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04. A VIDA DE MUHAMMAD SEGUNDO IBN HISHAM

9 - Muhammad CONQUISTA Meca e seus arredores (janeiro a março de 630 d.C.)

A conquista final de Meca (janeiro de 630 d.C.) - A campanha de Hunain e suas consequências (janeiro a março de 630 d.C.)


9.01 -- Titulo
9.02 -- A conquista final de Meca (janeiro de 630 d.C.)


9.01 -- Muhammad CONQUISTA Meca e seus arredores (janeiro a março de 630 d.C.)

Segundo Ibn Ishaq (falecido em 767 d.C.) Editado por Abd al-Malik Ibn Hischam (falecido em 834 d.C.)

Tradução original editada a partir do árabe por Alfred Guillaume

Uma seleção de anotações por Abd al-Masih e Salam Falaki

9.02 -- A conquista final de Meca (janeiro de 630 d.C.)

9.02.1 -- O que levou à campanha militar em Meca

Após o envio de Mu'ta, Muhammad permaneceu os meses de Jumada al-Akhira (6º mês) e de Rajab (7º mês) em Medina. Então começaram hostilidades dos Banu Bakr ibn Abd Manat contra os khuzaitas enquanto estes acampavam perto de uma fonte de águas chamada “al-Watir”, nas terras baixas de Meca. O problema começou da seguinte maneira: Malik ibn Abbad, dos Banu al-Hadrami (que naquele tempo eram aliados de Aswad ibn Razn) foi comercializar na área dos Khuzaa e lá foi roubado e morto pelos khuzaitas.

Após isso, os Banu Bakr caíram sobre um khuzaita e o mataram. Então, pouco antes de aceitarem o islã, os khuzaitas mataram três filhos de Aswad ibn Razn al-Dili: Salma, Khultum e Dhuaib, em Arafa, próximo aos monumentos sagrados. Eles constituíam a coroa e nobreza dos Banu Kinana. Durante esse conflito entre os Banu Bakr e Khuz’a, o islã chegou a eles, o que os conteve e os ocupou por completo. Também fazia parte do contrato de aliança de Hudaibiya que qualquer um estava livre para fazer aliança com Muhammad ou com os coraixitas. Os Banu Bakr se aliaram aos coraixitas, os khuzaitas com Muhammad. Após o pacto de paz, os Banu al-Dil, que pertenciam aos Banu Bakr, quiseram se vingar dos khuzaitas por terem matado os filhos de al-Aswad. Nawfal ibn Mu'awiya, que era responsável pelos Banu al-Dil, saiu com seu povo e atacou, durante a noite, os khuzaitas, na nascente de Watir, e mataram um homem. Os coraixitas apoiaram os Banu Bakr com armas. Alguns até mesmo lutaram em segredo durante a noite em meio às suas fileiras, até que forçaram os khuza’a à área sagrada. Quando chegaram ali, os Banu Bakr gritaram: “Nawfal! Nós estamos na área sagrada, tema a Allah!” Ele, porém, falou com palavras ferozes: “Não há Allah hoje, Banu Bakr! Vinguem-se, porque durante minha vida vocês ainda cometerão numerosos excessos na área sagrada. Por que vocês ficam tímidos de se vingar aqui?”

Durante a noite em que os Banu Bakr atacaram a Khuza’a na nascente de Watir, eles mataram um nome chamado Munabbih, que tinha um problema no coração. Ele havia saído com Tamim ibn Asad, outro khuzaita, e disse a ele: “Salve-se, Tamim, porque eu, por Allah, estou tão bem quanto morto. Se me matarem ou não, de qualquer forma meu coração está muito fraco.” Tamim fugiu e escapou, mas Munabbih foi morto.

9.02.2 -- A jornada de ‘Amr ibn Salim a Muhamm

Quando os coraixitas e os Banu Bakr se uniram para lutar contra e ferir os Khuza’a, quebrando, assim, o acordo de aliança com Muhammad, já que os Khuza’a se tornaram aliados de Muhammad, ‘Amr ibn Salim, os khuzaita dos Banu Ka’b, foi a Muhammad em Medina. Sua jornada levou à conquista de Meca. ‘Amr foi e permaneceu de pé diante de Muhammad, que estava sentado na mesquita entre seu povo, e compôs esse poema:

Ó, Senhor! Eu evoco a Muhammad por casua da aliança entre o progenitor dele e o nosso. / Vocês eram como suas crianças e nós como seus pais. / Depois fizemos paz e não retiramos nossa mão. / Fique conosco! Que Allah o conceda a vitória que Ele tem preparado! / Convoque os servos de Allah, que eles nos ajudem. / Em seu meio está o mensageiro de Allah, / o que saca sua espada, / cuja face muda de cor quando insultado,* / com uma horda que ruge como o mar espumante. / Os coraixitas quebraram sua promessa, / e feriram a aliança firme, / e em sua baixeza aguardam por mim. / Eles pensam que buscarei alguém para ajudar. / Eles, os menores e mais fracos em número, / nos atacaram durante a noite em Watir e assassinaram, / enquanto nos prostrávamos para orar.
* Essa era a descrição de Muhammad por um de seus contemporâneos.

Muhammad disse: “Você terá ajuda, ‘Amr ibn Salim!” Foi então que uma nuvem do céu apareceu a Muhammad e ele disse: “Essa nuvem anuncia a vitória dos Banu Ka’b.”

9.02.3 -- A jornada de Budail ibn Warqa’ a Muhammad

Após Amr, também veio Budail ibn Warqa’ com um número de khuzaitas, que relataram a Muhammad o que acontecera a eles e como os coraixitas se juntaram com os Banu Bakr contra eles. Então eles retornaram a Meca. Muhammad disse a seu povo: “É como seu eu já pudesse ver Abu Sufyan vindo para fortalecer a aliança e ampliar o contrato.”

Budail e seus companheiros encontraram Abu Sufyan em Usfan. Realmente, os coraixitas enviaram-nos para fortalecer e extender o contrato, porquanto temiam as consequências do conflito. Abu Sufyan perguntou a Budail de onde ele vinha, já que suspeitava que ele visitara a Muhammad. Budail respondeu: “Eu estava com os khuzaitas nesse banco e dentro do vale.” Abu Sufyan perguntou: “Você não estava com Muhammad?” Budail respondeu: “Não!” Após isso Budail partir, Abu Sufyan disse: “Se ele estava em Medina, então ele alimentou seus camelos com caroços de tâmaras.” Então ele foi ao lugar onde Budail acampou e examinou o esterco do camelo e, ao encontrar caroços de tâmaras, ele disse: “Eu juro, por Allah, que Budail esteve com Muhammad.”

9.02.4 -- A chegada de Abu Sufyan em Medina

Quando Abu Sufyan chegou a Medina, ele seguiu seu caminho para ver sua filha Habiba. Quando ele quis se deitar na cama de Muhammad, ela a empurrou para o lado. Então ele perguntou: “De quem você gosta mais? De mim ou dessa cama?” Ela respondeu: “Essa é a cama do mensageiro de Allah e você é um idólatra impuro; portanto, eu não quero que você se sente nessa cama.” Ele respondeu: “Por Allah, você se tornou má desde nossa separação.” Então ele seguiu seu caminho até Muhammad e falou com ele. Mas Muhammad não deu qualquer resposta. Então ele foi a Abu Bakr e implorou a ele que intercedesse junto a Muhammad. Mas Abu Bakr se recusou. Então ele fez o mesmo pedido a Umar, que exclamou: “Eu deveria interceder por você a Muhammad? Por Allah, se eu tivesse poder para comandar nem que fosse uma formiga, eu a ordenaria a combatê-lo!” Então ele foi a Ali, cuja esposa Fátima estava com ele, e cujo pequenino filho Hassan estava engatinhando por ali, sob sua supervisão. Abu Sufyan disse-lhe: “Você é o mais próximo a ele. Eu vim aqui por conta de certo assunto e não quero retornar sem cumprir minha missão. Interceda junto a Muhammad em meu favor!” Ali disse: “Ai de você, Abu Sufyan, por Allah, Muhammad já tomou decisão e não há nada que possa ser feito para mudar isso.” Então Abu Sufyan se virou para Fátima e disse: “Ó, filha de Muhammad! Você não quer pedir que seu pequenino filho anuncie proteção mútua? Então ele seria senhor dos árabes até o fim dos tempos.” Ela respondeu: “Meu filho é novo demais para te garantir proteção; além disso, ninguém pode proteger alguém de Muhammad.” Então Abu Sufyan disse: “Ó, Abu Hassan, vejo que as circunstâncias são infavoráveis a mim. Me dê conselho!” Ali respondeu: “Por Allah, eu não sei de coisa alguma que poderia te ajudar, porém, você é o líder dos Banu Kinana. Vá e anuncie proteção mútua e volte para casa!” Abu Sufyan perguntou: “Você acha que isso valerá alguma coisa?” Ali respondeu: “Não, por Allah, eu não acho, mas não sei mais nada.” Abu Sufyan então foi ao lugar de adoração e disse: ‘Ó, povo, eu anuncio proteção mútua.” Então ele montou seu camelo e cavalgou de volta.

Quando retornou aos coraixitas e eles perguntaram-lhe que notícias trazia, ele disse: “Eu falei com Muhammad, mas ele não me deu qualquer resposta. Eu também não recebi qualquer coisa de bom de Abu Bakr, e Umar se mostrou nosso maior inimigo. Então fui a Ali. Ele foi o mais condescendente. Ele também me deu um pequeno conselho que eu segui. Mas, por Allah, não sei se servirá alguma coisa para nós.” Então eles perguntaram-lhe o que ele aconselhou, e quando ele contou-lhes, eles perguntaram: “Muhammad te deu permissão para fazer isso?” – “Não. Por Allah, o homem estava brincando comigo.” – “Então qual é o valor de suas palavras?” – “Nenhum, mas, por Allah*, eu não sabia mais o que fazer.”

* O uso constante do nome de Allah ao jurar representa uma violação constante do terceiro mandamento: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.” (Êxodo 20:7)

9.02.5 -- A preparação de Muhammad para conquistar Meca

Muhammad deu ordem para se armarem e ordenou que seu povo preparasse o necessário para uma campanha militar. Quando Abu Bakr visitou sua filha Aisha e a encontrou ocupada com os preparativos para a campanha militar, ele perguntou a ela: “Muhammad te ordenou a preparar as coisas?” – “Sim, a você também!” – “E aonde você acha que ele pretende ir?” – “Por Allah, eu não sei.” – Posteriormente, Muhammad disse ao povo que estava indo a Meca e os ordenou energicamente que preparassem o equipamento. Ele também orou: “Allah, elimine os espiões coraixitas e qualquer outra conversa, de modo que possamos tomar a terra deles de surpresa!”

9.02.6 -- A carta de aviso de Hatib

Uma vez que Muhammad tomou a decisão de marchar contra Meca, Hatib ibn Abi Balta escreveu uma carta aos coraixitas, na qual ele compartilhou com eles a decisão de Muhammad. Ele entregou a carta com a instrução a uma mulher de Muzaina, para que entregasse aos coraixitas. A mulher escondeu a carta em seu cabelo, trançou seus cabelos sobre ela e partiu. Muhammad, porém, recebeu do céu notícias sobre a ação de Hatib. Então ele enviou Ali e Zubair para que alcançassem a mulher que carregava consigo a carta de Hatib aos coraixitas. Eles a alcançaram em Khaliqa, onde os Banu Abi Ahmad viviam, a fizeram desmontar e buscaram em sua bagagem, sem encontrar qualquer coisa. Então Ali disse: “Eu juro por Allah que mentira alguma foi revelada ao profeta e que nenhuma mentira nos foi ordenada. Nos entregue a carta ou vamos despi-la!” Quando ela viu que ele falava sério, ela pediu que ele se virasse. Ela soltou suas tranças, tomou a carta e a entregou a Ali, que a levou a Muhammad. Então ele chamou a Hatib e o perguntou o que o levara a fazer isso. Ele respondeu: “Por Allah, eu creio em Allah e em seu mensageiro. Eu não mudei ou tomei outra fé. Eu também não tenho clã ou tribo entre os de Meca, mas um filho de minha esposa mora lá e eu quis mostrar-lhe favor.”

