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04. A VIDA DE MUHAMMAD SEGUNDO IBN HISHAM

8 - Os mecanos RECONHECEM a Muhammad (627 a 629 d.C.)

Campanhas militares posteriores (627 d.C.) - O reconhecimento de Muhammad pelos coraixitas (628 d.C.) - Antes da conquista de Meca (629 d.C.)


8.01 -- Titulo
8.02 -- Campanhas militares posteriores (627 d.C.)


8.01 -- Os mecanos RECONHECEM a Muhammad (627 a 629 d.C.)

Segundo Ibn Ishaq (falecido em 767 d.C.) Editado por Abd al-Malik Ibn Hischam (falecido em 834 d.C.)

Tradução original editada a partir do árabe por Alfred Guillaume

Uma seleção de anotações por Abd al-Masih e Salam Falaki

8.02 -- Campanhas militares posteriores (627 d.C.)

8.02.1 -- A campanha de vingança contra os Banu Lihyan em Ghuran* (setembro de 627 d.C.)

Muhammad permaneceu em Medina até o mês de Jumada al-Ula (5º mês). Quando começou o sexto mês após sua vitória sobre os Banu Qurayza, ele saiu contra os Banu Lihyan. Ele quis se vingar pelos guerreiros de Raji, Khubayb ibn Adi e seus companheiros. A fim de surpreender o inimigo, ele fingiu que estava indo à Síria. Segundo Ibn Hisham, ele deixou Ibn Umm Maktum sobre Medina e seguiu pelo caminho que leva a Ghurab (Ghurab é uma montanha que fica nos arredores de Medina, ao longo da estrada para a Síria). Então ele passou por Mahis e Batra, virou à esquerda e, passando por Bin e Sukhayrat al-Jamam, entrou em rota direta para Mahajja, que fica na estrada que dá para Meca. Dali, ele conduziu uma marcha forçada em direção a Ghuran, o lugar do acampamento dos Banu Lihyan. Ghuran é um vale que fica entre Amaj e Usfan. Ali, na localidade de Sa'ya, ele ergueu acampamento. O inimigo, porém, estava em guarda e já se havia entrincheirado nas montanhas. Quando Muhammad viu que seu plano falhou, ele disse: “Se formos em direção as Usfan, os de Meca acharão que estamos indo para Meca.” Então ele tomou 200 cavaleiros consigo e desceu em direção a Usfan. Dali ele enviou dois cavaleiros a Kura al-Ghamim. Quando eles voltaram, Muhammad também começou sua jornada de retorno. Jabir ibn Abd Allah relatou: “Eu ouvi como Muhammad disse em sua jornada de volta: ‘Estamos retornando (arrependidos desse equívoco) conforme a vontade de Allah,’ e ele louvou a Allah e implorou por sua ajuda com as dificuldades da viagem, pelo fato desagradável de mudar de propósitos e contra o Mau Olhado** que fora lançado contra nossa comunidade e nossos pertences.”

* Ghuran fica cerca de 80km a noroeste de Meca.
** A crença supersticiosa de que o olhar de uma pessoa invejosa pudesse ter influência negativa sobre uma pessoa é muito popular no Oriente Médio ainda hoje. O próprio Muhammad cria no poder do mau olhado.

8.02.2 -- A campanha de Dhu Qarad* (agosto de 627 d.C.)

Muhammad retornou para Medina, mas permaneceu apenas algumas noites ali, porquanto Uyayna ibn Hisn, o farasita, havia atacado os camelos de Muhammad na terra dos arbustos (a cerca de 15km ao norte de Medina), matou um homem dos Banu Ghifar e partiu com sua esposa e camelos. Ele imediatamente, acompanhado de um servo de Talha ibn ‘Ubayd Allah, que conduziu uma égua com ele, se apressou para os arbustos, levando arcos e flechas consigo. Quando ele subiu a colina de Wada, ele descobriu alguns cavaleiros inimigos. Então subiu por um lado de Sal e gritou: “Ó, que manhã!” Então ele os perseguiu como um animal selvagem, os alcançou e gritou a cada flecha atirada: “Tomem isso! Eu sou Ibn al-Aqwa! (a descrição mais ponderosa que ele fazia de si memso). Hoje é o dia do grupo vil.” Quando os cavaleiros se aproximaram dele, ele fugiu. Ele novamente os encontrou no caminho, atirou contra eles o tanto quanto pôde e gritou: “Tomem isso! Eu sou al-Aqwa! Hoje é o dia do grupo vil.” Um dos inimigos o respondeu: “Hoje você se tornará nosso escravo; o dia está só começando!” Muhammad ouviu o chamado de Ibn al-Aqwa e soou o alarme em Medina. Os cavaleiros rapidamente se reuniram a Muhammad. Ele determinou Sa’d ibn Zayd como cabeça sobre eles e disse-lhe: “Vá e encontre o inimigo. Eu seguirei com as tropas montadas.”

* “Dhu Qarad” fica a aproximadamente 20km ao norte de Medina.

Muhammad fez notar a Abu Ayyash: “Ó, Abu Ayyash! Você deveria ceder seu cavalo a um cavaleiro melhor. Ele alcançaria o inimigo.” Mas esse homem respondeu: “Ó, mensageiro de Allah, eu sou o melhor cavaleiro!” Ele conduziu adiante seu cavalo, mas mal havia coberto uma extensão de 50 ells antes de cair. Ele estava maravilhado com as palavras de Muhammad.

As tropas montadas perseguiram o inimigo até que o alcançaram. Asim afirmou que Muhriz, que era conhecido como “al-Akhzam” ou “Qumayr”, foi o primeiro a alcançar o inimigo. Isso aconteceu da seguinte forma: No jardim de Muhammad ibn Maslama, uma égua começou a andar nervosa logo que começou a ouvir o relinchar de outros cavalos. Ela era um animal excelente e bem descansado. Quando os homens dos Banu Abd al-Ashhal viram a égua, amarrada a uma tamareira, agitada, perguntaram a Qumayr se ele não queria montar a égua, de modo que poderia se juntar a Muhammad e a outros crentes. Ele concordou. Eles deram-lhe o cavalo. Logo ele deixou os outros cavaleiros para trás e alcançou o inimigo. Qumayr permaneceu de pé e gritou: “Parem, filhos de um perverso, até que os emigrantes e os auxiliadores os alcancem!” Um dos cavaleiros inimigos foi contra ele e o matou, de modo que o cavalo fugiu. Eles não puderam pegá-lo até que ficou parado à frente de uma cabana dos Banu Abd al-Ashhal. Além de Muhriz, nenhum outro muçulmano morreu. Ukkasha alcançou a Awbar e a seu filho, que montavam juntos a um camelo. Ele feriu a ambos com sua lança, de modo que morreram juntos. Diversos camelos foram recapturados. Muhammad foi tão longe quanto as montanhas de Dhu Qurad, onde os cavaleiros se reuniram à sua volta. Ali ele desmontou e passou um dia e uma noite. Por cada cem homens ele matou um camelo, de forma que suas tropas puderam se fortalecer. Então ele retornou a Meca.

8.02.3 -- A campanha contra os Banu al-Mustaliq* (janeiro de 627 ou 628 d.C.)

Muhammad permaneceu parte de Jumada al-Akhira (6º mês) e Rajab (7º mês) em Medina. Em Shaban (8º mês) do sexto anos após a emigração, ele saiu contra os Banu al-Mustaliq, um ramo dos Khuzaa. Antes de sair, ele deixou Abu Dharr al-Ghifari no comando de Medina.

* Os Banu al-Mustaliq viviam em uma região a cerca de 200km ao sul de Medina, aproximadamente a 160km de Meca. Ali ocorreu a batalha.
** Há uma diferença de opinião entre os muçulmanos a respeito da data dessa campanha. Alguns dizem que ela ocorreu antes, 5º ano da Hijra.

Muhammad ficou sabendo que os Banu Mustaliq, sob a liderança de Harith ibn Abi Dhirar, o pai de sua esposa Juwayriya, estavam trazendo tropas contra si. Portanto, Muhammad saiu para encontrar-se com eles nas nascentes de Muraysi, na região de Qudaid. Ali ocorreu a batalha. Allah fez os Banu al-Mustaliq fugirem, deixou alguns deles serem mortos e permitiu que Muhammad deles capturasse os filhos, esposas e pertences. Dos muçulmanos, Hisham ibn Subaba, dos Banu Kalb ibn Awf foi morto, Um auxilidador da família de Ubada ibn al-Samit equivocadamente o teve por inimigo, o matando.

Enquanto Muhammad estava acampado na nascente de Muraysi, um trabalhador de Umar ibn al-Khattab, chamado Yahyah ibn Mas’ud, levou seu cavalo para beber. Em meio à multidão ele encontrou a Sinan ibn Wabr al-Juhani, um dos aliados dos Banu Auf ibn al-Khazraj. Houve violência entre eles. O juhanita, então, exclamou: “Venham aqui, ó, auxiliadores!” Mas Yahyah gritou: “Venham aqui vocês da migração!” Abd Allah ibn Ubbay ficou furioso e disse a seu próprio povo à sua volta, entro os quais também estava um jovem chamado Zayd ibn Arqam: “Eles realmente fizeram isso? Eles disputam conosco em número e em fama em nossa própria terra. Por Allah, eu considero a nós e a esses vís coraixitas exatamente como um dos antigos disse: ‘Alimente bem a seu cão e ele te devorará. Mas, por Allah, ‘se voltássemos para Madina, o mais poderoso expulsaria dela o mais fraco.’ (Sura al-Munaqifun 63:8).’” Então voltou aos de sua própria tribo que estavam com ele e continuou: “Vocês fizeram isso a si mesmos. Vocês os autorizaram em sua terra e dividiram suas posses com eles. Por Allah, se vocês tivessem negado a eles o que vos pertence, eles teriam partido para outra terra.”*

* Uma hora crítica chegou para todos os muçulmanos quando um conflito entre os migrantes de Meca e os moradores de Medina – os Auxiliadores – começou. Velhas rivalidades e preconceitos vieram à tona. O conflito ameaçou até mesmo a própria existência do islã.

Zayd ibn Arqam ouviu tudo e contou a Muhammad, após o inimigo ser derrotado. Umar ibn al-Khattab, que estava presente, disse: “Ordene que Abbad ibn Bishr mate ele!” Muhammad respondeu: “Como eu poderia fazer isso, Umar? O povo deveria dizer que Muhammad mata a seus companheiros?”

Quando Abd Allah ouviu que Zayd contou essas palavras ao profeta, ele foi ter com ele e jurou por Allah que não havia dito isso. Como Abd Allah era muito honrado e estimado entre seu povo, um de seus companheiros disse a Muhammad: “Talvez o jovem cometeu um equívoco e não ouviu bem.” Ele disse isso por amor por Abd Allah e para obter perdão.

Quando Muhammad partiu e estava em seu caminho, Usayd ibn Hudhayr veio a seu encontro e o saudou da maneira costumaz com que se comprimentava ao profeta. Então ele disse: “Ó, Profeta de Allah! Por Allah, você partiu em um momento inoportuno!” Muhammad respondeu: “Você não ouviu o que seu amigo disse?” – “Que amigo, ó, mensageiro de Allah?” – “Abd Allah ibn Ubay.” – “O que ele disse?” – “Ele disse que quando retornar a Medina, o mais forte deverá expulsar ao mais fraco.” – “Por Allah, se você quiser, ó, mensageiro de Allah, você pode expulsá-lo, porquanto ele é fraco e você é forte. Mas tenha misericórdia dele, porque quando Allah o conduziu a nós, seu povo já havia preparado as pérolas da coroa para coroá-lo e ele acredita que você tomou seu reino.”

Então Muhammad viajou o dia, a noite e a manhã seguinte toda, até que o sol começou a arder no céu. Então ele desmontou. Eles mal haviam pisado o chão quando o sono os derrubou. Ele havia empregado essa marcha forçada de modo que não teria mais que se preocupar com o problema de Abd Allah. Após o descanso, Muhammad novamente partiu com o povo e passou por Hijaz até alcançar um buraco d’água acima de Naqi, chamado de Baq’a. Conforme continuou, se ergueu uma forte tempestade que foi muito preocupante e que fez o povo temer.

Muhammad notou: “Não temam; a tempestade* significa a morte de descrentes bastante estimados.” Quando chegaram a Medina, ouviram que Rifa’a ibn Zayd ibn Tabut, dos Banu Qaynuqa’, um dos judeus mais estimados, um forte apoiador dos hipócritas, havia morrido no mesmo dia.

* Jesus tinha poder para deter a tempestade para salvar a Seus seguidores (Mateus 8:23-27). Muhammad não tinha poder sobre as forças da natureza e supersticiosamente interpretou a tempestade como sinal de morte de um de seus inimigos judeus.

Essa ocasião deu lugar ao aparecimento da Sura na qual Allah menciona os hipócritas e a relaciona a Ibn Ubayy e seus seguidores (a Sura referida é a 63ª Sura do Alcorão, chamada de al-Munafiqun, “Os Hipócritas”). Quando foi revelada, Muhammad agarrou a orelha de Zayd ibn Arqam e disse: “Com suas orelhas, ele tem sido fiel a Allah.” Quando Abd Allah, o filho de Abd Allah ibn Ubay, ouviu o que foi falado sobre seu pai, ele foi – segundo o relato de Asim – a Muhammad e disse: “Ó, mensageiro de Allah! Fiquei sabendo que você quer matar meu pai por causa do que ouviu dele. Se ele realmente agiu assim, então me dê a ordem que eu trarei a cabeça dele. Por Allah, os khazrajitas sabem que ninguém entre eles tem sentimentos mais puros por nosso pai do que eu. Eu temo que você possa dar a ordem para matar meu pai a outra pessoa. Eu não suportaria ver o assassino de meu pai entre as pessoas. Eu acabaria o matando e, portanto, mataria a um crente em vez de um descrente e acabaria no inferno.”

Muhammad respondeu: “Não, nós queremos ser misericordiosos para com ele e tratá-lo bem como um companheiro enquanto habitar entre nós.”

Após esse incidente, Abd Allah foi, tal como sempre ocorria quando ele cometia um erro, reprovado e censurado pelos de sua própria tribo. Quando Muhammad viu isso, ele disse a Umar: “O que você acha, Umar? Se eu o tivesse matado no dia em que você queria, como resultado muitos ficariam furiosos, exatamente aqueles que o matariam imediatamente se eu assim desejasse.”* Umar respondeu: “Eu sei, por Allah, que as ordens do mensageiro de Allah são mais abençoadoras do que as minhas.”

* Para muitos muçulmanos era uma honra realizar os desejos de Muhammad de matar indivíduos adversários. Muhammad frequentemente ocasionou assassinatos.

