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Home -- Portuguese -- 04. Sira -- 7 As GUERRAS de Muhammad ao redor de Medina (625 a 627 d.C.)

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04. A VIDA DE MUHAMMAD SEGUNDO IBN HISHAM

7 - As GUERRAS de Muhammad ao redor de Medina (625 a 627 d.C.)

A derrota em Uhud e suas consequências (março de 625 d.C. até 626 d.C.) -- A Batalha da Trincheira e suas consequências (março – maio de 627 d.C.)


7.01 -- Titulo
7.02 -- A derrota em Uhud e suas consequências (março de 625 d.C. até 626 d.C.)


7.01 -- As GUERRAS de Muhammad ao redor de Medina (625 a 627 d.C.)

Segundo Ibn Ishaq (falecido em 767 d.C.) Editado por Abd al-Malik Ibn Hischam (falecido em 834 d.C.)

Tradução original editada a partir do árabe por Alfred Guillaume

Uma seleção de anotações por Abd al-Masih e Salam Falaki

7.02 -- A derrota em Uhud e suas consequências (março de 625 d.C. até 626 d.C.))

7.02.1 -- Os eventos que levaram à Batalha de Uhud*

Segundo os relatos de Muhammad ibn Muslim al-Zuhri e de outros estudiosos, cujas tradições combinei em um único relato, o encontro em Uhud deu-se da seguinte forma: após a derrota dos coraixitas em Badr, quando aqueles que haviam fugido e também Abu Sufyan e sua caravana já haviam retornado a Meca, Abd Allah ibn Abi Rabi’a, ‘Ikrima ibn abi Jahl e Safwan ibn Umayya e outros coraixitas, os quais, em Badr, perderam pais, filhos ou irmão, foram ter com Abu Sufyan e com aqueles que negociaram com a caravana e disseram-lhes: “Muhammad o maltratou e matou os melhores entre vocês. Sacrifique seus bens para batalhar contra ele. Talvez possamos nos vingar de nossa derrota.” Os coraixitas disseram que estavam preparados para tal. Contra eles, Allah revelou, conforme outro estudioso me explicou: “Eis que os incrédulos malversam as suas riquezas, para desviarem (os fiéis) da senda de Deus. Porém, malversá-las-ão completamente, e isso será a causa da sua atribulação; então, será vencidos. Os incrédulos serão congregados no inferno.” (Sura al-Anfal 8:36).

* “Uhud” é uma montanha que fica cerca de 8km de Medina.

Quando Abu Sufyan e aqueles da caranava empregaram o dinheiro necessário, os coraixitas e seus aliados, entre os quais o clã de Kinana e os habitantes de Tihama, que eram-lhes obedientes, decidieram batalhar contra Muhammad. Abu ‘Azza Amr ibn Abd Allah al-Jumahi, um homem pobre de uma família bastante grande, fora capturado em Badr e, então, libertado por Muhammad, foi solicitado por Safwan ibn Umayya para sair com os coraixitas e para auxiliá-los como poeta com sua língua. Ele respondeu: “Muhammad me perdoou. Eu não farei coisa alguma contra ele.” Safwan disse: “Você precisa nos ajudar. Se você voltar para casa após a aguerra, eu te farei rico. Se você cair, eu tratarei suas filhas como se fossem minhas, compartilhando com elas o bom e o mau.” Com isso, Abu ‘Azza foi a Tihama e convocou os Banu Kinana à batalha.

Jubayr ibn Mut’im chamou seu escravo abissínio Wahshi, o qual era habilidoso para atirar lanças, segundo a maneira dos abissínios, de modo que ele raramente errava seu alvo, e disse-lhe: “Saia com o povo, e se você matar Hamza, o tio de Muhammad, vingando, assim, meu tio Tuayma ibn Adi, você estará livre.”

7.02.2 -- A partida dos coraixitas

Os coraixitas partiram com toda sua força e poder, juntamente com seus aliados e com aqueles que os seguiam dentre os Banu Kinana e os habitantes de Tihama. Suas mulheres também os acompanharam, de modo que os homens estariam mais ocupados com a guerra e não com outras coisas. Abu Sufyan, o comandante, tomou a Hind, filha de ‘Utba, consigo. Sempre que Hind passava por Wahshi, ela dizia-lhe: “Ó, Abu Dasma” (porque assim ele era chamado), “sacie sua sede de vingança e se revitalize!” Os coraixitas seguiram adiante, até duas nascentes d’água nas montanhas, na faixa de Sabkha, próximo a Qanat, nos limites do vale, ao longo de Medina.

7.02.3 -- A visão de Muhammad

Quando Muhammad e seus companheiros ouviram onde os coraixitas estavam acampados, ele disse: “Por Allah, eu tive uma verdadeira visão. Eu vi touros e um entalhe na lâmina de minha espada. Eu também pus minha mão em uma forte cota de malha, a qual, segundo a interpretação, representa Medina. Eu vi como os touros ficaram ansiosos por serem mortos. O entalhe na lâmina de minha esposa significa a morte de um de meus parentes.” Muhammad continuou: “Se vocês querem, continuem em Medina e deixem o inimigo em seu acampamento, ele estará em uma posição ruim se continuar lá. Mas se ele invadir o lugar em que estamos, então teremos de lutar contra eles no meio da cidade.” Abd Allah ibn Ubayy compartilhou desse ponto-de-vista, e Muhammad, de forma alguma desejoso, partiu para encontrar o inimigo.

Alguns muçulmanos que não estavam envolvidos na batalha em Badr ainda assim foram agraciados por Allah para morrer como mártires em Uhud, disseram uns aos outros: “Ó, mensageiro de Allah, nos conduza ao inimigo! Ele não nos terá por fracos e covardes!”

Abd Allah perguntou a Muhammad se poderia permanecer em Medina. “Ele disse: ‘Nós nunca saímos contra um inimigo sem derrotá-lo, e não houve quem nos atacasse na cidade que nós não déssemos o troco. Portanto, deixe-o. Se eles ficarem, eles estarão em uma situação difícil. Se eles forçarem a entrada em nossa cidade, então nossos homens os encontrarão, enquanto nossas mulheres e crianças jogarão pedras neles. Se eles recoarem, se cobrirão de vergonha, tal como vieram.’”

Mas os militantes pressionaram a Muhammad até que ele foi à sua casa e tomou seu brasão. Era uma sexta-feira, após a oração. Muhammad orou pelo auxiliador Malik ibn Amr, dos Banu al-Najjar, que havia morrido naquele dia, e somente então saiu com suas tropas. Agora eles se arrependiam do que haviam dito: “Nós não deveríamos ter forçado a Muhammad!” Então eles disseram-lhe: “Não te induzimos e isso não é certo! Se você quer, então fique aqui, Allah terá misericórdia de você!” Muhammad respondeu: “Não é adequado para um profeta que tomou seu brasão despir-se dele antes de ter lutado.” Então ele saiu com mil de seus companheiros.

7.02.4 -- A retirada dos hipócritas

Quando chegaram a Shawt, entre Medina e Uhud, Abd Allah se separou de Muhammad com um terço do povo e disse: “Ele ouviu aos outros e não deu ouvidos ao meu concelho. Ó, povo, não sabemos por que haveríamos de nos deixar morrer.” Abd Allah retornou com os hipócritas e duvidosos entre seu povo.

Abd Allah ibn Amr ibn Haram, um irmão dos Banu Salama, se apressou para alcançá-los e disse-lhes: “Eu os admoesto, por Allah, a não abandonar seu povo e seu profeta à face do inimigo!” Eles responderam: “Se soubéssemos que haveria uma batalha, nós não os abandonaríamos, mas não achamos que isso irá acontecer.” Quando eles continuaram com sua teimosia, ele disse: “Que Allah os amaldiçoe, seus inimigos de Allah! Ele os tornará dispensáveis para seu profeta!”

Outra pessoa que não Ziyad relatou que, naquele dia de Uhud, os muçulmanos teriam dito a Muhammad: “Não deveríamos chamar nossso aliados judeus para nos ajudar?” Mas ele respondeu: “Nós não precisamos deles!”

Ziyad relatou: “Muhammad pressionou em direção ao campo rochoso ds Banu Harith. Lá, uma égua balançou sua calda de um lado para o outro e tocou o gancho que prendia uma espada, de modo que ela caiu da bainha. Muhammad, que via algumas coisas como mal agouro*, mesmo sem se indagar sobre o vôo de passários e eventos similares, disse ao que carregava a espada: ‘Saque sua espada, porque vejo que hoje nossas espadas serão sacadas.’”

* Os adivinhos previam o futuro a partir do voo de pássaros ou das pegadas de animais.
O autor tenta refutar cada traço de influência e práticas e costumes pagãos na vida de Muhammad, especialmente quando algumas tradições dão a impressão de que de tempos em tempos o próprio Muhammad agisse como um adivinho.

Então ele disse a seus companheiros: “Quem irá conosco contra o inimigo por um caminho superior, onde ele não nos encontrará?” Abu Haythama, um irmão dos Banu Haritha, disse: “Eu, mensageiro de Allah!” Eles seguiram pela passagem ao longo do campo dos Banu Haritha e entre suas propriedades, até que chegaram ao campo do cego Mirba ibn al-Qaizi, que era um hipócrita. Quando ele ouviu a voz de Muhammad e de seus companheiros, ele jogou terra em seus rostos e exclamou: “Ainda que você seja um mensageiro de Allah, eu não te deixarei entrar em meu jardim.” Com isso, o povo se levantou para matá-lo, mas Muhammad disse: “Não o matem! Seus olhos e seu coração estão cegados.” Mas antes que Muhammad pudesse falar, Sa'd ibn Zaid, um irmão dos Banu Abd al-Ashhal, já havia pulado sobre ele e feriado sua cabeça com seu arco.”

7.02.5 -- Muhammad se prepara para a batalha

Então Muhammad seguiu à ravina de Uhud, onde o vale corre em diração à montanha. Ali ele acampou. Às costas, a montanha de Uhub o protegeu. Ele proibiu seu povo de começar a lutar até que ele desse a ordem. Os coraixitas deixaram seus animais, que estavam de reserva e deixados nos flancos, pastar os grãos sobre os campos de Samgha, que pertenciam aos muçulmanos. Quando Muhammad impediu de começar a batalha, um dos companheiros disse: “As plantações de grãos dos filhos de Qayla deveriam ser colhidas sem que lutássemos?” Com isso, Muhammad pôs seu povo, que era de cerca de 700 homens, em posição de batalha. Ele posicionou Abd Allah ibn Jubair, dos Banu Amr ibn Auf, que se distinguia com suas roupas brancas, como cabeça de 50 arqueiros, e disse: “Mantenha os cavaleiros inimigos afastados de nós com suas flechas, de modo que eles não cairão sobre nós vindos por trás. O encontro pode ter um desfecho favorável ou ruim para nós; você permanecerá em seu posto de modo que não seremos atacados pelos lados.”

Muhammad protegeu-se com duas camadas de armadura.* Ele deu o estandarte a Mus’ab ibn ‘Umayr. Muhammad também levou às fileiras, naquele dia, Samura ibn Jundub e Raafi’ ibn Khadij, um irmão dos Banu Haritha. Ambos tinham apenas quinze anos de idade. Antes ele os havia mandado embora. Mas disseram-lhe: “Raafi’ é um bom arqueiro!” Quando ele o alistou, foi-lhe dito: “Samura pode apoiar Raafi’.” Então ele também o tomou. Mas ele se recusou a tomar Usama ibn Zaid, Abd Allah ibn Umar, Zaid ibn Thabit, dos Banu Malik, Bara ibn Azib, dos Banu Haritha, Amr ibn Hazm, dos Banu Malik e Usayd ibn Zuhair, dos Banu Haritha, que também tinha apenas 15 anos de idade. Porém, ele os deixou participar da Batalha da Trincheira.

* O peitoral duplo ofereceu proteção adicional. Jesus e Seus apóstolos não usaram armaduras e nem armas para encarar seus inimigos. A armadura do cristão é de natureza espiritual (Efésios 6:11-17). Embora Jesus possuísse todo poder (cf. Mateus 28:18), até mesmo sobre Sua própria vida (cf. João 10:18), ele ainda assim confrontou Seus inimigos sem ar-mas, e disse: “Eu estou aqui. Se é a mim que vocês procuram, deixem esses homens seguirem seu caminho!” (João 18:6,8).

Os coraixitas, que eram cerca de 3 mil homens, incluindo 200 cavaleiros nos flancos, que eram comandados por Khalid ibn Walid e ‘Ikrima, também se puseram em posição de batalha.

7.02.6 -- A respeito de Abu Dujana

Muhammad disse: “Quem comprará essa espada pelo preço que ela vale?” Muitos se levantaram. Mas Muhammad não a deu ninguém, até que Abu Dujana Simak ibn Kharasha, um irmão dos Banu Sa'ida, se adiantou e perguntou: “Qual é o preço?” Muhammad disse: “Você deve golpear o inimigo até que ela se curve.”* - “Então dê para mim”, disse Abu Dujana, e Muhammad entregou-lhe. Agora, Abu Dujana era um homem bravo, que se distinguia em batalha. Tão logo ele vestisse um turbante vermelho, as pessoas sabiam que ele queria lutar. Uma vez que ele pegou a espada, ele tomou o tecido vermelho e o enrolou em sua cabeça de acordo. Quando Muhammad o viu andando orgulhoso, ele disse: “Tal andar é agradável a Allah apenas em um lugar como esse.”

* Muhammad entregou sua espada lendária a um homem bravo, com a ordem de atingir o inimigo tantas vezes que a lâmina se dobraria. Ele não o convocou para uma batalha espiritual contra seu próprio pecado, mas incentivou seus seguidores para iniquilarem fisicamente seus inimigos, e esperou deles um comprometimento com suas próprias vidas.

7.02.7 -- O relato do perverso Abu ‘Amir

De ódio contra Muhammad, Abu ‘Amir Abd Amir ibn Saifi, dos Banu Dhubaya, foi a Meca com 50 ausitas, e lá assegurou aos coraixitas que, se ele deveria se opôr a seu povo, nem dois deles seriam capazes de resisti-lo. Quando o conflito começou, Abu ‘Amir ficou em frente aos aliados e aos seus escravos. Ele gritou: “Ó, ausitas! Eu sou Abu ‘Amir.” Eles responderam: “Que Allah te amaldiçoe, seu perverso!” Muhammad deu-lhe esse apelido, enquanto os pagãos o chamavam de “monge”.

Quando ele ouviu essa resposta, ele disse: “Meu povo foi visitado pelo mal durante minha ausência.” Então ele lutou fortemente e jogou pedras contra eles. Abu Sufyan, a fim de estimulá-los, disse aos porta-bandeiras dos Banu Abd al-Dar: “Ó, filhos de Abd al-Dar! Vocês estavam encarregados de nossa bandeira no dia de Badr e vocês viram o que nos aconteceu. O destino do exército depende de nosso brasão; se ele cair, o exército em batalha também deverá cair. Proteja nossa bandeira ou a entregue a nós, que nós a protegeremos.” Os Banu Abd al-Dar ficaram ainda mais zelosos e prometeram cumprir com seu dever, e disseram: “Deveríamos entregar nossa bandeira? Amanhã, em batalha, vocês verão nos feitos.” Ao fazer isso, Abu Sufyan atingiu seu objetivo. Quando o conflito começou, Hind se levantou com outras mulheres que estavam com ela. Elas seguiram os homens com tamborins e o incentivou à batalha. Hind clamava com elas, entre outras coisas:

Corajosos, filhos de Abd al-Dar, / corajosos, protetores daqueles / que os seguem. / Atinjam com espadas afiadas! / Se vocês avançarem, / nós os apoiaremos, / e colocaremos tapetes macios sob seus pés! / Mas se vocês recuarem, / então nós os deixaremos, / os deixaremos e não mais te amaremos.