Umar exclamou: “Mensageiro de Allah, me permita arrancar-lhe a cabeça, porquanto ele é um hipócrita!” Muhammad, porém, respondeu: “Allah por acaso não observou os guerreiros no dia de Badr e disse-lhe: ‘Façam o que vocês querem, eu os perdoo!’” Em consideração aos atos de Hatib, o seguinte foi revelado a Muhammad: “1 Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos inimigos, demonstrando-lhes afeto..” Até onde diz: “4 Tivestes um excelente exemplo em Abraão e naqueles que o seguiram, quando disseram ao seu povo: Em verdade, não somos responsáveis por vossos atos e por tudo quando adorais, em lugar de Deus, Renegamos-vos e iniciar-se-á inimizade e um ódio duradouros entre nós e vós, a menos que creiais unicamente em Deus!’” (Sura al-Muntahana 60:1,4). Então Muhammad partiu e deixou Abu Rahm Kulthum ibn Hussain sobre Medina. Ele deixou Medina quando já se haviam passado 10 dias de Ramadan (9º mês). Ele jejuou e todo o povo com ele também, até que chegou a Kadid, entre Usfan e Amaj. Ali ele interrompeu o jejum.

9.02.7 -- O acampamento de Muhammad em Marr al-Zahran*

Muhammad saiu com 10 mil crentes até alcançar Marr al-Zahran. Os Banu Sulaim eram 700 homens e os Muzaina 10 mil. Segundo outros, o número dos Banu Sulaim era de mil homens, e havia números de crentes com ele de todas as outras tribos. Todos entre os Emigrantes e os Auxiliadores seguiram-no. Nenhum deles ficou para trás. Muhammad já havia acampado em Marr al-Zahran sem que uma única palavra sobre isso alcançasse os coraixitas. Eles não sabiam o que ele faria. Nessas noites, Abu Sufyan, Hakim ibn Hizam e Budail ibn Warqa’ saíram para tentar conseguir notícias do que Muhammad estava fazendo. Al-‘Abbas também saiu de Meca. Ele encontrou Muhammad no caminho para Juhfa** com sua família como emigrantes. Al-‘Abbas permaneceu até então em Meca e tinha o dever, com a permissão de Muhammad, de fornecer aos peregrinos algo para beberem.

* “Marr al-Zahran” fica a cerca de 25km a oeste de Meca.
** “Juhfa” fica no Mar Vermelho, cerca de 180km ao norte de Meca, no caminho entre Medina e Meca.

9.02.8 -- Abu Sufyan confessa o islã

Abu Sufyan e Abd Allah ibn Umaiyya também encontraram Muhammad. Em Niq al-‘Uqaab, entre Meca e Medina, eles tentaram se aproximar dele. Umm Salama contou-me isso e disse: “Ó, mensageiro de Allah, aqui está o filho de seu tio e o filho de sua tia e seu genro.” Muhammad respondeu: “Eu não quero saber coisa alguma deles. O filho de meu tio atacou minha honra e o filho de minha tia e meu genro disse palavras em Meca a meu respeito das quais nada sei. Quando essa resposta de Muhammad chegou a eles, Abu Sufyan, que tinha seu filho caçula consigo, disse: “Por Allah, ele precisa nos garantir entrada, caso contrário eu tomarei esse filho e viajarei pela terra com ele até morrermos de fome e sede!” Quando essas palavras chegaram a Muhammad, ele teve pena deles e os deixou entrar. Eles entraram e confessaram o islã.

Então Abu Sufyan compôs o seguinte poema:

Por sua vida, quando eu costumava carregar o estandarte, / sob o qual os cavaleiros de al-Lat buscaram conquistar / os cavaleiros de Muhammad, / eu pareci um que andava a tatear pelas trevas. / Mas agora chegou minha hora, / porque estou sendo guiado e sigo o guia. / Eu fui conduzido por outro, não me deixei guiar pelo coração. / Aquele a quem me esforcei para afastar, / me uniu a Allah. / Eu me esforcei para afastar o povo de Muhammad. / Eu não me contei entre os seus, / e ainda assim fui chamado por ele. / Eles são o que são. / Aquele que fala contrário ao entendimento deles / pode muito bem ter muito conhecimento, / mas ainda assim é reprovado e tido como mentiroso. / Embora eu não fosse um com o povo, / Eu me esforcei para agradá-los o tempo todo, / mesmo quando fui guiado corretamente. / Conte ao thaqifitas que não quero a guerra deles. / Digam a eles que eles devem ameaçar a outros, não a mim. / Eu não estive com o exército que atacou Amir, / minha língua e minhas mãos são inocentes. / Outras tribos vieram de lugares distantes, / estrangeiros de Saham e Surdud.

9.02.9 -- ‘Abbas se encontra com Abu Sufyan

“Quando Muhammad estava acampado em Marr al-Zahran, eu pensei,” explicou al-‘Abbas, “ai dos coraixitas! Por Allah, se Muhammad entrar em Meca à força antes que eles venham a pedir-lhe por misericórdia, então será o fim deles até o fim dos tempos. Portanto, eu montei al-Baida, a mula de Muhammad, e a cavalguei até al-Arak, pensando comigo mesmo que poderia encontrar alguém coletando madeira, vendendo leite ou fazendo negócios, que pudesse estar viajando a Meca e que pudesse contar aos coraixitas onde Muhammad estava, de modo que poderia sair e suplicar-lhe misericórdia antes de entrar com violência. Então eu jurei por Allah que eu mesmo iria a Meca na esperança de realizar algo.”

“Então eu cheguei para presenciar uma discussão entre Abu Sufyan e Budail ibn Warqa’. Abu Sufyan disse: ‘Eu nunca vi tantas tochas e tantos soldados quanto vi nesta noite!’ Budail respondeu: ‘Esses, por Allah, são os Khuza’a em uma campanha de guerra.’ Mas Abu Sufyan respondeu: ‘Os Khuza’a são poucos demais para terem tantas tochas e soldados!’”

“Eu exclamei: ‘Abu Handhala!’ Ele reconheceu minha voz e gritou: ‘Abu al-Fadl?’ – ‘Sou eu!’ – ‘O que você está fazendo? Você me é mais precioso do que meu pai e minha mãe!’ – ‘Ai de você, Abu Sufyan, aqui está Muhammad com seu povo! Ai dos coraixitas!’ – ‘O que eu deveria fazer? Eu alegremente daria meu pai e minha mãe a você.’ – ‘Por Allah, se ele o pegar, ele cortará sua cabeça. Suba atrás de mim nessa mula. Eu o lavarei a ele e implorarei por uma garantia de proteção por você!’ Ele montou e seu companheiro iniciou o retorno. Cada vez que passamos por um muçulmano, fomos desafiados: ‘Quem está aí?’ Tão logo viam a mula de Muhammad, na qual eu estava montado, eles exclamavam: ‘É o tio do mensageiro de Allah!’ Quando eu finalmente passei pelo fogo de Umar, ele exclamou: ‘Quem está ai?’ Então ele veio a mim. Quando ele viu Abu Sufyan na traseira da mula, ele exclamou: ‘Este é Abu Sufyan, o inimigo de Allah. Louvado seja Allah que o entregou a nós sem um tratado ou pacto.’ Então ele correu a Muhammad. Mas eu instiguei a mula e cheguei primeiro pouco antes dele. Eu saltei e entrei à tenda de Muhammad. Umar também veio e exclamou: ‘Ó, mensageiro de Allah! Aqui está Abu Sufyan, a quem Allah nos entregou sem tratado. Permita-me arrancar-lhe a cabeça!’ Eu disse: ‘Mensageiro de Allah, eu o tomei sob minha proteção.’ Então eu me sentei próximo a Muhammad, abracei sua cabeça e disse: ‘Por Allah, ninguém além de mim se aproximará dele nesta noite.’ Quando Umar continuou com mais acusações, eu disse: ‘Calma, Umar, por Allah, se ele pertencesse aos Banu ‘Adi ibn Ka’b, você não falaria isso. Mas você sabe que ele pertence aos filhos de Abd Manaf!’ Umar respondeu suavemente: ‘Abbas, por Allah, eu tenho mais prazer no dia de sua conversão do que na de meu pai, se ele tivesse se convertido, porque eu sei que isso trouxe grande alegria a Muhammad! Vá com ele a seu acampamento e o traga a mim amanhã de manhã!’ Eu o conduzi a meu acampamento e ele passou a noite comigo.”

“Na manhã seguinte eu fui novamente com ele a Muhammad. Quando Muhammad o viu, ele exclamou: ‘Ai de você, Abu Sufyan! Você ainda não compreende que não há Deus além de Allah?’ Ele respondeu: ‘Você é tão precioso para mim quanto meu pai e minha mãe. Como você é gentil, doce e terno para com seus parentes! Por Allah, eu creio que se houvesse outros deuses além de Allah, eles concordariam comigo!’ Muhammad respondeu: ‘Ai de você, Abu Sufyan, você ainda não reconhece que sou um mensageiro de Allah?’ Ele respondeu: ‘Você é tão precioso para mim quanto são meu pai e minha mãe. Quão gentil, doce e terno você é para com seus parentes. Mas, por Allah, quanto ao islã, ainda tenho resistências!’ Então ‘Abbas disse: ‘Ai de você! Se torne um muçulmano e confesse que não há Deus além de Allah e que Muhammad é o mensageiro de Allah, antes que alguém arranque sua cabeça!’ Então ele confessou e se tornou muçulmano. Então eu disse a Muhammad: ‘Abu Sufyan é um homem orgulhoso! Dê a ele o que ele quer!’ Muhammad disse: ‘Bom, quem entrar na casa de Abu Sufyan estará em segurança, bem como aqueles que se trancarem em casa ou aqueles que entrarem na área da Caaba.’”

9.02.10 -- Abu Sufyan vê as hordas de Allah

Quando Abu Sufyan quis partir, Muhammad disse a ‘Abbas: “O detenha na parte estreita do vale, onde a montanha se projeta para fora, de modo que ele veja os exércitos de Allah passando.” – “Eu obedeci a essa ordem,” ‘Abbas explicou, “e as tribos passaram com seus estandartes. Sempre que um grupo passava, ele perguntava: ‘Quem são esses?’ Quando eu mencionei Sulaym, ele disse: ‘O que esses de Sulaym têm a ver comigo?’ Ele disse o mesmo quando Muzaina e os outros passaram, cujos nomes ele me pediu que dissesse. Quando Muhammad finalmente passou com o exército aço-cinza (eles eram chamados de ‘exército verde escuro’* por causa das muitas armas que se projetavam e por causa das armaduras de ferro), ele disse: ‘Louvado seja o Senhor! ‘Abbas, quem são esses?’ Eu respondi: ‘Este é o mensageiro de Allah como os Emigrantes e Auxiliadores.’ Então ele exclamou: ‘Por Allah, pai de Fadl, ninguém será capaz de fazer qualquer coisa contra esses. O rei de seu sobrinho se tornou poderoso!’ Eu respondi: ‘O profeta!’ Ele perguntou: ‘E agora?’ Eu respondi: ‘Se apresse para seu próprio povo!’” Quando ele chegou a eles, ele gritou com alta voz: “Ó, coraixitas! Muhammad avança de tal maneira que nenhuma oposição é possível. Quem entrar na casa de Abu Sufyan estará a salvo!” Hind, a filha de ‘Utba, se levantou, agarrou-lhe pelo bigode e disse: “Mate os imundos, inútil, que já está vanguardiando o inimigo!” Abu Sufyan disse: “Ai de vocês! Não se deixem enganar por ela! Algo está vindo, contra o qual vocês não têm poder. Quem entrar na casa de Abu Sufyan estará a salvo!” Então eles exclamaram: “Que Allah te mate! Que ajuda sua casa pode oferecer a nós?” Então ele disse: “Quem fechar a porta atrás de si também estará a salvo, bem como aqueles que entrarem no perímetro da Caaba.” Então o povo se espalhou. Alguns se trancaram em suas casas, enquanto outros foram à área da Caaba.

* O exército “verde escuro” se referia aos guerreiros com suas armaduras brilhantes verde-cinza, que eram os cavaleiros mais bem preparados.