No mesmo dia, Miqias ibn Subaba veio ter com Muhammad, de Mecca, dizendo ter se convertido ao Islã. Ele exigiu o dinheiro de sangue por seu irmão Hisham, que fora morto equivocadamente. Muhammad tinha o dinheiro de sangue para pagá-lo. No entanto, ele permaneceu apenas um curto tempo com Muhammad. Então ele atacou o homem que matara seu irmão e retornou a Mecca como apóstata.

8.02.4 -- Juwayriya, dos Banu al-Mustaliq, se torna uma das esposas de Muhammad (janeiro de 627 ou 628 d.C.)

Muhammad tinha tomado muitos prisioneiros, aos quais ele quis distribuir entre os crentes. Entre eles estava Juwayriya, que depois se tornaria sua esposa. Quando Muhammad distribuiu os prisioneiros dos Banu al-Mustaliq, Juwayriya caiu no lote de Thabit ibn Qays. Ela, no entanto, fez um contrato de liberdade com ele.

Juwayriya era uma mulher bonita, agradável, que conquistava a todos que a viam. Ela veio a Muhammad e pediu-lhe para obter ajuda com o seu resgate. Aisha a odiava antes mesmos que esta chegasse à entrada de sua câmara.* Aisha sabia que essa mulher impressionaria a Muhammad tanto quanto ela. Quando Jawayriya entrou em sua casa, ela disse: “Ó, Mensageiro de Allah! Eu sou Jawayriya, filha de Harith, filho de Abu Dirar, o Senhor de meu povo. Meu infortúnio é de seu conhecimento. Eu caí na porção dos Thabit ibn Qays’. Eu adquiri um contrato de fiança com ele e vim até você para te pedir que me ajude com a redenção.” – “Você quer algo melhor? O que? Eu te garantirei a fiança e me casarei com você.” – “Fico feliz, ó, Mensageiro de Allah!” – “Então está bem, que assim seja feito!”

* No harem de Muhammad, que às vezes teve até nove esposas, frequentemente não havia paz. Aisha e Hafsa ficavam juntas, a fim de lutar e tramar contra Umm Salama e Juwayriya. Portanto, é compreensível que Muhammad tenha revelado que a maioria dos habitantes do inferno é de mulheres ingratas.

Quando ficou sabido que Muhammad se casaria com Jawariya, os prisioneiros foram tidos como seus cunhados e liberados pelos crentes. Mais de cem chefes de família, conforme Aisha explicou, receberam liberdade por ocasião do casamento. Nunca uma mulher trouxe maior bênção do que Jawayriya trouxe.

Quando Muhammad retornou da campanha contra os Banu al-Mustaliq, ele a concedeu o auxiliador al-Jaysh in Dhat e ordenou-lhe que cuidasse dela enquanto estivesse em Medina. Neste meio tempo, o pai de Jawayriya, al-Harith, veio com o dinheiro da fiança de sua filha. Quando ele estava em ‘Aqiq, ele observou os camelos que trazia consigo. Como dois deles o agradavam especialmente, ele os escondeu nas ravinas de Aqiq. Então ele foi ter com Muhammad e disse-lhe: “Você tomou minha filha cativa. Aqui está o dinheiro de sua redenção!” Muhammad perguntou: “E quanto aos dois camelos que você escondeu na ravina Aqiq?” Com isso, al-Harith exclamou: “Eu confesso que não há Deus além de Allah e que você, Muhammad, é Seu Mensageiro. Por Allah, ninguém além de Allah poderia saber disso.” Dois dos filhos de al-Harith, bem como diversos dos homens de sua tribo, se converteram com ele, de modo que ele trouxe a ambos os camelos e os deu a Muhammad. Sua filha foi trazida consigo, a qual se tornou uma verdadeira crente. Muhammad pediu a seu pai a mão dela em casamento. Quando ele a deu a Muhammad, ele deu de todo 400 dirhams.

8.02.5 -- Como Aisha foi caluniada (janeiro de 627 ou 628 d.C.)

A própria Aisha explicou: “Sempre que Muhammad saia em viagem, ele lançava sortes entre suas esposas e levava consigo aquela sobre quem a sorte caía.* Na campanha contra os Banu al-Mustaliq, também foi lançado sorte. A sorte caiu sobre mim, então Muhammad partiu comigo. Dessa vez, as esposas se nutriram apenas com alimento simples. Elas não ficaram fortes e pesadas por meio do consumo de carne. Quando meu camelo estava pronto para viajar, eu me sentei na howdah. Os adestradores do camelo vieram, pegaram a howdah, a ergueram e a prenderam firmemente. Então tomaram o camelo pelas rédeas e o conduziram. Quando Muhammad retornou para casa após a campanha, ele viajou até uma estação próxima a Medina. Lá ele desmontou e passou a noite. Na manhã seguinte, ele deu a ordem para partir e o povo seguiu. Mas eu saí para cuidar de certas necessidades e estava usando um colar feito de pedras de Zafar.** Quando terminei, o colar caiu de meu pescoço sem que eu percebesse. Quando voltei ao camelo, eu percebi que o colar não estava mais ali. Então retornei ao lugar onde estive e o procurei até que o encontrei. Os adestradores de meu camelo, porém, não perceberam que eu havia novamente saído, porquanto meu camelo estava pronto. E como eles firmemente acreditaram que eu, como de costume, havia subido à howdah, eles a ergueram sobre o camelo, a prenderam e tocaram o camelo adiante. Portanto, quando retornei ao acampamento, nenhuma única pessoa estava lá. Todos eles já haviam partido. Então eu me cobri com o véu e me deitei no lugar onde estava, já que sabia que logo eles perceberiam que eu não estava entre eles. Enquanto eu estava lá, Safwan ibn al-Muattal, o sulamita, passou por ali. Ele estava para trás das tropas por causa de alguns negócios e não passou a noite com eles. Quando ele me percebeu, ele se aproximou de mim e ficou de pé à minha frente, porquanto ele já havia me visto antes, já que naquela época ainda não usávamos o véu. Ele exclamou: ‘Somos de Allah e para ele retornaremos!’*** É a esposa do Mensageiro de Allah!” Eu amarrei minhas vestes e quando ele perguntou ‘Por que você ficou para trás? Que Allah tenha misericórdia de você!’ Eu não respondi. Mas ele conduziu seu camelo até mim e disse; ‘Monte!’ Então ele se afastou. Quando o montei, ele o conduziu apresedamente para alcançarmos o povo. Mas, por Allah, nós não pudemos alcançá-los. E ninguém sentiu minha falta até a manhã seguinte, quando o povo desmontou.

* Mesmo durante as viagens e campanhas militares, Muhammad não praticou abstinência, chegando ao ponto de levar suas esposas para zonas de perigo. Ainda assim ele era o modelo de moral para os guerreiros islâmicos em Guerra Santa.
** O colar perdido de Aisha teria consequências histórias significativas.
*** A fórmula corânica (Sura al-Baqara 2:156) é pronunciava ainda hoje por muçulmanos em momentos de infortúnio ou de morte.

Como todos eles se deitaram para descansar, Safwan veio conduzindo meu camelo. Os mentirosos então inventaram uma calúnia bem conhecida e os soldados ficaram grandemente perturbados. Por Allah, eu, porém, não sabia coisa alguma disso. Nós mal havíamos chegado a Medina quando eu fiquei muito doente, de modo que não fiquei sabendo de toda a conversa. Certamente a conversa chegou até Muhammad e meus pais, mas eles nada mencionaram a mim. Porém, de Muhammad eu perdi o afeto e a simpatia com que ele geralmente me tratava quando eu não estava bem. Isso me desagradou, porque quando ele veio a mim, enquanto minha mãe cuidava de mim, ele apenas perguntou: ‘Como você está?’, e nada mais. Isso me perturbou, e quando eu senti sua severidade, eu disse: ‘Se você me permitir, Mensageiro de Allah, eu irei à minha mãe e ela cuidará de mim.’ Ele respondeu: ‘Nada te impede.’

Fui à minha mãe ainda sem saber da calúnia, até que depois de vinte dias eu já havia me recuperado da enfermidade. Naquele tempo, nós vivíamos como os beduínos e não tínhamos, como os persas, banheiro em casa, porquanto isso nos era desgostoso. Nós sempre íamos para fora a fim de nos aliviarmos. As mulheres iam de noite. Uma noite eu também saí para me aliviar. Além de mim estava Umm Mistah, a filha de Abu Ruhm ibn al-Muttalib. Conforme ia, ela se despiu de suas longas vestes e exclamou: ‘Que Mistah venha à destruição!’ Mistah era o apelido de Awf. Então eu respondi: ‘Por Allah, você disse uma coisa muito feia sobre um homem que lutou em Badr.’ Ela respondeu: ‘Filha de Abu Bakr, você não sabe o que aconteceu?’ Então ela me contou o que os mentirosos estavam dizendo. Eu perguntei: ‘Isso é verdade?’ Ela respondeu: ‘Sim, por Allah.’ Eu rapidamente retornei e nem pude me aliviar. Eu não pude parar de chorar até que pensei que meu coração fosse explodir.

Eu disse a minha mãe: ‘Que Allah te perdoe! As pessoas estão falando assim e assim e você não me contou!’ Ela respondeu: ‘Minha filha, não se importe com isso! Por Allah, há apenas poucas mulheres bonitas e que são amadas por seus maridos das quais os competidores não falam muito.’

Nesse meio tempo, Muhammad teve uma conversa, sem que eu soubesse sobre isso, na qual ele, após louvar a Allah, disse: ‘Ó, povo, porque alguns homens estão me irritando com uma conversa sobre minha família e dizendo inverdades sobre Aisha? Por Allah, eu somente sei coisas boas dela.’ Eles também disseram coisas similares de um homem de quem eu, por Allah, sei apenas coisas boas e que, sem acompanhamento, jamais entrou em qualquer uma de minhas habitações. A pior conversa veio de Abd Allah ibn Ubayy e de alguns dos khazrajitas. Também houve conversa de Mistah e Hamna, a filha de Jahsh, cuja irmã Zainab também era uma das esposas de Muhammad. Essa tentava disputar minha posição de favorita de Muhammad. Mas Zainab manteve sua fé em Allah, de modo que ela somente falou bem de mim. Hamna, porém, que me odiava por causa de sua irmã, espalhou maldades a meu respeito e, assim, causou muito sofrimento a ela.

Quando Muhammad falou, Usayd ibn Hudhayr disse: ‘Ó, Mensageiro de Allah! Se o povo são os awsitas, então os acalmaremos por você. Se são os khazrajitas, nossos irmãos, então nos dê a ordem, porque, por Allah, eles merecem ser decaptados.’ Sa'd ibn Ubada se levantou, sendo que até ali era considerado um homem devoto, e disse: ‘Por Allah, você somente disse isso porque sabe que são os khazrajitas. Se fossem os awsitas, você não teria falado assim. Mas, por Allah, eles não devem ser decaptados!’ Usayd respondeu: ‘Você está mentindo, por Allah, você é um hipócrita e se mistura aos hipócritas!’ Houve um tumulto entre o povo que quase se tornou uma briga entre awsitas e khazrajitas.

Após isso, Muhammad saiu do púlpito e veio à nossa morada. Ele chamou a Ali e Usama ibn Zayd e pediu-lhes sua opinião. Usama disse: ‘Nós somente temos coisas boas a dizer de sua esposa. Isso tudo são mentiras e papo furado!’

Quanto a Ali, ele fez observar: ‘Ó, Mensageiro de Allah! Há muitas mulheres e você pode trazer uma delas. Pergunte à escrava dela; ela te contará a verdade.’*

* A declaração negativa de Ali e sua esposa Fatima, a filha de Muhammad, que descendia da família nobre de Khadija, incitou ódio e causou um profundo rompimento entre as famílias de Abu Bakr e de Umar, de um lado, e da de Ali e Fátima, do outro lado. Esse ódio cresceu ainda mais e impediu Ali de se tornar seguidor de Muhammad. Posteriormente, levou à eliminação dos dois filhos de Ali, Hassan e Hussein. O colar perdido de Aisha serviu para dividir o islã em dois grupos: xiitas e sunitas.

Muhammad chamou a Barira (a moça escrava) a fim de questioná-la. Ali a esbofeteou e exigiu que ela dissesse a verdade a Muhammad. Ela disse: ‘Por Allah, eu só tenho coisas boas a dizer dela; eu não tenho nada de reprovável a dizer sobre ela além de que uma vez eu preparava uma massa e pedi que ela ficasse de olho, mas ela dormiu e uma ovelha veio e a comeu toda.’

Então Muhammad se sentou comigo (meu pais estavam comigo e uma mulher dos Auxiliadores, que chorava comigo) e disse, após louvar a Allah: ‘Você com certeza ouviu o que o povo está dizendo, Aisha. Tema Allah! Se você fez o que é errado, como o povo diz, então se arrependa diante de Allah, porquanto Allah aceita o arrependimento de Seus servos.’ Ele mal havia começado a falar quando minhas lágrias caíram e eu nem mais as percebi. Eu esperava que meus pais respondessem em meu lugar, mas eles ficaram em silêncio, e eu considerei a mim mesma, por Allah, pequena demais e insignificante para nutrir a esperança de que Allah fosse revelar algo em meu favor, que viesse a ser lido no Alcorão nas mesquistas e usado como oração. A única coisa que eu esperava era que Muhammad tivesse uma visão em que Allah lhe mostrasse minha inocência ou que o comunicasse minha história verdadeira.

Quando meus pais nada disseram, eu os perguntei por que não responderam por mim. Eles disseram: ‘Por Allah, nós não sabemos o que dizer.’

Por Allah, não conheço família mais cercada por julgamentos do que a família de Abu Bakr nestes dias. Como meus pais ficaram quietos, as lágrimas começaram a cair novamente. Então eu disse: ‘Eu nunca me arrependerei daquilo que você menciona, porque eu estaria confirmando o que o povo diz de mim, enquanto Allah sabe de minha inocência. Se eu fosse dizer palavras de arrependimento, eu estaria dizendo mentiras. Mas se eu nego o que eles acusam, você não acreditará em mim.’ Então busquei em minha memória o nome de Jacob, mas não consegui me lembrar. Então eu disse: ‘Eu devo dizer como o pai de José disse: ‘Resignar-me-ei pacientemente, pois Deus me confortará, em relação ao que me anunciais.’ (Sura Yusuf 12:18).’