Segundo Hisham, o moto dos muçulmanos no dia de Uhud era: “Mate! Mate!”*

* A palavras diretivas de Cristo são: arrependimento, perdão, fé, amor e esperança, mas nunca “Mate! Mate!” O Espírito de Cristo edifica, o de Muhammad destrói.

A batalha se desenvolveu e ficou mais e mais intensa. Abu Dujana batalhou e forçou para dentro das fileiras inimigas. Tão logo ele atacava um oponente, reportou Zubair, ele o matava. Entre os descrentes houve um homem que feriu e matou cada um dos feridos que encontrou. Quando ele se aproximou de Abu Dujana, eu orei a Allah para pôr um contra o outro. Isso aconteceu e eles trocaram dois golpes entre si. O descrevente atingiu o escudo de Abu Dujana e, portanto, danificou sua própria espada. Então Abu Dujana o matou. Também vi como ele ergueu sua espada sobre a cabeça de Hind, antes de ele a recolher. Então ele disse: “Allah e seu profeta sabem melhor!”

7.02.8 -- A morte de Hamza, o senhor dos mártires

Hamza lançou-se para o meio da batalha, até que matou Artat ibn Abd Shurahbil, um dos porta-bandeiras. Quando Siba ibn Abd al-‘Uzza, que era chamado de Abu Niyar, se aproximou, ele o desafiou para um duelo, e o chamou: “Venha aqui, filho de uma circuncisadora!” Sua mãe, Umm Ammar, uma ex-escrava dos Thaqifite Shariq ibn Amr, circuncidava as virgens de Meca. Hamza matou a ele também.

Wahshi relata: “Como Siba se aproximou de mim, eu vi Hamza, que se movia sem misericórdia, como um camelo marrom escuro. Ele gritou: “Venha aqui, filho de uma circuncisadora!” Ele o acertou com um golpe que arrancou-lhe a cabeça. Imediatamente eu brandi minha lança e a arremessei à barriga de Hamza com tanta força que ela saiu por entre seus pés. Ele avançou contra mim, mas foi vencido e caiu em um montão. Eu esperei até que ele estivesse morto. Então arranquei a lança, voltei orgulhoso ao exército e disse: “Agora eu não necessito de mais ninguém!” Eu o matei apenas para me libertar.

Quando cheguei a Meca, recebi minha liberdade. Permaneci em Meca até que Muhammad conquistou a cidade. Então fugi para Tayf. Quando delegados de Tayf foram a Muhammad, a fim de abraçar ao islã, eu não sabia para qual direção deveria fugir. Pensei em emigrar para o Iêmen, Síria ou outro país. Enquanto eu estava muito angustiado, alguém me disse: “Ai de você! Por Allah, Muhammad não mata ninguém que aceita sua religião e que faz a confissão de fé.” Após ele dizer isso, eu viajei a Meca e antes que Muhammad suspeitasse de alguma coisa, eu me pus de pé diante dele e verdadeiramente confessei minha fé. Quando ele me viu, ele perguntou: “Você é Wahshi?”

Quando eu respondi afirmativamente, ele me fez sentar e me exigiu que contasse como matei a Hamza. Quando terminei minha história, ele disse: “Ai de você. Parta, eu nunca mais quero vê-lo de novo!”

A partir daquele tempo eu sempre o evitei, de modo que ele nunca mais me viu, até que Allah o tomou para si.”

7.02.9 -- A morte de Mus’ab ibn ‘Umayr

Mus’ab ibn ‘Umayr defendeu Muhammad até que Ibn Qamia al-Laithi o matou. Ele erroneamente o confundiu com o mensageiro de Allah, retornou aos coraixitas e disse: “Eu matei Muhammad.”

Uma vez que Mus’ab estava morto, Muhammad entregou a bandeira a Ali, que continuava a batalhar com outros muçulmanos.

Maslama ibn ‘Alqama me disse: “Quando a batalha se intensificou no dia de Uhud, Muhammad se assentou sob o estandarte dos auxiliadores e ordenou que Ali avançasse com ele. Ali obedeceu e disse: “Eu sou o que esmaga a tudo!* Abu Sa'd ibn Abi Talha, o porta-bandeiras dos descrentes, o perguntou se queria aceitar seu desafio. Ali disse: “Sim”, e ele lutaram entre si entre duas fileiras. Ali acertou-lhe um golpe que o derrubou ao chão, e o deixou sem matá-lo. Quando seus companheiros o perguntaram por que ele não o matou, ele disse: “Ele veio contra mim com suas partes privadas expostas; portanto, por amor familiar eu me abstive. Eu sabia que Allah já havia o matado.”

* Ali, o progenitor espiritual dos Xiitas, assumiu o título de “O que esmaga tudo” a partir dos 99 belos nomes de Allah, confessando, assim, o espírito e o objetivo do islã.

7.02.10 -- A história de ‘Asim ibn Thabit

‘Assim ibn Thabit ibn Abi al-Aqlah lutou até que matou a Musafi e a Julas, filhos de Talha, com uma flecha. Julas ainda correu à sua mãe, Sulafa, e deitou sua cabeça em seu colo. Ela perguntou quem o havia ferido, e ele respondeu: “Eu ouvi como um homem, aquele que atirou uma flecha em mim, disse: ‘Peguem ele! Eu sou o filho de Abi al-Aqlah.’” Então ela solenemente jurou que beberia vinho da cabeça de Abi al-Aqlas se Allah o desse domínio sobre ele.

7.02.11 -- Handhala, a quem os anjos teriam lavado

Handhala ibn Abi Amir lutou contra Abu Sufyan e teve vantagem. Quando Shaddad ibn al-Aswad viu isso, ele acertou Handhala com um golpe tão forte que o matou. Muhammad disse: “Os anjos lavarão seu companheiro Handhala.” Eles perguntaram à sua família sobre sua condição, e sua esposa disse: “Ele era impuro, mas saiu tão logo ouviu os gritos de guerra.” Então Allah enviou sua ajuda aos crentes e cumpriu sua promessa. Eles avançaram contra os descrentes com suas espadas até que eles fugiram de seu acampamento, e sua fuga se tornou óbvia.

7.02.12 -- O infortúnio após a vitória

Yahya ibn Abbad relatou-me sobre seu pai, que contou-lhe sobre seu avô: “Por Allah, eu ainda sei como pareci aos servos e amigos de Hind, a filha de ‘Utba, que fugiu com o máximo de pressa, escapando por pouco de ser capturada. Os arqueiros avançaram em direção ao acampamento inimigo, fazendo-o recuar, mas expondo nossa retaguarda aos cavaleiros inimigos, que imediatamente nos atacaram por trás.*

* A falta de cobertura à retaguarda permitiu que os cavaleiros dos coraixitas sobrepujassem os muçulmanos.

Então se ouviu uma voz que gritou: “Muhammad foi morto”, de modo que fugimos após matar os porta-bandeiras inimigos, por isso ninguém ousaria se aproximar de mim novamente. Quem gritou foi o espírito da montanha (ou seja, Satanás).

O estandarte dos coraixitas permaneceu caído até que Amra, a filha de Alqama, dos Banu Harith, o ergueu, e os coraixitas novamente se reuniram à sua volta. O último porta-bandeira foi Suab, um escravo abissínio dos Banu Abi Talha. Ele lutou até que ambas as suas mãos foram decepadas. Então ele defendeu o estandarte de joelhos, o segurando entre seu pesço e seu peito, até que foi morto. Enquanto morria, ele exclamou: “Allah, você me ajudou? Eu estou perdoado.”

Hassan ibn Thabit compôs a seguinte poesia a respeito deste incidente:

Vocês se exaltam com sua bandeira. Mas que fama desprezível quando sua bandeira é dada a um bêbado; quando vocês confiam sua fama a um escravo, o menor de de todos os homens a pisar sobre o pó da terra. Vocês falsamente imaginaram no dia da batalha – pois o tolo vive iludido e não sabe o que é verdade – que vocês venderiam nossas camelas produtoras de leite em Meca, com úberes avermelhadas, cujos pés dianteiros avermelhados agradam aos olhos, mas que não foram avermelhados por tintura.

7.02.13 -- O que se sucedeu a Muhammad no dia de Uhud

Os muçulmanos foram expostos e postos em fuga, o inimigo os trouxe derrota. Foi um dia de julgamento e de teste, no qual Allah honrou a alguns com o martírio. Finalmente, o inimigo forçou a diante e se aproximou de Muhammad. Ele foi atingido por uma pedra que ‘Utba ibn Abi Waqqas lançou contra ele, de modo que ele caiu. Um dos dentes da frente de Muhammad foi arrancado e ele se feriu na bochecha e nos lábios.

Humaid al-Tawil relatou de Anas ibn Malik: “Um dente da frente do profeta foi arrancado no Dia de Uhud, e ele foi ferido no rosto, de modo que sangue escorreu-lhe pela face. Ele disse, enquanto se limpava do sangue: “Como um povo pode prosperar se pintam com sangue seu profeta que o chama para seguir a Allah?” Com isso, Allah revelou: “Não é da tua alçada, mas de Deus, absolvê-los ou castigá-los, porque são iníquos.” (Sura Al ‘Imran 3:128).

Rubaih ibn Abd al-Rahman relatou: “‘Utba ibn Abi Waqqas naquele dia lançou uma pedra contra Muhammad, que amoleceu-lhe o dente da frente e feriu-lhe o lábio inferior. Abd Allah ibn Shibab al-Zuhri o feriu na testa, e ibn Qamia o feriu na bochecha. Também havia dois anéis em seu capacete que foram pressionados contra sua bochecha, e ele caiu em um dos buracos que Abu ‘Amir fez em segredo, para que os descrentes nele caíssem. Então Ali pegou a Muhammad pela mão e Talha ibn ‘Ubaid o levantou até que pôde manter-se em pé novamente. Malik ibn Sinan sugou o sangue de seu rosto e o engoliu. Muhammad isse: “Quem mistura meu sangue com o seu próprio permanecerá intocável pelo inferno.’”*

* Jesus deu a seu sangue derramado na cruz um sentido espiritual e disse: “Quem bebe de meu sangue e come de minha carne tem a vida eterna” (João 6:54a). Ele se referia ao pão e ao vinho da Santa Comunhão, que são comidos e bebidos como sinal de seu sacrifício corpóreo. Jesus morreu como o Cordeiro de Deus pelos pecados do mundo. Muhammad, por outro lado, recebeu suas feridas em batalha por poder e riqueza. Seu sangue não tem poder salvífico no último julgamento e não pode salvar qualquer muçulmano do inferno..

Abd al-Aziz ibn Muhammad relatou que Abu Ubaida ibn al-Jarras retirou um dos dois anéis do rosto de Muhammad. Quando fez isso, um dente da frente caiu. Então ele removeu o segundo anel do rosto de Muhammad, de modo que o segundo dente caiu.

Hassan ibn Thabit compôs o seguinte verso contra ‘Utba:

Quando Allah puniu um povo por seus atos e por sua rebelião contra o Misericordioso, o Senhor do Oriente, então que Ele te envergonhe, Utayb* ibn Malik, e que lance um de seus raios contra você para matá-lo! Com maldade você estendeu sua mão direita contra o profeta e fez sua boca sangrar. Que um raio o parta! Você não pensa em Allah e no lugar que o aguarda enquanto a adversidade se aproxima?
* Utayb é uma forma diminutiva de ‘Utba, aqui usada como zombaria.

Quando o inimigo pressionou contra Muhammad, ele perguntou: “Quem se sacrificará por nós?”* Ziyad ibn al-Sakan, com cinco outros auxiliadores, se levantou e, um após o outro, lutou para proteger a Muhammad, até que cada um foi morto. O último foi Ziyad ou seu filho Umara, que lutou até ficar seriamente ferido. Um número dos crentes se aproximou e afastou o inimigo dali. Muhammad disse: “Traga-o aqui para mim!” Quando ele foi trazido, Muhammad apoiou a cabeça do homem em seu pé, e nessa posição ele morreu.**

* Muhammad exigiu que de cinco a sete de seus seguidores se sacrificassem por ele. Porém, Jesus fez o oposto: Ele deu Sua vida em favor de muitos. Aqui o espírito anticristão do islã se torna especialmente evidente. Muhammad nunca se sacrificou por seu povo.
** Muhammad não abraçou o homem moribundo que se sacrificou por ele, não, na verdade, ele o permitiu deitar sua cabeça em seu pé.

7.02.14 -- A respeito daqueles que lutaram por Muhammad

Abu Dujana ofereceu seu corpo como escudo para Muhammad. Ele se curvou sobre ele e ofereceus suas costas às flechas inimigas, até foi coberto por elas. Sa'd ibn Abi Waqqas protegeu Muhammad com seu arco. Muhammad entregou-lhe as flechas e disse: “Atire! Você é mais precioso para mim do que meu pai e minha mãe!” No fim, ele o deu até mesmo flechas sem pontas e disse: “Atire com essas!” Asim ibn Umar relatou-me que o próprio Muhammad atirou flechas até que seu arco se tornou inutilizável, o qual foi tomado e usado por Qatada ibn al-Nu’man. Este foi ferido no olho naquele dia, de modo que ela saiu em sua bochecha.

Segundo o relato de Ibn Shihab al-Zuhri, após a retirada causada pela notícia de que Muhammad fora ferido, Ka’b ibn Malik foi o primeiro a reconhece-lo. “Eu vi” – ele explicou – “como seus olhos brilhavam sob a viseira.” Então gritei muito alto: “Alegrem-se, ó crentes, aqui está o mensageiro de Allah!” Mas ele me deu sinal de que eu deveria permanecer quieto. Quando os crentes reconheceram a Muhammad, eles foram com ele à ravina. Eles eram, entre outros: Abu Bakr, Umar, ‘Ali, Talha, Zubayr e al-Harith ibn al-Simma.

Enquanto Muhammad descansava na ravina, Ubay ibn Khalaf se aproximou e perguntou: “Onde está Muhammad? Eu perecerei se ele escapar.” Então o povo perguntou se algum deles deveria sair contra Ubay. Ele respondeu: “Deixem-no!” Quando ele se aproximou, Muhammad tomou a lança de Harith ibn al-Simma e a lançou como se parecesse uma mosca venenosa nas costas de um camelo quando ela se agita. Então ele foi contra ele e o acertou com tal golpe no pescoço que ele quase caiu de seu cavelo. Ele se balançou e se curvou de um lado para o outro.