9.02.11 -- A chegada de Muhammad a Dhu Tawa

Abd Allah ibn Abi Bakr me contou: “Quando Muhammad chegou a Dhu Tawa e viu a vitória que a graça de Allah lhe havia concedido, ele se levantou de sua sela, se cobriu com parte de seu sobretudo vermelho listrado e, humildemente, curvou sua fronte diante de Allah, de modo que sua barba quase tocou o meio de sua sela.” Quando Muhammad ficou em Dhu Tawa, Abu Quhafa disse a uma de suas filhas, que era um de seus filhos ainda criança: “Ó, minha filhinha, me ajude a subir a Abu Qabis (uma montanha perto de Meca).” (Ele era cego.) Quando ela o conduziu a subir a montanha, ele perguntou: “O que você vê, minha filhinha?” Ela respondeu: “Eu vejo uma massa escura toda espremida.” “São cavaleiros,” ele disse. “Eu também vejo”, ela continuou, “um homem correndo indo e vindo por trás da massa verde escura.” Ele disse: “Esse é o comandante e o líder dos cavaleiros.” Ela disse mais: “Por Allah, a massa verde está aumentando.” Ele disse: “Isso significa que os cavaleiros estão saindo, me leve para casa rápido!” Ela desceu a montanha com ele, mas os cavaleiros o encontraram antes que chegasse à sua casa. Um dos cavaleiros arrancou o colar de prata que a menina usava em seu pescoço.

Enquanto Muhammad estava na Caaba, Abu Bakr veio trazendo seu pai até ele. Muhammad perguntou: “Por que você não deixa o velho em sua casa, de modo que eu possa visitá-lo lá?” Abu Bakr respondeu: “Pareceu-lhe mais adequado visitá-lo do que ser visitado por você.” Ele estava sentado diante do velho, tocou-lhe no peito e disse: “Se torne muçulmano!” E ele confessou o islã. O cabelo do homem, quando entrou com Abu Bakr, parecia o de uma flor silvestre. Muhammad disse: “Deixe o cabelo dele diferente!” Abu Bakr, então, agarrou a mão de sua irmã e disse: “Eu te suplico por Allah e pelo islã, devolva o colar de minha irmã.” Ainda assim, ninguém respondeu. Então ele disse: “Ó, minha irmã, esconda seu colar ou o mantenha em um lugar seguro! Por Allah, honestidade é uma coisa rara nesses dias!”

9.02.12 -- Como Muhammad conquistou Meca (janeiro de 630 d.C.)

Abd Allah ibn Najih relatou: “Quando Muhammad estava arranjando suas tropas quando partiram para Dhu Tawa, ele ordenou Zubair que marchasse a partir de Kuda com uma divisão. Ele comandou a asa esquerda. Sa'd ibn Ubada deveria se mover com um destacamento de Kadaa.” Alguns estudiosos mantêm que Sa'd disse o seguinte quando entrou: “Hoje é um dia de guerra. Hoje o lugar santo será profanado!” Um emigrante (a saber, Umar), que ouviu isso, disse a Muhammad: “Ouça o que Sa'd disse! Não temos certeza, mas ele atacará os coraixitas.” Então Muhammad disse a Ali: “O alcance, tome a bandeira e fique com ela!” Abd Allah também relatou: “Khalid ibn Walid, que comandava a asa direita, recebeu instrução para entrar pelo caminho de al-Lit, ao longo das áreas baixas de Meca. Os Banu Aslam, Sulaim, Muzaina, Juhaina e outras tribos beduínas estava com ele. Abu Ubaida ibn al-Jarrah marchou em direção a Meca com hordas de crentes à frente de Muhammad. O próprio Muhammad fez sua entrada via Adsakhir. Quando chegou ao ponto alto, acima de Meca, ele armou sua tenda ali.”

9.02.13 -- Os homens de Khadama resistem

Safwan ibn Umaiyya, ‘Ikrima ibn Abi Jahl e Suhail ibn Amr ajuntaram pessoas em Khandama a fim de conduzi-los contra Muhammad. Himas ibn Qays, um irmão dos Banu Bakr, forjou e improvisou armas antes da chegada de Muhammad. Sua esposa o perguntou por que necessitava de armamento. Ele respondeu: “Contra Muhammad e seus companheiros!” Então ela disse: "“Por Allah, eu não acho que alguém possa prevalecer contra Muhammad e seus companheiros.” Ele respondeu: “Espero trazer um deles como escravo para você.”

Então ele seguiu seu caminho para Khadama, para encontrar Suhail, Safwan e Ikrima. Quando os crentes da divisão de Khalid os encontraram, então começou um pequeno conflito entre eles. Kurz ibn Jabir e Khunais ibn Khalid, um aliado dos Banu Munqidh, que se aproximou vindo de outro caminho, separado de Khalid, foram mortos. Khunais caiu primeiro. Kurz o pôs entre suas pernas e o protegeu até que ele, também, foi morto. Entre os cavaleiros de Khalid, Salama ibn al-Maila, da tribo de Juhaina, também caiu. Doze ou treze homens dos descrentes foram mortos, e então fugiram. Himas também fugiu para sua casa e ordenou que sua esposa trancasse a porta.

A senha dos companheiros de Muhammad no dia da conquista de Meca, bem como de Hunain e Ta’if, foi: “Ó, filhos de Abd al-Rahman!”; para os emigrantes, “Ó, filhos de Abd Allah!”; e para os khazraj e os Aus, “Ó, filhos de Ubaid Allah!”

9.02.14 -- As pessoas que Muhammad ordenou que fossem executadas

Muhammad ordenou a seus emires a lutar apenas contra quem se opusesse a eles quando entrassem em Meca. Mas ele nomeou algumas pessoas que definitivamente deveriam ser mortas, ainda que tivessem se escondido por trás das cortinas da Caaba.* A eles pertencia Sa'd**, um irmão dos Banu Amir ibn Lu’ayy. Ele havia se convertido ao islã, escrevido a revelação por Muhammad e depois se apostatou e retornou aos coraixitas. Agora ela havia fugido para seu irmão Uthman ibn ‘Affan, que o levou a Muhammad, quando as coisas já estavam resolvidas, e suplicou por seu perdão. É dito que Muhammad aguardou muito antes de atender ao pedido de Uthman. Quando Uthman partiu, Muhammad disse a seus companheiros: “Eu fiquei em silêncio esperando que um de vocês se levantasse e arrancasse a cabeça de Sa'd.” Um dos auxiliadores disse: “Então por que você não me deu um sinal?” Muhammad respondeu: “Um profeta não mata por sinais.” Ibn Sa'd se converteu (ao islã) novamente. Umar e depois Uthman fizeram dele um governador.

* Os julgamentos de guerra e as vinganças de Muhammad visivam fortalecer e e estabelecer seu governo em Meca.
** Ibn Sa'd foi um dos homens conhecidos por transcrever o alcorão.

Além dele, Abd Allah ibn Khatal, dos Banu Taim ibn Ghalib, também deveria ser morto. Ele também havia se convertido ao islã. Muhammad o enviara com um auxiliador para coletar os impostos dos pobres. Ele tinha um ex-escravo muçulmano consigo, o qual o servia. Quando fizeram uma parada ao longo do caminho, ele ordenou que seu servo matasse um carneiro e preparasse-lhe uma refeição. Mas seu servo caiu no sono. Quando Abd Allah acordou e não encontrou refeição preparada, ele atacou a seu servo e o matou. Então ele caiu de volta à idolatria. Ele também tinha duas cantoras (uma se chamava Fartana) que cantavam músicas zombando de Muhammad. Elas também deveriam ser mortas, junto de seu mestre.

Al-Huwairith ibn Nuqaidh, que havia maltratado Muhammad em Meca, também deveria ser executado. Quando al-‘Abbas conduziu Fátima e Umm Kulthum para fora de Meca, a fim de levá-los a Muhammad em Medina, Huwairith as golpeou e caíram ao chão. Miqyas ibn Hubaba também deveria ser executado porque matou um auxiliar que acidentalmente matou seu irmão e depois retornou aos coraixitgas como politeísta.

Sara, um ex-escravo de um homem dos Banu Abd al-Muttalib, e ‘Ikrima ibn Abi Jahl, também deveriam ser executados. Sara insultou Muhammad em Meca. ‘Ikrima fugiu para o Iêmen. Sua esposa, Umm Hakim, a filha de Harith ibn Hisham, se converteram e imploraram a Muhammad que perdoasse a ‘Ikrimas. Muhammad o perdoou. Então ela saiu à sua procura, o levou a Muhammad e ele se tornou um muçulmano. Abd Allah ibn Khatal foi morto por Sa'id ibn Huraith Makhzumi e Abu Barza al-Aslami, que agiram juntos. Miqyas foi morto por Numaila, um homem de seu clã.

A respeito das duas cantoras de ibn Khatal, uma foi morta e a outra escapou e depois foi perdoada por Muhammad. Sara também obteve perdão. Morreu durante o califado de Umar, no vale de Meca, vítima do coice de um cavalo. Huwairith foi morto por Ali. Umm Hani, a filha de Abu Talib, relatou: “Quando Muhammad parou por um momento nas partes altas de Meca, dois dos makhzumitas dos parentes de meu sogro fugiram até mim. Meu irmão veio e gritou: ‘Por Allah, eu vou matá-los!’ Eu os tranquei dentro de minha casa e fui a Muhammad, que estava se lavando em um vaso de madeira, que ainda continha os restos de uma massa, enquanto sua filha Fátima segurava-lhe suas roupas para si. Quando terminou de se lavar, ele vestiu suas roupas e fez a oração da manhã com oito prostrações. Então ele foi a mim, me comprimentou e me perguntou o que me trazia até ele. Eu contei-lhe sobre os dois homens e sobre a intensão de Ali. Então ele disse: ‘A quem você protege nós também protegemos, e a quem você dá segurança, nós também damos segurança. Ele não pode matar a esses dois!’ Os dois eram al-Harith ibn Hisham e Zubair ibn Abi Umaiyya.”

9.02.15 -- Muhammad circumbula a Caaba

Após Muhammad fixar residência em Meca e tudo se acalmar, ele circumbulou o lugar sagrado sete vezes em seu camelo e tocou o pilar com um cajado curvado em seu topo. Quando terminou de andar à volta do santuário, ele chamou Uthman ibn Abi Talha, tomou a chave da Caaba dele, a abriu e entrou. Dentro ele encontrou um pombo feito de madeira de aloeira, o qual ele quebrou e lançou fora. Então ele permaneceu de pé, à porta da Caaba, enquanto as pessoas ficavam à volta e aguardando na mesquita. Um estudioso me relatou: “Quando Muhammad ficou de pé ao portão da Caaba, ele disse: ‘Não há Deus além de Allah. Ele não tem parceiros. Allah cumpriu sua promessa e ajudou ao seu servo. Ele sozinho fez os inimigos correrem. Cada privilégio, cada dívida de sangue e cada roubo de dinheiro, para os quais ainda sejam feitas demandas, eu agora as elimino, com exceção para os cuidados do templo e a provisão de água aos peregrinos. Para a morte acidental com chicote ou vara, uma expiação considerável deve ser paga: cem camelos, sendo quarenta deles em gestação. Ó, coraixitas, Allah retirou de vocês a veneração aos ancestrais e a arrogância do paganismo. Toda a humanidade vem de Adão, e Adão foi criado da terra.’ Então ele recitou-lhes o seguinte verso: ‘Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Deus, é o mais temente.’ (Sura al-Hujurat 49:13). Então continuou: ‘Ó, coraixitas, o que vocês esperam de mim?’ Eles responderam: ‘Apenas o bem, você é um irmão e primo nobre e generoso!’ Ele respondeu: ‘Vão! Vocês estão livres!’* Muhammad, então, se sentou e Ali se aproximou com a chave da Caaba em mão e disse: ‘Que Allah seja misericordioso por você, mensageiro de Allah. Vamos unir a custódia do templo e provisão de água aos peregrinos!’ Muhammad perguntou: ‘Onde está Uthman ibn Talha?’ Então ele foi chamado e Muhammad disse: ‘Aqui está sua chave, Uthman, hoje é um dia de honestidade e de fidelidade.’”