Muhammad ainda não havia se levantado e desmaiou.* Ele estava com seus trajes e uma almofada de couro sob sua cabeça. Quando vi isso, não fiquei desanimada ou perturbada, porque eu sabia que era inocente e que Allah não me faria injustiça. Mas meus pais estavam com medo, antes que Muhammad viesse, de que Allah confirmasse a conversa do povo. Eu achei que ele fossem morrer de tanto medo.

* Na ocasião da declaração de inocência de Aisha, um dos ataques de Muhammad foi descrito de maneira mais clara do que o normal. Os muçulmanos declaram que esses ataques eram sinais e indicadores que acompanhavam o processo de entrega de revelações. Muitos orientalistas enxergam esses ataques como sinais de ataques epiléticos.

Muhammad finalmente se recompôs. Ele se sentou direito e gotas de suor escorriam de si, embora fosse o meio do inverno. Ele se limpou do suor de sua testa e disse: ‘Receba boas notícias, Aisha! Allah me revelou sua inocência!’ Eu disse: ‘Que Allah seja louvado!’ Então ele saiu para ter com o povo, pregou um sermão e recitou o que Allah revelou sobre esse assunto no Alcorão. Então ele chicoteou a Hassan ibn Thabit, Mistah ibn Uthatha e a Hamma. Eles foram quem popularizou a maioria as acusações maldosas.”**

* Em uma das hadices entregues por Aisha, é dito que Muhammad suava copiosamente quando recebia suas revelações (Bukhari, Bad’ul-Wahy 2; Tirmidhi, Manaqib 6; Nasai, Iftitah 37).
** Desde o evento com Aisha, fofocas insustentáveis contra mulheres casadas inocentes são punidas severamente no islã.

8.03 -- O reconhecimento de Muhammad pelos coraixitas (628 d.C.)

8.03.1 -- A peregrinação de Muhammad (março de 628 d.C.)

Muhammad passou os meses do Ramadan (9º mês) e de Shauwal (10º mês) em Medina. Em Dhu al-Qa’da (11º mês), ele partiu em peregrinação a Meca e não entrou em guerra. Ele deixou a Numaila ibn Abd Allah al-Laithi no comando de Medina. Ele chamou os árabes e os beduínos, que estavam acampados nas proximidades, e os conclamou a irem com ele, porquanto temia que os coraixitas quisessem batalhar contra ele ou que o afastassem do santuário. No entanto, não muitos beduínos se uniram a ele. No entanto, como os Auxiliadores, os Emigrantes e os Beduínos que se uniram a ele, ele saiu em peregrinação. Ele também tomou a animais sacrificiais consigo e vestiu a roupa de peregrinação, de modo que ficasse claro que não pretendia travar guerra e para que todo mundo pudesse ver que ele queria apenas visitar e prestar homenagem no lugar de adoração.

Muhammad saiu para visitar a Caaba no ano de Hudaybiya. Ele tomou consigo setenta camelos para serem animais de sacrifício. Houve 700 homens, de modo que para cada dez homens havia um camelo. Muhammad chegou a Usfan, e lá encontrou a Bishr ibn Sufyan al-Ka’bi, que disse: “Os coraixitas ouviram sobre sua partida e marcharam com camelos de leite e vestiram com peles de leopardo. Estão acampados em Dhu Tawa e juraram jamais te deixar entrar em Meca. Khalid ibn Walid já estava tão adiantado com outros cavaleiros que já estava em Kura al-Ghamim.” Muhammad disse: “Ai dos coraixitas! A guerra já lhes trouxe ruína! O que os teria prejudicado se tivessem me deixado batalhar esse assunto com os outros beduínos. Se tivessem me vencido, então o desejo deles teria sido realizado. Se Allah me concedesse vitória, então eles poderiam tanto ter se convertido em massa para o islã quanto ter lutado contra mim com força total. Em que os coraixitas estão pensando? Por Allah, eu não cessarei de lutar por aquilo que Allah me comissionou até que Allah nos seja favorável ou que permita que meu pescoço seja cortado.”

Então ele perguntou: “Você iria comigo por um caminho pelo qual não os encontraremos?” Abd Allah ibn Abi Bakr me relatou que um homem de Aslam foi o primeiro a dizer: “Eu, Mensageiro de Allah.” Então Muhammad os conduziu por um caminho de pedregulhos que era muito problemático, que passava por entre duas ravinas. Quando novamente chegaram a chão plaino, Muhammad disse: “Dize: ‘Pedimos perdão a Allah e nos arrependimento diante Dele.”* Quando falaram assim, ele disse: “Por Allah, essa oração é Hitta**, que foi introduzida aos filhos de Israel mas que eles não repetem” (Veja Suras al-Baqara 2:58 e al-A’raf 7:161).

* Essa oração judaica não é reconhecida em sua profundidade; foi feita como oração por medo, em momento de angústia.
** “Hitta” pode ser a forma imperativa de “hatta”, que significa “deixar de lado” ou “abandonar”.

Muhammad ordenou que o povo passasse entre as duas elevações de Hamd. É a passagem estreita de Murar a Hudaybiya, que leva à depressão de Meca. As tropas seguiram esse caminho. Quando os cavaleiros dos coraixitas perceberam que Muhammad havia ido por outro caminho, eles retornaram a seu acampamento. Na ravina de Murar, o camelo de Muhammad se abaixou. Então o povo disse: “Ele está empacado!” Muhammad respondeu: “Ele não está empacado. Não é costume dele. Se bem que aquele que deteve os elefantes de atacar a Meca também está detendo meu camelo. Os coraixitas não exigirão coisa alguma de mim hoje, embora meu amor por nosso parentesco seja vivo, com isso eu não concordarei.

* Aqui uma alusão é feita ao cerco de Meca por um rei cristão do sul árebe (Iêmen), que lendariamente ocorreu no ano 570. Como o inimigo tinha elefantes consigo, esse evento ficou conhecido como “O Incidente do Elefante” (Sura al-Fil 105:1-5).

Então Muhammad deu ordem para que parassem naquele lugar. Quando lhe disseram que não havia água no vale, ele tirou uma flecha de seu alforje e a deu a um de seus companheiros. Então ele subiu a uma cisterna e mergulhou a flecha. Jorrou tanta água que o povo pôde acampar por ali, após homens e animais terem saciado sua sede.

Enquanto Muhammad descansava, vieram Budayl ibn Waraqa com homens dos Khuza’a e perguntaram-lhe por que vinha. Ele disse que não vinha para fazer guerra, mas para visitar a Caaba. Ele reverenciava o santuário, algo que ele já havia dito a Bishr ibn Sufyan. Então as tropas retornaram aos coraixitas e disseram-lhes: “Vocês estão sendo severos demais. Muhammad não vem para fazer guerra, mas para visitar a Caaba.” Porém eles ainda tinham suspeitas, por isso o trataram duramente. “Mesmo que ele não queira guerra,” eles disseram, “ele nunca deveria tentar entrar à força. Os beduínos não deveriam poder dizer isso a nosso respeito.” (Os Khuza’a, tanto os crentes quanto os politeístas, eram os confidentes de Muhammad, que contavam-lhe tudo o que ocorria em Meca.) Então eles enviaram a Mikraz ibn Hafs. Quando Muhammad o viu vindo, ele disse: “Esse homem é um traidor!” Às perguntas de Mikraz, Muhammad respondeu o mesmo que dissera a Budayl. Quando Mikraz voltou aos coraixitas, eles ainda enviaram a al-Hulays ibn ‘Alqama. Naquele tempo, ele era o senhor sobre as tribos aliadas e pertencia aos Banu al-Harith ibn Abd Manat. Quando Muhammad o viu vindo, ele disse: “Esse homem pertence aos tementes a Deus. Liberem os animais sacrificiais para que ele os veja!” Quando al-Hulays viu os animais sacrificiais com suas decorações festivas por todo o vale, ele pode observar como eles, por estarem há tanto tempo presos, pastavam os arbustos salgados do chão estéril, então ele, não por desrespeito, voltou imediatamente aos coraixitas e relatou a eles o que havia visto. Eles disseram: “Melhor você se sentar! Você é apenas um simples beduíno!” Hulays ficou furioso e disse: “Ó, coraixitas! Não foi por isso que nos aliamos a vocês. Aqueles que desejam honrar a Caaba e fazer peregrinação deveriam ser impedidos? Por Aquele em quem a alma de Hulays repousa em sua mão, ou vocês permitem que Muhammad complete a peregrinação ou eu me retirarei com meus aliados, porquanto somos um só homem!” Eles disseram: “Quieto! Deixe-nos em paz até que recebamos condições favoráveis.”

Após isso, enviaram a ‘Urwa ibn Mas’ud a Muhammad. ‘Urwa disse: “Eu tenho visto como vocês receberam seus mensageiros com palavras duras e rudes quando eles retornaram. Porém vocês sabem que vocês são meus pais e que eu sou seu filho. Eu ouvi o que se sucedeu a vocês e imediatamente vim com meu povo para ajudá-los.” Eles disseram: “Você fala a verdade. Não temos suspeitas contra você.” Então ele foi a Muhammad, se sentou com ele e disse: “Ó, Muhammad, você reuniu um bando inútil à sua volta e os trouxe contra seu próprio povo (sua família e seu clã) a fim de rachá-lo. Mas os coraixitas saíram com suas vacas leiteiras e se adornaram com peles de leopardo e juraram por Allah que você não passará por eles. Por Allah, é como se eu já tivesse visto como esse povo [que está contigo] se desassociará de você amanhã.” Abu Bakr, que estava sentado atrás de Muhammad, se opôs, dizendo: “Você pode sugar o mamilo de sua Lat!* Nós iremos abandoná-lo?”

* “Lat” é a forma abreviada da forma feminina da palavra “Allah” e é entendido como designação à esposa de Allah.

‘Urwa perguntou a Muhammad: “Quem é este homem?” Ele respondeu: “Ele é o filho de Abu Quhafa.” Então ele disse: “Por Allah, se eu não tivesse que te agradecer, eu te daria o troco. Isso já conta pelo débito que eu tinha com você.”

Enquanto falava, ‘Urwa agarrou a barba de Muhammad. Mughira ibn Shu’ba, que estava de pé e armado ao lado de Muhammad, o esbofeteou a mão e disse: “Tire suas mãos do rosto do Mensageiro de Allah antes que isso (espada) te acerte!” Então ‘Urwa disse: “Ai de você! O que o faz falar comigo tão rispidamente e tão rude?” Muhammad sorriu. ‘Urwa perguntou: “Quem é esse homem?” Muhammad respondeu: “É seu primo Mughira ibn Shu’ba.” Então ‘Urwa gritou: “Traidor! Não foi recentemente que eu o lavei de sua vileza?” Mughira, antes de se converter ao islã, havia matado treze homens dos Banu Malik de Thaqif. Ambas as tribos dos Thaqif, dos Banu Malik, o ramo daqueles que foram feridos, e os aliados, o ramo de Mughira, ficaram furiosos. ‘Urwa pagou o preço de expiação pelos treze homens feridos e, assim, restabeleceu a paz.

Muhammad então falou a ‘Urwa e, tal como falara com seus companheiros, garantiu-lhe que não vinha para fazer guerra. ‘Urwa o deixou após ver como os companheiros de Muhammad agiam: como eles se corriam para a água com que ele se lavava, como iam atrás do que ele cuspia e como pegavam cada fio de cabelo que dele caía.

Quando ‘Urwa voltou aos coraixitas, ele disse: “Eu vi Kyros (Kisra) e o imperador de seus reinos e o Najashi. Mas, por Allah, eu nunca vi um príncipe a quem é dada tanta honra quando é dada a Muhammad por seus companheiros.* Essa gente não o entregaria por coisa alguma. Vocês verão o que precisa ser feito!”

* Em contraste, Jesus Cristo disse: “Eu não recebo honras de homens” (João 5:41). Muhammad vivia da aprovação de seus companheiros e de sua adoração por todos os muçulmanos. Jesus, porém, redimiu o povo, mesmo tendo sido rejeitado, desonrado e, finalmente, crucificado.

Muhammad chamou o Khuzait, Khirash ibn Umayyah e o enviou em seu próprio camelo “Thalab” a Meca, a fim de anunciar aos chefes da cidade porque estava vindo. Não obstante, os de Meca alejaram o camelo e quiseram matar Khirash. Os aliados, porém, não os permitiram, então ele pôde retornar a Muhammad.

Os coraixitas enviaram de quarenta a cinquenta homens, que ficaram à volta do acampamento de Muhammad, a fim de prender um dos companheiros de Muhammad. Mas eles foram presos e levados a Muhammad. Muhammad os perdoou e os permitiu sair livremente, embora tivesse atacado suas tropas com pedras e flechas. Então ele chamou a Umar e quis enviá-lo a Meca para informar aos chefes a razão de sua viagem. Mas Umar respondeu: “Mensageiro de Allah! Eu temo os coraixitas. Não há uma única pessoa dos Banu ‘Adi ibn Ka’b que me protegeria. Os coraixitas sabem o quanto eu os odeio e como os tratei mal. Mas eu te direi o nome de um que é mais forte do que eu: Uthman ibn ‘Affan.”*

* Uthman ibn ‘Affan se tornou o terceiro califa e foi genro de Muhammad.

Muhammad chamou a Uthman e o enviou a Meca para dizer aos nobres da cidade que ele vinha para peregrinar. Quando Uthman foi a Meca, pouco antes de entrar na cidade, Aban ibn Sa'id o encontrou e o pôs sob sua proteção, até que ele entregasse a mensagem de Muhammad a Abu Sufyan e aos chefes dos coraixitas. Quando isso aconteceu, eles perguntaram-lhe: “Vocês querem andar à volta da Caaba? Então façam isso!” Uthman respondeu: “Eu não andarei à volta dela até que Muhammad também ande.”

Os coraixitas mantiveram Uthman consigo, e o rumor que chegou a Muhammad foi de que ele teria sido morto.

8.03.2 -- A obediência de boa vontade (março de 628 d.C.)

Quando Muhammad ouviu que Uthman tinha sido morto, ele disse: “Nada mais nos resta do que lutar contra os coraixitas.” Então ele convocou o povo a um voto de obediência, e esta é a Obediência de Boa Vontade (a Allah) que ocorreu sob uma árvore. Alguns dizem que Muhammad fez o povo jurar que morreriam por ele. Jabir ibn Abd Allah, porém, relatou que Muhammad os fez jurar que não fugiriam.* Todos os presentes juraram. Apenas al-Jadd ibn Qays, um irmão dos Banu Salama, ficou para trás. Jabir relatou: “Por Allah, é como se eu ainda pudesse ver diante de mim, como ele se agarrou ao ombro de seu camelo e se escondeu do povo atrás dele.”