Ubay uma vez encontrou Muhammad em Meca e, segundo o relato de Salih ibn Ibrahim, disse-lhe: “Eu tenho uma égua chamada al-‘Audh. Eu a alimentei todos os dias com uma ração de grãos, de modo que poderei montá-la para te matar.” Muhammad teria respondido a ele: “Na verdade não, mas se Allah quiser, eu te matarei!” Quando ele retornou de volta aos coraixitas com uma ferida no pescoço, da qual apenas pouco sangue fluiu, ele disse: “Por Allah, Muhammad me matou.” Os coraixitas disseram-lhe: “Por Allah, você é um fraco e perdeu seu coração.” Ele respondeu: “Ele me disse em Meca que iria me matar. E se ele tivesse apenas cuspido em meu rosto, eu teria morrido disso.” O inimigo de Allah morreu em Sarif, durante o retorno a Meca.*

* Muhammad possivelmente matou esse inimigo com seus poderes mágicos.

7.02.15 -- Como Muhammad alcançou a ravina

Quando Muhammad chegou à entrada da ravina, Ali saiu para encher seu odre em uma cisterna e o trouxe de volta a Muhammad. Mas ele considerou o odor da água nauseante, por isso não bebeu dela. Ele se limpou do sangue em seu rosto e jogou água sobre sua cabeça e disse: “A ira de Allah será ferrenha contra aquele que fez o rosto de seu profeta sangrar.”

Enquanto Muhammad estava na ravina com seus companheiros, muitos coraixitas subiram à montanha. Khalid ibn Walid comandou esses. Muhammad disse: “Allah, não os permita vir contra nós!” Umar e alguns auxiliadores lutaram contra eles até que foram expulsos da montanha. Então Muhammad quis escalar um penhasco que se projetava da montanha. Mas como ele vestida uma camada dupla de armadura, ele estava fraco demais para conseguir. Portanto, Talha o apoiou por baixo até que ele escalou o penhasco e ficou de pé. Umar, um ex-escravo, relatou que Muhammad realizou a oração do meio dia sentado. Os crentes, também sentados, o acompanharam em oração. Muitos crentes fugiram. Alguns chegaram até Munaqa, passando sobre al-A’was.

7.02.16 -- A graça para morrer como mártir

Quando Muhammad saiu para Uhud, eles deixaram Abu Hudhaifa ibn al-Yaman e Thabit ibn Waqsh para tráz em casas seguras, com as mulheres e crianças, porque ambos já eram de idade avançada. Um disse ao outro: “O que estamos esperando? Por Allah, nenhum de nós há de viver mais do que um burro pode aguentar sua sede. Hoje ou amanhã nós morreremos. Não seria melhor tomarmos nossas espadas e nos unir ao mensageiro de Allah? Talvez Allah nos dará a graça de morrermos como mártires.” Então eles partiram para se unir com os demais crentes, com espadas em mãos, e ninguém os reconheceu. Thabit foi ferido pelos descrentes, Abu Hudhaifa, porém, pelos crentes. Hudhaifa gritou: “Meu pai!” Eles disseram: “Por Allah, nós não o reconhecemos.” E isso aconteceu, de modo que um homem respondeu: “Allah, o Misericordioso, o perdoa!” Muhammad quis pagá-lo dinheiro expiatório, mas Hudhaifa o pagou aos crentes pobres, uma ação que aumentou ainda mais sua reputação com Muhammad.

Yazid, um filho de Hatib ibn Umayya, foi ferido em Uhud, e ele foi levado moribundo ao lar de sua família. Aqueles que viviam na casa se reuniram à sua volta, e os homens e mulheres crentes disseram: “Desfrute, filho de Hatib, do paraíso!” Hatib, que era velho e ainda tinha os pés no paganismo, revelou nesse dia sua hipocrisia, de modo que disse: “O que você está proclamando ao meu filho? É um jardim próximo a Harmal? Por Allah, contando mentiras vocês tiraram a vida desse jovem!”

* Esta é uma referência ao lugar onde ele seria sepultado.

7.02.17 -- A morte do judeu Mukhayriq

Mukhayriq, um dos Banu Tha’laba ibn al-Fityun, também esteve entre aqueles que foram mortos em Uhud. Nesse dia, ele disse aos judeus: “Vocês sabem, por Allah, que estão obrigados a ajudar a Muhammad.” Eles responderam: “Hojé é sábado.” Mas ele respondeu: “Um Dia de Descanso não existe,” então tomou sua armadura e sua espada e disse: “Se eu cair, Muhammad herdará minha propriedade e pode fazer com ela o que quiser.” Então ele foi ter com Muhammad e lutou ao seu lado até que foi ferido. Conforme me foi relatado, Muhammad teria dito: “Mukhayriq foi o melhor de todos os judeus!”

7.02.18 -- A história de al-Harith ibn Suwayd

Al-Harith ibn Suwayd, que era um hipócrita, foi com os crentes para Uhud. Durante a batalha ele atacou e matou a Mujadhdhar ibn Dhiyad e Qays ibn Zaid, e uniu-se aos coraixitas em Meca. Conforme relatado, Muhammad deu a Umar a ordem para matá-lo se tivesse a oportunidade. Mas ele fugiu e permaneceu em Meca. Então ele teria dito a seu irmão Julas que ele queria se converter, de modo que poderia retornar a seu povo. Então Allah revelou: “Como poderá Deus iluminar aqueles que renunciaram à fé, depois de terem acreditado e testemunhado que o Mensageiro é autêntico e terem recebido as evidência? Deus não encaminha os iníquos.” (Sura Al ‘Imran 3:86). Um dia, quando Muhammad estava sentado com alguns de seus companheiros, al-Harith saiu de um jardim vestido com roupas tingidas de vermelho. Muhammad imediatamente ordenou Uthman ibn ‘Affan a cortar-lhe a cabeça.

* Homens que foram muçulmanos e que se converteram a outra religião e que novamente desejaram se tornar muçulmanos, raramente encontram misericórdia.

7.02.19 -- A morte de ‘Amr ibn al-Jamuh

Amr ibn Jamuh foi um homem que mancava bastante. Ele tinha quatro filhos que lutavam como leões ao lado de Muhammad. Eles tentaram impedir seu pai no Dia de Uhud. Eles disseram-lhe que Allah o perdoaria. Ele foi a Muhammad e disse-lhe: “Meus filhos querem me impedir, não me deixando unir-me a ti em batalha. Mas, por Allah, eu espero entrar no paraíso com essa condição deficiente.” Muhammad respondeu: “Certamente Allah o perdoará. Você não tem obrigação de entrar em guerra.” Seus filhos, porém, disseram: “Por que você quer impedi-lo? Talvez Allah o concederá a graça de morrer como mártir.”* Então Amr entrou em batalha e foi morto no Dia de Uhud.

* Muitos muçulmanos esperam morrer como mártires em Guerra Santa, de modo a serem imediatamente levados aos jardins eternos com seus deleites e prazeres.

7.02.20 -- A história de Hind e a mutilação de Hamza

Salih ibn Kaysan relatou: “Hind, a filha de ‘Utba, e a mulher que estava com ela, mutilaram os camaradas de Muhammad que haviam caído, arrancando-lhes as orelhas e os narizes. Hind fez tornozeleiras, colares e brincos com as orelhas e narizes dos homens e os deu a Wahshi, o escravo de Jubayr ibn Mut’im. Ela também arrancou o fígado de Hamza, mordeu um pedaço e o cuspiu de volta. Então ela subiu em uma grande rocha e gritou em alta voz:

Nós demos o troco do Dia de Badr, e cada guerra será seguida por uma guerra ainda mais violenta. Eu não pude suportar a dor da perda de ‘Utba, nem de meu irmão, seu tio e de meu primogênito. Agora eu descanso meu coração e cumpro meu voto. Wahshi atenuou a dor de meu coração e eu serei para sempre grata a ele, até que meus ossos se decomponham no túmulo.

O próprio Muhammad saiu, conforme se diz, para procurar Hamza, e o encontrou no meio do vale. O fígado havia sido arrancado de seu corpo. Ele estava totalmente mutilado, com suas orelhas e seu nariz cortados fora.

Quando Muhammad viu isso, ele disse: “Eu não temi que Safiyya estaria em aflição e que seria tomado como precedente após mim; eu o teria deixado caído até que animais selvagens e aves o consumissem. Se Allah me conceder vitória contra os coraixitas em qualquer lugar, então eu mutilarei trinta deles.” Quando os crentes viram a dor de Muhammad por causa da forma como seu tio fora tratado, eles disseram: “Por Allah, se um dia Allah nos der vitória, nós vamos mutilá-los de uma maneira nunca antes vista entre os árabes.” Muhammad levantou-se diante de Hamza e disse: “Por Allah, tamanho infortúnio nunca me atingiu antes. Nunca estive em um estado tão doloroso quanto agora.” Então continuou: “Gabriel veio e me contou que Hamza é um daqueles vivendo no sétimo céu. Lá está escrito: ‘Hamza, filho de Abd al-Muttalib, o leão de Allah e de seu mensageiro.’” Muhammad, Hamza e Abu Salama ibn Abd al-Asad eram irmãos de leite. Uma ex-escrava de Abu Lahab os amamentou a todos.

Muhammad ibn Ka’b al-Qurazi e outro homem responsável de Ibn ‘Abbas relataram que após as palavras de Muhammad e de seus companheiros, Allah revelou: “126 Quando castigardes, fazei-o do mesmo modo como fostes castigados; porém, se fordes pacientes será preferível para os que forem pacientes. 127 Sê paciente, que a tua paciência será levada em conta por Deus; não te condoas deles, nem te angusties por sua conspirações.” (Sura al-Nahl 16:126,127).

Com isso, Muhammad perdoou, suportou a tudo com paciência e proibiu mutilação. Humayd relatou-me sobre Hasan, que teria ouvido de Samura ibn Jundub: “Muhammad nunca deixou um lugar onde estava sem nos admoestar a darmos esmolas e a nos abster de mutilação.” Um homem de confiança me contou sobre Miqsam, um ex-escravo de Abd Allah ibn al-Harith, que teria ouvido de Ibn ‘Abbas: Muhammad envolveu a Hamza em um sobretudo e orou sobre ele, repetindo “Allahu Akbar” sete vezes. Então ele pôs o restante dos mortos próximos a Hamza e orou por eles e por ele juntos, de modo que orou por ele 72 vezes.

Conform ouvi, Safiyya, a filha de Abd al-Muttalib, veio novamente à procura de Hamza, seu irmão paternal e maternal. Muhammad disse ao filho dela, Zubayr ibn al-Awwam: “Vá ter com ela e a leve de volta para que não veja o que aconteceu a seu irmão.” Quando Zubayr disse isso a ela, ela perguntou: “Por que? Eu ouvi que meu irmão foi mutilado. Isso aconteceu pela causa de Allah! Estamos dolorosamente comovidos por isso, mas eu suplicarei vingança a Allah e esperarei pacientemente pela vontade de Allah.” Quando Zuhayr levou essas palavras a Muhammad, ele disse: “Deixem-na!” Ela se aproximou, olhou para Hamza, orou por ele, buscou refúgio em Allah e suplicou por sua misericórdia. Muhammad, então, o deixou ser sepultado.

7.02.21 -- O sepultamento dos mártires

Alguns dos crentes levaram seus mortos a Medina, a fim de enterrá-los ali. Depois Muhammad proibiu isso e disso: “Sepulte-os onde caíram.” Quando Muhammad viu aqueles que morreram em Uhud, ele disse: “Eu declaro que todo aquele que foi ferido no caminho de Allah será levantado no Dia da Ressurreição com feridas sangrando. Essas feridas terão a cor do sangue, mas o odor de almíscar. Busquem aquele que melhor sabe o Alcorão de cor. Coloque-o na frente e seus companheiros atrás dele.” Eles colocaram dois ou três em cada túmulo.*

* Há uma tradição que diz: “Quem memorizar o Alcorão será justificado e poderá levar consigo 40 de seus familiares para o paraíso."

7.02.22 -- Da lavação das espadas

Quando Muhammad retornou à sua família, ele deu sua espada à sua filha Fátima e disse: “Limpe o sangue, minha filha, por Allah, ela provou-me seu valor hoje.” Ali também a entregou a sua espada e disse o mesmo. Muhammad disse-lhe: “Você lutou bravamente, mas Sahl ibn Hunaif e Abu Dujana não lutaram nada menos bravamente do que você!”

7.02.23 -- Como Muhammad perseguiu o inimigo

No domingo de manhã de 16 de Shawwal (10º mês), o porta-voz de Muhammad fez saber que o inimigo seria perseguido, mas que apenas os guerreiros do dia anterior deveriam participar. Muhammad foi até Hamra al-Asad, seis milhas além de Medina, e pôs Ibn Umm Maktum no comando de Medina. Ele permaneceu ali a segunda, terça e a quarta-feira. Então retornou a Medina.

7.02.24 -- A morte de Abu ‘Azza e Mu'awiya ibn al-Mughira

Antes de retornar a Medina, Muhammad tomou a Mu'awiya ibn al-Mughira, o avô de Abd al-Malik ibn Marwan, do lado de sua mãe Aisha, e a Abu Azza al-Jumani como prisioneiros. Eles já haviam sido capturados em Bard e perdoados por Muhammad. Como novamente pediu por misericórdia, Muhammad disse: “Não, por Allah, vocês não acariciarão suas bochechas em Meca e dirão: ‘Eu enganei a Muhammad duas vezes.’ Corte-lhe a cabeça, Zubayr!” Zubayr obedeceu à ordem. Mu'awiya ibn al-Mughira foi morto por Zayd ibn Haritha e ‘Ammar ibn Yasir. Ele havia fugido para Uthman ibn ‘Affan, que implorou a Muhammad por graça. Muhammad o perdoou sob a condição de que se ele fosse visto na área após três dias, ele perderia sua vida. Ele se escondeu e permaneceu escondido por mais que três dias. Muhammad então enviou dois homens ao lugar onde ele estava escondido e eles o mataram.

O Dia de Uhud foi um dia de teste, infortúnio e de expiação. Allah testou os crentes e tornou os hipócritas conhecidos, os quais confessavam a fé com suas bocas, mas que escondiam sua descrença em seus corações. Foi um dia em que Allah honrou a alguns, os quais foram destinados à alegria em sua presença, com o martírio.*

* Que erro! Deus não perdoa a assassinos que matam a outros e que morrem nesse processo. Não há graça além do que vem por meio da fé na morte vicária e substitutiva de Jesus Cristo. O sangue de Jesus é a única justiça que conta diante de Deus.

Abd al-Malik relatou que, segundo al-Bakkay, que ouviu de Muhammad ibn Ishaq al-Muttalib: “Sessenta e dois versos pertencem ao que foi revelado em Uhud, sendo de Sura Al ‘Imran (3ª Sura), na qual são descritos eventos do dia.”

Um total de 70 auxiliadores e emigrantes caiu como mártir. O número total de politeístas que foram mortos em Uhud foi de 22 homens.

7.02.25 -- Os ataques de ‘Adal e al-Qara na nascente de Radji’* (julho de 625 d.C.)

Asim ibn Amr ibn Qatada me relatou: “Após o encontro em Uhud, veio uma caravana de ‘Adal e al-Qara (eles pertencem ao clã de Hawn ou Hun ibn Khuzayma ibn Mudrika) a Muhammad. Eles contaram-lhe que o islã foi aceito em seu meio. Ele deveria enviar um número de companheiros para acompanhá-los, de modo que os instruiria no Alcorão, nas leis e nos ensinamentos do islã. Muhammad enviou seis companheiros. Abd Allah ibn Tariq, um aliado dos Banu Zafar, foi nomeado o líder deles. Eles partiram com a caravana até que chegaram à nascente de Radji’, que pertencia aos hudhaylitas em Hijaz. Quando estavam nas primeiras horas da noite, a caranava, em ato de traição, chamou os hudhaylitas e, quando os companheiros estavam de guarda baixa, no campo, homens sacaram suas espadas e os atacaram. Mas quando eles tomaram suas espadas para se proteger, os hudhaylitas juraram por Allah que não queriam matá-los, mas apenas obter vantagem com os de Meca. Mas Marthad, Khalid e Asim (três dos companheiros) responderam: “Nós não faremos acordo com descrentes e nem aceitaremos qualquer promessa.”