* O sermão triunfal de Muhammad na Caaba, após sua vitória sobre Meca, é deprimente. Não há agradecimento a Deus e nem oração de adoração. O sermão da vitória consiste meramente de regulamentos legais e de humilhação para o inimigo. O islã permanece sob a lei e tempo pouco a oferecer além de leis.

9.02.16 -- Bilal chama à oração na Caaba

Quando Muhammad entrou na Caaba com Bilal, no ano da conquista, ele o ordenou a chamar à oração. Abu Sufyan ibn Harb, ‘Attaab ibn Asid e Harith ibn Hismah estavam sentados no canto da Caaba. ‘Ataab ibn Asid disse: “Allah foi misericordioso para com Asid, pois não o deixou ouvir isso, porque ele teria ficado furioso.” Harith falou: “Por Allah, se eu soubesse que ele estava falando a verdade, eu o teria seguido.” Abu Sufyan adicionou: “Eu não direi coisa alguma, porque se eu falar, essas pedras me trairiam.” Muhammad saiu e disse: “Eu sei do que vocês estavam falando,” e ele repetiu-lhes suas palavras a eles. Al-Harith e ‘Attaab ibn Asid então disseram: “Nós confessamos que você é um mensageiro de Allah porque, por Allah, não há nenhum conosco que soubesse disso e que poderia ter dito isso.”

9.02.17 -- O sermão de Muhammad no dia seguinte à conquista

Al-Khuza’i relatou: “Quando Amr ibn Zubair veio a Meca, a fim de lutar contra seu irmão, Abd Allah, eu fui a ele e disse-lhe: ‘Nós estávamos presentes quando Muhammad conquistou Meca.’ Muhammad disse em seu sermão: ‘Ó, povo! Allah consagrou Meca no dia em que fez os céus e a terra. Ela permanecerá sagrada até o Dia da Ressurreição. Nenhum crente está autorizado a derramar sangue nesta cidade ou a derrubar uma árvore. Não foi permitido antes e não será permitido após mim. Foi permitido a mim apenas nesta hora porque Allah estava furioso com seus habitantes. Então a cidade se tornou solo sagrado novamente, como antes. Que aqueles presentes anunciem isso aos ausentes. Se alguém disser a vocês: ‘Muhammad guerreou nela,’ então respondam: ‘Allah permitiu isso a seu mensageiro, mas não a vocês.’ Ó, khuzaitas! Se abstenham de assassinatos, mesmo quando isso significar vantagem a vocês! Já houve mortes demais! Vocês cometeram um assassinato pelo qual eu pagarei o dinheiro da expiação. Se alguém for posteriormente morto, então os parentes do assassinado têm a escolha entre o sangue e o dinheiro da expiação.’* Muhammad, então, pagou o dinheiro da expiação por aquele que fora morto pelos khuzaitas.”

* O segundo sermão de Muhammad também, além de confirmar a “santidade de Meca”, não conteve coisa alguma além de leis emergenciais, ordenanças e proibições. A consagração de Meca significou que Allah fez Meca, e especialmente a área de Caaba, inviolável. Um muçulmano está proibido de derramar sangue ou de fazer guerra em Meca e na área da Caaba.
A proibição de guerra e de morte em Meca foi quebrada mais de uma vez em 1979, durante a ocupação e libertação da mesquita central, quando agitadores muçulmanos foram derrotados por armas modernas e tropas auxiliares de tanto nações muçulmanas quanto não-muçulmanas. Os membros da família unidade francesa antiterrorismo tiveram de se converter formalmente ao islã!

9.02.18 -- A conversa dos auxiliadores

Após a conquista de Meca, Muhammad ficou de pé em Safa e orou. Os auxiliares que estavam à sua volta falaram entre si: “Você acha que Muhammad ficará nesta terra conquistada?” Quando Muhammad completou sua oração, ele os perguntou sobre o que estavam falando e os pressionou até que eles o contaram. Então ele respondeu: “Eu me refugio em Allah; eu viverei e morrerei com vocês.”

9.02.19 -- Quando Fadaala quis matar a Muhammad

Fadaala ibn ‘Umayr ibn al-Mulawwih al-Laithi quis matar Muhammad no ano da conquista, enquanto ele circunambulava a Caaba. Quando ele se aproximou, Muhammad perguntou: “Você é Fadaala?” Ele respondeu: “Sim, mensageiro de Allah.” “O que você quer fazer?”, Muhammad perguntou. Ele respondeu: “Nada, eu estava pensando em Allah.” Muhammad sorriu e disse: “Implore a Allah por perdão!” Então ele pôs sua mão sobre seu peito e imediatamente seu coração descansou. “Por Allah,” Fadaala relatou, “ele ainda nem havia retirado sua mão de meu peito e ele já era para mim a criação mais preciosa de Allah. Então eu voltei para minha família.”

9.02.20 -- Safwan ibn Umaiyya

Safwan ibn Umaiyya fugiu para Jidda, a fim de tomar um barco para o Iêmen. ‘Umayr ibn Wahb disse: “Ó, profeta de Allah, Safwan, o governador de seu povo, fugiu de você para se lançar ao mar. Conceda-lhe proteção! Que Allah também seja misericordioso para consigo!” Muhammad disse: “Garanto proteção a ele!” Então ‘Umayr disse: “Ó, mensageiro de Allah, me dê um sinal, um com o qual ele possa reconhecer seu perdão.” Muhammad entregou-lhe o turbante que usara durante sua entrada em Meca. ‘Umayr foi com ele a Safwan, que já estava pronto, aguardando seu embarque, e disse-lhe: “Ó, Safwan, você é mais precioso para mim do que um pai ou uma mãe. Allah! Allah! Você está prestes a se arruinar. Eu estou trazendo aqui a garantia de proteção de Muhammad.” Safwan respondeu: “Ai de você! Vá embora e não fale mais de mim! Você é mais precioso para mim do que meus pais, mas seu primo é a pessoa mais boa, pura, moderada e melhor que há. A força dele é sua força, a honra dele é sua honra e o reino dele é seu reino. Mas eu temo por minha vida.” – “Ele também é nobre e manso para não tirar sua vida.” Então ‘Umayr o levou de volta a Muhammad, a quem Safwan disse: “Esse homem diz que você me deu garantia de proteção.” – “Ele falou a verdade!” – “Então me dê dois meses para pensar a respeito!” – “Você terá quatro meses para pensar!”.

9.03 -- A campanha de Hunain e suas consequências (janeiro a março de 630 d.C.)

9.03.1 -- As palavras de Duraid ibn al-Simma

Uma vez que Malik decidiu sair contra Muhammad, seu povo teve de levar consigo suas posses, suas esposas e suas crianças. Quando ele acampava em Autas, o povo se ajuntou à sua volta, entre os quais também estava Duraid, que fora carregado em uma liteira. Quando Duraid desceu, ele perguntou: “Em que vale desmontamos?” Responderam-lhe: “Em Autas.” Então ele disse: “Este é um bom lugar de batalha para os cavaleiros, não é muito irregular e pedregoso, e também não é muito fofo e volátil. Mas por que eu ouço camelos, o zurro de burros, o grito de crianças e o balido de ovelhas?” Responderam-lhe: “Malik quis que o povo trouxesse junto suas posses, suas esposas e suas crianças.” Então ele perguntou por Malik e, quando ele foi chamado, ele disse: “Malik, você é o líder de seu povo e neste dia você decidirá o destino de todos os outros. Por que eu ouço o som de camelos e burros, bem como o grito de crianças e de ovelhas?” Malik respondeu: “Eu ordenei que o povo trouxesse suas posses, suas esposas e suas crianças.” – “E por que?” – “Eu quis que cada homem tivesse sua família e suas posses atrás de si, de modo que eles pudessem lutar ainda mais por eles.” Duraid clicou com a língua e disse: “Você é um pastor de ovelhas! Por Allah, algo pode deter um homem que está fugindo? Se você há de ser vitorioso, então apenas o homem com espada e lança pode te valer. Se você for derrotado, você será envergonhado com sua família e com suas posses.” Então ele perguntou: “O que Ka’b e Kilab estão fazendo?” Alguém respondeu: “Nenhum deles está aqui.” Então ele disse: “Então também não há empolgação e nem iniciativa. Se hoje fosse um dia de glória e de honra, então esses dois não estariam ausentes. Eu esperava que você tivesse feito o mesmo que Ka’b e Kilab. Quem dentre vocês está aqui?” Eles responderam: “Amr ibn Amir e Auf ibn Amir.” Ele disse: “Esses são dois clãs de Amir que não ajudam e nem atrapalham. Malik, você não fez nada enviando os melhores dentre os Hawazin, tanto quanto os cavalos da cavalaria. Leve-os a um lugar elevado e seguro de sua terra. Então deixe os moços montarem os cavalos. Se você for vitorioso, então os que estiverem para trás virão a você. Se você for derrotado, então isso afetará apenas a você e você terá salvado suas posses e sua família.”

Malik jurou por Allah que não faria isso. “Você já está velho,” ele disse a Duraid, “e sua razão está sendo afetada por sua idade. Por Allah, se os hawazin não me obedecerem, eu me lançarei sobre minha espada até que ela saia pelo meu outro lado.” Ele não quis seguir o conselho de Duraid. Os hawazin gritaram: “Nós o obedeceremos!” Então Duraid disse: “Eu nunca vi ou vivenciei um dia como esse! Ó, se eu fosse um jovem nessa batalha, troteando de um lado para o outro, arrancando cabeças e espalhando o medo!”

Então Malik comandou: “Quando vocês virem o inimigo desembainhem suas espadas e ataquem como se fossem um único homem!” Umaiyya ibn Abd Allah me contou que fora contado a ele que Malik ibn Auf teria enviado espiões. Eles retornaram com suas juntas deslocadas. Malik exclamou: “Ai de vocês! O que aconteceu?” Eles responderam: “Nós vimos homens brancos em cavalos malhados e, por Allah, antes de cairmos em si, nos aconteceu o que você vê.” Mas, por Allah, esse acontecido não o impediu de dar prosseguimento aos seus intentos.

9.03.2 -- O envio de Ibn Abi Hadrad

Quando Muhammad ouviu sobre os hawazin, ele enviou Abd Allah ibn Abi Hadrad al-Aslami a eles. Ele o ordenou a se esconder e a permanecer o máximo possível para descobrir as intenções deles, e depois retornar para infomar-lhe sobre eles. Abd Allah foi ao acampamento e ficou tempo suficiente para saber que eles estavam se armando e planejando uma guerra contra Muhammad. Então ele retornou a Muhammad e contou-lhe as notícias. Como Muhammad tomou a decisão de sair contra eles, ele soube que Safwan ibn Umaiyya, que naquele tempo ainda era um pagão, tinha alguns armamentos e muitas armas. Ele disse-lhe: “Nos empreste suas armas para usarmos amanhã contra nosso inimigo.” Safwan respondeu: “Você quer tomá-las à força?” Muhammad respondeu: “Nós apenas queremos tomá-las emprestadas e cuidar bem delas, a fim de devolvê-las depois.” “Então está bem,” Safwan respondeu, “eu não tenho coisa alguma contra isso!” Ele entrou cem cotas de malha e as armas que estavam com as cotas. É dito que Muhammad solicitou que ele fornecesse o transporte para carregá-las e que ele assim o fez.

9.03.3 -- A partida de Muhammad (janeiro de 630 d.C.)

Muhammad preparou 2 mil mecanos e 10 mil companheiros. Ao todo, 12 mil homens. Ele apontou ‘Ataab ibn Asid ibn Abi al-Is ibn Umaiyya como emir sobre os que ficaram para trás, em Meca. Então ele saiu contra os hawazin.

Zuhri me relatou sobre Sinan ibn Abi Sinan, que ouviu de Harith ibn Malik: “Nós seguimos com Muhammad a Hunain*. Pouco antes disso, nós ainda estávamos no paganismo. Os descrentes entre os coraixitas e os beduínos iam anualmente visitar uma grande árvore verde. Ela tinha o nome de Dhatu al-Anwat. Eles penduraram suas armas nos galhos, sacrificaram e passaram o dia inteiro próximos a ela. Quando marchamos embora, vimos uma grande árvore de lótus, de modo que exclamamos: “Ó, mensageiro de Allah, nos dê um Dhat al-Anwat, como os outros também têm!” Muhammad falou: “Allah é grande! Por aquele em quem a alma de Muhammad repousa, vocês falam como o povo de Moisés falou-lhe: ‘138 Ó Moisés, faze-nos um deus como os seus deuses! Respondeu-lhes: Sois um povo de insipientes! 139 Porque em verdade, tudo quanto eles adorarem aniquilá-los-á, e em vão será tudo quanto fizerem. (Sura al-A’raf 7:138,139)’”

* Hunain fica cerca de 100km a leste de Meca.