* Jesus disse a Seus discípulos de antemão que eles seriam atacados por causa Dele e que eles O abandonariam. Ele seguiu Seu caminho sozinho, o caminho todo até a vitória na cruz. Muhammad, porém, dependia da ajuda de homens e exigia que jurassem em favor de si.

Nesse meio tempo, Muhammad descobriu que fora uma informação falsa que chegou até ele a respeito de Uthman.

8.03.3 -- O Tratado de Hudaybiya* (março de 628 d.C.)

Então os coraixitas enviaram Suhayl ibn Amr a Muhammad e o comissionaram a negociar paz com ele. Mas isso aconteceria apenas com a condição de que ele retornasse para casa ainda naquele ano, de modo que os árabes não diriam que ele entrou à força. Quando Muhammad viu Suhayl vindo, ele disse: “O povo quer paz, porquanto enviaram este homem.” Então ele conversou por muito tempo com ele e, após muita troca de palavras, paz foi estabelecida.

* Hudaybiya fica a cerca de 60km ao norte de Meca.

Como tudo ficou claro e apenas faltou assinar o tratado de paz, Umar saltou e foi a Abu Bakr e disse: “Ele não é o mensageiro de Allah?” – “Claro que sim!” – “Não somos nós crentes?” – “Certamente!” – “Não são eles politeístas?” – “Com certeza!” – “E por que deveríamos rebaixar nossa fé?”* - “Siga seu comando, porquanto eu confesso que ele é um Mensageiro de Allah.” – “Eu também confesso.”

* Umar, o segundo califa, bem como muitos dos peregrinos, ficou muito estimulado porque estavam ali como peregrinos, sem armas, e haviam jurado defender a Muhammad com seus punhos, para levar o islã à vitória. Mas Muhammad havia assinado um tratado de paz com os politeístas de Meca, assim os reconhecendo como parceiros iguais.

Então Umar foi a Muhammad e disse: “Você não é um Mensageiro de Allah?” – “Certamente!” – “Não somos nós crentes?” – “Com certeza!” – “Não são eles politeístas?” – “Sem dúvida!” – “Então por que deveríamos nos rebaixar em nossa fé e fazer um tratado com eles? Eu sou um servo de Allah e de seu mensageiro; eu não hajo contra seus mandamentos, e ele não me deixará ser destruído.” Posteriormente Umar disse: “Eu não cesso de dar esmolas, de jejuar e de libertar escravos por causa do medo que tenho das palavras duras que eu disse naquela ocasião, de modo que esperei alcançar alguma coisa boa com meu zelo.”

Mas Muhammad chamou a Ali para seu lado e disse-lhe: “Escreva: ‘Em nome de Allah, o Misericordio, o Compassivo.’” Suhayl, entretanto, respondeu: “Eu não conheço essa fórmula! Esreva, ‘Em teu nome, Allah.’” Muhammad disse: “Então escreva assim!” Quando Ali escreveu, Muhammad continuou: “Este é o tratado de paz de Muhammad, o Mensageiro de Allah, com Suhayl ibn Amr.” Então Suhayl respondeu: “Se eu o reconhecesse como Mensageiro de Allah, eu não lutaria contra você. Apenas escreva seu nome e o nome de seu pai. Então Muhammad disse: “Então escreva: ‘Este é o tratado de Muhammad ibn Abd Allah com Suhayl ibn Amr. Eles chegaram a um acordo entre si para deixarem de lado a guerra por dez anos. Durante este tempo, todos estão seguros e não devem cometer qualquer tipo de hostilidades um contra o outro.

Se renegados (escravos) dos coraixitas foram ter com Muhammad sem permissão de seus senhores, Muhammad deve mandá-los de volta; porém, muçulmanos renegados não devem ser extraditados pelos coraixitas. A animosidade deve ser decididamente repreendida e nenhum roubo ou saque deve ocorrer entre os dois lados. Qualquer um que desejar fazer aliança com Muhammad está livre para fazê-lo. Semelhantemente, qualquer um está livre para fazer aliança com os coraixitas.’”

Então os khuzaitas se levantaram e disseram: “Estamos nos aliando a Muhammad!” Os Banu Bakr gritaram: “Estamos nos aliando aos coraixitas!”

“Muhammad deve ignorar este ano e não vir a Meca. Mas no ano seguinte, os coraixitas sairão da cidade e Muhammad poderá vir com seus companheiros e passar três dias com os trajes e armamentos de um viajante, com a espada na bainha e sem outras armas.’”

Quando Muhammad e Suhayl estavam ocupados com o escrito, Abu Jandal, o filho de Suhayl ibn Abr, se aproximou em cadeias, tendo fugido para Muhammad.

Os companheiros de Muhammad não duvidaram de sua vitória desde que saíram de Medina, porquanto Muhammad tivera uma visão! Então quando eles ouviram as palavras de um tratado de paz, que o compelia a partir (algo que Muhammad teve de aceitar), eles ficaram tão conturbados que quase entregaram o espírito.*

* O tratado de paz entre a parte em guerra em Meca e Muhammad, após anos de derramamento de sangue, foi um choque para os muçulmanos. Eles não entendiam mais o seu profeta.

Quando Suhayl viu Abu Jandal, ele se levantou, o esbofeteou no rosto e o puxou pelo colarinho. Então ele disse a Muhammad: “O tratado entre nós foi concluido antes desse um vir a você!” Muhammad disse: “É verdade”. Então Suhayil puxou a Abu Jandal pelo colarinho, o levando consigo de volta aos coraixitas. Abu Jandal gritou com alta voz: “Ó, crentes! Eu deveria ser levado de volta aos politeístas e forçado a me apostatar da fé?” Isso causou ainda mais desconforto entre os muçulmanos. Muhammad disse: “Tenha paciência, Abu Jandal, e se firme na recompensa de Allah! Allah em breve trará a si e a outros a liberdade e a redenção. Nós apenas concluímos um tratado e juramos por Allah. Não podemos quebrá-lo.” Umar apareceu ao lado de Abu Jandal e disse-lhe: “Tenha paciência! O sangue desses politeístas não vale mais do que o sangue de um cachorro!” E com essas palavras ele aproximou o punhal de sua espada a ele. Umar posteriormente disse que esperava que Abu Jandal tomasse a espada e ferisse a seu pai com ela. Mas o homem poupou a seu pai, de modo que o contrato permaneceu.

Qundo o tratado fora escrito, os seguintes crentes e politeístas assinaram como testemunhas: Abu Bakr, Umar, Abd al-Rahman ibn Auf, Abd Allah ibn Suhayl, Sa'd ibn Abi Waqqas, Mahmud ibn Maslama, Mikraz ibn Hafs – este último era politeísta – e Ali, que escreveu o contrato inteiro.

Agora Muhammad quis abandonar o status de peregrino. Ele realizou sua oração ainda com as vestes de peregrinação. Quando o tratado de paz estava terminado, ele imolou os animais sacrificiais e raspou o cabelo de sua cabeça* com Khuzait Khirash ibn Umayya. Quando o povo viu isso, eles também se deixaram raspar e sacrificaram seus animais. Alguns se deixaram raspar no dia de Hudaybiya, outros apenas apararam seus cabelos. Muhammad disse: “Que Allah tenha misericórdia dos que se rasparam.” Eles perguntaram-lhe: “E daqueles que apararam o cabelo?” Muhammad respondeu: “Que Allah tenha misericórdia dos que se raspararam.” Quando perguntaram novamente, ele deu a mesma resposta, e quando repetiram a pergunta, ele disse: “E dos que apararam também.”

* O nível de agitação entre os muçulmanos se tornou tão elevado que uma revolta quase aconteceu. Muhammad inesperadamente raspou seu cabelo e deu ordem para que cada um de seus seguidores, de igual maneira, fizesse o mesmo. Isso acalmou os Ânimos, de modo que juntos puderam retornar a Medina.

Quando ele foi perguntado por que primeiro implorou pela graça de Allah pelos que haviam raspado completamente a cabeça, ele disse: “Porque eles não duvidaram.”

Entre seus animais sacrificados naquele dia de Hudaybiya, Muhammad escolheu um camelo que pertencera a Abu Jahl. Ele tinha um anel de prata em sua cabeça. Ao fazer isso, ele buscava aborrecer os descrentes.

Então Muhammad começou sua jornada de volta. Ao longo do caminho, entre Meca e Medina, a “Sura do Triunfo” foi-lhe revelada (Sura al-Fath 48): “Em verdade, aqueles que te juram fidelidade, juram fidelidade a Deus. A Mão de Deus está sobre as suas mão; porém, quem perjurar, perjurará em prejuízo próprio. Quanto àquele que cumprir o pacto com Deus, Ele lhe concederá uma magnífica recompensa.” (Sura al-Fath 48:10).

18 Deus Se congratulou com os fiéis, que te juraram fidelidade, debaixo da árvore. Bem sabia quanto encerravam os seus corações e, por isso infundiu-lhes o sossego e os recompensou com um triunfo imediato, 19 bem como com muitos ganhos que obtiveram, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo. 20 Deus vos prometeu muitos ganhos, que obtereis, ainda mais, adiantou-vos estes e conteve as mãos dos homens, para que sejam um sinal para os fiéis e para guiar-vos para uma senda reta.” (Sura al-Fath 48:18-20).

21 E outros ganhos que não pudestes conseguir, Deus os conseguiu... E se não houvesse sido por uns homens e mulheres fiéis, que não podíeis, distinguir, e que poderíeis ter morto sem o saber, incorrendo, assim, inconscientemente, num crime hediondo, Ter-vos-íamos facultado combatê-lo; foi assim estabelecido, para que Deus pudesse agraciar com a Sua misericórdia quem Lhe aprouvesse. Se vos tivesse sido possível separá-los, teríamos afrontado os incrédulos com um doloroso castigo.” (Sura al-Fath 48:21-25)

E também está escrito: “26 Quando os incrédulos fomentaram o fanatismo - fanatismo da idolatria – (isso se referia a Suhayl, que não quis escrever ‘em nome de Allah, o Misericordioso, Compassivo’, e nem ‘Muhammad, o Mensageiro de Allah’) em seus corações Deus infundiu o sossego em Seu Mensageiro e nos fiéis, e lhes impôs a norma da moderação, pois eram merecedores e dignos dela; sabei que Deus é Onisciente. (ou seja, a unicidade de Allah e as confissões de que Allah é um e que Muhammad é seu mensageiro e servo). 27 Em verdade, Deus confirmou a visão do Seu Mensageiro: Se Deus quisesse, entraríeis tranqüilos, sem temor, na Sagrada Mesquita (isto é, no santuário à volta da Caaba em Meca)’” (Sura al-Fath 48:26,27).

Mujahid me relatou que esse verso se refere a Walid ibn al-Mughira, Salama ibn Hisham, Aiyash ibn Abi Abi Rabi’a, Abu Jandal ibn Suhayl e outros à semelhança desses.

Não houve maior vitória para o islã antes do Tratado de Paz de Hudaybiya. Até então, houve guerra onde quer que os homens se encontrassem. Mas após o tratado de paz, um podia entrar em diálogo e discordar do outro, já que os encontros ocorreriam em segurança. Todo homem de entendimento com que um muçulmano falava do islã se convertia, de modo que nos dois anos seguintes mais pessoas aceitaram o islã do que em qualquer outro momento desde seu começo! Isso pode ser visto pelo fato de que Muhammad partiu para Hudaybiya com apenas 700 homens, mas nos dois anos seguintes ele foi com 10 mil homens para conquistar Meca.

8.03.4 -- O direito das mulheres migrantes

Durante esse tempo, Umm Kulthum, a filha de ‘Uqba, emigrou para Muhammad. Seus irmãos Umara e Walid foram a Muhammad e exigiram que ele a mandasse de volta, com base no Tratado de Hudaybiya. Mas ele não o fez, já que Allah não queria isso.

Zuhri me relatou o que ouviu de ‘Urwa ibn Zubayr: “Eu me aproximei dele enquanto ele escrevia a Abu Hunayda, o amigo de Walid ibn Abd al-Malik, que o havia questionado a respeito do seguinte verso: ‘Ó fiéis, quando se vos apresentarem as fugitivas fiéis, examinai-as, muito embora Deus conheça a sua fé melhor do que ninguém; porém, se as julgardes fiéis, não as restituais aos incrédulos, porquanto elas não lhes cabem por direito, nem eles a elas; porém, restituí o que eles gastaram (com os seus dotes). Não sereis recriminados se as desposardes, contanto que as doteis; porém, não vos apegueis à tutela das incrédulas’” (Sura al-Mumtahina 60:10).

‘Urwa o respondeu: “Muhammad fez um acordo com os coraixitas em Hudaybiya no qual ele se obrigou a devolver emigrantes que viesse a ele sem a permissão de seus mestres. Mas quando mulheres migraram para ele, confessando o islã, Allah não quis que elas fossem enviadas de volta aos politeístas (após elas serem testadas e ficar evidente que ela emigraram apenas por amor ao islã). Ao mesmo tempo, ele ordenou que os dotes fossem pagos aos coraixitas, caso as mulheres ainda não os tivessem recebido. Por outro lado, eles deveriam devolver aos crentes os seus dotes* caso segurassem alguma de suas mulheres. Esse é o pronunciamento de Allah que julga entre vocês.

* Segundo a lei islâmica, o dote (“mahr”) é o valor pago pelo noivo e por um parante homem responsável pela noiva, uma vez que o contrato de casamento é concluído. Um casamento sem “mahr” é inválido e tido como vergonhoso, exceto em caso de Guerra Santa. O valor estabelecido se torna propriedade da mulher e é pago em partes ao parente homem responsável pela mulher, uma vez que o contrato de casamento é estabelecido. O resto é pago à mulher como “seguro de vida”, no evento de um possível divórcio. Todas as mulheres não-muçulmanas deviam estudar questões legais do casamento islâmico com precisão antes de se casarem com um muçulmano. Todo casamento misto é consistentemente admoestado contra.

Então, Muhammad manteve as mulheres consigo, mas enviou os homens de volta e exigiu, de acordo com a ordem de Allah, os dotes das mulheres, os quais os descrentes mantinham consigo, e exigiu que os crentes também, quando isso ocorria, pagassem de volta os dotes das descrentes. Sem esse julgamento divino, Muhammad também teria enviado de volta as mulheres, tal como fizera com os homens. Essa era sua prática antes do contrato, no caso de uma mulher crente vir a ter com ele.”

Eu questionei a al-Zuhri a respeito do significado dos seguintes versos: “E se alguma de vossas esposas fugir para os incrédulos, e depois tiverdes acesso (a uma mulher deles), restituí àqueles cujas esposas houverem fugido o equivalente ao que haviam gasto (com os seus dotes).” (Sura al-Mumtahana 60:11). Zuhri respondeu: “O significado é que, se uma de suas esposas fugir para os descrentes e nenhuma crente vier a você, pela qual você poderia tomar o que te foi tomado, então os recompense a partir do espólio que você tomou.”

