo. Porém, ele o ordenou que a lesse somente após completar dois dias de marcha. Além do mais, ele não obrigaria nenhum de seus companheiros a participar do ataque.

Após dois dias, Abd Allah abriu a carta. Nela estava escrito: “Quando você abrir essa carta, movimente-se em direção a Nakhla*, que fica entre Meca e Ta’if. Fique ali à espera dos coraixitas. Nos dê notícias a respeito deles!” Quando Abd Allah leu a carta, ele estava pronto para seguir as ordens e disse a seus companheiros: “Muhammad me ordenou a seguir em direção a Nakhla e aguardar pelos coraixitas, a fim de informá-lo a respeito deles. Ele me proibiu, todavia, de forçá-los a vir comigo. Quem quiser morrer como mártir, que venha comigo. Quem não quiser, que fique para trás. Quanto a mim, estou pronto para cumprir com as ordens do mensageiro de Allah.”

* Nakhla é um vale que fica a cerca de 70km a noroeste de Meca, ao longo da rota comercial do Iêmen a Meca.

A partir dali ele continuou a marchar e todos os seus companheiros seguiram-no. Quando chegou às minas de Bahran, em Hijaz, acima de al-Furu’, Sa'd ibn Abi Waqqas e ‘Utba ibn Ghazwan perderam o camelo que estavam usando alternadamente. Eles ficaram para trás, procurando-o. Mas Abd Allah e os outros companheiros continuaram até chegar a Nakhla. Foi então que uma caravana de coraixitas passou transportando uvas passas, couro e outras mercadorias. Entre eles estava Amr ibn al-Khadrami, Uthman ibn Abd Allah e seu irmão Nawfal, do clã de Makhzum, e também al-Hakam ibn Kaisan, um ex-escravo de Hisham ibn al-Mughira.

As pessoas tiveram medo quando vieram os muçulmanos acampados próximos de si. Ukkasha ibn Mihsan, que havia raspado o cabelo de sua cabeça, se aproximou deles. Eles se acalmaram e disseram uns aos outros: “Eles são peregrinos! Não há nada a temer.” Foi o último dia antes do mês (sagrado) de Rajab (sétimo mês). Os muçulmanos se reuniram e disseram: “Por Allah, se deixarmos a caravana em paz nesta noite, eles entrarão na área sagrada e terão proteção contra nós. Mas se os atacarmos agora, cometermos um ato de morte no mês sagrado.” As pessoas ficaram temerosas e hesitaram em atacá-los. Mas então exortaram uns aos outros e decidiram matar tantos quanto possível e tomar seus bens. Waqid ibn Abd Allah atirou uma flecha em Amr ibn al-Khadrami e o matou. Uthman ibn Abd Allah e al-Hakam foram feitos prisioneiros. Mas Nawfal ibn Abd Allah conseguiu escapar.

Então Abd Allah retornou com a caravana e os prisioneiros a Muhammad, em Medina. Um da família de Abd Allah relatou que Abd Allah teria dito a seus companheiros: “Um quinto do espólio pertence ao mensageiro de Allah”, embora naquela época a revelação para dar um quinto do espólio ao profeta ainda não havia sido dada. O restante ele distribuiu entre os companheiros.

Quando chegaram a Medina, Muhammad disse: “Eu não ordenei que entrassem em guerra durante o mês sagrado.” Então ele deixou a caravana e os prisioneiros em paz e se recusou a tomar os espólios. Após Muhammad falar, as pessoas se arrependeram de suas ações e acharam que estavam condenadas, porque seus companheiros muçulmanos os repreenderam pelo que havia feito. Mas os coraixitas disseram: “Muhammad e seus companheiros macularam o mês sagrado com assassinato, roubo e aprisionamento!”

5.03.6 -- Como os judeus entenderam que o evento foi um mal presságio para Muhammad

Como muito se falou do incidente, Allah revelou: “Quando te perguntarem se é lícito combater no mês sagrado, dize-lhes: A luta durante este mês é um grave pecado; porém, desviar os fiéis da senda de Deus, negá-Lo, privar os demais da Mesquita Sagrada e expulsar dela (Makka) os seus habitantes é mais grave ainda, aos olhos de Deus...” (Sura al-Baqara 2.217). Vocês guerrearam durante o mês santo. Mas eles se abstiveram do caminho de Allah e não creram nele. Eles os impediram de entrar no lugar santo e os expulsaram de lá, mesmo que vocês sejam senhores sobre eles. Diante de Allah, esse é um pecado ainda maior do que a morte de alguns homens que vocês feriram. “...a perseguição é pior do que o homicídio...” (Sura al-Baqara 2:217; veja também verso 191). Eles perseguiram os muçulmanos até que caíram em descrença. Diante de Allah, isso é pior do que o assassinato. “Eles não cessarão de vos combater, até vos fazerem renunciar à vossa religião...”* (Sura al-Baqara 2:217).