* Radji’ fica 15km ao norte de Meca.

Ele e seus dois companheiros lutaram até serem feridos. Os hudhaylitas queriam levar a cabeça de Asim para vendê-la a Sulafa, a filha de Sa'd ibn Shuhayd. Foi ela quem jurou que se tivesse posse da cabeça de Asim, beberia de seu crânio, porque ele matara dois de seus filhos em Uhud. Mas como um enxame de abelhas estava à volta de seu corpo, eles disseram: “Vamos aguardar até de noite, quando as abelhas já tiverem ido embora, nós o pegaremos.” Mas Allah o tomou para si, porque ele, Asim, jurou não permitir ser tocado por alguém sem Deus. Zayd, Khubayb e Abd Allah, porém, que estavam fracos e lutando para viver, se renderam e foram levados presos a Meca para serem vendidos por lá. Mas quando chegaram a Zahran, Abd Allah soltou suas mãos das amarras e alcançou sua espada. As pessoas se afastaram e jogaram pedras nele até que ele morreu. Ele foi sepultado em Zahran. Zayd e Khubayb foram levados a Meca. Hujair ibn Abi Ilhab, o tamimita, comprou Khubayb para vingar-se dele por seu pai. Zayd foi comprado por Safwan ibn Umayya, que por meio dele buscou vingança para seu pai Umayya ibn Khalaf. Safwan o enviou com seu ex-escravo Nistas a Tamim, fora da área sagrada, para que fosse morto ali. Muitos coraixitas se reuniram ali, entre eles também estava Abu Sufyan ibn Harb. Esse homem disse a Zayd: “Eu te imploro por Allah, te seria agradável estar em casa com sua família e ter Muhammad morto aqui, em seu lugar?” Zayd respondeu: “Por Allah, eu não teria prazer nem que Muhammad fosse espetado por um espinho em sua casa para que eu pudesse ficar com minha família.”

Então, ali Nistas matou a Zayd. Khubayb foi conduzido a Tan’im (uma vila próxima a Meca), onde foi crucificado. Antes de morrer, ele pediu que o deixassem fazer uma oração onde pudesse se ajoelhar duas vezes. Quando o permitiram, ele orou de maneira completa. Então ele pediu: “Se eu não temesse que vocês pensassem que estou orando por medo de morrer, eu teria orado ainda mais.” Então ele foi levantado à haste e amarrado firmemente. Então exclamou em alta voz: “Allah! A mensagem de seu enviado chegou até nós. Permita que a notícia do que tem sido feito a nós chegue até ele! Allah! Conte-os todos, faça-os morrer um por um! Não deixe que nem um deles escape de sua punição!” Então ele foi morto”*

* Esse muçulmano crucificado não orou por seus inimigos para que fossem perdoados, tal como Jesus e Estevão fizeram, mas ele os amaldiçoou, até o último deles.

7.02.26 -- O ataque ao Poço de Ma’una (julho de 625 d.C.)

Muhammad ficou o resto dos dias de Shawwal (10º mês) e os meses de Dhu al-Qa’da (11º mês) e Dhu al-Hijja (12º mês) em Medina. Ele deixou a peregrição aos descrentes. A cerimônia de peregrinação a Meca era, naquele tempo, praticada pelos descrentes. Em Safar (2º mês), no início do quarto mês após o encontro em Uhud, deu-se o ataque ao Poço de Ma’uma. Aconteceu da seguinte maneira: Abu Bara Aamir ibn Malik ibn Ja'far, que era conhecido como Mulayb al-Asinna, visitou Muhammad em Medina. Muhammad apresentou-lhe o ensino do islã e o desafiou a converter-se. Embora Abu Bara não tenha se tornado um muçulmano, ele mostrou que não se opunha ao islã. Ele pediu que Muhammad enviasse um de seus companheiros a Najd. Esse deveria chamar os habitantes da província ao islã. Abu Bara esperava eles ouvissem aos chamados. Quando Muhammad respondeu, dizendo que não confiava nos moradores de Najd, Abu Bara respondeu que ele protegeria os embaixadores. Muhammad deveria envia-los apenas para pregar o islã. Muhammad enviou al-Mundhhir ibn Amr, um irmão dos Banu Sa'ida, com outros quarenta magníficos crentes, para encontrarem a morte. A delegação chegou até o Poço de Ma’una, que fica quase na exata metade do caminho entre a terra dos Banu Amir e a planície dos Banu Sulaym. Quando os crentes ergueram seu acampamento ali, eles enviaram Haram ibn Milhan com os escritos de Muhammad a Amir ibn Tufayl, o inimigo de Allah. Este nem ao menos se preocupou em ler os escritos, mas imediatamente caiu sobre Haram e o matou. Então ele conclamou os Banu Amir. No entanto, eles não deram ouvidos ao seu convite para atacar os muçulmanos. Eles não queriam trair a Abu Bara, que havia prometido protegê-los. Foi então que Amir chamou os clãs de Sulaym, do ramo de Usayya, Ri’l e Dhakwan juntos. Eles deram-lhe ouvidos e seguiram-no. Eles saíram contra os muçulmanos e cercaram seu acampamento. Os crentes alcançaram suas espadas e lutaram até que todos estavam mortos. Apenas Ka’b ibn Zayd, um irmão dos Banu Najjar, escapou. Eles deixaram de dar um último golpe, já que, aparentemente, ele estava em seus últimos suspiros. Ele se arrastou para se afastar da morte e, por fim, sobreviveu. Posteriormente, ele caiu como mártir na Batalha da Trincheira.

* Bi’r Ma’una, o poço Ma’una, fica a 150km ao sudeste de Medina.

Amr ibn Umayya al-Damri e um auxiliador dos Banu Amr ibn Auf estavam com seus rebanhos. Eles foram os primeiros a notar que algo deveria estar acontecendo por causa dos vultos sobre o acampamento. Eles exclamaram: “Por Allah, esses vultos significam alguma coisa!” Quando se aproximaram do lugar, eles viram as pessoas deitadas sobre seu sangue. Os que os atacaram ainda estavam na área. O auxiliador então disse a Amr: “O que você acha?” Amr respondeu: “Vamos retornou a Muhammad a dar a ele a notícia.” O auxiliador respondeu: “Eu não quero salvar minha vida no lugar em que al-Mundhsir foi morto. Eu também não quero que outros me deem notícias de sua morte.” Então ele lutou até ser morto. Amr ibn Umayya foi tomado cativo. Quando Amir ibn Tufayl ouviu que ele era da tribo de Mundhar, ele raspou o cabelo de sua cabeça e concedeu-lhe liberdade ao preço de um escravo, o qual, conforme se crê, pertenceu à sua mãe.

Então Amr partiu para Karkara. Ao longo do caminho, antes de Qanat (uma vila vicinal a Medina), ele encontrou dois homens dos Banu Amir, que se sentaram ao seu lado, à sombra. Amr perguntou-lhes a qual tribo pertenciam. Quando ouviu que eram amiritas, ele aguardou até que estavam dormindo. Como ele não sabia que um uma aliança e um acordo de proteção havia entre os amiritas e Muhammad, ele os matou durante o sono, achando que estava vingando os camaradas caídos de Muhammad. Quando Amr foi a Muhammad e contou-lhe sobre o incidente, Muhammad disse: “Você feriu dois homens cujo dinheiro da redenção do sangue eu deverei pagar.” Então ele adicionou: “Esse trabalho pertence a Abu Baras. Eu estava infeliz em deixar a delegação partir, porque temia por ela.” Quando Abu Bara ficou sabendo do ataque e da morte dos crentes, ele ficou muito triste que Amir o envergonhara de tal maneira e que os companheiros de Muhammad tiveram tão grave infortúnio.

7.02.27 -- A expulsão da tribo de judeus dos Banu Nadir de Medina (agosto de 625 d.C.)

Conforme me foi relatado por Jazid ibn Ruman, Muhammad foi aos Banu Nadir para pedi-los que pagassem parte do dinheiro de sangue aos Banu Amir, que estavam sob sua proteção – um tributo que era requerido para compensar pelos dois homens que Amr matara. Naquele tempo também havia um tratado de proteção entre os Banu Nadir e os Banu Amir. Uma vez que Muhammad compartilhou sua solicitação com eles, eles demonstraram grande desejo de acatar à sua solicitação. Quando voltaram após um tempo que tomaram para consulta, disseram: “Nunca mais teremos oportunidade tão boa para matarmos a Muhammad” – porquanto ele estava de costas para a parede de uma de suas casas. “Quem subirá ao telhado e lançará uma pedra pesada sobre ele, de modo que tenhamos descanço dele no futuro?” O judeu Amr ibn Jihash se levantou e disse: “Eu estou pronto para fazer isso!” Ele subiu ao telhado para lançar um grande bloco de pedra sobre Muhammad.

Mas o céu avisou a Muhammad dessa intenção e ele se escondeu. Imediatamente voltou para Medina. Aqueles que o acompanharam – entre eles, Abu Bakr, Umar e Ali – o aguardaram muito e decidiram começar a procurá-lo. Eles perguntaram a alguém vindo de Medina sobre ele. Esse disse que viu como Muhammad entrou na cidade. Então eles também retornaram a Medina. Muhammad contou aos seus companheiros que os judeus quiseram matá-lo* e deu ordens para se armarem em uma guerra contra eles. Então eles saíram e ergueram seu acampamento nas vicinidades.**

* Essa acusação improvada levou à segunda guerra civil em Medina e à expulsão dos Banu Nadir de Medina.
** Paulo ordenou à igreja: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.” (Romanos 12:19).

Então ele designou Ibn Umm Maktum responsável por Medina. Também foi nessa época que os muçulmanos foram proibidos de beber vinho.*

* Beber vinho não foi proibido de uma vez. A proibição ocorreu em duas fases. Apenas quando Muhammad se convenceu da maturidade e força de seus seguidores é que ele revelou o verso conclusivo (Sura al-Ma’ida 5:90,91). A primeira ordenança pode ser lida na Sura al-Baqara 2:219).

Ele cercou os Banu Nadir por seis dias. Então eles se recolheram para sua fortaleza segura. Muhammad cortou e queimou todas as tamareiras. Então os judeus exclamaram: “Ó, Muhammad! Não foi você mesmo quem proibiu destruição gratuita e castigou aquele que fez isso? Como você pode cortar as tamareiras e ainda queimá-las?” Além disso, um número dos Banu Auf enviou mensagem aos Banu Nadir recomendando-lhes: “Fiquem firmes e se protejam! Nós não os abandonaremos. Se vocês estão sendo atacados, nós lutaremos com vocês. Se vocês forem expulsos, nós partiremos com vocês.”

Porém, os Banu Auf hesitaram em ajudá-los, pois Allah encheu-lhes o coração com medo. Eles pediram que o profeta poupasse a vida dos Banu Nadir e que os deixassem manter – além de suas próprias armaduras – tudo quanto conseguissem carregar em um camelo. Muhammad concordou com isso. Alguns derrubaram suas casas para carregar o lintel das portas com seus camelos.

Alguns deles foram a Khaybar, outros à Síria. Os residentes de Khaybar se submetiam aos Banu Nadir. Eles levaram consigo suas esposas, filhos e posses e foram acompanhados pelos tamborinistas, flautistas e cantores, todos fazendo música.*

* Os judeus deixaram sua fortaleza como vencedores orgulhosos, acompanhados por trambores e trompetes.

Entre os que partiram esteve também Umm Amr, a amiga de ‘Urwa ibn al-Ward, a quem os Banu Nadir compraram para ele. Ela era uma mulher dos Banu Ghifar e possuía uma beleza e firmeza que não se via em nenhuma outra tribo.

O restante das posses dos Banu Nadir foi deixado para Muhammad, o qual fez com elas conforme desejou. Ele as distribuiu entre os primeiros emigrantes. Entres os Auxiliadores, apenas Sahl ibn Hunayf e Abu Dujana Simak ibn Kharasha receberam algo, porque eram pobres.*

* Não importava se os muçulmanos obtivessem vitória ou sofressem derrota, os judeus de Medina tinham que continuamente sofrer as consequências. Suas posses, as quais foram tiradas deles, tornaram prósperos os pobres refugiados de Meca. Com isso, Muhammad alcançou o principal objetivo de sua Guerra Santa.

Dos Banu Nadir, apenas dois homens se converteram ao islã: Yamin ibn ‘Umayr ibn Ka’b e Abu Sa'd ibn Wahb, de modo que salvaram suas posses. Muhammad disse a Yamin: “Você viu o que seu primo fez e o que quis fazer contra mim?” Yamin então pôs uma recompensa em sua morte. Como se supõe, então Amr foi morto.

Então, a Sura 59 (al-Hashr, O Desterro) apareceu a respeito dessa campanha, na qual é mencionado como Allah puniu os Banu Nadir, como Muhammad se tornou senhor sobre eles e como ações foram tomadas contra eles. Lê-se: “2 Foi ele Quem expatriou os incrédulos, dentre os adeptos do Livro, quando do primeiro desterro. Pouco críeis (ó muçulmanos) que eles saíssem dos seus lares, porquanto supunham que as suas fortalezas os preservariam de Deus; porém, Deus os açoitou, por onde menos esperavam, e infundiu o terror em seus corações; destruíram as suas casas com suas próprias mãos, e com as mãos dos fiéis. Aprendei a lição, ó sensatos! 3 E se Deus não lhes tivesse decretado o seu banimento, tê-los-ia castigado nesse mundo, e no outro, sofreriam o tormento infernal... 5 (Ó muçulmanos), ficai sabendo que, se cortardes as tamareiras tenras ou se as deixardes de pé, fá-lo-eis com o beneplácito de Deus, e para que Ele avilte os depravados. 7 Tudo quanto Deus concedeu ao Seu Mensageiro, (tomado) dos moradores das cidades, corresponde a Deus, ao Seu Mensageiro e aos seus parentes, aos órfãos, aos necessitados e aos viajantes; isso, para que (as riquezas) não sejam monopolizadas pelos opulentos, dentre vós. Aceitai, pois, o que vos der o Mensageiro, e abstende-vos de tudo quanto ele vos proíba...” (Sura al-Haschr 59:2-7).

7.02.28 -- As campanhas contra os Banu Ghatafan (outubro de 625 d.C.) e Dumat al-Jandar (agosto e setembro de 626 d.C.)