Quando Muhammad retornou a Medina, um homem que estava sentado com ele o perguntou: “Você não disse que certamente entraria em Meca?” Ele respondeu: “Absolutamente, mas eu disse que entraria neste ano?” O homem respondeu: “Não.” – Muhammad respondeu que acontecerá tal como Gabriel o contou.

8.03.5 -- A excursão contra os judeus em Khaybar* (maio e junho de 628 d.C.)

Após o retorno de Hudaybiya, Muhammad permaneceu todo o mês de Dhu al-Hijja (12º mês) e parte de Muharram (1º mês) em Medina. Ele deixou a peregrinação para os descrentes. Nos dias restantes de Muharram (1º mês), ele saiu para Khaybar. Ele deixou a Numayla ibn Abd Allah al-Laithi sobre Medina e entregou o estandarte branco a Ali.

* Khaybar fica a 160km ao noroeste de Medina.

8.03.6 -- A oração de Muhammad perto de Khaybar

Conforme Muhammad se aproximou de Khaybar, ele emitiu ordem para parar e orou: “Allah! Senhor do céu e de tudo o que ele cobre, Senhor da terra e de tudo o que ela tem, Senhor dos homens e dos demônios e de tudo o que eles desencaminham, Senhor dos ventos e de tudo o que eles espalham, nós te suplicamos que nos dê os bens deste lugar e desses residentes e de tudo o que nele há, e nós nos abrigamos em ti neste lugar vil, destes moradores e de tudo o que aqui há. Adiante! Em nome de Allah!”* Ele repetia essas palavras antes de entrar em novos lugares.

* * Nessa oração de guerra, Allah é descrito como o “Senhor dos espíritos (demônios),” os quais o obedecem e fazem segundo sua vontade. O objetivo dessa oração era a sujeição e conquista do lugar que os muçulmanos queriam ocupar. Em Khaybar estavam os judeus que foram expulsos de Medina. Eles não deveriam ser derrotados uma seguinda vez, já que haviam pagado tributo e metade deles foi reduzida ao status de servos.

8.03.7 -- O que os habitantes de Khaybar disseram quando viram a Muhammad

Quando Muhammad saia para guerrear, ele atacava os inimigos sempre na manhã seguinte à sua chegada. Se ele ouvisse o chamado para orar, ele se detia, se não, atacava. Ele chegou a Khaybar de noite. Na manhã seguinte, quando ele ouviu o chamado à oração, ele montou sobre seu cavalo e todos nós fizemos o mesmo. “Eu mesmo”, explicou Anas, “cavalguei atrás de Abu Talha e meu pé tocou o de Muhammad. Então encontramos trabalhadores de Khaybar que haviam saído com pás e grandes cestos. Quando nos viram, eles gritaram: “É Muhammad com seu exército!” – e bateram em retirada. Então Muhammad observou: “Allah é grande! Khaybar está destruída.” Como desmontamos ali, aqueles que já estavam aterrorizados tiveram uma manhã terrível.”

8.03.8 -- Os acampamentos de Muhammad durante sua campanha

Em sua campanha em Khaybar, Muhammad seguiu o caminho que leva a Isr. Lá há uma mesquita contruida por ele. Entao ele foi a al-Sahba, seguindo pelo vale de Raji, onde acampou entre os residentes de Khaybar e Ghatafan. Com isso, os de Ghatafan estavam impedidos de ajudar seus aliados. Foi-me relatado: “Quando Ghatafan ouviu que Muhammad estava acampado diante de Khaybar, eles se ajuntaram para ajudar os judeus contra Muhammad. Quando passavam pela ravina, ouviram atrás de si um barulho, onde suas famílias e seus pertences eram mantidos. Eles acreditaram que estavam em uma emboscada pelas costas. Eles deram meia-volta e permaneceram com suas famílias e sua mercadoria e deixaram Muhammad tomar Khaybar sem obstáculos.

8.03.9 -- Muhammad conquista a fortaleza judia em Khaybar (junho de 628 d.C.)

Muhammad se aproximou da morada dos judeus e conquistou uma fortaleza após a outra. A primeira fortaleza que conquistou se chamava “Na’im”. Ali Mahmud ibn Maslama foi morto por uma pedra de moagem que foi jogada para baixo. Após isso, “al-Qamus,” a fortaleza dos filhos de Abu al-Huqaiq, foi conquistada. Muhammad fez muitos prisioneiros, incluindo Safiyya, filha de Huyay ibn Akhtab, e dois dos primos dela. Muhammad tomou a Safiyya para si mesmo e deu os primos dela ao kalbita Dihya ibn Khalifa, que havia pedido por Safiyya. Os outros prisioneiros de Khaybar foram distribuídos entre os muçulmanos.

8.03.10 -- As proibições de Muhammad no Dia de Khaybar

Os muçulmanos estavam acostumados a comer carne de seus burros. No dia de Khaybar, Muhammad proibiu diversas coisas. Abd Allah ibn Salit relatou de seu pai, que disse: “Muhammad nos proibiu de comer a carne de burros domados, apesar de já estarem cozinhando nas panelas. Ele não mais nos permitiu desfrutar disso.”

Naquele dia, Muhammad proibiu quatro coisas: Intercurso sexual com cativas grávidas, comer a carne de burros domados, comer a carne de animais carnívoros que tenham presas e vender espólios antes que tenham sido divididos. Muhammad disse em seu sermão: “Ó, povo! Apenas vou dizer-lhes o que ouvi de Gabriel no dia de Khaybar. Ele nos disse: ‘Está proibido para todo homem que crê em Allah e no Julgamento Final molhar qualquer semente estrangeira com sua água (isto é, ter intercurso carnal com prisioneiras grávidas). Também não é permitido se deitar com uma prisioneira cujo período de limpeza ainda não terminou. Além disso, está proibido vender qualquer coisa dos espólios antes de ter sido dividido ou montar um animal que pertença aos espólios e depois devolvê-lo amaciado, ou vestir roupas dos espólios e depois devolvê-la após já ter sido usada.’”

Ubad ibn al-Samit disse: “No dia de Khaybar, Muhammad nos proibiu de trocar minérios de prata ou de ouro por moedas cunhadas de ouro ou de prata, exceto minério de ouro por prata cunhada ou pepitas de prata por ouro cunhado.”

8.03.11 -- A respeito dos Banu Sahm

Os Banu Sahm de Aslam foram ter com Muhammad e disseram: “Por Allah, estamos exaustos e não temos coisa alguma para comer.” Como Muhammad não podia dá-los o que comer, ele orou: “Allah, você conhece-lhes a condição, você sabe que não têm mais força e que eu não tenho como dar-lhes coisa alguma. Portanto, deixem-nos conquistar a fortaleza que tem as maiores riquezas, as carnes mais gordas e outros alimentos.” Na manhã seguinte, Allah pôs a fortaleza de Sa'b ibn Mu'adh sob seu domínio, e não houve outra fortaleza de Khaybar tão ricamente estocada com carne e outras provisões quanto essa.

8.03.12 -- Marhab, o judeu, e sua morte

Quando Muhammad já havia conquistado diversas fortalezas e tomado muitos produtos e posses, ele foi à fortaleza de Watih e Sulalim, as últimas de Khaybar, e as cercou por aproximadamente dez disa. O lema os companheiros de Muhammad naquela dia de Khaybar foi “À vitória! Matem! Matem!”*

* * O rastro de sangue que Muhammad e seus seguidores deixaram para trás ficou cada vez maior, e ainda hoje não parou. O espírito do islã não é de tolerância e paz. Ele destrói a qualquer que tente se opor a ele, tão logo o islã tenha capacidade de o fazer.

Marhab, o judeu, foi à fortaleza fortemente armado e falou o seguinte verso:

Khaybar sabe que sou Marha, / o herói experiente, fortemente armado. / Logo hei de lutar com minha lança, logo com a espada, / quando os leões vieram ao redor em massa, / que ninguém se aproxime do lugar que eu guardo.

Quando ele desafiou para duelar, Ka’b ibn Malik respondeu:

Khaybar sabe que sou Ka’b, / o forte e corajoso, que expulsa adversidades / tão logo a batalha é acessa e arde. / Eu tenho uma espada afiada, / nós te combateremos até que o forte tenha sido rebaixado, / nós exigiremos tributo ou tomaremos espólio / com forte mão que ninguém pode deter.

Muhammad perguntou: “Quem lutará contra esse homem?” Muhammad ibn Maslama exclamou: “Eu, mensageiro de Allah! É minha obrigação vingar meu irmão, que foi morto ontem.” – “Então se apronte,” disse Muhammad, e implorou a Allah que o ajudasse. Conforme se aproximaram um do outro, viram-se separados por uma velha árvore de madeira macia, e um buscou proteção do outro atrás dela. Quando isso acontecia, o oponente cortava os ramos que ficavam entre um e o outro, até que finalmente um ficava exposto ao outro, e a árvore, agora sem galhos, estava entre os dois como um homem de pé. Marhab então golpeou com a espada a Muhammad ibn Maslama, mas ele se protegeu do golpe com o escuro. A espada penetrou o escudo e ficou presa, de modo que Muhammad ibn Maslama pôde matá-lo.

Após Marhab, veio seu irmão Yasir e desafiou para um duelo. Hisham ibn ‘Urwa alegou que Zubayr ibn Awwam deu um passo à frente. Sua mãe, Safiyya, disse a Muhammad: “Ele vai matar meu filho!” Muhammad respondeu: “Não, seu filho o matará, se Allah quiser.” E assim aconteceu. Hisham ibn ‘Urwa me disse que foi dito a Zubair: “Por Allah, sua espada não estava afiada naquele dia!” A isso ele respondeu: “Por Allah, ela não estava afiada, mas eu a usei com força cortante.”

8.03.13 -- O feito heroico de Ali no Dia de Khaybar

Muhammad enviou Abu Bakr com seu estandarte a uma das fortalezas de Khaybar. Ele combateu, mas retornou sem ela, porquanto tivera problemas. Então Muhammad disse: “Amanhã eu darei a bandeira a um homem que ama Allah e seu companheiro, alguém a quem Allah concederá vitória e que não fugirá diante do inimigo.”

Então Muhammad chamou a Ali, que tinha os olhos inflamados, cuspiu em seus olhos* e disse a ele: “Tome essa bandeira e vá com ela, até que Allah o conceda vitória.” Então Ali saiu com ela para encontrar-se com o inimigo. Nós o seguimos até que ele plantou a bandeira no alto de uma parede de pedras, abaixo da fortaleza. Quando a guarnição da fortaleza deu oportunidade, ele lutou contra eles. Ao fazer isso, ele perdeu seu escudo. Em seu lugar, Ali pegou uma porta e a usou como escudo até que Allah deu-lhe a fortaleza. Então Ali jogou a porta de lado. Quando oito pessoas vieram para virar a porta, eles não foram capazes.

* Jesus usou sua saliva para curar olhos cegos, de modo que o curado pôde viver uma vida em paz. Muhammad cuspiu nos olhos inflamados de Ali para curá-lo e incitá-lo a uma batalha sangrenta.

8.03.14 -- Abu al-Yasar – o veloz

Abu al-Yasar Ka’b disse: “Uma noite eu estava com Muhammad em Khaybar, quando a ovelha de um judeu, cuja fortaleza nós queríamos cercar, simplesmente passou pelo portão. Muhammad perguntou: ‘Quem nos dará essa comida para provarmos?’ Abu al-Yasar respondeu: ‘Eu, ó mensageiro de Allah!’ Muhammad disse: ‘Então faça isso!’ Eu corri como um avestruz. Quando Muhammad me viu correndo, ele exclamou: ‘Allah, nos deleiteie por meio dele!’ Eu controlei o rebanho e agarreis os dois últimos animais, os prendi de baixo do braço e corri com eles, como se nada tivesse em minhas mãos. Eu os pus diante de Muhammad, onde foram devidamente abatidos e comidos.”

Abu al-Yasar foi um dos companheiros de Muhammad que mais viveram.

8.03.15 -- A judia Safiyya (junho de 628 d.C.)

Após Muhammad conquistar a fortaleza de Qamus, que pertencia aos filhos d Abu al-Huqaiq, Safiyya, a filha de Huyay, e outros prisioneiros foram levados a ele. Bilal conduziu as mulheres pelos judeus que foram feridos. Quando as mulheres com Saffiya viram os homens mortos, gritaram alto, se bateram em seus rostos e jogaram terra sobre suas cabeças. Muhammad gritou: “Tirem essas diabas de perto de mim!” Mas Saffiya deixou que continuassem ali. Ele lançou seu manto sobre ela. Então os crentes observaram que ele a escolheu para si. Quando Muhammad viu o desespero das mulheres judias, ele disse a Bilal: “Você perdeu toda sua compaixão, fazendo essas mulheres passarem por entre os homens mortos?”*

* Foi total falta de consideração conduzir essas viúvas escravizadas por entre os corpos mutilados de seus maridos e ainda esperar que elas estivessem imediatamente prontas para se casar com seus conquistadores. As mulheres à vezes são consideradas espólio no islã e, como escravas, são tratadas como mercadoria. Em sua fúria, Muhammad as chamou de “diabos”, uma descrição que, em última instância, era uma autodescrição.

Saffiya, que foi desposada por Kinana ibn Rabi’a, sonhou que a lua caía sobre seu colo. Quando ela contou seu sonho a seu noivo, ele exclamou: “Isso significa que você deseja a Muhammad, o rei de Hijaz,” e a esbofeteou no rosto, de modo que o olho dela ficou roxo. Ela ainda tinha essa marca quando foi levada até Muhammad. Quando ele a perguntou o que havia acontecido, ela contou-lhe a história.

8.03.16 -- A tortura e execução do judeu Kinana, o guardião do tesouro judeu em Khaybar (junho de 628 d.C.)

Kinana, o judeu, que mantinha o tesouro dos Banu al-Nadir sob sua custódia, foi conduzido a Muhammad. Ele o perguntou sobre o paradeiro do tesouro. Kinana negou saber qualquer coisa a esse respeito e disse que não sabia onde estava. Então um judeu foi levado adiante de Muhammad e disse que havia visto como Kinana passara por certa ruína todas as manhãs. Muhammad perguntou a Kinana: “Devo te matar se eu encontrar o tesouro com você?” Ele respondeu: “Sim.” Muhammad escavou as ruínas. Uma porção do tesouro foi encontrada ali, de modo que Muhammad questionou a Kinana sobre o restante. Quando Kinana se recusou a revelar onde estava o restante, Muhammad ordenou que Zubayr ibn al-Awwam o torturasse* até que contasse tudo. Zubayr o golpeou com toras de lenha em seu peito até que ele quase morreu. Então Muhammad o entregou a Muhammad ibn Maslama, que o matou por seu irmão Mahmud.