* Muhammad se esquivou do alvoroço de judeus e politeístas por causa do ataque criminoso em um mês sagrado com uma conquista judicial magistral. Ele condenou toda batalha no mês sagrado – até mesmo seu próprio ataque – como sendo um grave crime. Mas quem lutasse contra o islã ou tentasse levar muçulmanos à apostasia estaria cometendo um crime ainda mais grave. Então Muhammad permitiu os muçulmanos cometerem uma pequena injustiça, se fosse para combater uma injustiça ainda maior. Desde então, missões entre muçulmanos é considerada uma provocação à insurgência, que é considerada um crime ainda mais grave do que o assassinato (Sura al-Baqara 2:217).

Uma vez que a revelação de Allah aliviou os crentes do medo e do peso na consciência, Muhammad também tomou sua parte dos espólios e ficou com os prisioneiros. Os coraixitas foram ter com Muhammad, a fim de resgatar os dois prisioneiros.* Mas Mohammed disse: “Eu não os libertarei até que meus dois companheiros, Sa'd e ‘Utba, retornem, já que com eles estamos preocupados. Se vocês os matar, então mataremos nossos prisioneiros.” Quando Sa'd e ‘Utba retornaram, Muhammad aceitou a fiança e libertou os prisioneiros. Al-Hakam se tornou um bom muçulmano e ficou com Muhammad até morrer como mártir em Bi’r Ma’uma (julho de 625 d.C.). Uthman, por outro lado, retornou a Meca e morreu lá como descrente.

* Desde o princípio, tomar reféns é uma prática legal na guerra santa dos muçulmanos. Ela é praticada ainda hoje, sempre que possível.

Uma vez que Abd Allah e seus companheiros se livraram de suas preocupações graças aos versos do Alcorão, eles começaram a buscar praticar obras dignas. Eles perguntaram a Muhammad se não deveriam aumentar a recompensa dos guerreiros fiéis por meio de outra campanha militar. Então Allah revelou: “Aqueles que creram, migraram e combateram pela causa de Deus poderão esperar de Deus a misericórdia, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo” (Sura al-Baqara 2:218); assim, Allah concedeu-lhes a mais gloriosa esperança.*

* Matar em guerra santa foi revelado um serviço justificável em favor de Allah no processo para obter Sua misericórdia. Com essa revelação, a porta para o terrorismo islâmico foi aberta (Sura al-Anfal 8:17).

Um da família de Abd Allah ibn Jahsh disse que ao se tomar o espólio, Allah teria determinado que quatro partes seriam daqueles que a conquistaram e que uma parte seria de Allah e de Seu mensageiro, tal como Abd Allah havia feito com a caravana. Esse foi o primeiro espólio* que os muçulmanos conquistaram. Amr ibn al-Khadrami foi o primeiro a ser morto por muçulmanos, e Uthman e al-Hakam foram os primeiros prisioneiros.

* O espólio foi o principal objetivo das campanhas militares que Muhammad conduziu. Ele precisava criar uma fonte de renda e de prosperidade para os muçulmanos que migravam para lá, caso contrário eles se apartariam do islã..

5.03.7 -- Quando a direção da oração (quibla) foi mudada (janeiro de 624 d.C.)

É dito que a direção da oração foi mudada dezoito meses após Muhammad chegar a Medina, no mês de Sha’ban (oitavo mês). A partir dali, as orações foram voltadas para a Caaba, em Meca.

* Pela terceira vez, Ibn Hisham mencionou o sério sinal de separação de Muhammad dos judeus. Ele esperou em vão ganhá-los para o islã. Com a mudança da direção da oração de Jerusalém para Meca, o rompimento final das relações entre judeus e muçulmanos ocorreu.

5.04 -- TESTE

Prezado leitor,
Se você estudou com atenção esse volume, você facilmente será capaz de responder às seguintes questões. Quem responder corretamente 90% dessas questões, nos 11 volumes desta série, receberá de nosso centro um certificado escrito de reconhecimento em:

Estudos Avançados
da vida de Muhammad à luz do Evangelho

- como encorajamento para o futuro serviço para Cristo.

  1. Que comportamento dos companheiros de Muhammad foi descrito como hipocrisia?
  2. Quais foram as perguntas que os judeus e os cristãos discutiram com Muhammad?
  3. Por que Muhammad mudou a direção da oração? Como os judeus reagiram a isso?
  4. Que acusação Muhammad fez contra os judeus em Medina?
  5. Como Muhammad tentou tornar o Islã mais atraente para a delegação Cristã de Najran?
  6. Como a delegação de cristãos de Najran reagiu ao convite de Muhammad para que se tornassem muçulmanos?
  7. Qual foi a força motriz por trás das campanhas islâmicas e incursões que Muhammad comandou?
  8. O que aconteceu durante o envio de Abdallah ibn Jahsh para Nakhla? Que estratagema os muçulmanos recorreram a esse ponto?
  9. Como Muhammad contestou a crítica de lutar durante o mês sagrado?

Todo participante deste teste está autorizado, com o propósito de responder as questões, a usar qualquer livro disponível ou a questionar pessoas de confiança, conforme desejado. Aguardamos respostas escritas, incluindo seu endereço completo, seja em papel ou e-mail. Oramos a Jesus, o vivo Senhor, para que Ele possa chamá-lo, enviá-lo, fortalecê-lo e preservá-lo todos os dias de sua vida!

Unidos com você a serviço de Jesus,
Abd al-Masih e Salam Falaki.

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