Após a campanha contra os Banu Nadir, Muhammad permaneceu em Medina pelo mês de Rabi’a al-Akhir (4º mês) e em parte do mês de Jumada al-Ula (5º mês). Então ele partiu a Najd contra os Banu Muharib e Tha’laba, da triba dos Ghatafan. Ele deixou Abu Dharr al-Ghifari e Uthman ibn ‘Affan sobre Medina e ergueu seu acampamento em Nakhl. Ali Muhammad encontrou uma grande força de Ghatafan, de modo que não houve batalha porque um temia ao outro. Então Muhammad realizou uma oração de temor* e continuou. Muhammad orou à distância, realizando duas prostrações e orou a oração de bênção, enquanto os demais continuavam frente ao inimigo. Então o grupo se aproximou dele e orou com ele uma oração de duas prostrações, seguida pela oração de bênçãos. Ghawrath, um dos Banu Muharib, supostamente teria perguntando a seu povo, os Banu Muharib e Ghatafan: “Eu deveria matar a Muhammad?” Eles responderam: “Com certeza”, mas perguntaram-lhe como pretendia fazer isso. Ele respondeu: “Eu o atacarei com um truque.” Então ele foi a Muhammad, que estava sentado com sua espada sobre seu colo, a qual tinha um punhal decorado com patra. Ghawrath perguntou se poderia dar uma olhada na espada. Ele a tirou da bainha, a movimentou e quis matar a Muhammad. Mas Allah o deteve. Ghawrath então disse a Muhammad: “Você não está com medo de mim?” – “Não, por que eu deveria ter medo de você?” – “Você não me teme empunhando sua espada?” – “Não, Allah me protegerá de você.” Então ele devolveu sua espada a Muhammad.

* A oração de temor é uma oração voluntária que um muçulmano pode realizar ao modo de qualquer outra oração ritual quando se sente ameaçado (geralmente durante uma batalha).

Após isso, Muhammad retornou a Medina, permaneceu na cidade até o mês da Peregrinação (12º mês) e deixou a peregrinação para os descrentes. Foi o quarto ano desde sua chegada a Medina. No mês de Rabi’a al-Awwal (3º mês do ano seguinte, isto é, no quinto ano após a Hijra), ele saiu contra Dumat al-Jandal*. Ele pôs Siba ibn Ghurfuta sobre Medina, mas retornou antes de alcançar Dumat al-Jandal. Ele não encontrou inimigos. Muhammad permaneceu o resto do ano em Medina.

* “Dumat al-Jandal” é um oásis que fica no norte da Arábia, há cerca de 590km de Medina. Pertencia a parte sul da área controlada pelos bizantinos. A tribo cristã dos Banu Kinda vivia ali.

7.03 -- A Batalha da Trincheira e suas consequências (março – maio de 627 d.C.)

A Batalha da Trincheira, como é chamada, ocorreu em Shawwal (10º mês) do ano 5 A.H. (ou seja, anno hijra). Yazid ibn Ruman relatou-me conforme ‘Urwa ibn al-Zubayr. Vários estudiosos deram informações complementarem aqui e acolá. Resumindo todos os relatos, a campanha ocorreu da seguinte forma. Um número de judeus e de alguns outros inimigos das tribos de Nadir e Wa’il foram aos coraixitas e o conclamaram a lutar contra Muhammad.* Os de Meca prometeram ajudá-los até que Muhammad fosse inteiramente destruído. Os coraixitas teriam dito aos judeus: “Vocês são os homens com o livro mais antigo do mundo e sabem porque disputamos com Muhammad. Digam-nos: que religião é melhor? A nossa ou a dele? Eles responderam: “Sua religião é melhor! Vocês estão mais próximos da verdade.” Então o seguinte verso apareceu no Alcorão a respeito deles: “51 Não reparaste naqueles que foram agraciados com uma parte do Livro? Crêem em feitiçaria e no sedutor, e dizem dos incrédulos: Estes estão mais bem encaminhados do que os fiéis. 52 São aqueles a quem Deus amaldiçoou e, a quem Deus amaldiçoar, jamais encontrará socorredor.’” (Sura al-Nina 4:51,52).

* Se isso for verdade, os judeus que foram expulsos, cheios de ódio por Muhammad, reuniram uma força aliada para batalhar contra ele.

54 Ou invejam seus semelhantes por causa do que Deus lhes concedeu de Sua graça? Já tínhamos concedido à família de Abraão o Livro, a sabedoria, além de lhe proporcionarmos um poderoso reino. 55 Entre eles, há os que nele acreditaram, bem como os que repudiaram. E o inferno é suficiente como Tártaro.” (Sura al-Nisa 4:54,55). Os coraixitas muito se agradaram com essas palavras e com o convite para participar da batalha contra Muhammad. Eles chegaram a um acordo e prometeram lutar. Os judeus foram aos Ghatafan de Qays Alan e também os incitaram a batalhar contra Mohammd. Eles prometeram participar e disseram que os coraixitas também haviam se aliado a eles. Eles também concordaram. Então os coraixitas se estabeleceram com Abu Sufyan na liderança, e o Ghatafan com ‘Uyayna ibn Hisn, com os Banu Fazara. Os Banu Murra, sob a liderança de Harith ibn Auf e os Banu Ashja sob Mis’ar ibn Rukhaylah também os seguiram.

7.03.1 -- Como uma trincheira foi cavada (março de 627 d.C.))

Quando Muhammad ficou sabendo que o inimigo se aproximava, bem como soube de suas intenções, ele ordenou a excavação de uma trincheira à volta de Medina.* O próprio Muhammad participou do trabalho, de modo a instigar os crentes a buscarem a recompensa de Allah. Os crentes trabalharam duro, mas os hipócritas foram menos diligentes, dizendo serem fracos demais para o trabalho, de modo que retornaram para suas casas sem o conhecimento ou aprovação de Muhammad. Diferentemente deles, quando os crentes tinham algum urgente a fazer, eles o apresentavam a Muhammad e pediam-lhe permissão para o fazer. Muhammad dava sua permissão. Tão logo haviam cuidado de seus negócios, eles retornavam ao trabalho ansiosos pelas bênçãos de Allah. A respeito dos crentes obedientes, Allah revelou: “Somente são fiéis aqueles que crêem em Deus e em Seu Mensageiro e os que, quando estão reunidos com ele, para um assunto de ação coletiva, não se retiram sem antes haver-lhe pedido permissão. Aqueles que te pedirem permissão são os que crêem em Deus e no Seu Mensageiro. Se te pedirem permissão para irem tratar de alguns dos seus afazeres, concede-a a quem quiseres, e implora, para eles, o perdão de Deus, porque é Indulgente, Misericordiosíssimo.” (Sura al-Nur 24:62). A respeito dos hipócritas, todavia, que iam ter com suas famílias sem permissão, foi revelado: “Não julgueis que a convocação do Mensageiro, entre vós, é igual à convocação mútua entre vós, pois Deus conhece aqueles que, dentre vós, se esquivam furtivamente. Que temam, aqueles que desobedecem às ordens do Mensageiro, que lhes sobrevenha uma provação ou lhes açoite um doloroso castigo.” (Sura al-Nur 24:63).

* Os beduínos não estavam acostumados com cercos; assim, Muhammad deu ouvidos à sugestão de um escravo persa e cavou uma trincheira em volta de Medina.

7.03.2 -- Os coraixitas diante de Medina

A trincheira já estava terminada quando os coraixitas se aproximaram e ergueram acampamento onde os córregos de Ruma fluem um para dentro do outro, entre Juruf e Zaghaba. Incluindo os aliados e os seguidores dos Banu Kinana, com os habitantes de Tihama, o exército era composto de 10 mil homens. Os Ghatafan e seus seguidores de Najd também se uniram a eles. Seu acampamento ficou na ponta frontal da Naqma, no lado que leva a Uhud. Muhammad deixou a cidade com 3 mil homens e ergueu seu acampamento diante de seus portões, de modo que suas costas ficavam em direção a Sal (uma montanha próxima a Medina) e a trincheira os separava do inimigo. Ele deixou ibn Umm Maktum sobre Medina. Ele ordenou que mulheres e crianças fossem recolhidas para dentro da fortaleza.

7.03.3 -- Como a tribo de judeus dos Banu Curaiza quebrou seu acordo

Huyay ibn Akhtab, o inimigo de Allah, foi a Ka’b ibn Asad, o chefe dos curaizitas que havia entrado em aliança com Muhammad em nome dos curaizitas. Quando Ka’b ouviu sobre a chegada de Huyay, ele trancou o portão de sua fortaleza e se recusou a deixá-los entrar. Huyay gritou: “Abra, Ka’b! Ai de você!” Ka’b respondeu: “Ai de você! Você traz má sorte! Eu tenho uma aliança com Muhammad e não vou quebrá-la, porquanto encontrei nele apenas confiança e sinceridade.” Huyay novamente pediu para entrar, e quando Ka’b continuou se recusando, ele gritou: “Por Allah, você somente fechou seu portão porque você tem medo de compartilhar seu mingau!” Com isso, ele insultou Ka’b tão grandemente que ele abriu o portão. Então Huyay continuou: “Ai de você, Ka’b! Estou te oferecendo a maior fama de todos os tempos e um exército poderoso. Eu venho com os coraixitas e com seus senhores e líderes. Eles estão acampados na confluência dos córregos de Ruma. Os Ghatafan e seus senhores e líderes estão acampados na ponta frontal de Naqma, no lado de Uhud. Eles se determinaram a não levantar o acampamento até que Muhammad e seus seguidores tenham sido destruídos.” Ka’b respondeu: “Por Allah, você está me trazendo humilhação, nuvens de guerra que trazem raios e trovões, e ainda já se esvaziaram de toda água e estão sem nada. Ai de você, Huyay; deixe-me com minhas intenções. Eu vejo Muhammad como fiel e justo.” Mas Huyay não parou de tentar convencê-lo e, finalmente, jurou por Allah que, caso os coraixitas e Ghatafan se retirassem sem matar Muhammad, que ele viria à sua fortaleza e compartilharia o mesmo destino. Então Ka’b finalmente quebrou a aliança de proteção e de confiança que tinha com Muhammad.

7.03.4 -- Muhammad envia espias

Quando Muhammad e os crentes ficaram sabendo da quebra de aliança, ele enviou Sa'd ibn Um’adh, o chefe dos awsitas, e Sa'd ibn Ubada, o líder dos khazrajitas, bem como Abd Allah ibn Rawaha e Khawwat ibn Jubayr, um membro dos Banu Amr ibn Auf, para verem se as notícias que receberam eram verdade. “Se for verdade”, ele disse, “então me façam entender isso por meio de um sinal; porém, não enfraqueçam a confiança do povo. Se não for verdade, então proclamem em alta voz!” Os que foram escolhidos foram ter com os judeus e descobriram que tudo era tal como haviam sido informados. Os judeus disseram: “Quem é o mensageiro de Allah? Por acaso há qualquer aliança ou contrato entre nós e Muhammad?” Sa'd ibn Mu'adh, um homem muito agitado, os insultou. Mas eles insultaram de volta. Sa'd ibn Ubada então disse: “Parem com os insultos! O que aconteceu entre nós e eles precisa ser tratado com muito mais do que meros xingamentos.” Então eles retornaram a Muhammad e disseram: “Foi uma grande infidelidade que essas tribos cometeram contra Khubayb e seus companheiros.” Muhammad comentou: “Allah é grande! Regozijem-se com as boas notícias, ó crentes!”

7.03.5 -- Os muçulmanos angustiados

O perigo aumentou e o medo se espalhou entre os seguidores de Muhammad, pois o inimigo vinha de todos os lados, de modo que os crentes pensavam no pior e alguns dos hipócritas deixaram suas palavras fluírem livres. Mu'attib ibn Qushayr, um irmão dos Banu Amr ibn Auf, disse: “Muhammad nos prometeu os tesouros de Kyros (Kisra) e o imperador*. Agora não podemos nem mesmo caminhar por nossos jardins sem perigo de morte!”

* Esses títulos se referem aos governantes dos persas e dos bizantinos.

Aus ibn Qayzi, um dos Banu Haritha, disse: “Nossas casas agora estão indefesas diante do inimigo, embora estivessem cheias de homens de seu clã. Eles estão fora da cidade, então permita-nos ir para casa!”

Muhammad e os descrentes acampavam a mais de vinte de dias de distância um do outro, quase um mês inteiro, sem entrarem em guerra. A cidade fora apenas sitiada e algumas flechas atiradas de um lado para o outro.

Quando o perigo ficou ainda maior, Muhammad enviou – conforme me foi relatado por Asim ibn Umar e outra testemunha confiável, Muhammad ibn Muslim al-Zuhri – Uyayna ibn Hissn e a Harith ibn Auf, os líderes dos Ghatafan, e prometeu-lhes um terço das tâmaras de Medina se eles se retirassem com seu povo. A oferta foi aceita e chegaram à paz. O contrato foi esboçado, embora faltasse uma decisão firme ou testemunhas. Muhammad enviou, antes de assinar o acordo, a Sa'd ibn Mu'adh e Sa'd ibn Ubada a fim de consultá-los. Eles perguntaram: “Você quer que concordemos com o contrato por você, ou é uma ordem de Allah que devemos seguir, ou você está fazendo isso por nós?” Muhammad respondeu: “Eu apenas quero fazer isso em seu favor, porque, por Allah, eu vejo os árabes atirando em vocês e os oprimindo por todos os lados. Portanto, eu quis quebrar-lhes a força.” Sa'd ibn Mu'adh respondeu: “Nós também, como nossos adversários, fomos politeístas e idólatras. Nós não adorávamos a Allah e não o conhecíamos, e ainda assim eles não ousaram comer nem mesmo uma de nossas tâmaras. Se eles não as desfrutaram como nossos convidados e nem as compraram com dinheiro, então agora deveríamos simplesmente dar a eles o que é nosso, embora Allah tenha nos honrado ao nos guiar ao islã, e nos glorificado por meio de você? Por Allah, não é isso o que queremos. Nós os faremos provar o sabor de nossas espadas até que Allah decida entre nós e eles.” Então Muhammad disse: “Vocês estão certos!” Sa'd ibn Mu'adh tomou o contrato, apagou o que estava escrito e disse: “Eles apenas querem lutar contra nós!”

7.03.6 -- Alguns descrentes cruzam a trincheira

Os crentes com Muhammad foram cercados pelo inimigo, embora não tivessem chegado a batalhar.* Ainda assim, alguns dos coraixitas vestiram-se com seus trajes de batalha. Eles saíram e quando se aproximaram do acampamento dos Banu Kinana, gritaram: “Preparem-se para a batalha! Hoje vocês conhecerão cavaleiros de verdade.” Então voltaram todo o caminho até a trincheira. Quando a viram, eles exclamaram: “Por Allah, esse é um truque que nenhum árabe tenha feito outrora!”

* Os guerreiros beduínos não estavam acostumados a atacar uma trincheira com rampa. A trincheira foi uma ideia de Salman al-Farisi, um dos escravos persas resgatados. Portanto, os coraixitas apenas cercaram passivamente a cidade e, assim, perderam a guerra antes mesmo de começar.

É dito que Salman foi quem aconselhou Muhammad a este respeito. Um estudioso explicou-me que, naquele dia, os emigrantes disseram: “Salman é um dos nossos!” Os auxiliadores diziam a mesma coisa. Muhammad disse: “Salman pertence a nós, os homens do santuário.”