* Muhammad ordenou a tortura de um prisioneiro judeu a fim de descobrir o esconderijo das riquezas que foram-lhe confiadas. A tortura é comum e aceitável no islã, já que o próprio Muhammad empregou esse método tão terrível. Em contraste, compare a instrução de Jesus: “O que vocês quiserem que os homens vos façam, façam vocês também a eles.” (Mateus 7:12).

8.03.17 -- O tratado de paz de Khaybar

Muhammad cercou a fortaleza de Watih e Sulalim por tempo suficiente para que seus moradores chegassem ao ponto de morrer de fome. Então eles pediram-lhe para que fossem poupados. Muhammad consentiu. Ele conquistou a todas as outras fortalezas, com exceção dessas duas. Quando os moradores de Fadak ouviram isso, eles enviaram mensageiros a Muhammad e pediram-lhe que poupasse também seu sangue e que os permitisse partir em troca de todas as suas posses. Muhammad também aceitou essa oferta.

Uma vez que os residentes de Khaybar se renderam às suas condições, eles pediram que Muhammad desse-lhes permissão para usar suas fazendas, já que entendiam disso melhor do que ele, de modo que dariam-lhe metade de tudo o que produzissem. Muhammad aceitou a oferta, mas na condição de que a decisão seria (sempre) sua se os expulsaria ou não. Os residentes de Fadak* conseguiram um acordo similar. O espólio de Fadak* se tornou propriedade dos muçulmanos**, mas o de Fadak*** se tornou apenas de Muhammad, já que foi obtida sem lutar.

* “Fadak” é uma cidade de judeus que ficava a 200km ao nordeste de Medina.
** Os muçulmanos ficaram ricos por meio das riquezas dos judeus que conquistaram. Os judeus foram obrigados a pagar tributo aos muçulmanos. Muhammad se reservou o direito de expulsá-los ou de destruí-los a qualquer momento.
*** Pouco após a morte de Muhammad, o espólio de Fadak (especialmente os campos) levou a uma disputada entre Fátima, a filha de Muhammad, e Abu Bakr. Abu Bakr não reconheceu a herança de Fátina. Na literatura islâmica, é nesse contexto que a Hadice é recitada: “Profetas não herdam e nem legam.” A fonte dessa informação vem apenas de Abu Bakr.

8.03.18 -- O ataque à vida de Muhammad com um cordeiro envenenado e a campanha contra os judeus em Wadi al-Qura (junho de 627/8 d.C.)

Quando Muhammad finalmente pôde descansar-se de suas campanhas, Zainab, a filha de al-Harith e esposa de (o judeu) Sallam ibn Mishkam, trouxeram-lhe um cordeiro assado. Ela havia de antemão questionado qual parte do carneiro Muhammad gostava mais, e ficou sabendo que era o ombro. Zainab envevenou o cordeiro todo, mas pôs mais veneno no ombro. Quando ela o colocou diante de Muhammad, ele se serviu do ombro, provou um pouco, mas não engoliu. Bishr ibn al-Bara ibn Ma’rur, que estava ao seu lado, também tomou uma parte e engoliu. Muhammad cuspiu a parte que havia mordido e disse: “Esse osso está me dizendo que foi envenenado.” Ele chamou a Zainab e ela confessou seu feito. Quando perguntou a ela por que ela fizera esse ataque contra sua vida, ela respondeu: “Você sabe o que fez ao meu povo. Eu pensei comigo mesma: Se ele é apenas um príncipe, eu terei paz dele. Mas se ele é um profeta, então ele será avisado.” Muhammad a perdoou, mas Bishr morreu por causa da porção que engoliu.

Muhammad disse (anos depois) a Umm Bishr, filha de al-Bara ibn Ma’rur, quando ela o visitou durante sua enfermidade, da qual ele finalmente morreu; “Eu sinto que minhas veias do coração estão pegando fogo. É o efeito do bocado que compartilhei com seu irmão Bishr em Khaybar.” Como resultado, os muçulmanos concluem que Allah o permitiu morrer como mártir, após tê-lo honrado como profeta.*

* O veneno da judia levou Muhammad a uma morte lenta, mas certa. Desde então, é um dever impronunciado de todo muçulmano se vingar dos judeus pela morte do profeta. A furiosa guerra no Oriente Médio, desde 1948, atinge, assim, nova dimensão. Os muçulmanos, porém, não buscam tratar a morte de Muhammad como derrota, mas a reconhecem como a honrosa morte de um mártir, dizendo que ele morreu envenenado pelo inimigo, de modo que teria sido morto em honra a Allah.

Após Muhammad ter conquistado Khaybar, ele seguiu para Wadi al-Qura*, onde cercou o lugar por diversos dias. Então começou sua viagem de volta a Medina.

* “Wadi al-Qura” (ligeralmente: vale das vilas) fica a aproximadamente 300km a noroeste de Medina, ao longo da rota de caravanas para Damasco. Eram principalmente judeus que moravam por ali.

8.03.19 -- O escravo ladrão

Thaur ibn Zayd me contou o seguinte sobre Salim, que contou ao ex-escravo de Abd Allah ibn Muti, que ouvira de Abu Huraira: “Quando saímos de Khaybar com Muhammad, levantamos acampamento ao por do sol, no começo da noite, ao lado de Wadi al-Qura. Muhammad tinha um escravo consigo, o qual Rifa’a ibn Zaid al-Judhami al-Dabini havia lhe dado. Quando ele estava removendo a sela de Muhammad, ele foi morto por uma flecha disparada por mão desconhecida. Ele disse: ‘Salve! Ele irá ao paraíso!’ Mas Muhammad respondeu: ‘De forma alguma; as vestes que ele roubou do espólio de Khaybar já estão queimando no inferno.’ Quando um dos companheiros de Muhammad ouviu essas palavras, ele foi a Muhammad e disse: ‘Mensageiro de Allah, eu roubei duas tiras para minhas sandálias!’ Então Muhammad respondeu: ‘Por isso, uma porção do fogo do inferno será partilhada com você!’”*

* Muhammad instigou o medo do inferno em seus seguidores, de modo que eles não roubariam dos espólios antes da distribuição.

8.03.20 -- O casamento de Muhammad com a judia Saffiya (junho de 628 d.C.)

Muhammad se casou com Saffiya em Khaybar ou em uma das paradas ao longo do caminho. Umm Sulaym, a filha de Milhan e mãe de Anas ibn Malik, adornou a noiva e preparou seu cabelo, e Muhammad passou a noite com ela em uma tenda. Abu Ayyub Khalid ibn Zaid, um irmão dos Banu al-Najjar, fez círculos à volta da tenda e a protegeu com espada em mãos. Quando Muhammad o viu de manhã, ele o perguntou o que estava fazendo. Ele respondeu: “Eu estive com medo por você por causa dessa mulher, cujo pai, marido e parentes foram mortos por você, e porque ela era, até recentemente, uma descrente.” É dito que Muhammad teria respondido: “Que Allah o proteja, Abu Ayyub, como ele tem me protegido!”*

* Após a batalha, Muhammad não deixou de consumar seu casamento com a viúva judia em sua tenda, embora seu marido, seu pai e seus parentes tivessem sido há pouco mortos pelos muçulmanos, e ainda enquanto os corpos deles provavelmente continuavam expostos no campo.

8.03.21 -- Como a oração da manhã foi esquecida

Quando Muhammad deixou Khaybar, ele perguntou ao longo do caminho, sendo que já era quase o fim da noite: “Quem observará o nascer do sol para nós, de modo que não o percamos enquanto dormimos?” Bilal respondeu: “Eu!” Então Muhammad desceu de seu camelo e seus companheiros fizeram o mesmo. Eles dormiram imediatamente. Bilal ficou de pé e orou tanto quanto agradava a Allah. Então ele se recostou em seu camelo e se virou para o leste, a fim de aguardar o nascer do sol. Mas seus olhos se fecharam e ele caiu no sono. Foram apenas os raios do nascer do sol que o despertaram novamente. Muhammad foi o primeiro a acordar. Ele chamou a Bilal: “O que você fez conosco?” Bilal respondeu: “Ó, mensageiro de Allah! O que o deteve, também me deteve!” Muhammad respondeu: “Você falou a verdade!” Então Muhammad conversou um pouco e fez seu camelo se abaixar. Então se lavou e ordenou que Bilal fizesse o chamado à oração. Quando já havia terminado a oração, ele se virou para eles e disse: “Caso vocês se esqueçam de orar, façam a oração o quanto antes vocês lembrarem, porque Allah, o Louvado, me revelou: ‘Realizem sua oração logo que vocês se lembrarem.’”

Conforme me foi relatado, Muhammad deu a Ibn Luqaim al-‘Absi todos os frangos e outros animais domésticos que foram capturados em Khaybar.

A conquista de Khaybar ocorreu no mês de Safar (2º mês).

8.03.22 -- Uma mulher dos Banu Ghifar fala

“Eu fui a Muhammad com outras mulheres de minha tribo, já que queríamos sair de Khaybar. Nós dissemos a ele: ‘Nós queremos te acompanhar, a fim de cuidarmos dos feridos e de apoiarmos os crentes o quanto pudermos.’ Muhammad respondeu: ‘Com a bênção de Allah!’ Então saímos com ele. Como naquele tempo eu ainda era muito nova, Muhammad me deixou sentar na almofada de trás de seu camelo. Pela manhã, Muhammad desmontou e fez seu camelo de abaixar. Quando eu também desmontei, havia sangue na almofada – foi minha primeira menstruação. Eu me agarrei firmemente ao camelo e fiquei com vergonha. Quando Muhammad percebeu isso, ele também viu o sangue, e perguntou: ‘Você está menstruada?’ Eu respondi que sim. Então ele ordenou: ‘Então se limpe! Traga uma vasilha com água, jogue sal nela e lave o sangue da almofada. Então volte ao seu animal de viagem.’

Quando Muhammad conquistou Khaybar, ele nos deu algumas coisas dos espólios. Ele me deu o colar que você vê em meu pescoço. Ele mesmo o pôs em mim. Por Allah, eu nunca me separarei dele.” Ela usou o colar à volta de seu pescoço até que morreu, e, conforme seu último desejo, ela foi enterrada com ele. Sempre que ela estava impura, ela usava sal para se limpar e deu a instrução que deveriam usar sal para lavar seu corpo na ocasião de sua morte.

8.03.23 -- O martírio do pastor de ovelhas al-Aswad

O pastor de ovelhas al-Aswad foi a Muhammad enquanto cercava as fortalezas de Khaybar. Al-Aswad tinha um rebanho consigo que um judeu o havia incumbido de cuidar. Ele pediu que Muhammad o explicasse o islã. Como Muhammad jamais desprezou alguém para não convertê-lo, ele explicou os básicos do islã. Quando al-Aswad se converteu ao islã, ele perguntou a Muhammad o que deveria fazer com as ovelhas que foram confiadas aos seus cuidados a fim de receber um salário. Muhammad respondeu: “Bata no rosto delas e elas retornarão ao seu dono!” Al-Aswad pegou um punhado de cascalho e atirou contra o rebanho. “Voltem ao seu dono!”, ele gritou a elas, “porque, por Allah, não estarei mais com vocês!” Então elas saíram juntas para a fortaleza, como se alguém as estivesse conduzindo.

Al-Aswad também avançou contra a fortaleza, a fim de atacá-la com os crentes. Então uma pedra o acertou e o matou, antes mesmo de ele poder realizar uma única oração. Então levaram-no a Muhammad. Ele o deitou atrás de si e o cobriu com suas vestes. Muhammad olhou para ele por um momento e depois se voltou para o outro lado. Alguns de seus companheiros que estavam presentes perguntaram por que ele se virou para o outro lado. Muhammad respondeu: “Porque agora suas duas esposas com olhos de gazelas estão com ele.”*

* As imaginações eróticas e fantasiosas da vida dos mártires no paraíso serviam para estimular os guerreiros na batalha com risco de morto, já que a morte como mártir os garantiria prazeres e contentamentos inimagináveis.

8.03.24 -- As trapaças de Hajjaj

Após a conquista de Khaybar, al-Hajjaj ibn Ilat, o sulamita, disse que ainda deviam-lhe dinheiro em Meca, tanto de sua companheira Umm Shaiba, a filha de Abu Talha, com quem ele vivera junto e de quem nasceu-lhe seu filho Mu'rid, bem como de alguns comerciantes. Ele pediu permissão para viajar a Meca. Quando Muhammad deu-lhe a permissão, ele adicionou: “Mas eu preciso contar mentiras!” Muhammad respondeu: “Diga o que você quiser!”*

* Muhammad frequentemente permitiu mentir a seus inimigos, já que ele proclamou que mentir seria uma arma legal em Guerra Santa. Para os se-guidores de Jesus, porém, foi ordenado: “Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros.” (Efésios 4:25)

“Então eu parti,” Hajjaj explicou, “e quando cheguei à altura de al-Baida, eu encontrei um grupo de coraixitas que estavam buscando informações sobre Muhammad, porque ouviram que ele havia saído contra Khaybar. Eles sabiam que aquela localização em Hijaz era fértil, bem fortificada, e que havia muitos guerreiros por lá. Agora estavam ansiosos por notícias da caranava.

Quando eles me viram, eles gritaram: ‘Ali está al-Hajjaj ibn Ilat. Com certeza ele sabe algo de novo.’ (Eles não sabiam que nesse meio tempo eu havia me convertido ao islã.) ‘Nos dê notícias, Abu Muhammad! Nós ouvimos que o corrupto (Muhammad) saiu contra Khaybar, a principal cidade dos judeus e armazém de Hijaz.’ Eu respondi: ‘Eu também ouvi isso e trago a vocês uma notícia que os alegrará!’ Então eles correram à volta de meu camelo e impacientemente exclamaram: ‘Conte logo, Hajjaj!’ E disse: ‘Ele foi levado a batalhar. Vocês nunca viram uma batalha assim. Seus companheiros foram derrotados de uma forma que vocês nunca viram derrotar similar. O próprio Muhammad foi tomado cativo. Os judeus não quiseram matá-lo, mas o enviaram a Meca para que fosse morto entre os mecanos como retaliação pelos mecanos que ele matou.’