9.03.4 -- Os muçulmanos fogem

Assim me relatou de Abd al-Rahman ibn Jabir, cujo pai teria lhe dito: “Quando chegamos ao vale de Hunain, descemos por uma ravina inclinada antes de amanhecer. Mas o inimigo já havia ocupado o vale antes de nós e estava preparado para nos emboscar com armamento completo nos cânions, curvas e em passagens estreitas. Antes de percebermos algo, eles nos atacaram como se fossem um único homem, então fugimos rapidamente, sem que um desse atenção ao outro.

9.03.5 -- Muhammad permanece firme

Mas Muhammad se virou à direita e gritou: “Por aqui, povo, a mim! Eu sou o mensageiro de Allah. Eu sou Muhammad ibn Abd Allah”, mas o povo fugiu para ainda mais longe, e o que os camelos carregavam estava tudo desorganizado. Alguns auxiliadores individuais, emigrantes e membros da família, porém, ficaram com Muhammad. Jabir declarou: “Um dos hawazitas montava um camelo avermelhado. Em sua mão ele tinha uma bandeira preta amarrada a uma longa lança. Ele ficava à cabeça dos hawazitas. Quando ele podia se aproximar de um oponente, ele o feria com sua longa lança. Quando os crentes se afastaram dele, ele ergueu a lança ao ar, e aquele atrás de si fez o seguiu. Quando aqueles de mente maldosa entre os mecanos e que marcharam com Muhammad viram os outros fugindo, alguns deles expressaram seu ressentimento. Abu Sufyan ibn Harb zombou: ‘Eles fugirão até o mar.’ Ele tinha suas flechas de adivinhação (sem as pontas) em sua aljava. Jabala ibn al-Hanbal gritou: ‘Hoje a mágica de nada servirá!’ Safwan disse-lhe ‘Silêncio! Que Allah desmembre sua boca. Por Allah, eu preferiria ter um coraixita como senhor do que um hawazita.’ Shaiba ibn Uthamn disse: ‘Eu acho que me vingarei de Muhammad neste dia!’ – Seu pai fora morto em Uhud. – ‘Hoje eu matarei Muhammad.’ Então eu andei à volta de Muhammad com a intensão de matá-lo. Mas algo veio sobre mim e deteve meu coração, de modo que não pude fazer isso, e reconheci que eu não tinha poder sobre ele.”

9.03.6 -- A vitória após a fugat

Zuhri me relatou da parte de Kathir ibn ‘Abbas, cujo pai explicou-lhe: “Eu estava com Muhammad e conduzia sua mula branca com as rédeas quando ele chamou de volta àqueles que fugiam, mesmo quando nenhum deles prestou-lhe atenção. Então ele gritou: ‘Ó, ‘Abbas, grite em alta voz: Ó, hordas dos auxiliadores, ó, horas dos submissos!’ O povo respondeu: ‘Estamos aqui! Estamos aqui!’ Eles quiseram dar meia volta com seus camelos, mas não foram capazes. Então tiraram seus revestimentos de armadura e lançaram-nos sobre o pescoço de seus camelos. Então eles saltaram para o chão, de modo que podiam, com escudo e espada, limpar um caminho até Muhammad. Quando cem deles já estavam reunidos, eles saíram contra o inimigo e lutaram. Primeiro, o grito ainda era: ‘Ó, Auxiliadores!’, mas finalmente foi: ‘Ó, khazrajitas!’, porquanto eles foram bravos em batalha. Então Muhammad desmontou de seu camelo, foi aos guerreiros e gritou: ‘Agora a guerra está furiosa!’ Enquanto o hawazinita que estava carregando o estandarte continuou lutando para frente, da meneira descrita, Ali e um dos auxiliadores foram atrás dele. Ali se aproximou dele por trás e cerceou seu camelo pelas patas traseiras, de modo que ele caiu para trás. O auxiliador pulou sobre o homem e deu-lhe um golpe que lhe arrancou metade da perna, de modo que ele caiu da sela. Os auxiliadores lutaram tão bravamente que os outros – quando retornaram de sua luta – encontraram os prisioneiros já amarrados com Muhammad. Então Muhammad se virou para Abu Sufyan ibn al-Harith – que perseverara com ele e cuja conversão provou ser sincera – e perguntou: ‘Quem é você?’ Ele respondeu: ‘Eu sou o filho de sua mãe, mensageiro de Allah.’”

9.03.7 -- Umm Sulaim

Abd Allah ibn Abi Bakr me relatou: “Quando Muhammad se virou, ele viu Umm Sulaim, a filha de Milhan, cavalgando em sua direção. Seu marido Abu Talha e seu camelo a seguiam. Como ela estava grávida, ela pôs sua mão dentro do anel do nariz do camelo, com medo de que não pudesse conter o camelo de Abu Talha. Muhammad gritou: ‘É você, Umm Sulaim?’ Ela respondeu: ‘Sim,’ e disse mais: ‘Você é mais precioso para mim do que meu pai e minha mãe. Mate a todos os que fugiram diante de você e todos os que lutaram contra você. Eles merecem isso.’ Muhammad respondeu: ‘O próprio Allah é suficiente para puni-los, ó, Umm Sulaim!’ Então Muhammad a perguntou para que era a adaga que estava consigo. Ela respondeu: ‘É para matar o descrente que se aproximar de mim.’”

9.03.8 -- Abu Qatada e seus espólios de guerra

Abu Qatada disse: “No dia de Hunain, eu observei como um muçulmano lutava contra um idólatra. De repente, se aproximou um descrente, que queria ajudar seu companheiro. Eu caí contra ele e arranquei-lhe a mão. Porém, ele me agarrou com a outra mão e quis me estrangular. Ele teria conseguido me matar se não fosse pela perda de sangue que o esgotou. Então ele caiu ao chão e eu dei-lhe uma punhalada letal. Então a batalha me afastou do homem caído. Um mecano se aproximou e tomou o espólio dele. Quando a batalha terminou e já tínhamos derrotado o inimigo, Muhammad disse: ‘Quem tiver matado um inimigo pode ficar com o espólio do morto!’ Então eu disse: ‘Ó, mensageiro de Allah, eu matei um homem cujo espólio eu deveria ter tomado, mas a batalha me afastou dele e eu não sei quem o tomou em meu lugar.’ Então o mecano disse: ‘Ele diz a verdade, ó, mensageiro de Allah. Dê satisfação a ele em vez de mim.’ Mas Abu Bakr respondeu: ‘Nâo, por Allah, ele não o satisfará. Como você pretende se exaltar contra um dos leões de Allah, que luta por fé em Allah e que tem de compartilhar seu espólio? Devolva a ele o que você tomou como espólio do homem ferido!’ Muhammad disse: ‘Ele está certo; devolva-lhe o espólio.’ – ‘Eu o peguei’, continuou Abu Qatada, ‘os vendi e comprei com o lucro um pedaço de terra com tamareiras.’ No dia de Hunain, só Abu Qatada tomou os espólios de vinte homens feridos.’”

9.03.9 -- A ajuda dos anjos

Abu Ishaq ibn Yasar me relatou que Jubair disse-lhe: “Eu vi, antes do inimigo fugir, enquanto ainda rolava a batalha, como um muro preto desceu do céu e se pôs entre nós e o inimigo. Então vi formigas pretas se rastejando por todo o vale e não tive dúvidas de que eram anjos.* Isso imediatamente levou à fuga do inimigo.”

* Que superstição primitiva! Isso está mais perto da realidade de demônios do que da santidade dos mensageiros de Deus.

9.03.10 -- O que aconteceu após a batalha

Quando os hawazin fugiram, muitos dos Banu Malik estavam feridos. Não obstante, setenta homens permaneceram sob seu estandarte, entre eles, Uthman ibn Abd Allah, que carregou e defendeu o estandarte após a morte de Dhu al-Khimar (um apelido de Auf ibn Rabi’), até que ele, também, foi morto. Quando Muhammad ouviu sobre a morte de Uthman, ele disse: “Que Allah o amaldiçoe! Ele era um inimigo dos coraixitas!” Ya’qub ibn ‘Utba ibn al-Mughira me relatou: “Com Uthman foi morto um escravo cristão que não havia sido circuncisado.”

Quando um auxiliar encontrou os thaqifitas e o escravo incircunciso, ele gritou tão alto quanto pôde: “Ó, beduínos, Allah sabe que os thaqifitas são incircuncisos!” Mughira ibn Shu’ba, que temia que essas palavras alcançassem os beduínos, o agarrou pela mão e disse: “Não diga isso, porquanto você me é mais precioso do que pai ou mão. Esse homem é um de nossos escravos cristãos.” Então ele expôs outros corpos e exclamou: “Você não vê que todos eles são circuncisos?”

O estandarte dos aliados estava na mão de Qarib ibn al-Aswad. Quando os muçulmanos fugiram, ele inclinou o estandarte contra uma árvore partiu em fuga com seus primos e companheiros tribais, de modo que apenas dois homens dos aliados foram mortos: Wahb, dos Banu Ghiriya, e al-Julah, dos Banu Kubba. Mas os politeístas fugiram até Ta’if*, com Malik ibn Auf. Outros acamparam em Autas, enquanto outros, em todo caso, apenas os Banu Ghiyara de Thaqif, foram a Nakhla. Os cavaleiros de Muhammad perseguiram os Banu Ghiyara, mas não aqueles que se ocultaram nas montanhas.

* Ta’if fica nas altas montanhas, há cerca de 90km a sudeste de Meca.

9.03.11 -- Duraid ibn al-Simma se deixar matar

Rabi’a ibn Rufai’ alcançou Duraid ibn al-Simma. Ele pensou que fosse uma mulher porque estava sentado em uma liteira. Mas quando ele parou o camelo e ele se ajoelhou, ele encontrou um homem velho na liteira. Ele era Duraid, a quem o jovem não reconheceu. “O que você quer?” Duraid perguntou. “Matar-te,” respondeu o jovem. – “Quem é você?” – “Eu sou o Sulamita Rabi’a ibn Rufai’.” – Então ele balançou sua espada contra Duraid, mas sem efeito. Então Duraid disse: “Sua mãe o equipou com armas ruins. Pegue minha espada na parte de trás da liteira e golpeie logo acima da clavícula. É assim que eu costumava golpear os homens. Quando você retornar à sua mãe, diga a ela que você matou Duraid ibn al-Simma. Por Allah, foram muitos os dias em que protegi suas mulheres.”

Os Banu Sulaim alegam que Rabi’a disse: “Quando eu o matei, ele caiu ao chão e ficou exposto. Sua virilha e a parte interna de suas cochas não tinham cabelo, eram como papel, por causa de suas viagens.” Quando Rabi’a retornou à sua mãe e contou a ela sobre a morte de Duraid, ela disse: “Por Allah, você libertou três de suas mães!”

9.03.12 -- O fim da história de Abu ‘Amir

Abu ‘Amir encontrou dez irmãos no Dia de Autas. Eles pertenciam aos descrentes. Um deles o atacou. Abu ‘Amir se opôs a ele, o desafiou a se converter ao islã e disse: “Que Allah seja testemunha contra você!” Então ele o feriu e o matou após convocá-lo ao islã e ter tomado Allah como testemunha contra ele. Então ele matou um após o outro, até que, finalmente, o décimo o atacou. Quando Abu ‘Amir também clamou por Allah como testemunha contra o homem, o homem respondeu: “Ó, Allah, não seja testemunha contra mim!”, ao passo que ‘Amir parou de lutar. O descrente partiu e depois se tornou um bom muçulmano. Quando Muhammad o viu, ele disse: “Esse é o refugiado de Abu ‘Amir. Abu ‘Amir foi posteriormente morto por flechas dos irmãos Ala e Aufa, os filhos de Harith, dos Banu Jusham. Uma o atingiu na área do coração e a outra no joelho. Abu Musa então levou seu povo contra os dois homens e os mataram.