Então os cavaleiros inimigos procuraram onde a trincheira era mais estreita e bateram seus cavalos até que chegaram ao outro lado, onde cavalgaram de um lado para o outro em uma região pantanosa entre a trincheira e Sal. Ali avançou com outros muçulmanos e ocupou o lugar onde o inimigo saltou sobre a parte estreita da trincheira. Os cavaleiros os atacaram. Amr ibn Wudd, que lutou em Badr até que os ferimentos o impediram de continuar batalhando, que não estava presente em Uhud, mas que agora se distinguiu na Batalha da Trincheira – para que fique clara a posição que ocupou – permaneceu de pé e desafiou os crentes a começarem os duelos. Ali se adiantou e disse: “Você toma Allah por testemunha que um coraixita não te propõe duas coisas sem que você aceite uma.” Ele respondeu: “É assim.” – “Agora, eu te convido a crer em Allah e em seu mensageiro e a se tornar um muçulmano.” – “Eu não terei nada a ver com isso.” – “Então eu te desafio a desmontar e a duelar.” – “Para que, meu primo? Não tenho intenção de matá-lo!” – “Mas, por Allah, eu quero te matar.” Isso enfureceu tanto a Amr que ele saltou de seu cavalo, cortou seu pé e bateu sua cabeça. Então ele foi a Ali e lutou com ele até ser morto. Os outros cavaleiros fugiram e cruzaram de volta pela trincheira.

7.03.7 -- Os feitos corajosos de Saffiya, a filha de Abd al-Muttalib

Yahya ibn Abbad me relatou (Aisha) o que seu pai contou: Saffiya, a filha de Abd al-Muttalib, estava em Fari, a fortaleza de Hassan ibn Thabit, permanecendo com as mulheres e crianças. Um judeu se aproximou e andou próximo à fortaleza. Naquele tempo, os Banu Curaiza participaram da guerra em segredo e quebraram a aliança com Muhammad. Entre eles e nós – Aisha disse – não havia quem nos protegesse. Muhammad e os crentes estavam além dos inimigos. Eles não podiam abandonar seus postos se fossemos atacados por alguém. Então eu disse a Hassan: “Veja como esse judeu rasteja em volta de nossa fortaleza. Por Allah, eu temo que ele possa mostrar aos judeus atrás de nós um ponto fraco em nossa fortaleza. Muhammad e seus companheiros não podem se ocupar conosco. Desça e o mate!” Hassan respondeu: “Allah que me perdoe, filha de Abd al-Muttalib! Você sabe muito bem que eu não sou o homem para essa missão!” Quando ele disse isso para mim, então eu soube que não poderia esperar ajuda de sua parte, então eu me vesto, tomei um porrete, desci e o atingi até que morreu. Então voltei à fortaleza e disse a Hassan: “Desça e tire-lhe as roupas! Como ele é um homem, é apenas a vergonha o que me impede de fazer isso.” Hassan respondeu: “Eu não quero roubar as roupas dele!”

7.03.8 -- Como os descrentes foram desunidos pela enganação

Nu’aym ibn Mas’ud, da tribo de Ghatafan, foi a Muhammad e disse: “Sem que alguém de minha tribo saiba, eu me tornei muçulmano. Ordene-me o que você quiser!” Muhammad respondeu: “Você é apenas um contra muitos. Tente e nos ajude, se você puder, por meio de truque e de trapaças, porque a Guerra Santa nada mais é do que engano!”*

* Guerra Santa é uma das três ocasiões em que um muçulmano está autorizado a mentir, trapacear e a enganar de toda e qualquer forma para trazer a vitória ao islã.

Nu’aym foi à tribo de judeus dos Banu Curaiza, próximo de onde ele vivia, e disse: “Vocês sabem de meu amor e de minha ligação com vocês!” Ele continuou: “Os coraixitas e os Ghatafan não está na mesma posição que vocês. Vocês habitam nesta terra com suas esposas, crianças e posses. Vocês não podem sair para outra terra. Porém, os coraixitas e os Ghatafan, que vieram batalhar contra Muhammad e seus companheiros, a quem vocês ajudam, têm outras terras para suas esposas e posses. Se tiverem a oportunidade, eles aproveitarão ao máximo, se não, eles partirão para suas próprias terras e te deixarão com Muhammad, contra o qual vocês não serão capazes de se defender. Portanto, não lutem contra eles até que eles tenham os fornecido reféns dentro os mais nobres de seus povos, de modo que vocês podem lutar contra Muhammad ao lado deles, até que ele tenha sido destruído.” Os judeus responderam: “Você nos deu um bom conselho.”

Com isso, Nu’aym foi aos coraixitas e disse a Abu Sufyan e à sua comitiva: “Vocês sabem que eu vos amo e que nada tenho a ver com Muhammad. Eu ouvi algo e me senti obrigado a contá-los para seu próprio bem. Mas mantenham segredo!” Eles responderam: “Guardaremos!” Ele continuou: “Saibam que os judeus se arrependem do que determinaram contra Muhammad. Eles enviaram homens a ele a fim de convencê-lo: ‘Nós nos arrependemos do que fizemos. Você ficará satisfeito se tomarmos reféns dentro os mais nobres dos coraixitas e dos Ghatafan e os entregá-los a você? Você pode executá-los e nós lutaremos com vocês contra o resto deles até que tenhamos destruído a todos.’ Muhammad se declarou satisfeito com isso. Então, quando os judeus aparecerem e exigirem reféns, não entreguem a eles nenhum homem!”

Então ele deixou os coraixitas e foi ao Ghatafan e disse a eles: “Vocês são meu clã e minha tribo. A ninguém amo mais do que a vocês. Vocês nunca precisarão duvidar de minha fidelidade.” Eles disseram: “Você fala a verdade; não temos dúvida a seu respeito.” Então ele os pediu que guardassem em segredo o que haveria de contá-los. Quando prometeram guardar segredo, ele contou-lhes as mesmas palavras e deu o mesmo aviso que deu aos coraixitas.

Na manhã de sexta-feira de Shawwal (10º mês), no quinto ano após a imigração, Allah ordenou, como presente a Muhammad, que Abu Sufyan e os líderes dos Ghatafan enviassem ‘Ikrima e outros aos Banu Curaiza, para dizer-lhes: “Nós não ficaremos mais aqui. Os camelos e cavalos estão perecendo. Portanto, venham amanhã para batalhar contra Muhammad, de modo que possamos pôr um fim a isso.”*

* Os beduínos estavam acostumados a assaltos rápidos, mas não a longos cercos militares com períodos estáticos e com problemas de suprimentos para as linhas de batalha. Por essa razão, o humor no acampamento dos coraixitas mudou.

Com isso, os curaiza responderam: “Hoje é Sábado, o dia em que não trabalhamos. Alguns de nós pecamos contra esse mandamento e, como vocês bem sabem, foram severamente punidos por isso. Além disso, nós não batalharemos com você contra Muhammad sem que vocês antes nos forneçam reféns que nos garantirão segurança até que tenhamos aniquilado a Muhammad juntos. Tememos que, caso a guerra se torne poderosa e vocês se firam, vocês partam para sua terra e nos deixem por conta própria contra esse homem, contra o qual não temos poder.”

Quando os mensageiros retornaram com essa resposta, os coraixitas e os Ghatafan disseram: “Por Allah, o que Nu’aym disse é verdade!” Então eles responderam aos curaiza, dizendo: “Nós não os daremos um único refém. Se vocês querem lutar conosco, então mexam-se.”

Quando essa mensagem chegou aos curaiza, eles disseram: “Nu’aym disse a verdade. Essas pessoas querem lutar; quando têm boa oportunidade, eles se aproveitam disso, quando não, eles vão para suas casas e nos deixam sozinhos para lutarmos contra Muhammad.” Eles novamente informaram os coraixitas e ghatafan que sem reféns eles não lutariam com eles. Mas eles permaneceram firmes em sua recusa. Dessa forma, Allah instigou desconfiança entre eles. Durante essas noites de inverno, ele também enviou um vento frio e forte que virou suas panelas e rasgou suas tendas.*

* Após a tempestade gélida de inverno ter danifado ou até rasgado ao médio as barracas dos que estavam no cerco, a palavra que se espalhou foi de que Muhammad havia se aliado com espíritos. As palavrsa “vento” e “espírito” têm, tanto em árabe quanto em hebraico, a mesma raíz.
Jesus não invocou o vento para destruir Seus inimigos; na verdade, Ele acalmou a tempestade para proteger Seus discípulos da destruição.

7.03.9 -- Hudhayfa no acampamento dos inimigos

Quando Muhammad ficou sabendo como Allah rasgou o pacto de união entre os inimigos, ele chamou Hudhayfa e enviou-lhe ao acampamento inimigo. Ele queria saber o que aconteceria na noite seguinte. Hudhayfa deu o seguinte relato a este respeito: “Ainda vejo diante de mim como estávamos com Muhammad próximos à trincheira. Ele orou durante parte da noite e retornou a nós, nos chamando: ‘Quem irá ver o que o inimigo está planejando nesta noite?’

Como recompensa, ele prometeu que oraria a Allah para que fizesse com que o responsável fosse seu companheiro no Paraíso. Mas ninguém se voluntariou, tanto por medo quanto por causa do frio e fúria. Quando ninguém se levantou, Muhammad me chamou. Eu não tive outra escolha que não fosse me levantar. Ele me comissionou a descobrir o que o inimigo estava fazendo, mas me proibiu de fazer qualquer coisa por iniciativa própria. Eu segui meu caminho rumo ao acampamento inimigo, onde a tempestade e as hostes de Allah estavam atacando o inimigo com fúria, de modo que nenhuma única panela era vista sem estar revirada, nenhum fogo estava acesso e nenhuma barraca estava devidamente de pé. Abu Sufyan se levantou e disse: ‘Cada um de vocês olhe agora para quem está sentado ao seu lado!’ Eu imediatamente agarrei a mão de meu vizinho e perguntei-lhe: ‘Quem é você?’ Ele me disse seu nome completo. Abu Sufyan então continuou: ‘Não vamos mais continuar aqui. Os animais e os camelos estão morrendo. Os Banu Curaiza nos abandonaram e ouvimos um relato maligno a seu respeito. O vento está soprando contra nós. Nenhuma panela ou barraca permanece de pé e nenhum fogo permanece aceso. Estamos levantando o acampamento! Eu não ficarei mais aqui.’ Então ele foi a seu camelo, o montou e deu-lhe um golpe antes que estivesse totalmente desamarrado. Se Muhammad não tivesse me proibido totalmente de fazer qualquer coisa antes de retornar, eu com certeza teria matado a Abu Sufyan com uma flecha. Então retornei a Muhammad. Ele estava orando e usando uma roupa feita de tecido iemenita que pertenceu a uma de suas esposas. Tão logo ele me viu, ele me puxou para próximo de si, jogou uma parte da roupa sobre mim, se curvou e se abaixou enquanto eu estava perto. Quando terminou de orar, eu contei-lhe o relato.”

Tão logo ouviram que os coraixitas haviam partido, os ghatafan também fizeram planos de retornar. Na manhã seguinte, Muhammad e os crentes deixaram a trincheira, retornaram à cidade e abaixaram suas armas.

7.03.10 -- A declaração de guerra do Anjo Gabriel contra a tribo de judeus dos Banu Curaiza

Por volta do meio dia, Gabriel veio (segundo relato de al-Zuhri) a Muhammad. Gabriel tinha sua cabeça coberta por um turbante de seda e montava uma mula cuja sela estava coberta por um cobertor de seda. Ele perguntou: “Você já baixou as armas?” Muhammad respondeu: “Sim!” Então Gabriel falou: “Mas os anjos ainda não abaixaram suas armas e vieram conclamar o povo à guerra. Allah te ordena a sair contra os Banu Curaiza, e eu vou a eles chacoalhar-lhes as fortificações.”* Muhammad ordenou o chamado à oração para anunciar que ninguém deveria realizar a oração da tarde em outro lugar que não fosse nas proximidades dos Banu Curaiza. Então ele deixou Ibn Umm Maktum responsável por Medina e enviou Ali com o estandarte. O povo se aproximou apressadamente.

* No Novo Testamento, o Anjo Gabriel aparece como mensageiro de paz. Ele não é o mesmo anjo que levou Muhammad a fazer guerra contra os judeus. O espírito que comandava Muhammad usava o nome de Gabriel como fachada. A palavra do Apóstolo Paulo em Gálatas 1:8 se aplica a ele, de que todo anjo que trouxer uma religião legalista após a revelação do Evangelho será maldito.

Quando Ali se aproximou da fortaleza dos Banu Curaiza, ele ouviu como falavam mal de Muhammad. Ele retornou e contou a Muhammad, que o encontrou no caminho: “Não se aproxime dessa gente maliciosa!” Ele perguntou: “Por que? Você os ouviu falando mal de mim? Quando eles me veem, eles não dizem essas coisas.”*

* Além da zombaria aguçada, hipocrisia era uma das acusações mais frequentes que Muhammad fazia contra os judeus (Sura al-Baqara 2:14).

Quando ele se aproximou da fortaleza, ele gritou: “Seus irmãos de macacos!* Allah os envergonhou e os puniu?” Eles responderam: “Ó, Abu Qasim! Você sabe a verdade!”

* Segundo a Sura al-Baqara 2:65, alguns judeus foram transformados em macacos e em porcos por causa de sua desobediência e quebra da aliança (veja também Suras al-Maida 5:60 e al-A’raf 7:166).

Antes mesmo de Muhammad chegar aos Banu Curaiza, alguns de seus companheiros o encontraram em Sauran. Ele os perguntou se alguém havia passado por eles. Eles responderam: “Sim, Dihya ibn Khalifa, o calbita, passou por nós com uma mula cujo cobertor era adornado com seda.” Muhammad respondeu: “Era Gabriel, que fora enviado aos Banu Curaiza para chacoalhar-lhes as fortificações e para enxer seus corações de pânico.”

* Dihya ibn Khalifa é descrito como um jovem bonito. Muhammad disse que o arcanjo às vezes o trazia a revelação na forma de Dihya, o que levou Salma Rushdie a fazer uma conjectura obscena.

Muhammad parou para descansar em um poço dos Banu Curaiza e chamou “Anna”. Os muçulmanos se reuniram à sua volta. Alguns vieram apenas depois da última oração do começo da noite. Eles ainda não haviam realizado a oração da tarde porque Muhammad anunciou que somente se deveria orar próximo aos Banu Curaiza. Estavam ansiosos por assuntos de negócios, já que durante a guerra não puderam negociar. Portanto, eles realizaram a oração da tarde somente após a oração da noite, e Allah não os reprovou por isso, e Muhammad também não os repreendeu.

7.03.11 -- TO cerco à tribo de judeus dos Banu Curaiza em Medina (maio de 627 d.C.)

Muhammad cercou os Banu Curaiza por 25 dias, até que se sentiram fortemente pressionados e Allah lançou terror em seus corações. Huyay ibn Akhtab, conforme sua promessa, entrou em uma de suas fortalezas após a retirada dos coraixitas e ghatafan. Quando eles se convenceram de que Muhammad não iria embora até que tivesse os subjudago, Ka’b disse: “Você vê o que o atinge! Eu te sugiro três alternativas. Escolha uma delas! Primeiro, nós seguiremos a esse homem e o declararemos de confiança, porque, por Allah, já faz tempo que ficou claro para vocês que ele é o profeta enviado de que está escrito em nossas Escrituras. Suas vidas, suas posses e seus filhos estão a salvo.” Mas eles responderam-no: “Nós não renunciaremos às leis da Torá em troca de coisa alguma.” – “Bem,” Ka’b disse, “então sigamos o outro caminho, onde nós mataremos nossas esposas e filhos e saíremos ao encontro de Muhammad e seus companheiros com espadas em punho, sem cobertura por trás de nós. Que Deus decida entre nós e ele. Se perecermos, não deixaremos para trás família para nos preocupar. Se sairmos vitoriosos, então tomaremos as esposas e os filhos deles.” Os judeus responderam: “Se matarmos a esses pobres coitados, então a vida não terá nada mais de bom a oferecer!” – “Bem,” Ka’b continuou, “se vocês não querem este caminho, então ainda há um terceiro caminho: Hoje é noite de sexta-feira. Talvez Muhammad se imagine em segurança. Façam um ataque. Pode ser que o surpreendamos e a seus companheiros.” Mas eles responderam: “Deveríamos profanar o sábado e fazer coisas que nenhum de nós fez, exceto aqueles que – vocês bem sabem – se tornaram macacos?”* Com isso, Ka’b exclamou: “Nenhum de vocês, desde que a mãe de vocês os pariu, já tomou a alguma decisão!”