O povo correu e gritou em Medina: ‘Boas notícias chegaram! Logo vocês verão Muhammad ser trazido a vocês para ser morto em seu meio!’ Então eu disse: ‘Me ajudem recuperar o dinheiro que me devem em Meca. Eu quero correr a Khaybar para comprar os espólios antes que outros comerciantes cheguem primeiro.’

Eles saíram e, usando grande opressão, ajuntaram todo o meu dinheiro. Então fui à minha companheira, com quem deixei dinheiro para que guardasse, e exigi que me devolvesse, de modo que eu poderia ir a Khaybar para comprar a mercadoria que estava à venda antes que outros comerciantes comprassem.*

* Jesus Cristo, porém, disse: “Não acumulem para vocês tesouros na terra” (Mateus 6:19).

Quando al-‘Abbas ficou sabendo dessa notícia, ele saiu e me encontrou no canto dos comerciantes e me disse: ‘Que novas notícias vocês trás?’ Eu o perguntei: ‘Você guardará segredo o que eu vou te contar?’ Ele respondeu: ‘Sim.’ Então eu disse: ‘Saia até que eu te encontre em um lugar isolado. Agora estou ocupado, como você pode ver, estou ajuntando meu dinheiro. Deixe-me sozinho até que eu termine isso!’ Quando eu já havia ajuntado tudo e quis partir, eu encontrei al-‘Abbas novamente e disse-lhe: ‘Guarde segredo por três dias, ó Abu al-Fadl, o que vou te econtar, porque receio que serei perseguido. Depois você pode dizer o que quiser!’ Quando al-‘Abbas prometeu, eu disse: ‘Por Allah, quando deixei seu sobrinho (Muhammad), ele estava se casando com a filha do princípe deles (que é Saffiya). Ele conquistou Khaybar e tomou como espólio tudo o que pertencia a eles, e agora tudo pertence a ele e aos seus companheiros.’ – ‘O que você está dizendo?’ al-‘Abbas perguntou. Eu respondi: ‘É verdade, por Allah, mas guarde segredo. Eu mesmo me tornei muçulmano e vim aqui apenas para recuperar meu dinheiro. Tinha medo de que não o recuperasse mais. Em três dias você pode revelar tudo, então, por Allah, poderá fazer conforme sua vontade.’

No terceiro dia, al-‘Abbas vestiu uma veste externa listrada, se esfregou com uma fragrância perfumada, pegou uma muleta e começou a andar à volta da Caaba. Quando as pessoas o viram, elas disseram: “Por Allah, preparem-se, porque um grande infortúnio aconteceu.” Al-‘Abbas respondeu: ‘Por Allah, por quem vocês têm jurado, Muhammad conquistou Khaybar e se tornou o marido da filha do príncipe deles. Ele tomou todas as posses e tudo o que Khaybar continha como espólio. Agora tudo pertence a ele e a seus companheiros.” Eles perguntaram: “E quem foi que te trouxe essas notificas?” Ele respondeu: “A mesma pessoa que trouxe notícias a vocês! Ele veio a vocês como muçulmano, pegou seu dinheiro e partiu de volta a Muhammad e a seus companheiros.” Então eles exclamaram: “Ó, servo de Allah! O inimigo de Allah escapou. Por Allah, se soubéssemos disso, coisas sérias teriam acontecido entre nós.’ Logo depois, essas mesmas notícias chegaram vindas de outras fontes.’

8.03.25 -- A divisão do espólio em Khaybar

Os bens de Khaybar, Shaq, Natat e Katiba foram distribuídos da seguinte forma: Shaq e Natat foram divididos em lotes entre os muçulmanos. Katiba foi considerada a quinta parte para Allah, o profeta, sua família, os órfãos e os pobres, bem como para apoio às esposas de Muhammad e por aqueles que negociaram a paz de Fadak. Ao último grupo pertenceram Muhayissa, a quem Muhammad deu trinta cargas de cevada e trinta cargas de tâmaras. O espólio de Khaybar foi distribuído entre todos aqueles que fizeram a jornada de Hudaybiya, independentemente de estarem ou não presentes em Khaybar. O único ausente foi Jabir ibn Abd Allah ibn Amr ibn Haram.

Khaybar tinha dois vales: Surair e Khas. Esses formavam as cidades-estado de Shaq e Natat, que foram divididas em dezoito lotes; Natat em cinco e Shaq em treze. Foram distribuídos em 1800 partes, sendo que 1400 homens, incluindo 200 cavaleiros, participaram da campanha. Os cavaleiros receberam três partes – uma parte para o homem e duas para o cavalo; cada cem homens, cada qual com um comandante, formavam uma unidade para um lote.

Então Muhammad dividiu Katiba, que é o vale de Khas, entre seus parentes, suas esposas e outros homens e esposas dos crentes. Sua filha Fátima recebeu 200 cargas de grãos; Ali 100; Usama ibn Zaid 250; Aisha 200; Abu Bakr 100; Aqil, o filho de Abu Talib, 140; os filhos de Ja'far 50; Rabi’a ibn al-Harith 100; Salt ibn Makhrama e seus dois filhos 100, sendo que 40 foram para Salt; Abu Nabiqa 50; Rukana ibn Abd Jazid 50; Qays ibn Makhrama 30; Abu al-Qasim ibn Makhrama 40; as filhas de Ubaida ibn al-Harith e a filha de Husain ibn al-Harith 100; os filhos de Ubaid ibn Abd Jazid 60; um filho de Aus ibn Makhrama 30; Mistah ibn Uthana e Ibn Ilyas 50; Umm Rumaitha 40; Nua’im ibn Hind 30; Buhaina, a filha de al-Harith, 30; Ujair ibn Abd Jazid 30; Umm al-Hakam, a filha de Zubair ibn Abd al-Muttalib, 30; Jumana, a filha de Abu Talib, 30;. Umm al-Arkan 50; Abd al-Rahman ibn Abu Bakr 40; a filha de Jahsh, 30; Umm Zubair 40; Dubaa, a filha de Zubair, 40; Ibn Abi Khunais 30; Umm Talib 40; Abu Basra 20; Numaila al-Kalbi 50; Abd Allah ibn Wahb e seus dois filhos 90, dos quais 40 foram para os filhos; Umm Habib, a filha de Jahsh, 30; Malku ibn Abd 30 e suas próprias esposas 700.*

* Agora os muçulmanos viviam das riquezas dos judeus, especialmente porque, após o trato de paz de Hudaibiya, não foi mais possível atacar as caravanas de Meca.

8.03.26 -- A história de Abd Allah ibn Sahl

Os judeus permaneceram em Khaybar e os muçulmanos não haviam encontrado comportamento reprovável neles, até que, apesar do pacto de paz que fizeram com Muhammad, eles se tornaram suspeitos do assassinato de Abd Allah ibn Sahl. Zuhri e Bushair ibn Yasar, um ex-escravo dos Banu Haritha, me contou da parte de Sahl ibn Abi Khatma, que Abd Allah ibn Sahl havia sido assassinado. Ele havia saído com alguns companheiros para colher tâmaras. Depois ele foi encontrado em uma cisterna com o pescoço quebrado. Depois ele foi retirado do poço e enterrado. Quando os companheiros retornaram a Muhammad e contaram-lhe o que havia ocorrido, o irmão de Abd Allah, Abd al-Rahman, se adiantou com seus dois primos Huwayisa e Muhayisa, os filhos de Mas’ud. Abd al-Rahman era o mais moço e mais ousado dos três, cujo dever era, como parente mais próximo, assumir a vingança de sangue. Quando ele quis falar diatne de seus primos, Muhammad disse: “O mais velho primeiro! O mais velho primeiro!” Então ele ficou quieto até que seus primos falaram. Então ele falou do assassinato que ocorrera. Então Muhammad perguntou: “Você pode dizer o nome do assassino e jurar sua acusação com cinquenta votos? Então entregaremos o assassino a você.” Eles responderam: “Nós não podemos jurar pelo que não sabemos.” – “Então,” Muhammad disse, “cinquenta judeus devem jurar que eles não o mataram e que não sabem quem é o assassino. Então não coloque a culpa do sangue sobre eles.” A isso responderam: “Nós não aceitaremos juramento de nenhum judeu porque a infidelidade já é maior do que qualquer falso juramento.” Então Muhammad deu a al-Rahman cem de seus próprios camelos como expiação do sangue.

8.03.27 -- O subsequente exílio dos judeus de Khaybar (após 636 d.C.)

Eu perguntei a Ibn Shihab como que Muhammad devolveu aos judeus de Khaybar suas tamareiras, se ele apenas os emprestou até sua morte para receber o pagamento de impostos ou se foi de uma ou de outra forma algum tipo de contrato. Ele me respondeu: “Muhammad conquistou Khaybar em uma campanha militar. Allah deu-lhe Khaybar como espólio. Muhammad tomou a quinta parte e distribuiu as outras quatro partes entre os crentes. Os judeus se subjugaram e já estavam prontos para migrar. Muhammad disse a eles: ‘Eu os deixarei em sua propriedade e garantirei a vocês o que Allah vos deu se vocês cultivarem sua terra e desejaram compartilhar conosco uma parte do que produzirem.’ Os judeus aceitaram a proposta. Muhammad enviou Abd Allah ibn Rawaha para dividir a produção, o que, segundo sua estimativa, foi feito de maneira justa.”

Quando Muhammad morreu, Abu Bakr confirmou esse contrato. Umar vez o mesmo durante a primeira parte de seu governo. Então ele recebeu palavra do que Muhammad teria dito durante o fim de sua doença, de que não deveriam existir duas religiões na Península Árabe. Com isso quis dizer que o islã não toleraria outra religião no lugar de sua concepção. Umar fez questionamentos a esse respeito e, quando essas palavras foram confirmadas, ele fez saber aos judeus: “Allah me permitiu expulsá-los, porquanto Muhammad disse que não deveriam existir duas religiões lado a lado na Árabia. Quem puder provar que tem um contrato com Muhammad, que o traga a mim e eu o confirmarei. Quem não puder, que se prepare para emigrar. Então Umar baniu todos os judeus que não tinham um acordo.*

* Os cristãos de Wadi Najran, que tinham um contrato com Muhammad, sofreram o mesmo destino. Apesar de seus contratos, posteriormente eles foram expulsos por Umar, apenas com base em suspeitas infundadas.

Nafi’, um ex-escravo de Abd Allah ibn Umar, me contou o que ele disse: “Eu fui a Zubayr e Miqdad para visitar nossas terras em Khaybar. Durante a noite, enquanto eu dormia em minha cama, eu fui atacado. Ambas as minhas mãos foram arrancadas de minhas juntas. De manhã, meus companheiros gritaram por ajuda e perguntaram quem poderia ter feito isso comigo. Eu disse que eu não sabia. Então eles colocaram de volta minhas mãos em minhas juntas e me levaram a Umar, que exclamou: ‘Isso é obra dos judeus!’ Então ele deu o seguinte discurso: ‘Ó, povo! Em seu contrato com os judeus, Muhammad se reservou o direito de expulsá-los quando quisesse. Agora eles atacaram a Abd Allah ibn Umar, arrancando-lhe suas mãos, e, como vocês sabem, antes eles mataram um dos auxiliares. Sem dúvida, eles são assassinos, porque além deles não temos outros inimigos aqui. Portanto, quem tiver propriedades em Khaybar deve ir para lá agora porque eu vou expulsar os judeus de lá de uma vez por todas.’ E ele em breve os expulsou.”

Sufyan ibn ‘Uyayna me contou sobre al-Ajlah, que ouviu de Sha’bi: “Jafar, o filho de Abu Talib, foi a Muhammad no dia da conquista de Khaybar. Muhammad o beijou entre os olhos, o abraçou e disse: ‘Não sei qual é o maior motivo de alegria, se é a conquista de Khaybar ou se é pela chegada de Jafar.’”

Os seguintes emigrantes permaneceram na Abissínia, até que Muhammad enviou Amr ibn Umaiyya al-Damri a eles, que os trouxe de volta em dois barcos, chegando com eles bem no momento em que Muhammad estava em Khaybar, após os assuntos de Hudaybiya: Ja'far com sua esposa Asma’ e Abd Allah, seu filho nascido na Abissínia, bem como outros 16 homens com suas famílias. O Najashi os enviou de volta em dois barcos de Amr ibn Umaiyya.*

* Os migrantes muçulmanos retornaram da Abissínia após o islã ter alcançado posição de poder em Medina e condições sociais que pareciam aceitáveis. Eles conseguiram abriram com os cristãos da Abissínia e voltaram a Muhammad forlalecidos e com novas ideias.

8.04 -- Antes da conquista de Meca (629 d.C.)

8.04.1 -- A peregrinação contratada (março de 629 d.C.)

Após o retorno de Khaybar, Muhammad permaneceu os meses de Rabi’ (3º e 4º mês) e Jumada (5º e 6º mês) e os quatro meses seguintes em Medina. Nesse tempo, ele organizou diversas expedições para saques. In Dhu al-Qa’da (11º mês), o mês no qual os descrentes não o haviam autorizado a viajar a Meca outrora, ele seguiu em peregrinação conforme o contrato. Ele deixou Uwaif ibn al-Adbat al-Dili sobre Medina. Essa também é chamada de a “Peregrinação da Retribuição”, porque nesse mês sagrado Muhammad retribuiu aquilo que foi-lhe negado no ano anterior. Os muçulmanos, que anteriormente foram proibidos de peregrinar com ele, se uniram a ele, ao passo que os residentes de Meca saíram da cidade quando receberam informação de sua aproximação. Os coraixitas disseram entre si: “Muhammad e seus companheiros se enxerão de angústia, privação e aflição.”

Muitos mecanos se alinharam e enfileiraram em frente à prefeitura para observar o que Muhammad e seus companheiros fariam. Quando Muhammad entrou no santuário, ele lançou sua capa sobre seu ombro esquerdo, deixando seu braço direito visível. Ele disse: “Allah seja misericordioso para com o homem que hoje lhes revela sua força!” Então ele agarrou o pilar e continuou. Seus companheiros o seguiram, até que a Caaba o ocultou da vista dos mecanos. Então ele abraçou o pilar em direção ao Iêmen e, em seguida, a pedra negra. Dessa forma, ele deu três voltas e depois continuou mais de vagar. As pessoas acreditavam que não deveriam seguir sua prática. Muhammad fez assim apenas por causa dos coraixitas e por causa do que ouvira deles. Não obstante, quando Muhammad fez o mesmo durante a peregrinação de despedida, se tornou um costume santo, a prática que é esperada de cada muçulmano.*

* Muhammad introduziu no islã elementos fundamentais do culto animístico da Caaba. Provavelmente ele acertou esse compromisso com os delegados dos coraixitas durante as negociações de Hudaybiya, a fim de pacificamente ganhá-los para o islã. Ele quis manter a honra do centro de adoração e assegurar uma importante fonte de renda. Aos seus olhos, isso não diminuía a verdade de sua religião e nem a unicidade de Allah. Seu principal objetivo – a conquista de poder, também em Meca – ele já havia alcançado, mesmo que isso tenha lhe custado a verdade!