9.03.13 -- Muhammad proíbe a morte de mulheres

Um de meus amigos me relatou: “Muhammad um dia passou por uma mulher que fora morta por Khalid ibn Walid. Muitos se reuniram à volta dela. Muhammad perguntou: ‘O que aconteceu aqui?’ A ele responderam: ‘Essa é uma mulher que Khalid matou!’ Então Muhammad comissionou um dos presentes: ‘Alcance Khalid e diga a ele: ‘O mensageiro de Allah o proíbe de matar crianças, mulheres e servos.’”

9.03.14 -- Sobre Bijad e Shaima

Muhammad disse naquele dia: “Se vocês puserem as mãos em Bijad, um homem dos Banu Sa'd, não o deixem escapar. Ele cometeu um crime.” Quando os muçulmanos o sobrepujaram, eles o conduziram com sua família a Muhammad. Shaima, a filha de Harith ibn Abd al-‘Uzza, uma irmã de leite de Muhammad, também estava com ele. Quando ela foi tratada duramente durante o transporte, ela disse: “Vocês sabem, por Allah, que eu sou irmã de leite do mensageiro de Allah. Mas eles não acreditaram nela até que ela foi levada diante de Muhammad. Quando ela foi deixada diante dele, ela disse: “Ó, mensageiro de Allah! Eu sou sua irmã.” Ele perguntou: “Que tipo de marca distintiva você tem?” Ela respondeu: “A mordida em minhas costas que você deu uma vez que eu o tinha em meu colo.” Muhammad reconheceu a marca. Ele abriu uma capa diante dela e a fez se sentar sobre. Ele a deu a escolha de permanecer com ele, onde ela poderia ser apreciada e honrada, ou de retornar a seu povo com presentes. Ela escolheu retornar. Muhammad a deu presentes e a enviou de volta a seu povo. Segundo os Banu Sa'd, ele a deu um de seus escravos chamado Makhul e uma escrava, os quais se casaram e cujos descentes ainda existem. Allah revelou sobre o Dia de Hunain: “25 Deus vos socorreu em muitos campos de batalha - como aconteceu no dia de Hunain, quando vos ufanáveis...” (Sura al-Tawba 9:25).

9.03.15 -- A campanha de Ta’if (fevereiro de 630 d.C.)

Quando os refugiados de Thaqif chegaram a Ta’if, eles fecharam o portão atrás de si e fizeram seus preparativos para sua defesa.

* “Ta’if” fica nas montanhas elevadas, há 90km a sudeste de Meca.

‘Urwa ibn Mas’ud e Ghailan ibn Salama não estiveram presentes em Hunain e nem no cerco a Ta’if. Eles estavam em Jurash aprendendo a construir torres de cercos, catapultas e outros tipos de defesa.

Muhammad, de igual forma, seguiu a Ta’if após terminar a luta em Hunain. Ele passou por al-Nakhla al-Yamaaniyya (50km a leste de Meca), Qarn (115km a leste de Meca) e Mulaih, no lado de Buhra al-Rugha’, próximo a Liyya, onde ele construiu uma mesquita e orou. Em Buhra al-Rugha Muhammad executou um assassino.* Essa foi a primeira expiação de sangue no islã. O assassino era dos Banu Laith. Ele matara um homem de Hudhayl. Quando Muhammad estava em Liyya, ele destruiu o forte de Malik ibn Auf. Então ele saiu por um caminho chamado “al-Daiqa” (estreito, difícil). Mas ele o chamou de “al-Yusra”, (largo, fácil). Esse caminho o levou a Nakhb. Ele parou sob uma árvore de lótus que era chamada de “al-Sadirah”, próximo à propriedade de um thaqafita. Muhammad enviou uma palavra ao thaqafita: “Ou você sai até nós ou nós arruinaremos seu jardim!” E foi isso o que aconteceu quando ele não apareceu diante deles.

* Muhammad não apenas se via como o líder religioso de seu povo, mas também como governante responsável por todos os assuntos mundanos, judiciais e sociais.

Muhammad então continuou sua marcha até chegar próximo de Ta’if, e ali ergueu acampamento. Muitos de seu povo foram mortos por flechas porque acamparam muito perto do muro da cidade. Eles foram incapazes de avançar mais, já que os portões estavam trancados. Após alguns de seus companheiros serem mortos, Muhammad fez suas tropas acamparem no lugar onde hoje há uma mesquita. O cerco durou vinte dias. Muhammad tinha duas de suas espoas consigo; uma era Umm Salama, a filha de Abu Umaiyya. Ele ergueu tendas para elas e orou entre as tendas. Quando os thaqifitas se tornaram muçulmanos, Amr ibn Umaiyya construiu uma mesquita onde Muhammad orou. Durante o cerco, houve feroz batalha com troca de flechas. Muhammad lançou pedras para dentro da cidade com catapultas. Os moradores de Ta’if podem ter sido os primeiros a serem atacados por aríetes.*

* Que maneira de se fazer missão! Perseguições violentas, expedições de conquista, construindo mesquitas e defesas. O princípio da força reina no islã. Ele não é uma religião de paz, mas uma religião-estado, uma que exige completa submissão dos que foram conquistados.

No dia Dia de Shadka, alguns dos companheiros de Muhammad se aproximaram para sitiar o muro sob uma torre de cerco. Mas os thaqifitas jogaram argila brilhando de quente sobre eles, e quando os companheiros saíram da torre de cerco, eles os atingiram com flechas e mataram diversos homens. Então Muhammad ordenou que os vinhedos de Thaqif fossem cortados. Sua ordem foi executada imediatamente. Durante o cerco a Ta’if, Muhammad disse a Abu Bakr: “Eu tive uma visão de como uma tigela cheia de creme foi entregue a mim, e que um galo a bicou até que tudo se derramou.” Abu Bakr respondeu: “Dessa vez eu não acho que você alcançará seu objetivo contra os thaqifitas. Muhammad respondeu: “Nem eu acho!”.

Depois, Khuwaila, a filha de Hakim ibn Umaiyya, disse a Muhammad: “Se Allah o conceder a conquista de Ta’if, então me dê as jóias de Badia, a filha de Ghailan ibn Salama, ou as jóias de Faria, a filha de ‘Aqil!” – Essas duas pertenciam às mulheres mais bem adornadas de Thaqif. A esse pedido, Muhammad teria respondido: “E se não me for concedido poder sobre ele, ó Khuwaila?” Então Khuwaila foi a Umar e o informou essas palavras. Umar disse a Muhammad: “Que tipo de palavras foi essa que Khuwaila me contou de sua parte?” Muhammad respondeu: “Foram as que falei!” Umar perguntou: “Nenhum poder te foi concedido sobre a cidade?” “Não”, respondeu Muhammad. Umar respondeu: “Então me dê o comando para nos retirarmos!” “Faça isso”, Muhammad respondeu.

Quando Umar deu ordem para partir e o povo estava saindo, Sa'id ibn Ubaid gritou: “Então essa tripo continuará a existir!” ‘Uyayna ibn Hisn respondeu a isso: “Sim, de fato, por Allah, com fama e honra!” Então um dos crentes disse-lhe: “Que Allah o amaldiçoe, ‘Uyayna! Você louva os politeístas por terem se oposto ao mensageiro de Allah, mesmo após ter vindo para ajudá-lo?” – “Por Allah, eu não vim para lutar contra os thaqifitas. Eu apenas esperava que Muhammad conquistasse Ta’if para que eu pudesse pegar uma das meninas thaqifitas. Eu esperava que me nascesse um filho por meio dela, porque os thaqifitas são um povo inteligente.”*

* O propósito de casamento para os muçulmanos não é o companheirismo de um marido e de uma esposa, no sentido de união de espírito, alma e corpo. Alguns têm apenas o propósito de procriar para gerar filhos dotados e de sucesso, aumentando, assim, a fama e estima da própria tribo.

Enquanto Muhammad acampava diatne de Ta’if, alguns escravos daqueles que estavam cercados foram ter com ele. Eles se converteram aos ilã e Muhammad os concedeu liberdade.

Anos mais tarde, quando os habitantes de Ta’if se converteram ao islã, um dos thaqifitas falou sobre esses escravos que desertaram a Muhammad – ele foi al-Harith ibn Kadala. Mas Muhammad disse: “Eles foram libertados por Allah.” Os thaqifitas haviam tomada cativa a família de Qays al-Dausi, que havia se convertido ao islã e que saiu com Muhammad contra os thaqifitas. Os thaqifitas mantêm que são descendentes de Qays, e fundamentam sua reivindicação a Muhammad, que disse a Marwan ibn Qays: “Tome como refém para sua família o primeiro qaysita que você encontrar.” Marwan encontrou Ubayy ibn Malik al-Qushayri e o tomou cativo. Dahhak ibn Sufyan al-Kilabi tratou do assunto e falou com os thaqifitas, que imediatamente enviaram de volta a família de Marwan. Marwan também deixou Ubayy livre.

9.03.16 -- Os nomes dos muçulmanos que caíram no dia de Ta’if

Os seguintes muçulmanos caíram como mártires no Dia de Ta’if: dos Banu Umaiyya ibn Abd Shams: Sa'id ibn al-‘As e um de seus aliados (Ghurfuta ibn Jannab [Hubbab], da tribo Asid ibn al-Ghauth). Dos Banu Taim ibn Murra: Abd Allah ibn Abi Bakr, que foi ferido por uma flecha e, após a morte do profeta, morreu em Medina em decorrência de seu ferimento. Dos Banu Makhzum: Abd Allah ibn Abi Umaiyya ibn al-Mughira, como resultado do lançamento de uma lança. Dos Banu ‘Adi ibn Ka’b: Abd Allah ibn Amir Rabi’a, um de seus aliados. Dos Banu Sahm ibn Amr: Al-Saib ibn al-Harith ibn Qays ibn Adi e seu irmão Abd Allah. Dos Banu Sa'd ibn Laith: Julaiha ibn Abd Allah.

Dos auxiliadores, os seguintes: Thabit ibn al-Jadha’, dos Banu Salama e al-harith ibn Sahl, dos Banu MAzin. O número total dos companheiros de Muhammad que caíram foi doze. Houve sete coraixitas, quatro auxiliadores e um homem dos Banu Laith.*

* No começo de suas batalhas, os muçulmanos não estavam preparados para longos cercos de fortalezas e de cidades fortificadas; estavam muito mais preparados para guerras móveis e ataques rápidos.

De Ta’if, Muhammad foi para Dahna e ergueu acampamento com seu povo em Jirana (cerca de 8km ao norte de Meca). Muitos hawazin capturados estavam com ele. No dia em que partiram de Ta’if, um de seus companheiros o clamou para que amaldiçoasse os thaqifitas. Porém, Muhammad disse: “Que Allah guie os thaqifitas e os conduza a mim!” Em Ji’rana, uma delegação dos hawazin estve diante de Muhammad, onde ele mantinha consigo 6 mil mulheres e crianças, além de incontáveis camelos e ovelhas dos hawazin. Os representantes dos hawazin foram a Muhammad, após se converterem ao islã, e disseram: “Ó, mensageiro de Allah! Somos uma tribo e uma família. Você sabe o que nos aconteceu. Tenha misericórdia de nós! Allah também te será favorável!” Um dos hawazin, Abu Surad Zubair, dos Banu Sa'd ibn Bakr, se levantou e disse: “Ó, mensageiro de Allah! Entre seus prisioneiros estão seus tios maternos e paternos, bem como amas de leite que cuidaram de você. Se tivéssemos criado Harith ibn Abi Shimr ou Nu’man ibn al-Mundhir, e algo similar tivesse acontecido conosco, nós esperaríamos que ele tivesse misericórdia de nós e nos perdoasse. Você é o melhor dentre todos aqueles a quem é dada honra.”