* Uma lenda islâmica diz que os judeus que não santificaram o sábado foram transformados em macacos.

7.03.12 -- Abu Lubaba e seu arrependimento

Os Banu Curaiza, que também eram aliados dos Aus, finalmente enviaram mensageiro a Muhammad e pediram-lhe que enviasse Abu Lubaba ibn Abd al-Mundshir a eles, de modo que poderiam tomar concelho com ele. Muhammad o enviou. Quando chegou a eles, os homens se levantaram diante dele. As esposas e crianças o pressionaram com tremor e choros, de modo que ele ficou bastante tocado. Eles perguntaram-lhe se ele os aconselharia a se render a Muhammad. Ele acenou que sim, e ao mesmo tempo apontou para sua garganta. Com isso quis dizer que Muhammad os mataria. “Mas, por Allah,” Abu Lababa disse posteriormente, “antes mesmo de mover meus pés do lugar onde estava, eu reconheci que havia traído a Allah e ao seu mensageiro.”

Abu Lababa então partiu, mas não retornou a Muhammad. Em vez disso, ele se agarrou firmemente ao pilar da mesquita e jurou que não sairia do lugar até que Allah o perdoasse por suas palavras. Ele também tomou a Allah como testemunha de que nunca mais poria seu pé em uma área dos Banu Curaiza ou que estaria novamente no lugar onde traira a Allah e ao seu profeta. Quando Muhammad, que estava surpreso que ela não havia retornado, ouviu o que aconteceu, ele disse: “Se ele tivesse vindo a mim, eu teria implorado a Allah que tivesse graça dele.” Muhammad estava na habitação de Umm Salama, quando o perdão de Abu Lubaba foi-lhe revelado. Umm Salama disse: “Eu ouvi de manhã cedo como Muhammad riu. Eu perguntei-lhe do que estava rindo. Ele disse: ‘Allah perdoou a Abu Lubaba.’ Eu perguntei se deveria deixá-lo saber a este respeito (isso foi no tempo antes que as esposas de Muhammad fossem orientadas a se cobrir por trás do véu), e ele respondeu afirmativamente.” Ela foi e se pôs de pé à porta de seu quarto e exclamou: “Alegre-se, Abu Lubaba, Allah o perdoou!” Então as pessoas correram para desprendê-lo. Mas ele jurou que não se afastaria um centímetro do lugar até que Muhammad o desamarrasse. Muhammad fez isso quando passou por ele em seu caminho para a oração da manhã. Abu Lubaba ficou preso por seis dias. Sempre que se aproximava a hora da oração, sua esposa o soltava o suficiente para que pudesse orar, conforme me foi relatado por um estudioso. Então ele era novamente amarrado ao pilar. A revelação a respeito de seu arrependimento diz: “Outros reconheceram as suas faltas, quanto a terem confundido ações nobres com outras vis.” (Sura al-Tawba 9:102).

Na noite em que os Banu Curaiza se renderam, Thalaba ibn Sa'ya, Usayd ibn Sa'ya e Asad ibn Ubayd se converteram ao islã. Eles eram primos dos Curaiza e Nadir, mas pertenciam à tribo de Hadl, cuja origem é ainda mais anterior.

7.03.13 -- Os judeus dos Banu Curaiza se rendem (maio de 627 d.C.)

Os Banu Curaiza se renderam na manhã seguinte. Os awsitas correram e disseram: “Esses judeus são nossos aliados, não os Khazraj. Agora vocês sabem como anteriormente foram contra os aliados dos Khazraj.” Os Banu Qaynuqa’, aos quais Muhammad havia cercado antes, eram aliados dos Khazraj. Quando eles estavam se rendendo, eles clamaram pelo nome de Abd Allah ibn Ubay, e Muhammad o enviou a eles.

Enquanto os Awsitas falavam, Muhammad os questionou se ficariam satisfeitos se ele apontasse um deles como árbitro. Quando disseram que sim, ele disse: “Então está bem, Sa'd bin Um’adh o será!” Muhammad o havia levado a uma tenda de uma mulher da tribo de Aslam quando ele fora ferido por uma flecha. O nome dera era Rufayda, e ela tratou e serviu os feridos na mesquista a fim de obter salvação.

Quando Muhammad o fez árbitro sobre os Banu Curaiza, seu povo o montou sobre um burro, sobre o qual puseram uma almofada de couro. Ele era um homem forte e atraente e, enquanto o levavam a Muhammad, disseram: “Seja bondoso, Abu Amr, com seus aliados. Muhammad colocou o destino deles em suas mãos, de modo que você os possa tratar gentilmente.”

Quando eles diziam assim para ele, ele respondeu: “Agora é a hora em que não faço nada de reprovável aos olhos de Allah.” Após isso, alguns homens de sua tribo retornaram para o lar dos Banu abd al-Ashhal e lamentaram a morte dos homens dos Banu Curaiza, antes mesmo de Sa'd ter com eles.

Quando Sa'd chegou a Muhammad e aos crentes, Muhammad exclamou: “Levante-se diante de seu senhor!” Os emigrantes disseram uns aos outros: “Muhammad deve estar se referindo aos auxiliares.” Mas eles disseram: “Muhammad deu a ordem a todos os crentes!” Eles se levantaram e disseram a Sa'd: “Muhammad fez de você o árbitro sobre seus aliados.” Então Sa'd os perguntou: “Vocês juram por Allah que meu julgamento será levado a efeito?” Eles responderam: “Sim”. Sa'd depois perguntou: “Todos aqueles que estão de pé ao lado do profeta de Allah também juraram?” (por respeito, ele não mencionou o nome de Muhammad.) Muhammad também respondeu com um “sim”. “Então está bem,” disse Sa'd, “meu veredito é que todos os homens devem ser executados, sua propriedade distribuída e suas esposas e filhos feitos prisioneiros.” Muhammad falou a Sa'd: “Seu veredito é idêntico ao julgamento de Allah, que está acima dos sete céus.”*

* Compare com Mateus 5:7, 7:1-5 e João 8:44.

7.03.14 -- A execução da tribo de judeus dos Banu Curaiza em Medina (maio de 627 d.C.)

Quando a multidão dos crentes e dos auxiliadores já havia se retirado, Muhammad prendeu os judeus na casa da filha de al-Harith, uma mulher dos Banu al-Najjar, em Medina. Então ele foi a uma praça que ainda hoje é o centro comercial de Medina e cavou valas ali. Então trouxeram os homens dos Banu Curaiza em regimentos e os executaram diante das valas. Foram entre 600 e 700 homens, segundo outros, entre 800 e 900.* Entre eles também estavam Huyay ibn Akhtab e Ka’b ibn Asad. Os Curaiza perguntaram a Ka’b, conforme os homens eram tomados em grupos, o que ele achava que iria acontecer com eles. Ele respondeu: “Vocês nunca serão sábios? Vocês não veem que aqueles que são tomados não estão voltando? Por Allah, eles serão executados!”

* A primeira vala comum da história do islã, preenchida com 600 a 800 judeus assassinados, foi cavada em Medina. As mulheres e crianças foram vendidas como escravas.

Eles continuaram assim até que Muhammad acabou com todos. O último a ser executado foi Huyay ibn Akhtab, o inimigo de Allah. Ele vestia uma roupa listrada que com rasgados do tamanho de um dedo em cada fim, de modo que ninguém a tiraria dele. Suas mãos estavam amarradas atrás de si. Quando ele viu a Muhammad, ele disse: “Por Allah, eu não me repreendo por ter me tornado seu inimigo, mas qualquer um que é infiel a Allah será destruído.” Então ele se virou para seu povo e disse: “É um infortúnio quando, em acordo com o que está estabelecido e escrito na lei de Allah, o destino sangranto sobre os filhos de Israel os atinge.” Então ele se sentou e teve sua cabeça arrancada.

Aisha explicou: “Apenas uma mulher foi morta entre os Banu Curaiza. Ela estava comigo e falava comigo e ria tanto que seu corpo inteiro chacoalhava enquanto Muhammad executava os homens no mercado. De repente uma voz perguntou: ‘Onde está tal e tal?’ e o nome dela foi dito. Ela respondeu: ‘Eu estou aqui!’ Eu a perguntei: ‘O que está acontecendo?’ – ‘Eu serei morta.’ – ‘Por que?’ – ‘Por causa de um crime.’ Ela então foi levada e decapitada. Por Allah”, disse Aisha, “eu nunca me esquecerei como ela estava tão vigorosa e rindo tanto, mesmo sanbendo que seria executada.” Essa mulher matou a Khallad ibn Suwayd jogando uma pedra de moagem sobre ele.

7.03.15 -- Zubayr ibn Bata desdenha de seu perdão

Segundo o relato de al-Zuhri, Thabit ibn Qays foi a Zubayr ibn Bata, o Curaizita, o pai de Abd al-Rahman, o qual fizera-lhe muito bem durante o tempo do politeísmo – um dos filhos de Zabir me relatou que no dia de Bu’ath ele poupou sua vida e o deixou ir após raspar os cabelos de sua cabeça – e perguntou-lhe: “Você me reconhece?” – (naquele tempo ele era um homem velho.) Então ele respondeu: “Como eu poderia não reconhecê-lo?” – “Então eu te pagarei o que te devo.” Zabir respondeu: “Somente os nobres repagam aos outros.”

Thabit foi a Muhammad e disse: “Eu tenho dívida com Zair por uma boa obra e eu deveria repagá-lo. Dê-me seu sangue!” Muhammad concedeu e, então, este retornou a Zabir e contou-lhe. Então Zabir disse: “O que um velho deveria fazer com sua vida sem esposa e filhos?” Thabit novamente foi a Muhammad e implorou que o desse sua esposa e filhos, e Muhammad os concedeu. Quando anunciou isso a Zabir, o homem respondeu: “Como pode uma família em Hijaz sobreviver sem posses?” Thabit foi novamente a Muhammad e pediu por suas posses. Isso ele também recebeu. Quando Thabit compartilhou isso com ele, ele disse: “O que faz o homem cuja faça brilha como um espelho chinês, de modo que as virgens da tribo veem a si mesmas nele – a saber, Ka’b ibn Asad?” – “Ele foi executado.” – “E quanto a Huyay ibn Akhtab, o príncipe do deserto e dos habitantes da cidade?” – “Ele também foi morto.” – “E quanto a Azzal ibn Simaw’al, o primeiro a atacar e protetor quando fugimos?” – “Ele está morto.” – “E as outras duas assembleias? (Ele se referia aos Banu Ka’b e aos banu Amr ibn Curaiza.) – “Eles foram exterminados. Estão todos mortos.” – “Então, te peço, Thabit, considerando que você me deve, que deixe-me seguir os de minha tribo, porque, por Allah, após a morte desses homens a vida já não tem mais valor e não tenho paciência, da mesma forma que um camelo com sede não tem quando o balde está separado de si, para aguardar até me reunir com esses amigos.”

Então Thabit o encaminhou e ele foi decaptado. Quando Abu Bakr ouviu o que ele disse, adicionou: “Por Allah, ele encontrará seus amigos no inferno, onde eles queimarão por toda a eternidade.”

7.03.16 -- A história dos meninos judeus ‘Atiyya e Rifa’a

Muhammad deu ordem para matar cada homem entre os Banu Curaiza que tivesse barba. O Curaizita ‘Atiyya explicou: “Quando Muhammad deu ordem para matar cada adulto, eu ainda era um menino sem barba. Assim, eles me deixaram viver. Rifa’a ibn Samau’al, o Curaizita, que já havia alcançado a adolescência, implorou a Salma, a quem já conhecia há algum tempo, por proteção. Ela era filha de Kays, a irmã de Salit, uma das tias de Muhammad, que orava com ele em ambas as direções (voltados para Jerusalém e para Meca) e que prestava homenagem à maneira das mulheres*. Ela pediu que Muhammad o desse a ela, porquanto ele prometera orar e a comer carne de camelo. Muhammad o deu a ela e, assim, salvou sua vida.

* Homenagem à maneira das mulheres significa a não responsabilidade de participar em Guerra Santa..

7.03.17 -- A divisão de espólio dos judeus dos Banu Curaiza

Então Muhammad dividiu entre os crentes muçulmanos as mulheres, crianças e posses dos Banu Curaiza, e determinou naquele dia a porção para os cavaleiros e a infantaria e tomou para si a quinta parte. Os cavaleiros receberam três porções, sendo uma para o homem e duas para o cavalo. Aqueles a pé receberam uma porção. Nessa guerra houve 36 cavalos envolvidos. Aqui, pela primeira vez, o espólio foi dividido e a quinta parte foi tomada. As campanhas militares posteriores seguiram este precedente. Muhammad então enviou Sa'd ibn Zayd al-Ansari com prisioneiros dos Banu Curaiza a Najd e os usou como pagamento para comprar cavalos e armas.*

* A Guerra Santa se tornou mais e mais um negócio de venda de escravos, animais e mercadorias muito lucrativo e organizado.

7.03.18 -- A judia Rayhana se torna a esposa de Muhammad

Das mulheres dos Banu Curaiza, Muhammad escolhou a Rayhana, filha de Amr ibn Khunafa, uma dos Banu Amr ibn Curaiza. Ela permaneceu como escrava ao seu lado até sua morte. Muhammad sugeriu casar-se com ela e que ela se isolasse como as outras mulheres. Mas ela pediu-lhe que a mantivesse como escrava, porquanto seria mais fácil para ele e para ela, e ele concordou. No princípio, ela resistiu ao islã e quis permanecer como judia, então Muhammad dava-lhe as costas, o que o irritava. Mas um dia, enquanto estava sentado com seus companheiros, ele ouviu duas sandálias por trás de si e disse: “São as sandálias de Tha’laba ibn Sa'ya, que está em trazendo notícias da conversão de Rayhana.” Ele entrou e anunciou exatamente isso. Muhammad ficou muito feliz com isso.