8.04.2 -- A entrada de peregrinação de Muhammad em Meca (Março de 629 d.C.)

Quando Muhammad entrou na cidade durante sua peregrinação, Abd Allah ibn Rawaha conduziu seu camelo e recitou o seguinte verso:

Abram caminho para ele, filhos dos descrentes! / Deem espaço! Tudo de bom depende do mensageiro. / Ó, Allah! Eu creio em suas palavras. / Eu reconheço a verdade divina em seu ser. / Nós lutamos por você por causa da verdade do Alcorão. / Nada mesmo do que pela própria revelação, / com golpes que movem cabeças e ombros, / e que fazem um amigo esquecer-se de seu amigo.

‘Ammar ibn Yasir compôs a última parte em outro dia. A prova de que Abd Allah se referia aos descrentes é a de que eles não acreditavam na revelação. Apenas aquele que crê na revelação pode lutar.

8.04.3 -- O casamento de Muhammad com Maimuna, em Meca (março de 629 d.C.)

Durante sua viagem, isto é, enquanto ele ainda peregrinava, Muhammad se casou com Maimuna, a filha de Harith. Al-‘Abbas fora casado com ela. Ela toou a sua irmã Umm al-Fadl como guardiã. Então ela se fundamentou na guarda de Al-‘Abbas, o qual a deu a Muhammad por esposa, e deu a ela 400 dirhams como dote.*

* Para Muhammad, a peregrinação nada tinha a ver com abstinência, mas com a expansão de seu poder. Ele queria tirar seu tio do animismo e levá-lo ao islã, e deixá-lo ainda mais ligado a si.

8.04.4 -- A partida de Muhammad de Meca e seu retorno a Medina (março e abril de 629 d.C.)

Muhammad permaneceu três dias em Meca. Huwaitib ibn bd al-‘Uzza veio com um número de coraixitas para solicitá-lo que partissem em nome deles. Eles disseram-lhe: “Seu tempo acabou. Deixe-nos agora!” Muhammad respondeu: “Vos causa algum mau se vocês me deixaram celebrar meu casamento em seu meio e se eu preparar um banquete a qual vocês também podem participar?” Eles responderam: “Não precisamos de seu banquete, então saia!” Então Muhammad saiu. Ele deixou seu ex-escravo Abu Raafi’ para trás com Maimuna, o qual posteriormente a levou consigo enquanto ele estava em Sarif, onde consumou o casamento com ela. Em Dhu al-Hijja (12º mês), Muhammad retornou a Medina.

8.04.5 -- A campanha de Mu'ta*: A primeira campanha contra os cristãos bizantinos (setembro de 629 d.C.)

Muhammad passou o restante de Dhu al-Hijja (12º mês) em Medina e deixou a peregrinação com os descrentes. Ele também passou o mês de Muharram (1º mês), Safar (2º mês) e os dois meses de Rabia em Medina. Em Jumada al-Ula (5º mês), a expedição (campanha) à Síria começou, o que levou à derrota em Mu'ta.

* “Mu'ta” é uma vila um pouco ao sul da cidade cristã de Busra, que fica há cerca de 980km ao noroeste de Medina e cerca de 45km ao sul do Mar da Galiléia, atual Jordânia.

A expedição a Mu'ta ocorreu em Jumada al-Ula (5º mês) do oitavo ano após a emigração. Muhammad designou Zaid ibn Haritha como líder e disse: “Se Zaid for morto, então Ja'far, filho de Abu Talib, há de ser seu sucessor. Se ele também cair, então deixe que Abd Allah ibn Rawaha assuma seu lugar.” As tropas, que eram de 3 mil fortes homens, se prepararam. Quando vestiram seus uniformes e já estavam prontas para marchar, aqueles que ficaram para trás se despediram deles. Quando eles também quiseram se despedir Abd Allah ibn Rawaha, bem como de outros líderes, ele chorou. Quando foi perguntado a razão de chorar, ele respondeu: “Por Allah, eu não me apego a este mundo. E nem chorei por amor por vocês. Mas eu ouvi como Muhammad recitou o verso do Alcorão, onde fala do inferno.” Ele diz: ‘E não haverá nenhum de vós que não tenha (queimado) por ele, porque é um decreto irrevogável do teu Senhor.’ (Sura Maria 19:71). Mas eu não sei como sairei de lá uma vez que lá estiver.”* Os crentes que estavam atrás disseram: “Que Allah esteja com você! Que ele ter proteja e o traga de volta a nós em piedade!”

* Muhammad ameaçou a seus seguidores com inferno e, possivelmente, por raiva tenha disso: “Vocês queimarão no inferno!” Depois ele adicionou que Allah liberaria do inferno aqueles que foram meticulosos para cumprir com seus deveres religiosos, que praticaram boas obras, que lutaram na Guerra Santa e que estavam preparados para morrer como mártir.
Que religião! O alcorão fundamentalmente confirma que todos os muçulmanos irão para o inferno. Essa declaração não veio de adversários do islã, mas é uma consequência da lei islâmica. Nenhum muçulmano cumpre fielmente todas as exigências da Sharia. Portanto, todo muçulmano inevitavelmente aguarda a condenação. Todos os muçulmanos irão para o inferno! Cada um deles irá para o inferno! Esse verso é uma das revelações mais horríveis do Alcorão. Todo mundo deveria se aterrorizar com o que é dito nesse verso.
Jesus trouxe uma mensagem diferente. Ele revelou: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:16-18). Jesus testemunho sobre essa mesma verdade novamente: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” João 5:24

Nessa ocasião, Abd Allah compôs:

Eu também imploro a Allah por sua graça, / e por golpes que porão fim ao inimigo, / sangue espumante que será jorrado, / ou por golpes de lança com mãos livres, / direcionadas para o inimigo, penetrando seus fígados e quadris, / de modo que aquele que passar por meu túmulo ouvirá: / “Allah, o conduziu ao bom caminho como guerreiro, / e ele seguiu por esse caminho.”

Quando as tropas chegaram a Ma’na*, na Síria, eles ouviram que Heraclius estava acampado com 100 mil gregos em Ma’ab, na província de Balqa’**. A eles se uniram 100 mil beduínos de Lakhm, Judham al-Qayn, Bahra’ e Baliyy.*** Eles estariam sob o comando de um homem de Baliyy, do ramo de Irasha, que se chamava Malik ibn Zaafila. Os muçulmanos permaneceram por dois dias em Ma’na a fim de pensar sobre o que deveriam fazer. Finalmente disseram: “Queremos obter informação de Muhammad. Ele pode tanto nos mandar reforços quanto nos dar ordem para agirmos.” Mas Abd Allah encorajou o povo e disse: “Vocês temem o que vocês viram, isto é, a morte como mártir. Nós não lutamos contra o inimigo o mesmo número ou força que nós, mas lutamos com a fé com que Allah nos honrou. Portanto, avancemos adiante! Diante de nós nos aguardam dois destinos: A vitória ou a morte como mártir”, assim, eles continuaram.

* “Ma’na”, uma localidade ao sua da Jordânia atual, que fica há cerca de 770km a noroeste de Medina.
** “Balqa” é uma região a leste do Mar Morto, na Transjordânia, que, quando considerada biblicamente, compõe a parte norte de Edom e toda a Moabe.
*** O número apresentado pode ter sido bastante exagerado. Se alguns zeros fossem removidos, os números provavelmente seriam reais.

8.04.6 -- O confronto contra os cristãos bizantinos em Mu’ta (setembro de 629 d.C.)

Quando as tropas chegaram à borda de Balqa’, grupos de tropas de Heraclius saíram para se encontrar com Masharif. Os muçulmanos se retiraram até Mu’ta, onde o inimigo se aproximou. Ali ocorreu a batalha. Os muçulmanos puseram-se em formação de batalha. Seu flanco direito era comandado por Qutba ibn Qatada, dos Banu ‘Udhra, e seu flanco esquerdo por um dos auxiliadores, ‘Ubaaya ibn Malik. Durante a batalha, o estandarte foi carregado por Zaid ibn Haritha*, até que ele sucumbiu por uma lança inimiga. Então ela foi tomada por Ja’far e, quando a batalha ficou ainda mais intensa, ele saltou de sua égua marrom, a aleijou e lutou até que foi morto. Ja’far foi o primeiro muçulmano a aleijar seu cavalo.

* Zaid ibn Haritha foi um homem libertado por Muhammad, o qual ele recebeu como um filho. Ele foi um dos primeiro muçulmanos (ver 5.5). Muhammad cobiçou a esposa de seu filho adotivo e finalmente a tomou por esposa (veja 26.2).’'

Um estudioso de confiança me contou: “Ja’far primeiro tomou o estandarte em sua mão direita. Quando ela foi arrancada, ele o carregou com a esquerda. Quando ela também foi errancada, ele a agarrou firmemente com ambos os braços até que foi morto. Ja’far tinha apenas 33 anos de idade, e por isso Allah deu-lhe duas asas, com as quais ele podia voar pelo paraíso à vontade. É dito que um grego o cortou em duas metades com um único golpe.”

Quando Ja'far foi morto, Abd Allah ibn Rawaha tomou o estandarte, bem como também a espada, seguiu adiante e lutou até que também foi morto. Thabit ibn Aqram tomou o estandarte e ordenou às tropas que escolhessem um líder. Ele mesmo foi escolhido, mas ele não aceitou a designação, de modo que Khalid ibn al-Walid foi escolhido. Ele tomou o estandarte, o defendeu contra o inimigo e protegeu seus homens iniciando uma retirada. O inimigo também se retirou, de modo que pôde conduzir o exército de volta para casa.

8.04.7 -- Muhammad anuncia a derrota

Após a derrota, Muhammad exclamou: “Zaid carregou a bandeira e lutou até ser ferido. Então Ja'far a carregou, até que ele também morreu como mártir.” Então Muhammad ficou em silêncio, de modo que o rosto dos auxiliadores se encheu de consternação, porque temia que fossem ouvir algo desagradável sobre Abd Allah. Mas Muhammad logo continuou: “Então Abd Allah tomou o estandarte e lutou até que ele, também, morreu como mártir. Eu os vi,” ele continuou, “como em um sonho, como que se eles tivessem se levantado diante de mim para se sentar em tronos dourados no paraíso. Eu também percebi que o trono de Abd Allah ficou um pouco para trás dos outros dois, e quando perguntei a razão, me disseram que foi porque eles aceitaram imediatamente a morte, enquanto Abd Allah primeiro hesitou.” Quando a morte de Ja'far foi anunciada, Muhammad aparentou estar muito triste. Então um homem foi a ele e disse: “Ó, mensageiro de Allah! As mulheres nos enfraquecem com seus lamentos e nos desviam.” Muhammad respondeu: “Vá até elas e diga a elas que façam silêncio.” O homem logo voltou e disse a mesma coisa, e adicionou que isso poderia feri-las. Muhammad respondeu: “Volte e ordene que elas fiquem em silêncio. Se elas não ficarem em silêncio, então meta areia em suas bocas.”*

* O apóstolo Paulo disse: “Chorem com os que choram” (Romanos 12:15). Que brutalidade de parte de Muhammad ordenadr que enchessem a boca das mulheres enlutadas com areia para fazê-las ficarem quietas! Também pode ser que o luto tenha sido suprimido a fim de convertê-lo em raiva e em ódio, com vistas a uma nova campanha de vingança.

8.04.8 -- A entrada das tropas derrotadas em Medina

Khalid e seus seguidores viram-se no caminho de volta a Medina. Quando se aproximaram de Medina, Muhammad e outros muçulmanos saíram para encontrá-los. As crianças correram na frente. Muhammad, montando uma mula, seguiu com os outros. Muhammad ordenou: “Peguem as crianças e me deem o filho de Ja'far!” Abd Allah ibn Ja'far foi levado a ele e o carregou à sua frente. O povo jogou terra contra as tropas e gritou: “Ó, seus fujões! Vocês abandonaram o caminho de Allah!” Muhammad respondeu: “Eles não são fujões! Eles vão, se Allah quiser, repetir o ataque.”*

* A total derrota dos muçulmanos em Mu'ta subsequentemente os forçou a uma vingança de sangue e posteriormente os motivou em suas conquistas da Síria e do Egito.

8.05 -- Teste

Prezado leitor,
Se você estudou com atenção esse volume, você facilmente será capaz de responder às seguintes questões. Quem responder corretamente 90% dessas questões, nos 11 volumes desta série, receberá de nosso centro um certificado escrito de reconhecimento em:

Estudos Avançados
da vida de Muhammad à luz do Evangelho

- como encorajamento para o futuro serviço para Cristo.

  1. O que aconteceu como resultado do casamento de Muhammad com Juwairiya?
  2. Como defamaram a Aisha, a esposa mais jovem de Muhammad? Como Muhammad reagiu a isso?
  3. Por que Muhammad peregrinou à pagã Meca?
  4. Qual foi o conteúdo do tratado de paz de Muhammad com os mecanos pagãos em Hudaybiya?
  5. Quais direitos as mulheres que escolherem ser muçulmanas tinham?
  6. Por que Muhammad conduziu uma campanha militar contra os judeus em Khaybar?
  7. Como Muhammad lidou com os judeus em Khaybar?
  8. Quais foram as condições citadas no tratado de paz de Khaybar?
  9. Por que Zainab, a filha de al-Harith, tentou envenenar a Muhammad?
  10. Por que um muçulmano com espada em mãos vigiou a tenda de Muhammad enquanto Muhammad consumava seu casamento com a judia Safiyya? O que Muhammad fizera aos parentes dela pouco antes?
  11. Por que os judeus foram posteriormente expulsos de Khaybar?
  12. Qual foi o contexto em que a Sura al-Fath (48) foi revelada?
  13. Com que Muhammad se casou durante sua peregrinação contratual a Meca?
  14. O que ocorreu durante a primeira campanha militar de Muhammad contra os cristãos bizantinos em Mu'ta?

Todo participante deste teste está autorizado, com o propósito de responder as questões, a usar qualquer livro disponível ou a questionar pessoas de confiança, conforme desejado. Aguardamos respostas escritas, incluindo seu endereço completo, seja em papel ou e-mail. Oramos a Jesus, o vivo Senhor, para que Ele possa chamá-lo, enviá-lo, fortalecê-lo e preservá-lo todos os dias de sua vida!

Unidos com você a serviço de Jesus,
Abd al-Masih e Salam Falaki.

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