Muhammad respondeu: “O que vocês mais prezam? Seus filhos e suas esposas ou suas posses?” Ele respondeu: “Ó, mensageiro de Allah! Você nos dá a escolha entre nossas posses e nossa honra? Certamente que nossas esposas e nossos filhos são mais preciosos.” Então Muhammad disse: “Sobre minha porção e aquela dos filhos de Abd al-Muttalib: esses nós daremos a vocês e, quando realizarmos a oração do meio dia, venham e digam: ‘imploramos pela intercessão do mensageiro de Allah com os crentes e a intercessão dos crentes com o mensageiro de Allah para que nossas esposas e nossos filhos retornem para nós!’ Então eu realizarei seu pedido e intercederei por vocês.” Quando Muhammad já havia orado, eles falaram da forma que Muhammad os havia instruído a fazer. Então Muhammad confirmou: “A respeito de minha porção e da porção dos filhos de Abd al-Muttalib, nós as damos a vocês!” Os imigrantes disseram: “Nós damos nossa porção ao mensageiro de Allah.” Os auxiliadores disseram o mesmo. Mas al-Aqra ibn Habis discordou: “No que diz respeito a mim e aos Banu Ta’min, nós não renunciaremos à nossa parte!” ‘Uyayna ibn Hisn disse: “Eu e os Banu Fazaara também não renunciaremos!” ‘Abbas ibn Mirdas também exigiu sua parte e a aquela dos Banu Sulaim. Mas os Banu Sulaim exclamaram: “Não! Nós damos o que é nosso ao mensageiro de Allah.” Então ‘Abbas disse aos Banu Sulaim: “Vocês me envergonham.” E Muhammad disse mais a isso: “Todos vocês que abriram mão de seus prisioneiros hão de receber, em cada futura ocasião, seis porções.” Abu Wayza Yazid ibn ‘Ubaid al-Sa'di me relatou: “Muhammad deu a Ali uma menina chamada Raita. Ela era a filha de Hilal ibn Hayyan. Ele deu Zainab, a filha de Hayyan, a Uthman ibn ‘Affan. Ele também deu a Umar uma menina, o qual a deu a seu filho Abd Allah.”*

* Muhammad deu meninas como escravas a seus amigos mais próximos como se elas fossem commodities sem vida.

Nafis, um ex-escravo de Abd Allah, relatou: “Eu enviei a menina a meu tio dos Banu Jumah para prepará-la e aprontá-la, porque eu primeiro queria andar à volta Caaba e depois ir até eles e viver com ela. Quando eu saí do santuário, um percebi um ajuntamento. Quando perguntei o que estava acontecendo, eles responderam: ‘Muhammad nos devolveu nossas esposas e nossas crianças!’ Então eu disse: “Sua mulher está com os Banu Jumah. Vão e peguem-na!’ Eles foram e a levaram de volta para casa.”

‘Uyayna ibn Hisn tomou uma velha mulher dos Hawazin, pensando que ela teria parentes na tribo que pagariam um bom resgate por ela. Quando Muhammad exigiu a libertação dos prisioneiros em troca de seis porções, ele não quis devolver a mulher. Então Zubair Abu Surad disse: “A deixe ir! Por Allah, a boca dela não é fresca, seu peito é plano, seu corpo não pode conceber, seu marido não tem prazer com ela e seu leite já se secou.” Após Zubair dizer essas palavras, ‘Uyayna ibn Hisn a deixou ir em troca de seis porções.*

* Não sua personalidade, mas o ganho que se poderia obter com ela determinou o destino dessa pobre mulher.

9.03.17 -- A conversão de Malik ibn ‘Auf al-Nasri

Muhammad perguntou sobre Malik ibn Auf aos delegados dos Hawazin. Eles responderam: “Ele está em Ta’if, com os thaqifitas.” Muhammad os comissionou a informá-lo que, caso ele viesse como crente, ele receberia de volta suas posses e cem camelos. Quando Malik ouviu isso, ele partiu de Ta’if e seguiu seu caminho até Muhammad. Por causa do medo que os thaquitifas poderiam ter, ele manteve um camelo pronto fora de Ta’if, e trouxeram-lhe um cavalo, sobre o qual ele cavalgou para fora da cidade durante a noite. No lugar acordado, seu camelo o estava esperando. Ele o montou e foi ter com Muhammad em Ji’rana. Outros dizem que foi em Meca. Muhammad o devolveu sua família e seus pertences, bem como cem camelos. Malik se tornou um bom muçulmano.*

* Malik foi mais um entre os vários que, com dinheiro, bens e com a libertação de seus familiares, se converteu ao islã.

Muhammad o pôs no comando das tribos que lhe pertenciam, os Thumala, Salima e Fahm, que também haviam aceitado o Islã. Malik lutou contra os Thaqifitas e os encurralou, porquanto atacara seus rebanhos.

9.03.18 -- A distribuição do espólio

Quando Muhammad retornou os prisioneiros de Hunain a seus familiares, ele partiu. Mas o povo o seguiu e disse: “Ó, mensageiro de Allah, divida entre nós os camelos e as ovelhas tomados como espólio.” Finalmente, eles o pressionaram contra uma árvore e arrancaram-lhe o sobretudo que vestida. Então ele gritou: “Ó, povo, devolvam meu sobretudo! Por Allah, ainda que vocês tivessem tomado como espólio tantos animais quanto há árvores em Tihama, eu ainda os dividiria entre vocês. Vocês nunca me viram ser ganancioso, covarde ou infiel ou violento.” Então ele se virou para um camelo, retirou um cabelo das costas, o pegou entre seus dedos e disse: “Ó, povo, além de um quinto, eu não peguei nem esse tanto de cabelo de sua parte do espólio, e ainda assim esse aqui será devolvido a vocês. Mas agora tragam tudo o que vocês roubaram – até fios e agulhas. O roubo traz, àquele que o faz em vergonha, o fogo do inferno e desgraça no Dia da Ressurreição.” Um dos auxiliadores trouxe um punhado de fios de cabelos e disse: “Ó, mensageiro de Allah, eu peguei isso para fazer um travesseiro para um camelo ferido.” Então Muhammad disse: “Eu renuncio à minha porção disso.” Ele quis dizer: “Se há uma má punição para isso, então eu não tenho nada a ver com isso,” e ele logou para longe de si.*

* A captura de espólios continuava sendo um dos principais motivos para Guerra Santa. Propriedades, construções, animais e pessoas eram considerados presentes especiais de Allah. A distribuição, porém, continuava sendo um ponto crítico. Muhammad continuava a exigir sua quinta parte dos espólios.
Jesus se conduziu de uma maneira muito diferente diante do dinheiro e das posses. Ele disse a Seus seguidores: “Vocês não podem servir a Deus e a mamon” (Mateus 6:24). Ele preferiu a pobreza e o contentamente em vez da ganância e das riquezas. A captura de espólios era algo impensável para Ele e Seus apóstolos. Jesus convocou os cristãos ao sacrifício e à abnegação, não à pilhagem.

Zaid ibn Aslam relatou da parte de seu pai: “Aqil bin Abu Talib veio no Dia de Hunain com uma espada suja de sanguea sua esposa Fátima, filha de Shaiba ibn Rabi’a. Então ela disse: ‘Vejo que você lutou. Que recompensa você traz dos descrentes?’ Ele respondeu: ‘Aqui, uma agulha com a qual você pode costurar suas roupas!’ E ele a deu a ela. Então ele ouviu como Muhammad disse: ‘Quem tiver pegado qualquer coisa, a devolva, ainda que sejam agulhas e fios!’ Imediatamente Aqil retornou e disse: ‘Eu acredito que sua agulha se foi!’ Ele a tomou a lançou ao resto de seu espólio.”

9.03.19 -- Muitos coraixitas oferecem presentes

Muhammad deu presentes a homens respeitados, a fim de conquistar o coração deles e de seus companheiros tribais.* Ele deu a Abu Sufyan cem camelos e também cem camelos a seu filho; o mesmo ele fez por Hakim ibn Hizam e Harith ibn Harith ibn Kalada, um irmão dos Banu Abd al-Dar. Além disso, aqueles que também receberam cem camelos foram Harith ibn Hisham, Suhail ibn Amr, Huwaitib ibn Abd al-‘Uzza ibn Abi Qays, Ala ibn Jariyya, um thaqifita, um aliado dos Banu Zuhra, ‘Uyayna ibn Hisn, Aqra ibn Habis, Malik ibn Auf e Safwan ibn Umaiyya. Outros coraixitas receberam menos de cem camelos. Entre eles, estavam Malhrama ibn Nawfal al-Zuhri, ‘Umayr ibn Wahb, al-Jumahi e Hisham ibn Amr, um irmão dos Banu Amr ibn Lu’ayy. Não sei mais exatamente quanto eles receberam, mas foi menos que cem camelos. Sa'id ibn Yarbu ibn Ankatha recebeu cinquenta e al-Sahmi também cinquenta. ‘Abbas ibn Mirdas recebeu de Muhammad apenas camelos machos. ‘Abbas teve isso contra Muhammad e repreendeu com os seguintes versos:

Muitos estavam fugindo, aos quais eu ordenei que parassem, / quando renovei meu ataque montado em meu cavalo, / mantendo acordados aqueles que queriam dormir. / Eu não dormi como dormiram os outros. / Mas o espólio a mim devido e a ‘Ubaid / foi dividido entre ‘Uyayna e al-Aqra. / Embora eu fui um guerreiro forte, / eu recebi apenas camelos novos, / quantos camelos quanto um camelo tem de pés. / Mas nem Hisn ou Habis superaram meus dois avôs / em seus bens, / nem eles superaram a mim. / Mas aquele que você humilha não mais se levantará.
* Muhammad manipulou seus ex-inimigos com grandes presentes. Ele os fez se acostumar ao islã. Ele suscitou neles a luxúria e ganância por riqueza e poder. Tudo isso Muhammad fez “em nome de Allah”, para o “crescimento do islã”.
Contrariamente, Jesus disse: “Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:33).
Jesus Cristo não seduziu Seus seguidores com ouro e prata, mas pôs diante deles o sacrifício, abnegação, o carregar a cruz e a perseguição por segui-lo.

Então Muhammad disse: “Tirem ele daqui e cortem sua língua!” Então eles o retiraram dali e deram-lhe quantos camelos ele desejou. Foi isso o que Muhammad quis dizer como “cortar-lhe” a língua.

Quando alguns coraixitas e outros pagaram homenagem a Muhammad, ele deu-lhes presentes no Dia de Ji’rana com o espólio de Hunain. Aqueles que pagaram-lhe homenagem foram: dos Banu Umaiyya: Abu Sufyan ibn Harb, Taliq ibn Sufyan ibn Umaiyya, Khalid ibn Asid. Dos Banu Abd al-Dar: Shaiba ibn Uthman, Abu al-Sanabil ibn Ba’kak, ‘Ikrima ibn Amir. Dos Banu Makhzum: Zuhair ibn Abi Umaiyya, Harith ibn Hisham, Khalid ibn Hisham, Hisham ibn Walid, Sufyan ibn Abd al-Asad e al-Saib ibn Abd al-Saib. Dos Banu ‘Adi ibn Ka’b: Mu-ti ibn al-Aswad, Abu Jahm ibn Hudhaifa. Dos Banu Jumah: Safwan ibn Umaiyya, Uhaiha ibn Umaiyya, ‘Umayr ibn Wahb. Dos Banu Sahm: Adi ibn Qays. Dos Banu Amir ibn Lu’ayy: Huwaitib ibn Abd al-‘Uzza e Hisham ibn Amr. De outras tribos: dos Banu Bakr ibn Abd Manat: Nawfal ibn Mu’awiya. Dos Banu Kilab, o ramo dos Banu Qays: ‘Alqama ibn Ulatha e Labid ibn Rabi’a. Dos Banu Amir ibn Rabi’a: Khalid ibn Haudha e Harmala ibn Haudha. Dos Banu Nasr: Malik ibn Auf. Dos Banu Sulaim: ‘Abbas ibn Mirdas. Dos Banu Fazaara, o ramo dos Ghatafan: ‘Uyayna ibn Hisn. Dos Banu Handhala, o ramo dos Banu Ta’mim: Al-Aqra ibn Habis, do clã dos Banu Mujashi ibn Darim. Muhammad ibn Ibrahim ibn al-Harith me relatou: “Um dos companheiros de Muhammad disse-lhe: ‘Ó, mensageiro de Allah, você seu tanto a ‘Uyayna quanto a al-Aqra cem camelos, mas pulou Ju’ail ibn Suraqa al-Damri!’ Muhammad respondeu: ‘Por aquele em que minha alma repousa, Ju’ail é melhor do que todas as outras pessoas na terra. Todos os outros são como ‘Uyayna e al-Aqra. Eu somente presenteei a esses dois para que eles se tornassem bons crentes, enquanto eu já tenho total confiança e fé de Ju’ail’”

89.03.20 -- A contradição de Dhu al-Khuwaisira al-Tamimi

Um homem chamado de Dhu al-Khuwaisira se apresentou diante de Muhammad, enquanto este presenteava o povo, e disse: “Ó, Muhammad, eu vi o que você fez hoje.” Muhammad respondeu: “Então, o que você acha disso?” Ele respondeu: “Eu vejo que você não foi justo.”* Muhammad ficou furioso e gritou: “Ai de você! Se eu não sou justo, então quem é?” Umar perguntou a Muhammad se poderia matá-lo. Muhammad respondeu: “Não, deixe-o em paz! Ele encontrará seguidores que se aprofundarão tanto na religião até que sairão dela (isto é, até que abandonem a religião) como uma flecha sai do outro lado do alvo que ela acerta. Você olha à ponta e não há nada, o mesmo ocorre com a haste da flecha e o entalhe. Ela penetra antes que o sangue e o excremento possam se aderir a ela.”**

* As vozes de insatisfação em Medina estavam aumentando. Eles desaprovavam os generosos presentes diplomáticos de Muhammad que eram dados a antigos inimigos e senhores de Meca. Eles próprios, leais combatentes, receberam pouco ou nada.
** Essa hadice é disputada entre os orientalistas porque ela aparece em outras coleções se referindo a certos movimentos sectários dentro do islã, sendo inventada para legitimizer o combate contra eles.