A Batalha da Trincheira e a campanha contra os Banu Curaiza é mencionada na Sura al-Ahzab 33, ou “Os Partidos”. Allah os fez lembrar dos perigos, de sua bondade, de como ele era suficiente para ajudá-los e de vá declarações dos hipócritas. Há um verso que diz: “9 Ó fiéis, recordai-vos da graça de Deus para convosco! Quando um exército se abateu sobre vós, desencadeamos sobre ele um furacão e um exército invisível* (de anjos), pois Deus bem via tudo quanto fazíeis. 10 (Foi) quando os inimigos vos atacaram de cima e de baixo, e os (vossos) olhos se assombraram, e os (vossos) corações como que (vos) subiam à garganta; nessa altura ainda estáveis a desconfiar de Deus, sob vários aspectos. 11 Então os fiéis foram testados e sacudidos violentamente. 12 (Foi também) quando os hipócritas e os que abrigavam a morbidez em seus corações disseram : Deus e Seu Mensageiro não nos prometeram senão ilusões. 13 (Foi ainda) quando um grupo deles (dos fiéis) disse: Ó povo de Yátrib, retornai à vossa cidade, porque aqui não há lugar para vós! E um grupo deles pediu licença (ao profeta) para retirar-se, dizendo: certamente nossas casas estão indefesas - quando realmente não estavam indefesas, mas eles pretendiam fugir.” (Sura al-Ahzab 33:9-13).

* Muhammad dizia ter a habilidade de alistar o vento e os espíritos para trazerem vitória ao islã.

"14 Porém se (Madina) houvesse sido invadida pelos seus flancos, e se eles houvessem sido incitados à intriga, tê-la iam aceito, mesmo que não se houvessem deleitado com ela senão temporariamente. 15 Tinham prometido a Deus que não fugiriam (do inimigo). Terão que responder pela promessa feita a Deus. 16 Dize-lhes: A fuga de nada vos servirá, porque, se escapardes à morte ou a matança, não desfrutareis da vida, senão transitoriamente. 17 Dize-lhes (mais): Quem poderia preservar-vos de Deus, se Ele quisesse infligir-vos um mal? Ou se quisesse compadecer-Se de vós? Porém, não encontrarão, para si, além de Deus, protetor, nem socorredor algum. 18 Deus conhece aqueles, dentre vós, que impedem os demais de seguirem o profeta, e dizem a seus irmãos: Ficai conosco!, e não vão à luta, a não ser para permanecerem por pouco tempo. 19 São avarentos para convosco. Quando o medo se apodera deles, observa (Ó Muhammad), que te olham com os olhos injetados, como quem se encontra num transe de morte; porém, quando se lhes desvanece o temor, zurzem-te com suas línguas ferinas, avarentos quanto ao feitio do bem...” (Sura al-Ahzab 33:14-19).

7.03.19 -- A morte de Sa’d ibn Mu'adh

Uma vez que o destino dos Banu Curaiza foi estabelecido, as feridas de Sa'd ibn Mu'adh se abriram e ele morreu como mártir. Mu'adh ibn Rifa’a al-Zuraqi me relatou: É dito entre meu povo que quando Sa'd estava para morrer, Gabriel foi a Muhammad no meio da noite – ele vestia um turbante de seda dourado – e disse-lhe: “Quem é o morto por quem os portais do céu se abriram e por quem o trono* alegremente se agitou?” Muhammad se levantou rapidamente e correu a Sa'd, mas o encontrou já morto.

* Muçulmanos acreditam no trono de Deus e nos guardiões do trono que o carregam. A visão de Ezequiel (Ezequiel 1 e 33) chegou até Medina e se fez conhecida ali.

Aisha uma vez retornou a Meca acompanhada de Usayd ibn Hudhayr. Ele lamentava a morte de uma de suas esposas. Aisha disse a ele: “Que Allah o perdoe, Abu Yahya. Como você pode lamentar por uma esposa após você ter perdido um primo cuja morte fez o trono se chacoalhar?”

7.03.20 -- A lista dos mártires da Batalha da Trincheira

Caíram apenas seis homens crentes na trincheira e três descrentes. Um deles foi Nawfal ibn Abd Allah ibn al-Mughira, que quis cruzar a trincheira e que, durante a tentativa, caiu para dentro dela e foi morto. Os descrentes quiseram comprar seu corpo, o qual os muçulmanos mantinham para si. Muhammad os deixou ficar com o corpo, mas disse: “Nada temos a ver com o corpo ou com seu preço.” Ainda segundo Zuhri, Muhammad recebeu 10 mil dirhams pelo corpo.*

* A Batalha da Trincheira foi, essencialmente, um conflito sem sangue para os muçulmanos. Apenas os judeus tiveram de pagar com suas vidas.

Khallad ibn Suwayd, dos Banu al-Harith ibn al-Khazraj, caiu na guerra contra os Banu Curaiza. Uma pedra de moagem foi jogada sobre ele, o esmagando. Muhammad teria dito: “Ele recebeu o dobro da recompensa de um mártir.” Abu Sinan ibn Mihsan, um dos Banu Asad ibn Khuzayma, morreu durante o cerco e foi enterrado no cemitério dos Banu Curaiza, que agora funciona como cemitério. Quando os muçulmanos retornaram para casa, depois da trincheira, Muhammad disse: “A partir de agora os coraixitas não sairão mais contra vocês, mas vocês farão guerra contra eles.” E assim aconteceu. Os coraixitas nunca mais saíram contra Muhammad, mas ele os combateu, até que Allah entregou Meca em suas mãos.

7.03.21 -- A morte do juiz judeus Sallam Abu Raafi’ em Khaybar* (junho de 627 d.C.)

Quando a campanha da trincheira e a batalha contra os Curaiza terminaram, os Khazraj pediram a Muhammad permissão para matarem a Raafi’ Sallam, que vivia em Khaybar. Ele pertencia aos que incitaram vários grupos contra Muhammad. Os awsitas já haviam matado a Ka’b ibn al-Ashraf por causa de sua animosidade contra Muhammad. Muhammad os autorizou a fazer assim. Abd Allah ibn Ka’b relatou: “Adicionalmente a tudo o que Allah já havia feito por Muhammad, aconteceu que duas tribos, os Aws e os Khazraj, contendiam ferventemente pela preferência de Muhammad, como se fossem dois camelos machos. Se os Aws prestassem um serviço a Muhammad, os Khazraj diziam: ‘Por Allah, eles não devem tomar vantagem sobre nós’, e não descansavam até que realizassem algo similar. Os Awsitas diziam a mesma coisa se os khazrajitas fizessem algo útil por Muhammad. Após os awsitas terem matados (o judeu) Ka’b ibn al-Ashraf, por causa de seu rancor contra Muhammad, os khazraj passaram a considerar quem demonstrou o mesmo tipo de atitude contra Muhammad. Então se lembraram de Sallam, que vivia em Khaybar. Eles pediram-lhe permissão para matá-lo, a qual Muhammad concedeu-lhes.”

* Khaybar fica a 160km a noroeste de Medina. Muitos judeus fugiram para lá após terem sido expulsos de Medina.

Então, cinco homens dos Banu Salama seguiram seu caminho a Khaybar. Muhammad designou a Abd Allah ibn Atik o líder deles e os proibiu de matar qualquer criança ou mulher. Os homens chegeram de noite à casa de Sallam e romperam todas as portas. Sallam estava na câmara superior. Eles subiram as escadas e, diante da porta, pediram para entrar. A esposa de Sallam saiu e perguntou: “Quem são vocês?” Eles responderam: “Somos beduínos que querem comprar grãos.” Ela respondeu: “Aqui está seu senhor, entrem!” Após entrarem, eles imediatamente trancaram as portas, com receio de que pessoas passando pudessem se pôr entre eles. A mulher gritou alto, mas eles partiram contra Sallam no escuro com suas espadas – ele se deitou sobre a cama que parecia de tecido de linho egípcio. Quando a mulher gritou ainda mais alto, eles a quiseram matar à espada. Mas então se lembraram da proibição de Muhammad e a deixaram em paz. Se não fosse por sua clara proibição, eles também a teria matado naquela noite. Enquanto o atacavam, aconteceu que Abd Allah ibn Unays já o havia ferido atravessando a barriga e exclamou: “Basta! Basta!” Rapidamente deixaram a câmara. Abd Allah ibn Atik, que tinha uma visão fraca, caiu das escadas e se machucou severamente. Eles rapidamente o levaram a um canal por meio de um dos poços. Os judeus acenderam tochas e os procuraram zelosamente, mas sem sucesso. Finalmente, retornaram a Sallam e todos se reuniram à sua volta, porquanto ele era seu juiz.

Eles se perguntaram se o inimigo de Allah já estava morto. Um deles já estava pronto para se misturar ao povo. Ele disse: “A esposa de Sallam ficou de pé com uma lâmpada em sua mão. Ela olhou para o rosto de Sallam – ele estava cercado de pessoas – e disse a eles: ‘Por Allah, eu reconheci a voz de Abd Allah ibn Atik entre os invasores.’ Eu respondi: ‘Como Abd Allah ibn Atik poderia ter vindo aqui?’ Então ela se aproximou mais de Sallam, olhou para ele novamente e exclamou: ‘Pelo Deus dos judeus, ele está morto!’ – em toda minha vida, nunca ouvi palavra mais doce do que essa.” Então o homem retornou e os relatou tudo. Então ergueram seu companheiro sobre seus ombros e retornaram a Muhammad para informá-lo sobre a morte do inimigo de Allah.

Como cada um deles disse tê-lo matado, Muhammad disse: “Me deem suas espadas!” Ele olhou para elas com cuidado e disse, enquanto apontava para a espada de Abd Allah ibn Unays: “Essa aqui o matou, porque ainda há vestígios de sangue presos à lâmina.”*

* Jesus proibiu Pedro de usar sua espada (Mateus 26:52). Muhammad, porém, examinou a espada em busca de restos de sangue do estômago do que fora ferido, a fim de determinar de quem seria a honra pelo assassinato.

7.03.22 -- A conversão de ‘Amr ibn Al-‘As

‘Amr ibn al-‘As disse o seguinte: “Quando retornamos para casa após a Batalha da Trincheira, eu me encontrei com alguns coraixitas que compartilhavam de meus pensamentos e que me deram ouvidos. Eu disse a eles: “Por Allah, eu acredito que Muhammad está controlando as circunstâncias de uma maneira desagradável. Portanto, eu tomei uma decisão e quero ouvir seus pensamentos.” Eles me perguntaram o que eu havia decidido e eu disse: “Eu considero que seja bom irmos para Najashi (Negus, o rei etíope) e permanecer com ele. Se Muhammad sair vitorioso sobre nosso povo, nós ficaremos com ele, preferindo viver sob o governo de Najashi do que sob o comando de Muhammad. Se nosso povo sair vitorioso, então nosso povo saberá que somente esperamos coisas boas dele.” Os coraixitas concordaram com sua visão e eu os convoquei a ajuntarmos presentes para Najashi.

Como nada era mais prezado por ele do que o couro de nosso país, nós ajuntamos muito couro e viajamos até ele. Quando chegamos, também veio ‘Amr ibn Umayya al-Damri, o qual Muhammad enviou para visitar a Najashi por causa de Ja'far e de seus companheiros. Quando ele saiu, eu disse a meus companheiros: “Ali está ‘Amr ibn Umayya. Como seria se eu fosse a Najashi e o pedisse que o desse para mim, e se ele me der, que eu o matasse? Se eu matasse o mensageiro de Muhammad, os coraixitas saberiam que eu sou muito mais prezado de Najashi do que eles!”

Eu imeditamente fui ao rei e, como de costume, me prostrei diante dele. Ele disse: “Bem-vindo, amigo, você me trouxe algo de seu país?” Eu disse, “Sim, ó Rei, eu trouxe muito couro.” Então eu trouxe a ele. Ele se admirou e se agradou. Então eu disse: “Ó, Rei! Eu acabei de ver um homem sair de sua presença que é o enviado de nosso inimigo. Dê ele a mim para que eu o mate, porquanto ele matou os melhores e mais nobres de nós.” O Najashi* ficou furioso. Ele abriu sua mão e se golpeou no nariz, de modo que achei que fosse quebrar. Eu tive tanto medo que, se a terra se abrisse diante de mim, eu me jogaria para dentro dela. Então eu respondi: “Ó, rei, por Allah, se eu soubesse que esse pedido seria tão desagradável, eu certamente não o teria feito!” Ele respondeu: “Você quer que eu te entregue o enviado de um homem a quem o grande Namus (Gabriel) veio com a revelação, tal como fizera a Moisés?” Eu perguntei surpreso: “É assim?” Ele respondeu: “Ó, Amr, me dê ouvidos e siga a ele! Por Allah, ele está certo e será vitorioso sobre seus oponentes tal como Moisés foi vitoriosos sobre o Faraó e seus exércitos.” Eu perguntei: “Você aceitará minha aliança com ele?” Ele respondeu afirmativamente e extendeu sua mão. Eu confessei o islã diante dele e fui a meus companheiros com outra intenção – mas ainda mantive minha conversão em segredo. Então segui meu caminho a Muhammad e me tornei um muçulmano. No caminho, encontrei a Khalid ibn al-Walid – isso foi pouco antes da conquista de Meca – o qual vinha de Meca. Eu o perguntei: “Para onde você vai, Abu Salaiman?” Ele respondeu: “Por Allah, o sinal se completou. O homem é um profeta. Por Allah, eu estou indo me tornar um muçulmano. Quanto mais eu devo aguardar?” Então eu disse: “Por Allah, eu também estou indo para me converter.”

* Essa história envolvendo Najashi pode muito bem ter sido inventada por Amr ibn al-As para deixar sua conversão mais bem vista.

Então nós, juntos, fomos a Muhammad em Medina. Khalid jurou aliança a ele primeiro. Então eu me aproximei mais dele e disse: “Ó, Mensageiro de Allah! Eu faço aliança com você se meus pecados passados forem perdoados.” (Sobre os pecados futuros, eu nada disse.) Muhammad respondeu: “Pague obediência! O islã remove, ‘Amr, as tuas faltas, passadas e futuras.” (Sura al-Fath 48:2). Então eu paguei obediência e parti.”

7.04 -- Teste

Prezado leitor,
Se você estudou com atenção esse volume, você facilmente será capaz de responder às seguintes questões. Quem responder corretamente 90% dessas questões, nos 11 volumes desta série, receberá de nosso centro um certificado escrito de reconhecimento em:

Estudos Avançados
da vida de Muhammad à luz do Evangelho

- como encorajamento para o futuro serviço para Cristo.

  1. Como ocorreu a Batalha de Uhud?
  2. O que Muhammad viu em sua visão antes da Batalha de Uhud e qual foi seu significado?
  3. Que Sura foi revelada após a mutilação de Hamza e como Muhammad reagiu?
  4. O que aconteceu a Muhammad durante a Batalha de Uhud?
  5. Por que Muhammad baniu de Medina a tribo judaica dos Banu al-Nadir?
  6. Por que Muhammad ordenou que uma trincheira fosse cavada à volta de Medina?
  7. De que forma a tia de Muhammad, Saffiya (a filha de Abd al-Muttalib) provou sua coragem?
  8. Que artimanhas Muhammad usou para dividir os descrentes?
  9. Como começou a campanha militar contra os judeus dos Banu Curaiza, em Medina?
  10. Que ordens de Muhammad foram executadas contra os judeus dos Banu Curaiza após eles se renderem?

Todo participante deste teste está autorizado, com o propósito de responder as questões, a usar qualquer livro disponível ou a questionar pessoas de confiança, conforme desejado. Aguardamos respostas escritas, incluindo seu endereço completo, seja em papel ou e-mail. Oramos a Jesus, o vivo Senhor, para que Ele possa chamá-lo, enviá-lo, fortalecê-lo e preservá-lo todos os dias de sua vida!

Unidos com você a serviço de Jesus,
Abd al-Masih e Salam Falaki.

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