Quando Muhammad deu presentes aos coraixitas e às outras tribos, sem nada dar aos auxiliadores (de Medina), Hassan ibn Thabit se incumbiu do seguinte poema:

A tristeza aumentou e a água cai livremente dos olhos, / eles estão inundados por correntes de lágrimas, vindo de um doloroso amor por Shamma, / a bela e esbelta, sem fraqueza ou imperfeição. / Mas deixem Shamma agora pois seu amor era muito fraco, / e amor fraco é o infortúnio daqueles cuja fraqueza é a união. / Venham ao mensageiro e dizem: / “Ó, você, em que os crentes entre todos os povos mais confiam, / por que o distante Sulaim recebe preferência em vez deles, / aqueles que o acolheram e que o apoiaram, / antes daqueles a quem Allah tem chamado de auxiliadores, / porque eles apoiaram a fé da liderança, / mesmo quando a guerre repetidamente mostrou-se furiosa? / Eles se apresseram para seguir o caminho de Allah, / e paciente se expuseram ao infortúnio, / ainda assim sem ansiedade ou desespero. / As pessoas se uniram contra nós por causa de você. / Nós não tivemos outra ajuda além da espada e da lança. / Nós lutamos contra eles e a ninguém poupamos, / e nada deixamos inacabado daquilo que nos foi revelado. / Os líderes da guerra odiaram nossa assembleia. / Quando a guerra estava feroz, nós fomos uma chama ardente. / Então expulsamos os hipócritas em Badr e permanecemos vitoriosos. / Nós fomos sua horda nas alturas de Uhud, / quando Mudhar uniu suas forças em arrogância. / Nós não fomos fracos e nem desanimados. / Eles não viram erro em nós, / mesmo quando todos os outros foram vacilantes.

9.03.21 -- O que os auxiliadores (de Medina) disseram

Quando Muhammad deu presentes aos coraixitas (de Meca) e às outras tribos e nada aos auxiliadores (de Medina), eles ficaram muito ofendidos. Eles deixaram todo tipo de palavra ser dita até que um deles disse: “Por Allah, Muhammad está voltando ao seu próprio povo!” Sa'd ibn Ubada foi a Muhammad e disse a ele: “Ó, mensageiro de Allah, os auxiliadores estão muito perturbardos por sua distribuição do espólio. Você o distribuiu entre os de sua tribo, deu aos de outras tribos grandes presentes enquanto os auxiliadores nada receberam.” Então Muhammad disse: “E o que você acha disso?” Sa'd respondeu: “Ó, mensageiro de Allah, eu nada sou além de um de meu próprio povo.” – “Então deixe seu povo vir aqui”, Muhammad respondeu, “para estar área fechada.” Sa'd reuniu os auxiliadores. Alguns emigrantes também foram. Alguns foram aceitos, outros retornaram.

Quando os auxiliadores estavam juntos, Sa'd noticiou ao profeta. Ele foi ter com eles e falou, após o louvor de costume a Allah: “Ó, auxiliadores, que conversa é essa que tenho ouvido de você e que dor é essa que entrou em seus corações? Eu não fui ter com vocês quando vocês estavam em erro e Allah não os conduziu? Vocês não estavam separados de Allah e Allah os enriqueceu? Vocês não estavam divididos entre si e Allah não uniu seus corações? Eles responderam: “Certamente, Allah e seu mensageiro foram bons e misericordiosos para conosco!”

“Então”, Muhammad disse, “por que vocês não me respondem?” Eles disseram: “O que deveríamos responder? Allah e seu mensageiro são mais importantes para nós.” Então Muhammad disse: “Por Allah, se vocês quiserem, vocês podem dizer com toda a verdade e credibilidade: ‘Quando você veio a nós, eles o chamavam de mentiroso, mas nós cremos em você. Você foi abandonado, nós o protegemos. Você foi expulso, nós o acolhemos. Você precisava de ajuda, nós o ajudamos.’* Vocês querem se preocupar por causa de ninharias mundanas que dei a outras pessoas a fim de ganhá-las para o islã, mesmo quando eu confio apenas em sua fé? Vocês ficariam satisfeitos se outros voltassem para casa com ovelhas e camelos, mas vocês voltassem com o mensageiro de Allah? Por aquele em quem a alma de Muhammad repousa, se não fosse pela migração, vocês desejariam ser um dos auxiliadores, e se todas as pessoas fossem para um lado e os auxiliadores para outro, eu seguiria os auxiliadores. Allah! Tenha misericórdia dos auxiliadores, de seus filhos e de seus netos!” O povo chorou tanto ao ponto de encharcarem suas barbas e dizerem: “Ó, mensageiro de Allah, estamos satisfeitos com nossa parte e com nossa cota!” Então Muhamamd partiu e o povo se dispersou.**

* Veja também Sura al-Duha 93:7-9.
** O diálogo que Muhammad teve com seus auxiliadores de Medina pode ser descrito como uma conquista de mestre na liderança humana. O islã estava correndo risco de rachar quando Muhammad apelou para a lealdade e fé de seus auxiliadores. Ele os deu uma escolha: eles também poderiam receber uma recompensa, como aqueles que estavam começando no islã, ou poderiam ter a garantia de sua presença e das revelações de Allah, mas sem ter uma parte do espólio. Posteriormente foi visto que seus auxiliadores frequentemente receberam muito dos espólios; eles não ficaram desprovidos.

9.03.22 -- A peregrinação menor de Ji’rana (março de 630 d.C.)

De Ji’rana, Muhammad partiu em peregrinação, deixando o resto do espólio em Majanna, com Marr al-Dharan. Quando a peregrinação terminou, ele retornou a Medina e apontou ‘Attaab ibn Asid como governador de Meca. Ele deixou Mu'adh ibn Jabal com ele, a fim de que pudesse instruir o povo no Alcorão e nada religião. O resto do espólio o acompanhou.

Quando Muhammad nomeou ‘Attaab governador de Meca, ele deu-lhe um dirham por dia para seu sustento. Quando ‘Attaab pregou um sermão, ele disse: “Que Allah deixe com fome aquele que ainda tem fome com um dirham! O mensageiro de Allah me concedeu um dirham por dia para meu sustento. Eu não preciso de coisa alguma de mais ninguém.”

* Similarmente, Paulo apontou Timóteo para dar prosseguimento ao trabalho em suas igrejas recém-fundadas, mesmo que sua responsabilidade nada tivesse a ver com política, defesa ou assunto legais. O Evangelho deveria ser pregado e estruturas de liderança espiritual deveriam ser estabelecidas. Também houve outros anciões qualificados apontados para cumprir esse propósito.

9.03.23 -- Ka’b ibn Zuhair encontra graça

Quando Muhammad retornou de Ta’if, Bujair ibn Zuhair escreveu a seu irmão Ka’b que Muhammad condenou diversas pessoas de Meca à morte e que o zombou e o maltratou. Tudo o que fora deixado para os poetas coraixitas foram Ibn al-Ziba’ra e Hubara ibn Abi Wahb, e eles fugiram para direções diferentes. Ele poderia, se quisesse, ir a Muhammad, porque Muhammad não havia executado ninguém que penitentemente fosse ter com ele. Ou Ka’b poderia tentar salvar sua vida indo para uma terra distante.

Quando Ka’b recebeu essa carta, ficou muito ansioso e perturbado. Ele temia por sua vida e seus inimigos à sua volta instigaram-lhe ainda mais medo dizendo: “Ele será morto!” Quando ele viu que não havia alternativa, ele compôs uma ode no qual louvava a Muhammad e mencionava o medo e pavor que os inimigos o causavam.

Então ele foi a Meca e desmontou perto de um conhecido da tribo de Juhaina. Em uma manhã, esse homem o conduziu a Muhammad, que estava realizando sua oração da manhã. Ele participou da oração, então apontou para Muhammad e disse ao poeta: “Este é o mensageiro de Allah! Se levante e suplique por misericórdia!” Conforme me foi relatado, ele foi a Muhammad, se sentou diante dele, tomou sua mão (Muhammad não o conhecia) e disse: “Ka’b ibn Zuhair vem como um crente arrependido para suplicar por sua misericórdia. Você o aceitará se eu o trouxer a você?” Muhammad respondeu: “Sim.” Então ele respondeu: “Eu sou Ka’b, mensageiro de Allah!” Um dos auxiliadores se levantou e gritou: “Permita-me, mensageiro de Allah, arrancar-lhe a cabeça!” Muhammad respondeu: “Deixe-o em paz, ele se converteu e é penitente!” Ka’b guardou ressentimento contra os auxiliadores por causa das palavras de um deles, embora os emigrantes tivessem apenas coisas boas a dizer sobre ele.

9.04 -- Teste

Prezado leitor,
Se você estudou com atenção esse volume, você facilmente será capaz de responder às seguintes questões. Quem responder corretamente 90% dessas questões, nos 11 volumes desta série, receberá de nosso centro um certificado escrito de reconhecimento em:

Estudos Avançados
da vida de Muhammad à luz do Evangelho

- como encorajamento para o futuro serviço para Cristo.

  1. O que levou à conquista final de Meca?
  2. Por que Abu Sufyan viajou para Medina? Como ocorreu sua conversão ao islã?
  3. Como Muhammad conquistou Meca?
  4. Quais pessoas Muhammad executou em Meca? Por que essas pessoas foram mortas?
  5. Que atos religiosos Muhammad realizou em Meca após conquistar sua cidade natal?
  6. O que Muhammad disse durante seu primeiro sermão em Meca?
  7. O que ocorreu durante a Batalha de Huanin? Como Muhammad levou à vitória?
  8. Após qual campanha Muhammad proibiu a morte das mulheres? Por que ele fez isso?
  9. O que ocorreu durante a campanha militar de Muhammad em Ta’if? Por que ele não teve sucesso em conquistar essa cidade?
  10. Por que Ka’b Zuhair obteve misericórdia de Muhammad?
  11. Como Muhammad recompensou indivíduos coraixitas após Meca se tornar islâmica?

Todo participante deste teste está autorizado, com o propósito de responder as questões, a usar qualquer livro disponível ou a questionar pessoas de confiança, conforme desejado. Aguardamos respostas escritas, incluindo seu endereço completo, seja em papel ou e-mail. Oramos a Jesus, o vivo Senhor, para que Ele possa chamá-lo, enviá-lo, fortalecê-lo e preservá-lo todos os dias de sua vida!

Unidos com você a serviço de Jesus,
Abd al-Masih e Salam Falaki.

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